CAMÕES NA ESCOLA
DEPOIMENTOS DE 25 PERSONALIDADES
de 25 de ABRIl de 2026
Dia da Liberdade
a
10 de JUNHO 2026
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
nas edições de 6.ª feira a 2.ª feira
do JN e da TSF
Iniciativa no âmbito das comemorações dos
500 anos do nascimento de Luís de Camões.
Organização:
TSF e JN
Iniciativa desenvolvida em parceria com
a Estrutura de Missão para as comemorações do
V Centenário do Nascimento de Luís de Camões
Encontro com Camões na Escola
"O Jornal de Notícias e a TSF iniciam hoje a publicação de
uma série de depoimentos sobre Luís de Camões.
Na verdade, sobre as memórias que um conjunto de 25 personalidades
colecionou sobre Camões, quando se confrontou com o poeta
nos seus tempos de escola."
TESTEMUNHOS
Junho de 2026
...
Testemunho 7 | Porto, Portugal
Gonçalo M. Tavares
Gonçalo M. Tavares
Escritor
in Jornal de Noticias [online], 9.05.2026
Os Lusíadas são um prodígio da língua portuguesa
"Já muito antes lia Os Lusíadas em voz alta, numa coisa meio encantatória. Os Lusíadas, e Camões no geral, são, para mim, essenciais, porque são um prodígio da língua portuguesa. Está ali quase tudo o que é possível fazer com a língua: as distorções, as entradas por locais imprevistos no próprio verso... E ele, respeitando regras absolutamente rígidas, consegue fazer absolutas maravilhas.
O ensino de Os Lusíadas devia ser centrado na canção e não na análise. Partir e analisar cada bocadinho isolado parece-me um erro evidente. O ensino de Os Lusíadas parte de um pressuposto pouco estimulante, que é fazer uma análise a determinados versos, quando aquilo tem a força da canção. É como pensar numa sonata clássica e estar sempre a interromper antes de a ouvirmos toda. Ao contrário de [Fernando] Pessoa, que não tem esta parte sonora e é mais traduzível, Camões é muito difícil de traduzir. É um tesouro da língua portuguesa que só mesmo grandíssimos tradutores podem passar para tesouros de outras línguas."
Gonçalo M. Tavares
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| Gonçalo M. Tavares | 2026 |
Testemunho 6 | Leiria, Portugal
João Paulo Videira
João Paulo Videira
Professor de Português
na Escola Secundária Domingos Sequeira, em Leiria
in Jornal de Noticias [online], 8.05.2026
A importância de ler o texto escrito de Camões
"Além de ensinar Camões, é preciso incutir o que é a importância de Camões. É preciso, por exemplo, ler. Enquanto em Portugal estamos na era das novas tecnologias, eu diria que em Moçambique o que é preciso é ler, é ler e partilhar com eles o texto escrito de Camões, porque para eles é uma novidade.
Eles não compreendiam, mas, ao mesmo tempo, não eram aversos ao texto. É preciso que o texto lhes seja lido, com uma explicação extra para eles chegarem ao texto. Mas não é preciso tecnologias. As tecnologias ainda estão a mais. Ainda estamos numa fase de ler o texto propriamente dito, de desmontar o texto propriamente dito.
Então, se quiserem imaginar isto, as aulas eram antigas. Ou seja, eu lia Os Lusíadas, eles também liam, com a lírica é a mesma coisa, e havia uma coisa que me deixa algumas saudades, que era a premência do texto."
João Paulo Videira
Testemunho 5 | Porto, Portugal
Patrice Pacheco
Patrice Pacheco
Professora de Português
no Colégio de Nossa Senhora do Rosário, no Porto
in Jornal de Noticias [online], 4.05.2026
Um olhar para a parte mais crítica da epopeia
"Ensinar Camões é quase como estarmos a enfrentar o Adamastor dentro de nós e dos alunos ao mesmo tempo, porque é grandioso o obstáculo que precisamos de desbravar.
A estratégia passa muito por potenciar uma alteração do olhar que, normalmente, está voltado para uma obra que é monumental e voltá-lo para a parte mais crítica da epopeia, analisando uma espécie de ambivalência ideológica e fazendo uma exploração mais da dimensão existencial e reflexiva que ela permite. E que de alguma forma é incontornável."
Patrice Pacheco
Patrice Pacheco | CLP da U. Coimbra
Testemunho 4 | Coimbra, Portugal
Carlos Fiolhais
Carlos Fiolhais
Professor universitário
in Jornal de Noticias [online], 3.05.2026
Camões é um homem moderno
"Camões é um homem do seu tempo, muito nítido no canto V, que viu as coisas do mar, que navegou até à Índia e passou lá muitos anos.
Ele é absolutamente moderno. O livro é de 1572, a ciência moderna vai aparecer em força depois, no início do século XVII, com Galileu e outros, mas está ali já o espírito científico.
Percebi depois que aquele homem é um português do seu tempo que precede o alvorecer da ciência moderna. Ele diz que os marinheiros não acreditavam no que se dizia, mas acreditavam naquilo que os olhos viam, na experiência.
O valor da observação e da experiência está lá muito nítido e isso continua moderno hoje. Ele não tinha internet, mas não acreditava naquilo que era propalado, como se fosse feito pela inteligência artificial. Acreditava naquilo de que tinha experiência direta."
Carlos Fiolhais
Testemunho 3 | Goa, Índia
Delfim Correia da Silva
Delfim Correia da Silva
Leitor do Camões I.P. na Universidade de Goa
e responsável pelo Camões – CLP em Goa.
in Jornal de Noticias [online], 2.05.2026
O entusiasmo pela faceta de Camões oriental
"A reação é um pouco de surpresa, a partir do momento que começamos a revelar esta faceta do Camões oriental, do Camões que foi construindo a sua obra a partir da experiência no local, com as dificuldades, com os mistérios, as dúvidas. Procuramos sempre contextualizar os textos o melhor possível com as referências aos locais específicos, aos eventos específicos que têm a ver com a Índia, que têm a ver com o Oriente.
Os alunos começam a adquirir um certo interesse, um certo entusiasmo, e isso levou um aluno a escolher como tema de dissertação do mestrado um tópico que é um estudo comparativo entre o "Mahabharata", um poema épico indiano, e "Os Lusíadas".
Delfim Correia da Silva
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| Delfim Correia da Silva | Foto no Facebook pessoal, 2017 |
Testemunho 2 | Lisboa, Portugal
Helena Carvalhão Buescu
Helena Carvalhão Buescu
Escritora e professora universitária
in Jornal de Notícias [online], 1.05.2026
Camões como herói de Os Lusíadas
"O ângulo principal da minha abordagem [no livro Camões poeta, herói n"Os Lusíadas", 2026] é aquilo que enuncio no próprio título, a ideia de que Camões se torna um herói dentro do seu próprio poema.
Não porque tem numa mão a espada, mas, sobretudo, porque tem na outra mão a pena, ou seja, é o escritor, o poeta propriamente dito. E, enquanto poeta, ele vai presentificar-se em todos os cantos do poema.
Um poema que tem uma fortíssima interferência do sujeito poético e isso faz com que o poema deixe de ser apenas épico e passe a ser um poema épico-lírico. Ele não canta apenas os feitos dos portugueses - e critica muitos desses feitos -, mas, sobretudo, dá voz a um poeta que se subjetiviza na própria poesia, nos próprios "Lusíadas".
Nessa medida, transforma o poema, torna-o mais complexo e mais capaz de dar conta da complexidade e das contradições do Mundo."
Helena Carvalhão Buescu
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| Helena Carvalhão Buescu | Universității din București, 2022 |
Testemunho 1 | Porto, Portugal
Pedro Abrunhosa
Pedro Abrunhosa
cantor e compositor
Porto, Portugal
in Jornal de Notícias [online], 26.04.2026
O comércio e a pirataria dos conquistadores
Os Lusíadas "são também um libelo acusatório, porque o Camões é contra a epopeia que nos quiseram impingir. Ele coloca na voz do Mouro acusações à maneira como os cristãos sanguinários derramam o sangue pelo Atlântico. No canto X, uma das ninfas diz praticamente o mesmo: "vocês vêm para roubar e partirão deixando-nos em fogo". O velho do Restelo é quem diz, pela primeira vez: "cuidado, que os motivos pelos quais vocês partem à conquista são alargar a fé e o império". Mas era mais o império e o comércio.
O Camões soldado é o Camões d'Os Lusíadas. Ele fala do que viu. A pirataria que refere em vários cantos é de quem a presenciou e a praticou. E de quem interiormente se opôs, porque aquela sensibilidade de poeta não deixa de vir a lume."
Pedro Abrunhosa
para saber +
Redação do JN
in Jornal de Notícias [online], 25.04.2026
Redação: 3.04.2026






