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2026/09/13

The Elvas Project / Projecto Elvas, volumes 1 e 2, dos Sete Lágrimas




 Projecto Elvas  / The Elvas Project 

  Hexalogia dedicada ao Cancioneiro de Elvas (séc. XVI)  
  Hexalogy dedicated to the Cancioneiro de Elvas (16th century)  

Dois volumes dedicados ao Cancioneiro de Elvas
manuscrito português do séc. XVI 
BME Ms. 11793 / P-Em 11793.

Volume 1, 2025 | Volume 2, 2026


Direcção artística: 
Filipe Faria e Sérgio Peixoto

Filipe Faria : voz, viola de mão, percussão
Sérgio Peixoto voz: voz
Tiago Matias: guitarra barroca, teorba, vihuela
Pedro Castro: flautas, baixão


Um projecto
Arte das Musas
Em parceria com Município de Idanha-a-Nova
e UNESCO Creative City of Music

Uma hexalogia dedicada ao Cancioneiro de Elvas (séc. XVI)

"Dividido em duas partes, o projeto [...] canta as 65 canções profanas conservadas no códice: vilancetes (ou vilancicos), cantigas, tercetos e outras formas poético-musicais (volumes 1 a 3) e propõe nova música, de Filipe Faria e Sérgio Peixoto, para os 36 romances, glosas, vilancetes e cantigas que aí se encontram sem música (volumes 4 a 6)."

Primeira Parte: volumes 1-3
As 65 canções profanas: vilancetes, cantigas, tercetos e outros.

Segunda Parte: volumes 4-6
Nova música, de Filipe Faria e Sérgio Peixoto, 
para os 36 romances, glosas, vilancetes e cantigas.


"A Arte das Musas apresenta Projecto Elvas, Vol. 1, 
o 17.º título da discografia do consort Sete Lágrimas 
e o primeiro volume de uma hexalogia dedicada ao Cancioneiro de Elvas (s. XVI), 
um dos quatro cancioneiros musicais ibéricos renascentistas que chegaram até nós."

Nomeado como Melhor Álbum de Música Clássica/Erudita 
nos Prémios Vodafone PLAY, em 2025

"Digressão de lançamento do 19.º título da discografia de Sete Lágrimas 
— The Elvas Project/Projecto Elvas, Vol. 2 —
o segundo volume da hexalogia dedicada ao Cancioneiro de Elvas".


© Foto no Facebook dos Sete Lágrimas

O 'Cancioneiro de Elvas'

"Ontem, em Elvas, tivemos a oportunidade de visitar o livrinho que nos ocupa, desafia... abana... há 27 anos, e ao qual ainda dedicaremos, pelo menos, os próximos cinco anos de Sete Lágrimas...

O Cancioneiro de Elvas, manuscrito português do terceiro quartel do século XVI (BME Ms. 11793/P-Em 11793), é um maravilhoso livrinho de 145 × 96 mm e um dos quatro cancioneiros portugueses do século XVI que chegaram até nós, a par do Cancioneiro de Paris (Ms. Masson 56, École des Beaux-Arts, Paris), do Cancioneiro de Lisboa (Ms. CIC 60, Biblioteca Nacional de Lisboa) e do Cancioneiro de Belém (Ms. 3391, Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia, Lisboa).

Este projecto maior — a hexalogia, intitulada The Elvas Project, dedicada à integral do Cancioneiro de Elvas (séc. XVI) — começou em 2025 e terminará em 2030 com a edição do sexto volume!

Obrigado à Dra. Tânia Rico, responsável técnica da Biblioteca Municipal de Elvas, pelo convite, acolhimento, parceria e amizade... Temos a sensação de que ainda agora começámos!"
Sete Lágrimas

 AGENDA DE CONCERTOS | 2026 

 The Elvas Project, Vol. 2 

SET. 2026

18 set. 2026 | 21h30
Sé Catedral, Idanha-a-Velha

19 set. 2026 | 15h30
Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, Évora

OUT. 2026

03 out. 2026 | 21h00
Convento dos Capuchos, Almada

04 out. 2026 | 12h00
Casa do Infante, Porto

09 out. 2026 | 21h30
Convento de Cristo, Tomar

NOV. 2026

13 nov. 2026 | 12h00
Centro Cultural de Belém, Lisboa


 AGENDA DE CONCERTOS | 2025 

 The Elvas Project, Vol. 1 

Digressão de Lançamento

JUL. 2025

18 jul. 2025 | 21h30
Centro Cultural Raiano, Idanha-a-Nova

19 jul. 2025 | 17h30
Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, Évora

25 jul. 2025 | 21h30
Convento de Cristo, Tomar

26 jul. 2025 | 18h30
Casa do Infante/Museu do Porto, Porto

SET. 2025

13 set. 2025 | 16h30
Mosteiro de Alcobaça, Alcobaça

14 set. 2025 | 17h00
Igreja do Convento de S. João Evangelista, Carmelitas, Aveiro


The Elvas Project, Vol. 2 [Livro e CD], 2026 / Sete Lágrimas, Dir. Filipe Faria & Sérgio Peixoto

 The Elvas Project / Projecto Elvas, Vol. 2 

Lista completa das 22 faixas do álbum The Elvas Project, Vol. 2 
do ensemble português Sete Lágrimas,
criada a partir do canal oficial do projeto no YouTube.

The Elvas Project, Vol. 2

1. Aquella voluntad q̅ se á rendido | Áudio, 02:45
2. No piensẽ q̅ a d'acabar | Áudio, 03:32
3. Parti ledo por te ver | Áudio, 02:41
4. Azme Amor el mal q̅ puedes | Áudio, 03:10
5. Tu gitana q̅ adeuinas | Áudio, 02:07
6. Cuẏdados meus taõ cuidados | Áudio, 01:47
7. No veros ẏ dessearvos | Áudio, 01:28
8. Que dizen allá Paschual | Áudio, 01:23
9. Perdido polos meus olhos | Áudio, 02:05
10. Testou minha ventura | Áudio, 03:05
11. Con mi dolor ẏ tormẽto | Áudio, 01:29
12. Ia naõ podeis ser cõtentes | Áudio, 02:21
13. De vos y de mi q̅xoso | Áudio, 02:34
14. Que sẽtis coraçõ mio | Áudio, 03:01
15. Mirad q̅ negro amor, ẏ q̅ nonada | Áudio, 01:55
16. Señora bem ponderey | Áudio, 02:18
17. El q̅ ama no descãsa | Áudio, 02:10
18. Naõ podem meus olhos veruos | Áudio, 02:25
19. Por amores me perdi | Áudio, 02:44
20. Despososse tu amiga | Áudio, 03:12
21. Quedo triste receloso | Áudio, 01:50
22. Mas deueis aquiẽ os sirue | Áudio, 02:58

The Elvas Project, Vol. 1 [Livro e CD], 2025 / Sete Lágrimas, Dir. Filipe Faria & Sérgio Peixoto

 The Elvas Project / Projecto Elvas, Vol. 1 

Lista completa das 22 faixas do álbum The Elvas Project, Vol. 1 
do ensemble português Sete Lágrimas,
criada a partir do canal oficial do projeto no YouTube.

The Elvas Project, Vol. 1

1. Venid a sospirar al verde prado | Áudio, 01:39
2. Las tristes lagrimas mias | Áudio, 02:30
3. Ala villa voẏ | Áudio, 02:13
4. Ado estás alma mia | Áudio, 02:35
5. Pues quexar se | Áudio, 04:12
6. Oigan todos mi tormẽto | Áudio, 01:37
7. Quierese morir Anton | Áudio, 03:54
8. Porq̅ me não ves Ioãna | Áudio, 03:27
9. No tienen vado mis males | Áudio, 03:25
10. Ojuelos graciosos | Áudio, 03:04
11. Llenos de lagrimas tristes | Áudio, 03:47
12. Se do mal q̅ me q̅reis | Áudio, 02:33
13. Bendito sea aquel dia | Áudio,0 3:24
14. Sempre fiz vossa võtade | Áudio, 01:52
15. Quiẽ cõ veros pena ẏ muere | Áudio, 01:36
16. Perdi a esperãça | Áudio, 01:17
17. Señora aũq̅ no os miro | Áudio, 02:13
18. Ya cantan los gallos | Áudio, 01:40
19. Que he o q̅ vejo | Áudio, 01:11
20. Secarõme los pesares | Áudio, 05:05
21. Todo me cãsa ẏ me pena | Áudio, 01:42
22. Por vna sola vez | Áudio, 02:11

 ÁLBUM 


Concerto "Projecto Elvas/The Elvas Project, Vol. 1" dos Sete Lágrimas, ITomar, 25.07.2025
Concerto "Projecto Elvas/The Elvas Project, Vol. 1" dos Sete Lágrimas, Idanha-a-Nova, 18.07.2025



para saber +



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Redação: 13.09.2026

2025/09/30

Amor e tragédia nas viagens de Camões, pelo agrupamento Sete Lágrimas



 “Tin-Nam-Men ou a Gruta de Patane” 
(Amor e tragédia nas viagens de Camões)

 ESPETÁCULO MUSICAL 

pelo grupo Sete Lágrimas


Com itinerância
Ver infra o CALENDÁRIO de CONCERTOS


O agrupamento Sete Lágrimas:

Filipe Faria e Sérgio Peixoto - direção artística
Filipe Faria - voz, percussão
Sérgio Peixoto - voz
Tiago Matias - vihuela, guitarra barroca, guitarra romântica, tiorba
Juan de la Fuente - percussão
 
Sete Lágrimas


CALENDÁRIO de CONCERTOS


2026

jan. 2026

2026.01.24, sábado | às 21h30 | No TMO Teatro Municipal de Ourém, Ourém.


2025

nov. 2025
  • 2025.11.11, terça-feira | em Ourém.



out. 2025
  • 2025.10.17, sexta-feira | em Idanha-a-Nova.
  • 2025.10.05, domingo | em Mafra. 
  • 2025.10.04, sábado | às 19h | No Auditório Carlos do Carmo, em Lagoa. - no âmbito da parceria com a RidMusa - Rede Informal para a Difusão da Música Antiga.
  • 2025.10.01, quarta-feira | às 21h30 | Noa Igreja Matriz (antiga) de Famalicão.
set. 2024

  • 2025.10.17, quarta-feira | em Évora.
  • 2025.19.12, sexta-feira | em Lisboa.

2024

out. 2024
  • 2024.10.10 | às 21:00 | Na Igreja de São Francisco, em Bragança. - No âmbito do Bragança ClassicFest - Festival Internacional de Música.

2022

  • 2022.07.03, domingo, às 19h00 | No Convento dos Capuchos, freguesia de Caparica e Trafaria, Almada | Espetáculo intitulado: "Amor e tragédia nas viagens de Camões - “Tin-Nam-Men ou a Gruta de Patane”. - O programa era diferente do programa atual do concerto de Bragança.


SINOPSE

"Conta a lenda que estando Camões desterrado em Macau se recolheu na Gruta de Patane, escutando o eco dos seus sonhos e do seu desespero, para escrever a grande epopeia d’Os Lusíadas que contava a história do seu povo. 

Ao partir conheceu uma nativa de Patane, Tin-Nam-Men (Dinamene), por quem se apaixonou. Partindo com o poeta na Nau de Prata irromperam pelos mares do sul quando foram assolados por uma grande tempestade. A Nau de Prata estava condenada a afundar-se, embarcaram as mulheres num batel e os homens salvaram-se a nado. 

Camões, de braço no ar, segurando Os Lusíadas, nadou para terra, mas o barco onde seguia a linda Tin-Nam-Men foi engolido pelas ondas."
in Algarve Vivo, 1.10.2025

PROGRAMA


Tin-Nam-Men ou a Gruta de Patane

Amor e tragédia nas viagens de Camões

O dia de hoje

"Quanto mais pode a fé que a força humana"
          Os Lusíadas, Canto III, est. 111

1. Na fomte está Lianor, Villancico anónimo (s. XVI)
2. Senhora del mundo, Vilancico anon. (s. XVI)
3. Endechas a Bárbara escrava, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre Luiz de Camões (s. XVI)

A partida

"Que, nos perigos grandes, o temor
É maior muitas vezes que o perigo"
Os Lusíadas, Canto IV, est. 29

4. Fandango, Tiago Matias (n. 1979)
5. Hashivenu (liturgia tradicional judaica)

A viagem

"E à terra que se não deixa salgar, que se lhe há-de fazer? "
Sermão de Santo António aos Peixes (1654) de Pe. António Vieira (1608-1697)

"Acabemos de nos desenganar, antes que se acabe o tempo."
Sermão de Dia de Ramos (1656) de Pe. António Vieira

6. Amor loco, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre anónimo (s.XVI)
7. Folia, Gaspar Sanz (ca.1640-1710)
8. A força de cretcheu, Eugénio Tavares (1867-1930)
9. Muwashah, Al-Andalus/Middle East (IX/X c.)
10. Tarantella, Trad. (Itália), arr. Tiago Matias
11. Pues que veros, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre texto de vilancico anónimo (s. XVI)

A permanência

"E quando foi ao p.ro de abril desaparecemos de Malaqua [Macau] e asy fomos ao longuo da costa até a Ilha q se chama pulo pisão onde estiuemos de todo perdidos com hūa muj.to grande trouoada q nos deu e em tanta man.ra q se noso snõr não fora seruido de se faser a vella em pedaços acabada era a viagem com a vida de nos todos."
 Peregrinação (1614) de Fernão Mendes Pinto (c.1509-1583)

"E conhecendo hum daquelles, que como mayoral ou mestre da musica gouerna os outros, o Gaspar de Meirelez, lançou mão por elle para tanger, & metendolhe na mão hūa viola lhe disse, rogote que cantes o mais alto que puderes, porque te ouça este defunto q aquy leuamos, porque te affirmo que vay muyto triste pela saudade que leua de sua molher & de seus filhos a que em estremo era affeiçoado [...]."
Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto

12. Es tan grave mi tormento, Filipe Faria e Sérgio Peixoto sobre Pêro de Andrade Caminha (s. XVI)
13. Bastiana, Tradicional (Macau/China)
14. Ko le le mai, Tradicional (Timor)
15. Takeda no komoriuta, Tradicional (Japão)
16. Farar far, Tradicional (Goa/Índia) 

“Tin-Nam-Men ou a Gruta de Patane”

Introdução ao Programa

"O presente programa tem como mote os amores, reais ou lendários, de Luís de Camões por uma jovem chinesa, durante a estada do poeta em Macau.

A crer no relato histórico (conquanto não se saiba se ele foi, já então, ficcionado), os sentimentos que os uniam eram fortes, ao ponto da jovem ter acompanhado o poeta na viagem deste de regresso a Goa. Acontece que a embaracação naufragou junto ao delta do rio Mekong (sul do Vietname) e a jovem acabou por perecer nesse naufrágio. Ela está por isso ligada ao famoso episódio em que Luís de Camões, tentando salvar-se, mantém ao mesmo tempo um braço levantado, segurando a saca onde trazia o manuscrito d’Os Lusíadas!

Chamava-se esta jovem Tin-Nam-Men, nome que tem uma curiosa semelhança com ‘Tiananmen’, topónimo que, como sabemos, significa ‘Porta da Paz Celestial’ ou ‘Porta da Pacificação Celestial’ – e, pesem as diferenças linguísticas Pequim/Cantão, o nome dela significaria algo de parecido. Certo é que o seu nome foi vertido como Dinamene, o que a identificou com a ninfa marinha da Ilíada homérica, identificação esta provavelmente póstuma, por via de ter Tin-Nam-Men morrido afogada. O nome dela surge associado – e assim imortalizado – a dois sonetos do poeta: ‘Ah! Minha Dinamene!’ e ‘Quando de minhas mágoas’ e é evocado na redondilha 'Sôbolos rios que vão', esta de cariz elegíaco pela sua morte [Nota 1: O nome dela é referido por Diogo do Couto (c. 1542-1616), amigo do poeta, historiador e guarda-mor da Torre do Tombo de Goa, mas não há certeza se se trata de um relato histórico fidedigno ou da fixação por escrito de uma fantasia poética de Camões].

Contextualizando: Camões esteve em Macau, crê-se que entre 1563 e 1565, ou seja, uma mera década após o estabelecimento dos primeiros portugueses na península [Nota2: A presença regular de portugueses nas costas da China dá-se a partir de 1513, com Jorge Álvares.] que viria a ser possessão portuguesa até 20 de dezembro de 1999.

Camões já estava no Oriente desde o Outono de 1553 [Nota 3: Considerando que Camões só regressaria à metrópole em Abril de 1570 e tomando os anos que esteve nas praças portuguesas em Marrocos (mormente Ceuta), ele passou mais de metade da sua vida adulta fora de Portugal continental!] e, baseado em Goa, ali desempenhou o seu ofício primeiro, o de soldado, ao serviço da Armada do Índico, com a qual percorreu a maior parte das costas desse oceano. Foi para Macau desempenhar um cargo administrativo e ali ficou associado à Gruta de Patane (hoje, parte do Jardim Luís de Camões), onde, reza a história, terá escrito boa parte do seu poema épico [Nota 4: Na verdade, Camões deverá ter concebido o seu poema logo desde a longa viagem para a Índia e adiantado a sua redação quando em Goa.].

O programa do agrupamento Sete Lágrimas empreende uma evocação dessa longa estada de Camões no Oriente e cruza-a com uma panorâmica da disseminação portuguesa por essas partes do mundo, desde Moçambique até ao Japão e a Timor.

Ao mesmo tempo, incorpora o que seria a mundivisão de Camões quando partiu rumo à Índia, impregnada das músicas populares do seu país, das músicas de corte, e das culturas e tradições mediterrânicas, incluindo as de matriz muçulmana e sefardita.

Temos por isso a presença tutelar de excertos d'Os Lusíadas, mas que coexistem com pedaços dos Sermões do Padre António Vieira – outra figura maior da nossa cultura que viveu a maior parte da vida fora de Portugal (e da Europa) – e com passagens da famosa Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto.

A componente musical intenta captar o que seria a ‘sonovisão’ de Camões, da época em que viveu, dos lugares por onde passou e dos ambientes que frequentou.

É assim que ouviremos, desde logo, vilancicos: um género musical (profano e, sobretudo, religioso) endógeno da Península Ibérica, que gozou de enorme popularidade até ao início do séc. XVIII, aí se individualizando os ‘vilancicos negros’, cujo texto procurava imitar a pronúncia do português (ou do castelhano, ou do latim) pelos escravos negros trazidos para a Europa ou levados para o Brasil/a América, sendo que também a música incorporava alguns aspectos das suas práticas musicais. Os que hoje ouviremos provêm de arquivos ou foram reconstruídos ‘ex novum’ por Filipe Faria e Sérgio Peixoto. Aquele intitulado ‘Minina dos olhos verdes’ é uma referência à nossa Tin-Nam-Men, que, segundo consta, teria uns lindos olhos dessa cor.

Também ouviremos romances (de tema amoroso ou mais narrativo), incluindo os da tradição sefardita peninsular; cantos religiosos; músicas populares do espaço mediterrânico (Andaluzia, Reino de Nápoles); e temas da música tradicional de Goa, Macau, Timor e Japão.

Um retrato-relance, enfim, dos complexos e multicontinentais processos de aculturação, miscigenação (étnica e cultural), sincretismo e multiculturalismo que se produziram na vigência do Império Português e das várias diásporas que no seu interior ocorreram. Hoje já lá vai o Império, mas esses processos continuam, fertéis, inventivos e enriquecedores como sempre."

Bernardo Mariano



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Redação: 22.06.2024, atualizado em 1.10.2025

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