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2026/05/16

A Gruta de Camões no Ta-ssi-yang-kuo: archivos e annaes do Extremo Oriente Portuguez editados por J. F. Marques Pereira

 

  Ta-ssi-yang-kuo:  
  archivos e annaes do Extremo Oriente Portuguez  

Colligidos, coordenados e anotados 
por
J[oão] F[eliciano] Marques Pereira

Lisboa: Typ. da Companhia Nacional Editora, 1899-1903.

🔗
Há exemplares digitalizados da revista
 na BNP em Lisboa (em formato pdf e para consulta online),
desde a série 1, vol. 1, n.º 1 (1899) até à série 2, vol. 4, n.º 6 (1903).
e na Biblioteca Virtual de Macau (para consulta online).
   TA-SSI-YANG-KUO  [Grande Reino do Mar do Ocidente] 
– Arquivos e anais do Extremo-Oriente português   
ed. literária original de J. F. Marques Pereira. 

Nova ed., em 2 volumes, em dez. 1984,
pela Dir. dos Serviços de Educação e Cultura / AHM, 
Série I - vols. I e II / Série II, vols. III e IV. 

Nova ed., em 3 volumes, 
cooeditada pela DSEJ / Fundação Macau, 
em dez. 1995.

"Introdução" | Leitura online

Nota à ed. de 1995:
"Com exepção da "Introdução", os dois primeiros volumes da presente edição reproduzem a edição anterior, de dezembro de 1984, da responsabilidade da então designada Direcção dos Serviços de Educação e Cultura (Arquivo Histórico de Macau), a qual, por sua vez, era reprodução fiel do original editado em Lisboa, em 1900 pela antiga Casa Bertrand - José Bastos, livreiro-Editor.
O 3.º volume é editado agora pela 1.ª vez e contém os números da Revista publicados entre 1863 e 1866.
Os microfilmes dos 3 volumes foram cedidos pelo Instituto Cultural de Macau (Arquivo Histórico de Macau)."

 O PROGRAMA DA REVISTA 

"A revista tem por títuto Ta-ssi-yang-kuó [...] e o sub-título Archivos e Annaes do Extremo-Oriente Portuguez e constituirá uma especie de repositório de documentos antigos, inéditos ou não, relativos à expansão portuguesa nessa parte do mundo, e bem assim de estudos, monografias, apontamentos, sobre a história, civilização, etnografia, filologia, linguística, folclore, usos e costumes de todos esses povos que estiveram ou estão em contacto com os portugueses, como, por exemplo, os chins, os malaios, os siameses, os japoneses, etc.; constituindo, por assim dizer, um arquivo de notícias ou de dados curiosos que ou estão espalhados por diversas obras, algumas raras e difíceis de adquirir, ou por manuscritos, a maior parte inéditos, das bibliotecas e arquiivos nacionais.

E, quando for oportuno, e se tiverem estabelecido relações entre esta revista e os atuais centros da vida portuguesa no Extremo-Oriente, haverá uma resenha de todo o movimento atual desses núcleos de portugueses ou de descendentes de portugueses que existem ainda em Macau, Hong-Kong, Timor, Malaca, Singapura, Siam, Manila, e em certos portos da China e do Japão. Enfim, será uma espécie dessas revistas ou arquivos publicados na Índia por Cunha Rivara, Nery Xavier, etc., mas elaborado sob um ponto de vista mais moderno e abrangendo todas as manifestações da vida, quer passada, quer presente, desses povos, nas suas relações connosco, e a influência recíproca que deles recebemos ou que sobre eles exercemos por intermédio dos nossos beneméritos missionários, soldados, marinheiros e comerciantes. E, para amenizar (condição essencial a toda a publicação, que pretenda ser bem aceita pelo público), será acompanhada de gravuras, vistas, estampas, representando munumentos, retratos, plantas de cidades, povoações e fortalezas, fac-similes de documentos raros, produtos da fauna e flora; usos e costumes, etc. Enfim todos os atrativos duma publicação moderna e que constitua no género uma novidade entre nós.

Agora, que o público, a legião dos estudiosos e os elementos oficiais nos auxiliem dentro das suas competências para que o Ta-ssi-yang-kuo prospere e se desenvolva e se torne em pouco tempo num verdadeiro arquivo de documentos, de factos históricos e de dados valiosos sobre o que Portugal tem praticado e pratica nessas longes terras, que vão desde a Índia aos confins da Oceania.
Esse auxílio será a única e verdadeira recompensa que ambicionamos, por termos metido ombros a uma tão arrojada tentativa."
J. F. Marques Pereira
"Razão da tentativa"
in Ta-ssi-yang-kuo, Série 1.ª, vol. 1.º, n.º 1 (out. 1899), p. 12-13

 A SECÇÃO CAMONIANA DA REVISTA 

"Hei de ver se, com tempo e vagar, ou se Deus me favorecer, conseguirei obter os esclarecimentos de que necessito. Mas, não quero deixar passar o primeiro aniversário da morte de Camões, depois da fundação desta revista, sem inaugurar, pelo menos, uma secção especialmente destinada a reunir todas as impressões que os escriptores nacionaes e estrangeiros teem publicado sobre a celebre e historica gruta de Macau, acompanhando-as de estampas, reproduções de gravuras ou photographias, representando essa encantadora estancia em diversas épocas em que foi mais ou menos favorecida pelas belezas naturais ou pelos cuidados ou abandono dos respetivos proprietários.

Publicou há anos a Sociedade de Geografia de Lisboa no fascículo n.° 2 da 12.ª série (1893) do seu Boletim, o Ábum da Gruta de Camões, cópia enviada pelo governo à mesma sociedade por ocasião de preparar a reunião do congresso internacional dos orientalistas em Lisboa (1892). São trechos (não todos) em prosa e verso escritos por diversos visitantes da gruta num álbum pertencente ao sr. Lourenço Marques, antigo proprietário da gruta e da respetiva quinta.

Todos esses trechos e ainda outros que não apareceram no Boletim, publicarei nesta secção; mas o meu principal intuíto é coligir aqui tudo quanto têm dito sobre a gruta em suas obras, os diversos escritores nacionais e estrangeiros. Para isso tenho já apontados muitos trechos que irão sucessivamente aparecendo, sem ordem cronológica, para não demorar a sua publicação — demora que se daria se eu tivesse primeiro de coligir tudo quanto houvesse sobre o assunto e depois publica-lo segundo a ordem dos anos em que appareceram esses trechos."
J. F. Marques Pereira
"A gruta de Camões: impressões e reminiscências" - I, com 3 gravuras.
in Ta-ssi-yang-kuo, Série I, vol. II, n.º 9 (jun. 1900), p. 530.


   A gruta de Camões: 
   impressões e reminiscências   

A presença de Camões na revista

 João Feliciano Marques Pereira, editor literário da revista Ta-Ssi-Yang-Kuo 
(1989-1903), nela publicará uma série de artigos sobre  
"impressões e reminescências" em torno de "a gruta de Camões".

Apresentamos a lista, o mais exaustivamente possível, 
dos números contendo artigos sobre o tema da Gruta de Camões.

1.
J. F. Marques Pereira
"A gruta de Camões: impressões e reminiscências" - I, com 3 gravuras.
in Ta-ssi-yang-kuo, Série I, vol. II, n.º 9 (jun. 1900), p. 525-543

2.
J. F. Marques Pereira
"A gruta de Camões: impressões e reminiscências" - II, com 1 gravura.
in Ta-ssi-yang-kuo, Série I, vol. II, n.º 10 (jul. 1900), p. 613-619

[1901?]

3.
J. F. Marques Pereira
"A gruta de Camões: impressões e reminiscências" - com 2 gravuras.
in Ta-ssi-yang-kuo, Série II, vol. III, n.º 1 (1902), p. 31-38

4.
J. F. Marques Pereira
"A gruta de Camões: impressões e reminiscências" - com 4 gravuras.
in Ta-ssi-yang-kuo, Série II, vol. III, n.º 2 (1902), p. 82-91

5.
J. F. Marques Pereira
"A gruta de Camões: impressões e reminiscências" - com 3 gravuras.
in Ta-ssi-yang-kuo, Série II, vol. III, n.º 6 (1902), p. 383-391

6.
J. F. Marques Pereira
"A gruta de Camões: impressões e reminiscências" - com 4 gravuras.
in Ta-ssi-yang-kuo, Série II, vol. IV, n.º 4 (1903), p. 674-683



[...]
J. F. Marques Perreira
n. Macau, 17.05.1863 - f. Macau, 7.06.1909
Ofial do Ministerio da Marinha e Ultramar,
professor, jornalista, investigador e divulgador da história de Macau 
e da presença dos portugueses na China.
Camonista.

Estudou no Colégio Luso-Britânico em Lisboa
e licenciou-se em Letras. 

Seguiu uma carreira na administração pública,
desempenhando o cargo de oficial do Ministério da Marinha e Ultramar
(foi nomeado 2.º oficial em 17 de maio de 1888, com 25 anos;
mais tarde será promovido a 1.º oficial e chefe de secção). 
Foi também professor da Escola Superior Colonial, 
e, à semelhança do seu pai, dedicou-se também ao jornalismo.
Assim, colaborou no Jornal do Comércio
n'A Tribuna, n'A Luta e na Revista Colonial e Marítima.

Considerado o primeiro sinólogo português moderno, 
 em 1899, lançou a revista Ta-Ssi-Yang-Kuo:
Archivos e annaes do Extremo-Oriente português,
que se manterá ativa até 1903. 
O título foi inspirado no “seminário de interesses públicos locaes, litterario e noticioso” 
fundado pelo seu pai, em 1863, ano do nascimento de J. F. Marques Perreira.
Nas páginas da revista começou por divulgar estudos sobre o Oriente:
a cultura, civilização e atualidades da China,
historiando também os interesses portugueses nessas paragens.
É ainda nesta revista que reiterademente publica 
"impressões e reminescências" sobre "a gruta de Camões".

No final da sua vida, representou Macau no Parlamento
pelas listas do Partido Progressista  liderado por Francisco Joaquim Ferreirado Amaral, 
filho do governador João Maria Ferreira do Amaral. 

João Feliciano Marques Pereira 
foi membro honorário da Royal Asiatic Society;
titular da Société Asiatique de Paris;
vogal da Comissão Asiática da Sociedade de Geografia de Lisboa;
sócio efectivo da Société Géografique de Paris;
vogal da Secção de Arqueologia da Real Associação dos Arquitetos Arqueólogos Portugueses;  
sócio correspondente do Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco; entre outros. 

Os seus estudos consagrados ao Oriente foram devidamente reconhecidos
dentro e fora de Macau e será agraciado com o Grau de 
Oficial da Ordem de Santiago, do Mérito Científico, Literário e Artístico.

para saber +

Alfredo Gomes Dias
in Dicionário Temático de Macau, Vol. IV, U. Macau, 2011, p. 1151. 
Reprod.online em Memória de Macau (atualizado em 3.11.2022).

JORJAZ, Jorge Forjaz
Famílias Macaenses, 
3 vols., Macau, 1996.

Padre Manuel Teixeira
Galeria de macaenses ilustres do século XIX
Macau, 1942, pp.  603-610, 

Padre Manuel Teixeira
Vultos Marcantes de Macau
Macau, 1982, p. 131. 

Acácio Fernando de Sousa
in RC - Revista de Cultura, Macau, out.-dez. 1998, p. 45-54.

Marcos Miguel Oliveira Couto 
tese, U. Porto.

Rafael Ávila de Azevedo
A Influência da Cultura Portuguesa em Macau, 
Lisboa: ICALP, Col. "Boblioteca Breve",1984

Acerca de Ta-Ssi-Yang-Kuo 

Alfredo Gomes Dias
“Ta-Ssi-Yang-Kuo”,
in MacaU, Macau, out. 1997 a dez. 1999.

Jorge Santos Alves
“Introdução”, in Ta-Ssi-Yang-Kuo 1899-1900
3 vols., Macau, 1995.

GARMES, Hélder 
A cultura sino-portuguesa no século XIX e o TA-SSi-YANG-KUO,
na revista Via Atlântica, USP, data?





Redação: 16.05.2026

A VIDA DE CAMÕES