CAMÕES NA ESCOLA
DEPOIMENTOS DE 25 PERSONALIDADES
de 25 de ABRIl de 2026
Dia da Liberdade
a
10 de JUNHO 2026
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
nas edições de 6.ª feira a 2.ª feira
do JN e da TSF
Iniciativa no âmbito das comemorações dos
500 anos do nascimento de Luís de Camões.
Organização:
TSF e JN
Iniciativa desenvolvida em parceria com
a Estrutura de Missão para as comemorações do
V Centenário do Nascimento de Luís de Camões
Encontro com Camões na Escola
"O Jornal de Notícias e a TSF iniciam hoje a publicação de
uma série de depoimentos sobre Luís de Camões.
Na verdade, sobre as memórias que um conjunto de 25 personalidades
colecionou sobre Camões, quando se confrontou com o poeta
nos seus tempos de escola."
TESTEMUNHOS
Junho de 2026
...
Testemunho 4 | Coimbra, Portugal
Carlos Fiolhais
Carlos Fiolhais
Professor universitário
in Jornal de Noticias [online], 3.05.2026
Camões é um homem moderno
"Camões é um homem do seu tempo, muito nítido no canto V, que viu as coisas do mar, que navegou até à Índia e passou lá muitos anos.
Ele é absolutamente moderno. O livro é de 1572, a ciência moderna vai aparecer em força depois, no início do século XVII, com Galileu e outros, mas está ali já o espírito científico.
Percebi depois que aquele homem é um português do seu tempo que precede o alvorecer da ciência moderna. Ele diz que os marinheiros não acreditavam no que se dizia, mas acreditavam naquilo que os olhos viam, na experiência.
O valor da observação e da experiência está lá muito nítido e isso continua moderno hoje. Ele não tinha internet, mas não acreditava naquilo que era propalado, como se fosse feito pela inteligência artificial. Acreditava naquilo de que tinha experiência direta."
Carlos Fiolhais
Testemunho 3 | Goa, Índia
Delfim Correia da Silva
Delfim Correia da Silva
Leitor do Camões I.P. na Universidade de Goa
e responsável pelo Camões – CLP em Goa.
in Jornal de Noticias [online], 2.05.2026
O entusiasmo pela faceta de Camões oriental
"A reação é um pouco de surpresa, a partir do momento que começamos a revelar esta faceta do Camões oriental, do Camões que foi construindo a sua obra a partir da experiência no local, com as dificuldades, com os mistérios, as dúvidas. Procuramos sempre contextualizar os textos o melhor possível com as referências aos locais específicos, aos eventos específicos que têm a ver com a Índia, que têm a ver com o Oriente.
Os alunos começam a adquirir um certo interesse, um certo entusiasmo, e isso levou um aluno a escolher como tema de dissertação do mestrado um tópico que é um estudo comparativo entre o "Mahabharata", um poema épico indiano, e "Os Lusíadas".
Delfim Correia da Silva
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| Delfim Correia da Silva | Foto no Facebook pessoal, 2017 |
Testemunho 2 | Lisboa, Portugal
Helena Carvalhão Buescu
Helena Carvalhão Buescu
Escritora e professora universitária
in Jornal de Notícias [online], 1.05.2026
Camões como herói de Os Lusíadas
"O ângulo principal da minha abordagem [no livro Camões poeta, herói n"Os Lusíadas", 2026] é aquilo que enuncio no próprio título, a ideia de que Camões se torna um herói dentro do seu próprio poema.
Não porque tem numa mão a espada, mas, sobretudo, porque tem na outra mão a pena, ou seja, é o escritor, o poeta propriamente dito. E, enquanto poeta, ele vai presentificar-se em todos os cantos do poema.
Um poema que tem uma fortíssima interferência do sujeito poético e isso faz com que o poema deixe de ser apenas épico e passe a ser um poema épico-lírico. Ele não canta apenas os feitos dos portugueses - e critica muitos desses feitos -, mas, sobretudo, dá voz a um poeta que se subjetiviza na própria poesia, nos próprios "Lusíadas".
Nessa medida, transforma o poema, torna-o mais complexo e mais capaz de dar conta da complexidade e das contradições do Mundo."
Helena Carvalhão Buescu
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| Helena Carvalhão Buescu | Universității din București, 2022 |
Testemunho 1 | Porto, Portugal
Pedro Abrunhosa
Pedro Abrunhosa
cantor e compositor
Porto, Portugal
in Jornal de Notícias [online], 26.04.2026
O comércio e a pirataria dos conquistadores
Os Lusíadas "são também um libelo acusatório, porque o Camões é contra a epopeia que nos quiseram impingir. Ele coloca na voz do Mouro acusações à maneira como os cristãos sanguinários derramam o sangue pelo Atlântico. No canto X, uma das ninfas diz praticamente o mesmo: "vocês vêm para roubar e partirão deixando-nos em fogo". O velho do Restelo é quem diz, pela primeira vez: "cuidado, que os motivos pelos quais vocês partem à conquista são alargar a fé e o império". Mas era mais o império e o comércio.
O Camões soldado é o Camões d'Os Lusíadas. Ele fala do que viu. A pirataria que refere em vários cantos é de quem a presenciou e a praticou. E de quem interiormente se opôs, porque aquela sensibilidade de poeta não deixa de vir a lume."
Pedro Abrunhosa
para saber +
Redação do JN
in Jornal de Notícias [online], 25.04.2026
Redação: 3.04.2026




