"O tempo de Camões, Camões no nosso tempo"
IX REUNIÃO INTERNACIONAL DE CAMONISTAS
Primavera de 2026 | Braga, Porto e Lisboa
Comissão de Honra
Presidente da República
Primeiro-Ministro
Presidente da Assembleia da República
Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros
Ministro da Educação, Ciência e Inovação
Ministra da Cultura
Comissão Científica
Coordenadores dos Painéis
Comissão organizadora:
Isabel Almeida, José Augusto Cardoso Bernardes, Maria do Céu Fraga,
Micaela Ramon, Vanda Anastácio e Zulmira Santos.
Promovido diretamente pela
Estrutura de Missão para as Comemorações dos
"O congresso convocará
figuras que investigam em Portugal e no estrangeiro
e terá por principal objetivo
identificar e reconfigurar a agenda dos estudos camonianos.
Serão constituídos [...] painéis temáticos,
que terão por base os aspetos mais debatidos dos estudos camonianos."
A "Reunião visa avaliar e debater
as principais tendências da investigação camoniana,
bem como projetar uma agenda de estudos para os próximos anos."
in Camões 500 Anos (site oficial)
"O encontro dará particular atenção à investigação de jovens camonistas
e servirá de ponto de partida para a elaboração de um Compêndio sobre Camões,
coordenado por Isabel Almeida e Maria do Céu Fraga."
in Camões 500 Anos (site oficial)
PROGRAMA - Braga
MAR. 2026 | BRAGA
19 e 20 MAR. 2026 | Em BragaEscola de Letras, Artes e Ciências Humanas da Universidade do MinhoO tempo de Camões, Camões no nosso tempoIX Reunião Internacional de Camonistas
O tempo de Camões, Camões no nosso tempo
IX Reunião Internacional de Camonistas
19 de março
9h00 Receção de participantes
9h30 - 10h00
SESSÃO DE ABERTURA Contou com as intervenções de:
Gabriela Macedo, Professora emérita da U. Minho
João Rosas, Vice-reitor para a Cultura, Inclusão e Responsabilidade Social da U. Minho
José Augusto Cardoso Bernardes, Comissário-geral da Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões
Micaela Ramon, Professora do Dep. de Estudos Portugueses e Lusófonos da U. Minho
Organização da IX Reunião Internacional de Camonistas.
Vítor Moura, Diretor do CEHUM, U. Minho.
Imagem divulgada no Facebook, 20.03.2026, de Luís de Camões 500Imagens divulgadas no Facebook, 18.03.2026,
10h00 – 13h00 1º painel: CAMÕES: TRADIÇÃO CLÁSSICA
Moderador: Carlos Ascenso André
Da carta horaciana à poesia heroica: ‘As Oitavas a Dom Constantino de Bragança’ de CamõesThomas F. Earle, U. Oxford, Reino Unido"As oitavas, embora editadas e re-editadas múltiplas vezes ao longo dos séculos, não podem ser contadas, contudo, entre as obras mais conhecidas do poeta. A explicação deste facto pode ser que se trata de uma poesia híbrida, com algumas características da carta ou epístola em verso, mas que também constitui uma espécie de ensaio do estilo épico.
As estrofes iniciais do poema manifestam a influência de Horácio, mas, ao contrário do vate romano, Camões crê-se capaz da poesia épica, dedicando-se à celebração das façanhas militares do vice-rei e a considerações acerca de géneros literários, além do papel de Horácio na formação literária do poeta.
A comunicação toca também na terminologia geográfica empregada por Camões, que é a causa de alguma confusão entre os comentaristas do poema, na natureza da verdadeira fama, e na relação entre a retórica e a narrativa histórica."In: Programa e livro de Resumos | pdfImagem divulgada no Facebook, 23.03.2026,
Mandas-me, ó Rei, que conte declarando / De minha gente a grão genealogia. Os catálogos de heróis da História de Portugal n’Os Lusíadas:ecos da tradição homérica?Rui Faria, U. Açores"Tendo seguido de perto os modelos épicos da tradição clássica, é com a Eneida de Virgílio queOs Lusíadas dialogam mais vezes, não só ao nível da estrutura como também ao nível do conteúdo que, no canto de Camões, é filtrado e recriado em função dos objetivos do poeta etendo em conta as tendências do seu tempo. Esta relação não tem impedido, porém, que se proponham e se estabeleçam diálogos entre Os Lusíadas e outras obras da Antiguidade Clássica, como os Poemas Homéricos, os quais foram naturalmente fonte de inspiração para o Mantuano.
É nesta perspetiva que se inscreve a nossa comunicação, a qual pretende abrir ou reabrir outras relações dialógicas, destacando episódios e estruturas da Ilíada – que não é, como já comprovaram ilustres camonistas, um modelo de imitação para o qual Camões tenha olhado com particular atenção – cuja presença parece ecoar nalgumas passagens d’Os Lusíadas.
Um dos exemplos sobre os quais recai o nosso estudo incide no catálogo de heróis apresentado ao Rei de Melinde por Vasco da Gama quando este narra ao estrangeiro a História de Portugal, momento em que nos parece ser possível falar-se em recuperação ou recriação – voluntária ou não – do “Catálogo das Naus” que ocupa grande parte do Canto II da Ilíada."In: Programa e livro de Resumos | pdfImagem divulgada no Facebook, 20.03.2026,
Entre Homero, Virgílio e Tasso: Camões e o cânone épico no paratexto das RimasMatteo Rei, U. Turim"As edições das Rimas que viram a lume em 1595 e em 1598 são os primeiros volumes publicados em Portugal a conter poemas laudatórios dedicados a Camões, de acordo com uma prática que já caracterizava as três traduções espanholas de Os Lusíadas surgidas ao longo do século XVI.
Em particular, o paratexto das Rimas transmite-nos um corpus de dez textos, escritos em três diferentes línguas (português, italiano e latim), entre os quais ressalta, pelo prestígio do autor, o soneto escrito por Torquato Tasso.
A comunicação propõe-se analisar os motivos comuns a este conjunto de textos, cujo papel foi significativo na primeira receção da obra de Camões e na fase inicial da sua canonização literária."In: Programa e livro de Resumos | pdfImagem divulgada no Facebook, 20.03.2026,
9h00
Receção de participantes
SESSÃO DE ABERTURA
Contou com as intervenções de:
Gabriela Macedo,
Professora emérita da U. Minho
João Rosas,
Vice-reitor para a Cultura, Inclusão e Responsabilidade Social da U. Minho
José Augusto Cardoso Bernardes,
Comissário-geral da Estrutura de Missão para as Comemorações
do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões
Micaela Ramon,
Professora do Dep. de Estudos Portugueses e Lusófonos da U. Minho
Organização da IX Reunião Internacional de Camonistas.
Vítor Moura, Diretor do CEHUM, U. Minho.
Imagem divulgada no Facebook, 20.03.2026, de Luís de Camões 500
Imagens divulgadas no Facebook, 18.03.2026,
10h00 – 13h00
Moderador: Carlos Ascenso André
Da carta horaciana à poesia heroica:
‘As Oitavas a Dom Constantino de Bragança’ de Camões
Thomas F. Earle, U. Oxford, Reino Unido
"As oitavas, embora editadas e re-editadas múltiplas vezes ao longo dos séculos, não podem ser contadas, contudo, entre as obras mais conhecidas do poeta. A explicação deste facto pode ser que se trata de uma poesia híbrida, com algumas características da carta ou epístola em verso, mas que também constitui uma espécie de ensaio do estilo épico.
As estrofes iniciais do poema manifestam a influência de Horácio, mas, ao contrário do vate romano, Camões crê-se capaz da poesia épica, dedicando-se à celebração das façanhas militares do vice-rei e a considerações acerca de géneros literários, além do papel de Horácio na formação literária do poeta.
A comunicação toca também na terminologia geográfica empregada por Camões, que é a causa de alguma confusão entre os comentaristas do poema, na natureza da verdadeira fama, e na relação entre a retórica e a narrativa histórica."
In: Programa e livro de Resumos | pdf
Imagem divulgada no Facebook, 23.03.2026,
Mandas-me, ó Rei, que conte declarando / De minha gente a grão genealogia.
Os catálogos de heróis da História de Portugal n’Os Lusíadas:
ecos da tradição homérica?
Rui Faria, U. Açores
"Tendo seguido de perto os modelos épicos da tradição clássica, é com a Eneida de Virgílio que
Os Lusíadas dialogam mais vezes, não só ao nível da estrutura como também ao nível do conteúdo que, no canto de Camões, é filtrado e recriado em função dos objetivos do poeta e
tendo em conta as tendências do seu tempo. Esta relação não tem impedido, porém, que se proponham e se estabeleçam diálogos entre Os Lusíadas e outras obras da Antiguidade Clássica, como os Poemas Homéricos, os quais foram naturalmente fonte de inspiração para o Mantuano.
É nesta perspetiva que se inscreve a nossa comunicação, a qual pretende abrir ou reabrir outras relações dialógicas, destacando episódios e estruturas da Ilíada – que não é, como já comprovaram ilustres camonistas, um modelo de imitação para o qual Camões tenha olhado com particular atenção – cuja presença parece ecoar nalgumas passagens d’Os Lusíadas.
Um dos exemplos sobre os quais recai o nosso estudo incide no catálogo de heróis apresentado ao Rei de Melinde por Vasco da Gama quando este narra ao estrangeiro a História de Portugal, momento em que nos parece ser possível falar-se em recuperação ou recriação – voluntária ou não – do “Catálogo das Naus” que ocupa grande parte do Canto II da Ilíada."
In: Programa e livro de Resumos | pdf
Imagem divulgada no Facebook, 20.03.2026,
Entre Homero, Virgílio e Tasso:
Camões e o cânone épico no paratexto das Rimas
Matteo Rei, U. Turim
"As edições das Rimas que viram a lume em 1595 e em 1598 são os primeiros volumes publicados em Portugal a conter poemas laudatórios dedicados a Camões, de acordo com uma prática que já caracterizava as três traduções espanholas de Os Lusíadas surgidas ao longo do século XVI.
Em particular, o paratexto das Rimas transmite-nos um corpus de dez textos, escritos em três diferentes línguas (português, italiano e latim), entre os quais ressalta, pelo prestígio do autor, o soneto escrito por Torquato Tasso.
A comunicação propõe-se analisar os motivos comuns a este conjunto de textos, cujo papel foi significativo na primeira receção da obra de Camões e na fase inicial da sua canonização literária."
In: Programa e livro de Resumos | pdf
Imagem divulgada no Facebook, 20.03.2026,
11h30 – 12h00
Intervalo para café
Qual contra a linda moça Policena... (Lus. I.131.1): o mundo clássico nos símiles camonianosMaria Cristina Pimentel, U. Lisboa
"Assumindo a distinção da retórica clássica entre, por um lado, a comparação, a metáfora e o símile, e, por outro, o exemplum, ocupar-nos-emos dos símiles na épica e na lírica camonianas em que um dos termos que permitem e sustentam o símile pertence ao mundo clássico (figuras históricas ou mitológicas, episódios ou lugares da Antiguidade).
Observaremos em que medida o tertium comparationis do símile apresenta uma maior ou menor coincidência de elementos e circunstâncias entre os dois termos sugeridos em paralelo de identificação ou contiguidade.
Assim, avaliaremos o grau de pertinência e verosimilhança do símile, quer no que toca ao seu objetivo explicativo ou ilustrativo, quer no que respeita à sua função no ornatus da poesia camoniana."In: Programa e livro de Resumos | pdf
Camões contra-clássico: poéticas da tradição e continuidadeAndré Baptista, U. Lisboa
"Esta comunicação propõe uma leitura de Camões à luz do conceito de «contra-clássico», aqui entendido como hipótese interpretativa desenvolvida no âmbito de um projeto de doutoramento, que permite considerar o poeta simultaneamente continuador e inovador de uma tradição greco-latina já historicizada, assumida a partir de uma consciência de posterioridade.
Partindo da noção de «continuidade descontínua» da tradição literária, a análise centra-se em poemas selecionados da lírica camoniana, de modo a ilustrar uma poética de continuidade marcada pela tensão entre norma e invenção formal.
A leitura articula três dimensões complementares: a relação consciente com a tradição clássica;a renovação e continuidade da sua poética, em diálogo com reflexões contemporâneas sobre herança cultural; e a perspetiva de itinerário textual e histórico, evidenciando como procedimentos como a erudição e a autoconsciência poéticas, frequentemente associadas a uma sensibilidade maneirista, se inscrevem num iter que faz comunicar Antiguidade e Modernidade.
Ao situar Camões no contexto de um «contra-clássico» moderado, a comunicação contribui para o painel «Estudos camonianos: continuidade e renovação», mostrando de que modo a tradição clássica é reinterpretada de forma criativa e crítica na lírica camoniana e oferecendo uma leitura acessível, rigorosa e centrada na obra, que combina análise textual, enquadramento histórico e reflexão crítica sobre tradição e invenção literária."In: Programa e livro de Resumos | pdf
13h00 – 15h00 Intervalo para almoço
15h00 – 17h00 2º painel: ESTUDOS CAMONIANOS: ITINERÁRIO(S)
Moderador: José Carlos Seabra Pereira
Luís de Camões entre a Europa e a Ásia
K. D. Jackson, U. Yale
"Os versos que Camões deve ter escrito ao longo dos seus dezassete anos (1553–1569) na Ásia constituem uma geografia do seu exílio e das suas tribulações.A sua poesia é marcada por confissões de perda e de saudade de Portugal, geralmente dirigidas a uma musa e às memórias de um outro tempo. Embora os seus poemas estejam repletos de queixas desesperadas, Camões distingue-se pela capacidade de encontrar refúgio na filosofia e na própria tradição clássica em que escreve e pensa. É o primeiro grande autor a escrever literatura europeia na Ásia, recorrendo ao seu vasto conhecimento da literatura, da cultura, da história e da filosofia clássicas."Imagem divulgada no Facebook, 23.03.2026,
Estudar Camões entre o passado e o porvir: da Camonologia à CamonísticaXosé Manuel Dasilva, U. Vigo
"A celebração das efemérides relacionadas com Camões costuma representar, principalmente desde a comemoração do tricentenário da sua morte, uma oportunidade bastante propícia para fazer um balanço crítico.
Assim, no que diz respeito ao presente, observa-se a sobrevivência do que poderíamos denominar algumas reduções tradicionais, como a imagem do poeta em grande parte dominada pela excecionalidade e as interpretações de natureza biográfica da obra lírica.
Ao mesmo tempo, deteta-se a presença de novas vias interpretativas, como a revisão da posição primacial de Camões em comparação com os seus contemporâneos e a contextualização da sua produção sob o ângulo da herança clássica e do quadro literário peninsular.
No entanto, verifica-se a existência de deveres ainda pendentes, como a complexa questão editorial no que se refere ao cânone autoral no género lírico e à fixação do texto verdadeiro tanto neste registo como no épico e no teatral.
O propósito desta contribuição centra-se precisamente noutra tarefa que, em nossa opinião, também se encontra à espera. Trata-se do estabelecimento de meios renovados para garantir o porvir das aproximações ao escritor. Sem dúvida, é um facto inegável que o atual candidato a estudioso de Camões tem de enfrentar fontes bibliográficas de dimensão gigantesca, o que provoca compreensivelmente uma certa atitude de retraimento. Uma prova evidente dessa circunstância é a tendência contínua, já desde o século XIX, de elaborar catálogos de referências tanto ativas como passivas. A partir da necessária distinção entre os conceitos de Camonologia e Camonística, utilizados para designar, respetivamente, o conjuntode estudos e a investigação propriamente dita sobre Camões, propõe-se aqui a criação de umabibliografia camoniana informatizada, concebida de acordo com critérios adequados e com o caráter mais exaustivo possível, com o objetivo essencial de favorecer o trabalho dos futuros especialistas."Imagem divulgada no Facebook, 20.03.2026,
Ensinar a ler Os Lusíadas: o dispositivo hermenêutico de Manuel CorreiaMaria Teresa Nascimento, U. Madeira
"Partindo da hipótese de que todo o comentário implica um gesto de autoridade, propomo-nos analisar a prática exegética de Manuel Correia como dispositivo de regulação e orientação de sentido, ao instituir-se como mediação autorizada entre texto e leitor.
Comentar é, neste contexto, produzir legibilidade e afirmar autoridade interpretativa. É fixar o que “deve” ser entendido, excluir silenciosamente leituras divergentes e orientar a receção futura.
Comentar pode significar ensinar a ler: formar um leitor capaz de reconhecer códigos éticos e estéticos, interpretar imagens e integrar a poesia épica num horizonte de saber estruturado. O trabalho exegético do Comentador, ao articular filologia humanista, doutrina moral e legitimação histórica, produz uma leitura controlada que fortalece o estatuto da epopeia enquanto obra simultaneamente poética, verdadeira e edificante."Imagem divulgada no Facebook, 20.03.2026,
17h00 – 17h30Intervalo para café
17h30 – 18h00Apresentação do projeto RELIA por Sílvia Araújo, Rômulo Sherman e Eduardo Mota,(ELACH - U. Minho
Intervalo para café
Qual contra a linda moça Policena... (Lus. I.131.1):
o mundo clássico nos símiles camonianos
Maria Cristina Pimentel, U. Lisboa
"Assumindo a distinção da retórica clássica entre, por um lado, a comparação, a metáfora e o símile, e, por outro, o exemplum, ocupar-nos-emos dos símiles na épica e na lírica camonianas em que um dos termos que permitem e sustentam o símile pertence ao mundo clássico (figuras históricas ou mitológicas, episódios ou lugares da Antiguidade).
Observaremos em que medida o tertium comparationis do símile apresenta uma maior ou menor coincidência de elementos e circunstâncias entre os dois termos sugeridos em paralelo de identificação ou contiguidade.
Assim, avaliaremos o grau de pertinência e verosimilhança do símile, quer no que toca ao seu objetivo explicativo ou ilustrativo, quer no que respeita à sua função no ornatus da poesia camoniana."
In: Programa e livro de Resumos | pdf
Camões contra-clássico: poéticas da tradição e continuidade
André Baptista, U. Lisboa
"Esta comunicação propõe uma leitura de Camões à luz do conceito de «contra-clássico», aqui entendido como hipótese interpretativa desenvolvida no âmbito de um projeto de doutoramento, que permite considerar o poeta simultaneamente continuador e inovador de uma tradição greco-latina já historicizada, assumida a partir de uma consciência de posterioridade.
Partindo da noção de «continuidade descontínua» da tradição literária, a análise centra-se em poemas selecionados da lírica camoniana, de modo a ilustrar uma poética de continuidade marcada pela tensão entre norma e invenção formal.
A leitura articula três dimensões complementares: a relação consciente com a tradição clássica;
a renovação e continuidade da sua poética, em diálogo com reflexões contemporâneas sobre herança cultural; e a perspetiva de itinerário textual e histórico, evidenciando como procedimentos como a erudição e a autoconsciência poéticas, frequentemente associadas a uma sensibilidade maneirista, se inscrevem num iter que faz comunicar Antiguidade e Modernidade.
Ao situar Camões no contexto de um «contra-clássico» moderado, a comunicação contribui para o painel «Estudos camonianos: continuidade e renovação», mostrando de que modo a tradição clássica é reinterpretada de forma criativa e crítica na lírica camoniana e oferecendo uma leitura acessível, rigorosa e centrada na obra, que combina análise textual, enquadramento histórico e reflexão crítica sobre tradição e invenção literária."
In: Programa e livro de Resumos | pdf
13h00 – 15h00
Intervalo para almoço
Moderador: José Carlos Seabra Pereira
Luís de Camões entre a Europa e a Ásia
K. D. Jackson, U. Yale
"Os versos que Camões deve ter escrito ao longo dos seus dezassete anos (1553–1569) na Ásia constituem uma geografia do seu exílio e das suas tribulações.
A sua poesia é marcada por confissões de perda e de saudade de Portugal, geralmente dirigidas a uma musa e às memórias de um outro tempo. Embora os seus poemas estejam repletos de queixas desesperadas, Camões distingue-se pela capacidade de encontrar refúgio na filosofia e na própria tradição clássica em que escreve e pensa.
É o primeiro grande autor a escrever literatura europeia na Ásia, recorrendo ao seu vasto conhecimento da literatura, da cultura, da história e da filosofia clássicas."
Imagem divulgada no Facebook, 23.03.2026,
Estudar Camões entre o passado e o porvir:
da Camonologia à Camonística
Xosé Manuel Dasilva, U. Vigo
"A celebração das efemérides relacionadas com Camões costuma representar, principalmente desde a comemoração do tricentenário da sua morte, uma oportunidade bastante propícia para fazer um balanço crítico.
Assim, no que diz respeito ao presente, observa-se a sobrevivência do que poderíamos denominar algumas reduções tradicionais, como a imagem do poeta em grande parte dominada pela excecionalidade e as interpretações de natureza biográfica da obra lírica.
Ao mesmo tempo, deteta-se a presença de novas vias interpretativas, como a revisão da posição primacial de Camões em comparação com os seus contemporâneos e a contextualização da sua produção sob o ângulo da herança clássica e do quadro literário peninsular.
No entanto, verifica-se a existência de deveres ainda pendentes, como a complexa questão editorial no que se refere ao cânone autoral no género lírico e à fixação do texto verdadeiro tanto neste registo como no épico e no teatral.
O propósito desta contribuição centra-se precisamente noutra tarefa que, em nossa opinião, também se encontra à espera. Trata-se do estabelecimento de meios renovados para garantir o porvir das aproximações ao escritor. Sem dúvida, é um facto inegável que o atual candidato a estudioso de Camões tem de enfrentar fontes bibliográficas de dimensão gigantesca, o que provoca compreensivelmente uma certa atitude de retraimento. Uma prova evidente dessa circunstância é a tendência contínua, já desde o século XIX, de elaborar catálogos de referências tanto ativas como passivas. A partir da necessária distinção entre os conceitos de Camonologia e Camonística, utilizados para designar, respetivamente, o conjunto
de estudos e a investigação propriamente dita sobre Camões, propõe-se aqui a criação de uma
bibliografia camoniana informatizada, concebida de acordo com critérios adequados e com o caráter mais exaustivo possível, com o objetivo essencial de favorecer o trabalho dos futuros especialistas."
Imagem divulgada no Facebook, 20.03.2026,
Ensinar a ler Os Lusíadas: o dispositivo hermenêutico de Manuel Correia
Maria Teresa Nascimento, U. Madeira
"Partindo da hipótese de que todo o comentário implica um gesto de autoridade, propomo-nos analisar a prática exegética de Manuel Correia como dispositivo de regulação e orientação de sentido, ao instituir-se como mediação autorizada entre texto e leitor.
Comentar é, neste contexto, produzir legibilidade e afirmar autoridade interpretativa. É fixar o que “deve” ser entendido, excluir silenciosamente leituras divergentes e orientar a receção futura.
Comentar pode significar ensinar a ler: formar um leitor capaz de reconhecer códigos éticos e estéticos, interpretar imagens e integrar a poesia épica num horizonte de saber estruturado. O trabalho exegético do Comentador, ao articular filologia humanista, doutrina moral e legitimação histórica, produz uma leitura controlada que fortalece o estatuto da epopeia enquanto obra simultaneamente poética, verdadeira e edificante."
Imagem divulgada no Facebook, 20.03.2026,
17h00 – 17h30
Intervalo para café
17h30 – 18h00
Apresentação do projeto RELIA
por Sílvia Araújo, Rômulo Sherman e Eduardo Mota,
(ELACH - U. Minho
18h30 | Na Livraria 100.ª Página, em Braga Apresentação da obra dedicada a Camões: "Amore e Disordine del Mondo: sonetti e altre poesie"
Edição e tradução de Valeria Tocco
Com a participação de Valeria Tocco, Università di PisaMicaela Ramon, U. Minhoe Sofia Lima, Shantarin Editora.
A antologia "propõe uma leitura da lírica camoniana centrada no tema do amor, entendido como elemento estruturante da experiência individual e das relações humanas no contexto do Renascimento e do Maneirismo europeus."
Sessão integrada no programa da IX Reunião Internacional de CamonistasBraga, 19-20 mar. 2026, na ELACH/Universidade do Minho,que incluiu ainda momentos de leitura por alunos da ELACH.Imagens divulgadas no Facebook, 20.03.2026,
Imagens divulgadas no Facebook, 20.03.2026,
20 de março
9h00 – 11h303º painel:
EDITAR CAMÕES
Moderador: Carlos M. de Sousa
Moderador: Carlos M. de Sousa
Para que serve uma edição crítica?
Simon Park, U. Oxford
"Partindo da experiência recente de coedição de Os Lusíadas, esta comunicação reflete sobre o que torna uma edição verdadeiramente ‘crítica’.
Analisa-se, em particular, o desafio de editar o poema épico de Camões para leitores do século XXI, sobretudo para estudantes que se sentem afastados por um texto de grande densidade erudita e para leitores sensíveis às ligações profundas da obra aos legados históricos do império português.
Propõe que a dimensão “crítica” de uma edição não reside apenas no rigor filológico, mas também na capacidade de contextualização histórica e de problematização interpretativa, essenciais para uma leitura informada, pedagógica e eticamente consciente de Os Lusíadas na contemporaneidade."
In: Programa e livro de Resumos | pdfImagem divulgada no Facebook, 23.03.2026,
A prova do tempo. Retraduzir Camões hoje
Valeria Tocco, U. Pisa
"No contexto das recentes comemorações camonianas, registou-se uma atenção renovada para o ensino de um clássico renascentista no terceiro milénio. Neste sentido, torna-se relevante analisar também de que modo a obra de um poeta do século XVI é hoje mediada pela tradução e oferecida a novos públicos. O caso italiano constitui um observatório privilegiado para refletir sobre as modalidades de transmissão e tradução de textualidades tão aparentemente distantes (no tempo e no espaço), dada a publicação de várias novas versões da obra lírica e épica por ocasião dos centenários de 1972, 1980 e, em particular, 2024-2026.
As traduções analisadas partilham o pressuposto metodológico do respeito pela forma poética do original - verso, rima e estrutura estrófica -, mas divergem significativamente quanto ao registo linguístico e à gestão da historicidade.
Algumas privilegiam uma língua alta e historicamente neutra, orientada para a legibilidade e a integração no sistema poético de chegada, em linha com práticas de domestication (Venuti); outras recorrem a formas de arcaísmo simulado, destinadas a tornar visível a distância temporal do texto, numa perspetiva próxima da épreuve de l’étranger (Berman).
À luz da reflexão de Meschonnic sobre a relação entre poética e tradução, o contributo propõe repensar a fidelidade como negociação entre forma, ritmo e historicidade na tradução contemporânea de Camões."
In: Programa e livro de resumos | pdfImagens divulgadas no Facebook, 20.03.2026,
O Teatro de Camões «como diz o texto»
José Camões, U. Lisboa
"Conhecedor do repertório teatral que se faz no seu tempo, Luís de Camões inscreve de modo singular o seu Teatro na restante produção dramática portuguesa do século XVI. A par da observação e desvio das convenções teatrais quinhentistas, revela-se ciente de uma linguagem
construída a um tempo per sua arte e pelo natural.
Para além da fixação do(s) texto(s), o editor beneficia quando conhece o universo teatral do tempo do poeta, os lugares que o teatro torna comuns, e tem consciência de que os factos da língua se registam de modo diferente quando se está perante um texto concebido para ser dito em voz alta."
In: Programa e livro de Resumos | pdf
11h30 – 11h45
Intervalo para café
Intervalo para café
11h45 – 13h30
4º painel:
ESTUDOS CAMONIANOS: CONTINUIDADE E RENOVAÇÃO I
Moderador: Isabel Almeida
Moderador: Isabel Almeida
Imagem divulgada no Facebook, 21.03.2026,
O que dizem os ausentes d’Os Lusíadas
Carlos Maria Bobone, Lisboa
"Depois da interpretação de Jorge de Sena, que procura encontrar uma relação unificada entre as personagens do épico a partir de um vínculo familiar que tem o poeta no centro, vale a pena inverter a pergunta. Um olhar sobre os principais protagonistas da História Portuguesa ausentes d’Os Lusíadas permite-nos perceber uma recusa camoniana de algum tipo de atitude ou ideologia?
In: Programa e livro de Resumos | pdf
Imagem divulgada no Facebook, 21.03.2026,
e alguns problemas fundamentais da historiografia literária
Matheus de Brito, U. Estado do Rio de Janeiro
"Os estudos camonianos são em grande medida um campo especializado da história literária, espelham sua disciplinaridade e como tal oferecem um prisma para ela. Em seu modelo normal,
consolidado através da capilarização institucional da cultura letrada, essa história foi elaborada
por categorias do pensamento e do modo de vida do século XIX. Disso decorrem, porém, problemas específicos quando se trata de um autor como Camões.
Por um lado, ele constitui o núcleo do cânone literário em língua portuguesa e em certo sentido até parece um autor como que exaurido pela crítica; por outro, no momento em que convenções de leitura e produção discursivas que herdamos do século XIX são afastadas de sua obra, fica em mais de um sentido evidente que, como disse Graça Moura, “sabemos muito pouco de Camões”. Essa discrepância entre familiaridade canônica e opacidade histórica pode ser remediada pela reconstrução crítica, diferenciadora, do conjunto de práticas letradas próprias das sociedades de antigo regime que constituem a fibra íntima da obra do poeta.
Um dos principais entraves conceituais na abordagem do campo é o recurso a -ismos como categorias descritivas fundadas em critérios estilísticos como se tais critérios se ancorassem em
realidades diretas, um pouco segundo o dictum buffoniano de que “o estilo é o próprio homem”. Herdados do historicismo romântico-positivista, em si uma ferramenta de classe na mão de uma burguesia que remodelava as relações sociais e político-jurídicas de seu tempo, o objetivo desses conceitos era tornar comensuráveis o passado e o presente, viabilizando uma continuidade histórica às expensas da especificidade dos objetos; nesse sentido, hoje o declínio
dos -ismos deve-se sobretudo ao seu progressivo embotamento investigativo, modelados como foram por procedimentos redutores cuja economia pedagógica entra em conflito com a atual complexidade do campo, seus propósitos de conhecimento e em certo sentido até mesmo as premissas sócio-históricas que organizam o discurso do saber. Seja como for, a hipóstase didático-conceitual do modelo normalizado da história tornou-se matriz de anacronismos e outras deformações de perspetiva relativas à pragmática textual histórica.
Se reconhecemos que esse modelo desempenhou uma função institucional com consistência própria, como forma de conter ou represar apropriações mais “selvagens” dos artefactos literários, parece, de qualquer modo, que na didática literária os -ismos contribuíram de modo (conceitualmente) decisivo para a consabida desqualificação da leitura literária no espaço social, precisamente por elidi-la.
Esse paradoxo da domesticação disciplinar incide também sobre Camões, já que abordagens “selvagens” talvez sejam o sismógrafo da vitalidade de um fenômeno cultural. Ler sua obra hoje
implica, assim, em mais de um sentido, confrontar os limites impostos pela canonização – implica menos o acúmulo de novas proposições interpretativas do que a análise das condições críticas, discursivas e institucionais que determinaram os modos como Camões foi lido e ensinado.
Nesse contexto, parece-nos produtivo o recurso à obra de Faria e Sousa. É certamente uma fonte valiosa para a reelaboração de “um Camões bem diferente”, anterior às determinações interpretativas que os conceitos de arte literária e cultura burgueses do século XIX lhe imprimiram. Além disso, de um ponto de vista teórico, sua pré-disciplinaridade exige o deslocamento de conteúdos, a desnaturalização de categorias e uma reavaliação da história da
canonização de Camões.
Perguntamo-nos em suma: de que modo é possível reimaginar questões de ensino e pesquisa da obra camoniana quando pensamos Faria e Sousa como fonte histórica e instrumento heurístico para mapear referências e usos de produção e receção camonianas?
Nossa comunicação propõe uma visão dessas questões, em duas etapas: primeiro, organizaremos num nível metateórico os pontos pertinentes à nossa exposição; de seguida, pensaremos algumas passagens da obra de Faria e Sousa, “Príncipe dos críticos”, no que ela tem de relevante para a nossa atualidade."
In: Programa e livro de Resumos | pdf
Um largo mundo por alumiar: Os Lusíadas e a literatura novilatina portuguesa
Gil Teixeira, U. Porto
"O inesquecível Ega d’Os Maias talvez ainda tenha razão quando, no diálogo final com Carlos da Maia, à pergunta “E que somos nós?” responde, convictamente, “românticos”. Em parte, por herança romântica, de facto, habituámo-nos a estudar literatura portuguesa dos séculos XVI a XVIII a partir de obras escritas exclusivamente em língua portuguesa.
José Adriano de Freitas Carvalho chamou já a nossa atenção para os perigos deste entendimento cómodo, mas redutor, do panorama literário nacional, pois quer as obras em castelhano, quer as obras em latim, fizeram parte do sistema literário e, por isso, são fundamentais para a sua plena compreensão.
Assim, nesta breve comunicação, com o auxílio de investigadores que nos precederam, refletiremos, num primeiro momento, sobre a importância da literatura novilatina no enquadramento poético d’Os Lusíadas, como é o caso do poema Vincentius Leuita et Martyr (1545) de André de Resende. Num segundo momento, consideraremos a literatura novilatina produzida depois de Camões e veremos os diferentes modos como ela dialoga com os versos do príncipe dos poetas, como é o caso do poema épico Castreidos (1739) do teatino Tomás Caetano de Bem.
Com o cruzamento de dois mundos que o tempo separou, entenderemos com maior clareza, certamente, o funcionamento do sistema literário português da Idade Moderna, bem como o papel central d’Os Lusíadas nesse mesmo sistema."
In: Programa e livro de Resumos | pdf
13h00 – 15h00
Intervalo para almoço
17h00 – 17h00
5º painel:
ESTUDOS CAMONIANOS: CONTINUIDADE E RENOVAÇÃO II
Moderadora: Maria do Céu Fraga
Moderadora: Maria do Céu Fraga
Imagem divulgada no Facebook, 21.03.2026,
Na doudice só consiste o siso:
a loucura como categoria crítica na épica e na lírica de Camões
Maria Luísa de Castro Soares, UTAD
"Esta comunicação analisa a evolução do conceito de loucura enquanto categoria crítica na cultura ocidental, centrando-se na transição da Antiguidade Clássica para o Humanismo Renascentista, com particular enfoque na obra de Luís de Vaz de Camões. O estudo traça o percurso da loucura desde as suas raízes mitológicas, onde surge como vingança divina e desvario místico, associado à figura de Dioniso, ou como presunção e cegueira trágica, tal como representadas na épica homérica e na tragédia sofocliana.
No contexto do Renascimento, sob a influência do pensamento erasmiano, a loucura é progressivamente ressignificada como uma categoria satírica e um dispositivo crítico capaz de expor a hipocrisia social e os mecanismos de poder, assumindo também uma função de coesão
e integração coletiva, visível em autores como Gil Vicente e Sá de Miranda.
A análise culmina na obra camoniana, onde se identifica uma conceção ambivalente da loucura. No plano épico, esta manifesta-se sob a forma de excesso heroico e de uma lógica de desmedida que sustenta a expansão marítima e a superação dos limites humanos. No plano lírico, nomeadamente através do episódio de Trasilau, a loucura surge como uma ilusão protetiva, capaz de resguardar o indivíduo da dor da realidade e do “desconcerto do mundo”.
Conclui-se que Camões subverte o paradigma moral tradicional ao afirmar que “na doudice só consiste o siso”, sugerindo que a lucidez é inseparável do sofrimento e do peso social, enquanto a loucura oferece um espaço de liberdade radical e de equilíbrio interior face à violência do real."
In: Programa e livro de Resumos | pdf
O grito de Camões
Luís Maffei, U. Federal Fluminense
"A poesia de Camões, tanto na lírica como no épico, não raro investiga limites e fronteiras da linguagem. Modos de tocar bordas da língua poética – o que só é possível dentro dessa língua – são a abertura ao sonho, a modulação da voz (a “tuba canora” e a “agreste avena”), o choro e, entre outras encenações, ou gestos, o grito.
Este trabalho pretende observar um pouco desse labor camoniano, com especial atenção ao grito, cujas manifestações na obra são múltiplas.
Interlocutor central para esta reflexão será o ensaio Ayaï! O grito da literatura, de Hélène Cixous, o que pode demonstrar, mais uma vez, o talento da poesia de Camões para dialogar com o pensamento contemporâneo."
In: Programa e livro de Resumos | pdf
O tema do fanchono e dos judeus nos comentários
de Faria e Sousa aos Disparates de Camões na Índia
Marcia Arruda Franco, U. São Paulo
"O comentário de Faria e Sousa a redondilhas de Camões ficou inédito, isto é, não consta das Rimas Varias (1685-9). No volume IV da sua edição das Obras de Camões, o Visconde Juromenha resumiu em suas notas os comentários do célebre seiscentista, pois teve acesso ao Segundo Borrador, 1644, em que muitas trovas são comentadas embora de forma lacunar e desigual.
Atualmente, as páginas desse comentário estão divididas em dois códices de duas bibliotecas de diferentes continentes. Algumas poucas redondilhas estão no códice da Biblioteca Ducal de Vila Viçosa, onde se encontra misturado a éclogas o juízo sobre a medida velha e os comentários a Babel e Sião já publicados por Maria de Céu Fraga. As anotações referentes aos
Disparates seus na Índia estão junto a outras muitas redondilhas, encadernados no final do códice depositado na Houghton Library da Universidade de Harvard, com os seus comentários a Os Lusíadas, cujo Segundo Borrador é datado de 1621.
Em algum momento esses comentários formavam um único códice a que outro bibliófilo Tomás de Aquino teve acesso no século XVIII antes do Visconde o referir como seu, no IV Volume de suas obras completas em 1863, antes da desmembração e encadernação atual.
Nesta comunicação, objetivo mostrar aspetos da mentalidade antissemita e homofóbica de Faria e Sousa desnudada em seus comentários a esta sátira de Camões."
In: Programa e livro de Resumos | pdf
Imagem divulgada no Facebook, 21.03.2026,
Medicina como Arte e Ciência na Ode VIII e n’Os Lusíadas, de Luís de Camões
F. Regateiro e M. L. Castro Soares, FMUC / CEL-UTAD
"O trabalho analisa a interseção entre ciência, literatura e medicina na obra de Luís de Camões, com especial incidência na Ode VIII e n’Os Lusíadas.
Partindo do contexto humanista do século XVI, examina-se a forma como Camões valoriza o conhecimento empírico, nomeadamente ao prefaciar o tratado botânico de Garcia de Orta, articulando a herança clássica com as novas descobertas oriundas do Oriente.
O estudo detém-se em descrições de enfermidades como o escorbuto e na distinção entre saberes intelectuais e saberes práticos de médicos e cirurgiões, evidenciando a conceção da medicina como um campo onde rigor metodológico e “arte médica” se interpenetram.
Conclui-se que, na obra camoniana, o engenho poético e o saber científico se afirmam como vias complementares para a compreensão da natureza e da condição humana."
In: Programa e livro de Resumos | pdf
17h00 – 17h30
Intervalo para café
17h30 – 18h00
Performance lítero-musical camoniana
pela Rodamoinho Teatro
Imagem divulgada no Facebook, 21.03.2026,
BRAGA : para saber +
Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas | Facebook, 18.03.2026
Evento em Universidade do Minho, Braga
Luís de Camões 500 | Facebook, 20.03.2026
Luís de Camões 500 | Facebook, 21.03.2026
ABR. 2026 | PORTO
15 e 16 ABR. 2026 | No Porto
O tempo de Camões, Camões no nosso tempo
IX Reunião Internacional de Camonistas
FLUP – Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Sala do DEPER (Dep. de Estudos Portugueses e Estudos Românicos)
Sala de Reuniões 1
Organização:
Zulmira Santos | Isabel Morujão | Luís Fardilha
Paula Almeida Mendes | Gil Clemente Teixeira
Secretariado: Eunice Leite | Alunos de licenciatura e de mestrado
PROGRAMA - Porto
PROGRAMA, pdf
15 de abril
8h30 - 9h00 | No DEPERReceção dos participantes
09h00 - 9h30 | No DEPERSessão de Abertura
09h30 - 11h15 | no DEPER6.º Painel — Camões e o seu tempo
Receção dos participantes
09h00 - 9h30 | No DEPER
Sessão de Abertura
09h30 - 11h15 | no DEPER
6.º Painel — Camões e o seu tempo
Moderador:
João Paulo Oliveira e Costa, FCSH - Lisboa
"Um rei ao reino convém". Cultura política e "Estado Real" no século XVI
por Ana Isabel Buescu, FSCH - Lisboa
Camões e a cultura marítima do século XVI:
práticas, rotas e saber náutico no mundo português
por Amândio Barros, I. Politécnico do Porto
(a anunciar)
por Henrique Leitão, U. Lisboa
A música no tempo de Camões:
caminhos pela banda sonora da história da música em Portugal no séc. XVI
por Tiago Manuel da Hora, FCSH - Lisboa
11h15 - 11h45
Intervalo para café
11h45 - 13h00 | No DEPER
7.º Painel — Camões e a língua portuguesa
Moderador:
Maria Clara Barros, U. Porto
A Pena e a Lima
por Ivo Castro, U. Lisboa
O adjetivo na escrita de Camões, aspetos poéticos e diacrónicos
Telmo Verdelho, U. Aveiro
13h00 - 15h00
Intervalo para almoço
15h00 - 17h00 | No DEPER
Sessões de tema livre
Moderador:
Aurelio Vargas Díaz-Toledo, U. Complutense de Madrid
Quem sou eu?, ou Camões para os mais novos
por Ana Cristina Luz, U. Minho
As sombras d’Os Lusíadas: sua presença nos estudos camonianos
e suas reconfigurações literárias contemporâneas
por Larissa Fonseca e Silva, USP
“E pensei nos navegadores antigos, a enfrentarem sozinhos os perigos do mar”:
Os Lusíadas em A matéria das estrelas, de Isabel Rio Novo
por Renan Messias, UFSCar
Estruturas metaplásticas: frases inéditas n’Os Lusíadas?
por Carlos Carvalho da Fonte, Investigador independente
17h30 - 18h15 | Sala de Reuniões 1
“Eu dançarei de amor tão docemente”
Espetáculo de Dança Antiga do tempo de Camões,
historicamente informada.
Interpretação:
Companhia Portingaloise & Ensemble Portingaloise.
Direção Artística:
Catarina Costa e Silva, CECH - UC / ESMAE - P. Porto
16 de abril
09h30 - 11h00 | No DEPER
8.º Painel — Camões e a tradição moderna
Moderador:
Zulmira Santos, U. Porto
“Os Parnasos são muitos, e quanto mais novos são, de mais glória”.
Camões, a tradição épica e as querelas literárias da Modernidade:
Ariosto, Tasso, Voltaire
por Paulo Silva Pereira, U. Coimbra
D. Simão da Silveira e as suas relações literárias
por Luís Fardilha, U. Porto
Camões ao divino. Aspetos da dinâmica criativa na poesia do século XVII
por Isabel Morujão, U. Porto
Traduzir Petrarca: Camões como Protocolo Hermenêutico
por Simão Valente, U. Porto
11h00 - 11h30
Intervalo para café
11h30 - 13h00 | No DEPER
Sessões de tema livre
Moderador:
Paula Almeida Mendes, U. Porto
Camões e a teopoesia
por István Rákóczi, U. Porto
As lágrimas como argumento retórico em quatro figuras d’ Os Lusíadas:
formosíssima Maria e Inês, Vénus e Baco
por Manuel F. Ramos, U. Porto
Tenro e novo ramo florecente: a educação de D. Sebastião n’Os Lusíadas
por Ariana Sanches, U. Porto
A hierarquia da masculinidade no teatro camoniano
Carlos Silva, U. Porto
13h00 - 15h00
Intervalo para almoço
15h00 - 17h00 | No DEPER
9.º Painel — Camões nas literaturas e culturas africanas de língua portuguesa
Moderador:
Francisco Topa, U. Porto
"Quando passados nele os Orientes": Camões na costa africana
por Ana Maria Martinho, FCSH Lisboa
Balada da flor de espuma” ou as andanças de “Descalça vai para a fonte"
por Ana Ribeiro, U. Minho
O Índico na encruzilhada entre Camões e a literatura moçambicana
por Francisco Noa, Investigador independente
Obras de Luís de Camões em circulação na colónia de Angola no século XIX
Francisco Soares, U. Porto
17h30 - 18h00 | No DEPER
Recital de poesia contemporânea em diálogo com Camões
Org. Pedro Eiras, U. Porto
JUN. 2026 | LISBOA
2 e 3 JUN. 2026
Na FLUL - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Na BNP - Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa
O tempo de Camões, Camões no nosso tempo
IX Reunião Internacional de Camonistas
PROGRAMA - Lisboa
2 de junho
Na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL)
9h30SESSÃO DE ABERTURA
10h-12h0010.º PAINEL – CAMÕES E O CÂNONE LITERÁRIO EUROPEUModerador:Hélio Alves, FLUL - U. Lisboa
Dois lugares para a paixão amorosa: Os Lusíadas e a épica castelhana do Siglo de oroRuhr-Universität Bochum, Alemanha
El espejo camoniano en la obra de Gabriel Lasso de la Vega. Os Lusíadas y el debate finisecular del poema heroicoU. Girona, Catalunha, Espanha
Camões and Italian tradition
“Bataille rangée" - algumas achegas sobre a presença de Camões em França na época moderna
12h – 12h30INTERVALO PARA CAFÉ
12h30-13h3011.º PAINEL – CAMÕES: ESCRITA PRIVADA, FIGURA PÚBLICAModerador:José Pedro Serra, U. Lisboa
A receção do epistolário de Camões
Camões em cena: «presença real», figura real ou pretextual?
[..]Uma carta de aviso camonianaJosé Madeira
PAUSA PARA ALMOÇO
15h30 – 17h30 12.º PAINEL – CAMÕES NO BRASIL Moderador:Gilda Santos, RGPL / UERJ
[...]"Inês de Castro em Camões: a transfiguração imortal que só o Amor concede"Rodrigo XavierUFRJ
Camões, a poesia e o público no Brasil imperial
9h30
SESSÃO DE ABERTURA
10h-12h00
10.º PAINEL – CAMÕES E O CÂNONE LITERÁRIO EUROPEU
Moderador:
Hélio Alves, FLUL - U. Lisboa
Dois lugares para a paixão amorosa:
Os Lusíadas e a épica castelhana do Siglo de oro
Ruhr-Universität Bochum, Alemanha
El espejo camoniano en la obra de Gabriel Lasso de la Vega.
Os Lusíadas y el debate finisecular del poema heroico
U. Girona, Catalunha, Espanha
Camões and Italian tradition
“Bataille rangée" - algumas achegas sobre a presença de Camões
em França na época moderna
12h – 12h30
INTERVALO PARA CAFÉ
12h30-13h30
11.º PAINEL – CAMÕES: ESCRITA PRIVADA, FIGURA PÚBLICA
Moderador:
José Pedro Serra, U. Lisboa
A receção do epistolário de Camões
Camões em cena:
«presença real», figura real ou pretextual?
[..]
Uma carta de aviso camoniana
José Madeira
PAUSA PARA ALMOÇO
15h30 – 17h30
12.º PAINEL – CAMÕES NO BRASIL
Moderador:
Gilda Santos, RGPL / UERJ
[...]
"Inês de Castro em Camões:
a transfiguração imortal que só o Amor concede"
Rodrigo Xavier
UFRJ
Camões, a poesia e o público no Brasil imperial
RECITAL “ACONTECE CAMÕES”
Paulo Filipe Monteiro e Lídia Franco
Academia de Produtores Culturais
3 de junho
Na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP)
13.º PAINEL – CAMÕES E AS ARTES: MEMÓRIA E PROJEÇÃO
Moderador:
Joaquim Caetano, MNAA
U. Lisboa
Maravilha Fatal da Nossa Idade (Lus. I, 6).
Contributos de Camões, Francisco de Holanda e de Cristóvão de Morais
Contributos de Camões, Francisco de Holanda e de Cristóvão de Morais
Historiador da arte, U. Lisboa
11h30 – 12h00
INTERVALO PARA CAFÉ
INTERVALO PARA CAFÉ
12h – 13h30
14.º PAINEL - RECEÇÃO DE CAMÕES
Moderador:
Rita Patrício, U. Lisboa
Ecos do Jardim de Camões:
A visitação de Camões na literatura de Macau em língua portuguesa
City University of Macau
RCnA&A / IPOR – Macau
As comemorações camonianas de Oitocentos:
o olhar de Camilo Castelo Branco
PAUSA PARA ALMOÇO
15h – 16h
CONCLUSÕES
José Augusto Cardoso Bernardes
Comissário para as Comemorações do
V Centenário do Nascimento de Luís de Camões
16h – 17h30
VISITA GUIADA À EXPOSIÇÃO
Vanda Anastácio
VISITA GUIADA À EXPOSIÇÃO
Vanda Anastácio
FLUL
21h30
TEATRO AO SERÃO – ESCOLA SECUNDÁRIA “CAMÕES”
Enfatriões
Ante-estreia
Companhia Maizum
Encenação de Silvina Pereira, FLUL / CEC
ENCERRAMENTO
No Rasto de Luís de Camões
EXPOSIÇÃO
MAR. 2026 - Inauguração
Na Biblioteca Nacional de Portugal
Comissariado de Vanda Anastácio
Prevê-se que esteja dividida em quatro núcleos:
I – A obra publicada em vida e a formação do Cânone da Lírica, do Teatro e das Cartas.
II – A Camoniana e a sua difusão no mundo do século XVI ao XXI.
III – O Camões desvelado e a construção de uma figura ao longo de 5 séculos.
IV – Luís de Camões hoje.
Fontes:
Programação da Estrutura de Missão [pdf], na BNP
PROGRAMA OFICIAL: Comemorações V Centenário Luís de Camões (set. 2024 a out. 2026):
no site oficial Camões 500 Anos.
para saber +
Programa das comemorações oficiais, 17.03.2025
👉 [PDF]
in Camões 500 Anos | Site oficial
Envio de propostas de comunicação
in Luís de Camões 500 | Facebook, 27.10.2025
in Luís de Camões - Diretório de Camonística
CHAMADA PARA COMUNICAÇÕES
"Está a decorrer o período para
envio de propostas de comunicação
para a IX Reunião Internacional de Camonistas,
subordinada ao tema
“O tempo de Camões: Camões no nosso tempo”,
que se realizará entre março e junho de 2026
em Braga (19 e 20 de março), Porto (15 e 16 de abril) e Lisboa (4 e 5 de junho)."
Orientações:
Cada proposta deve incluir:
- breve nota biográfica (até 100 palavras);
- título da comunicação;
- resumo (até 300 palavras) e 3 a 5 palavras-chave.
- título da comunicação;
- resumo (até 300 palavras) e 3 a 5 palavras-chave.
Prazo: até 31 de dezembro de 2025
Endereços para submissão:
U. Minho: ixreuniaocamonistas@elach.uminho.pt
U. Porto: camonistascitcemflup@gmail.com
U. Lisboa: camoes500@letras.ulisboa.pt
A resposta aos proponentes será comunicada
no início de fevereiro de 2026.
Redação: 15.07.2025, atualizado em 9.04.2026

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