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2026/04/20

A Verdadeira História de Dinamene, teatro inspirado na vida de Camões e representado por estudantes chineses em Macau


  A verdadeira história de Dinamene  

TEATRO

pelos estudantes do 3.º ano 
da cadeira de Leituras em Português I
da Faculdade de Estudos Internacionais.

Dramaturgia e encenação
coordenadas pelo Professor Felipe de Saavedra.

Espetáculo realizado no âmbito do 
Festival da Cultura em Língua Portuguesa
edição de  2026


16 ABR. 2026 | 13h00 - 15h00

Sala N317 da Univ. de Ciências e Tecnologia de Macau (UCTM)

Organização:

Faculdade de Estudos Internacionais


ELENCO


Dina: Cecília / Luís: Adriano
Noivo chinês: Ivo / Noiva chinesa: Tatiana / Homem chinês: Alex
Capitão do barco chinês: Ivo / Capitão do barco português: Sílvia
Marinheiro 1: Raquel / Marinheiro 2: Vânia / Marinheiro 3 | Elizabete
Transeunte de Goa 1 | Nádia / Transeunte de Goa 2 | Aurora
António | Leonardo

ARGUMENTO


O Naufrágio e a Esperança
A história começa com um grupo de náufragos chineses e uma jovem chamada Dina isolados após um terrível acidente marítimo. Enquanto os outros desesperam, Dina mantém a fé de que reencontrará o seu amor: um poeta português chamado Luís, que conheceu em Macau. Ela revela que abdicou de um casamento rico e arranjado pela família para seguir o seu coração.

A Jornada para Goa
O grupo é resgatado por um capitão que os leva para Malaca. Sem dinheiro para seguir viagem até à Índia, onde espera encontrar Luís, Dina usa o seu talento: ela canta poemas escritos pelo amado para entreter a tripulação e conseguir a passagem gratuita para Goa. Durante a viagem, a sua voz e as canções encantam os marinheiros. 

O Milagre do Reencontro
Já em Goa, Dina procura desesperadamente por Luís. Ela encontra António, o fiel servo do poeta, que lhe revela que o seu senhor está mergulhado numa profunda depressão, acreditando que a sua amada morreu no naufrágio.
Dina é levada até Luís, provocando um choque inicial seguido de uma alegria imensa ao perceberem que ambos sobreviveram. O clímax ocorre quando Dina revela o "maior presente" que lhe traz: ela está grávida de um pequeno Luisinho. 
A história termina com uma nota de esperança e de renovação, com Luís celebrando o facto de ter recuperado a mulher da sua vida e ganhado um filho, prometendo que a família nunca mais se separará.


  TEXTO  

A Verdadeira História 


ATO I

Homem chinês: Estamos presos aqui neste fim do mundo!
Noiva chinesa: O que faremos?
Noivo chinês: Calma, vai aparecer ajuda.
Noiva chinesa: E se ninguém vier?
Dina: Não desanimem, Luís está à minha espera.
Homem chinês: Quem é Luís?
Dina: É o meu amor, um poeta. Juro que o encontrarei, irei atrás dele pelo mundo todo!

Homem chinês: Conta-nos a tua história.
Dina: A minha família queria que eu casasse com um homem muito rico.
Noiva chinesa: E então?
Dina: Eu disse à minha irmã para ser ela a casar com ele, porque eu vivi um grande amor com um estrangeiro em Macau.
Noivo chinês: Um português?
Dina: Sim, o Luís. Nunca pensei que um homem pudesse ser tão bom.
Noivo chinês: O que está errado com os homens??!
Noiva chinesa: Eu sou muito feliz com o meu noivo, e casar-nos-emos assim que sairmos daqui.
Dina: Que sorte tu tens! Eu terei de ir à procura do meu noivo até à Índia. Espero que ele ainda não tenha partido para Portugal.
Homem chinês: Por que gostas tu tanto dele?
Dina: Ele escreveu muitos poemas para mim. Disse que o meu rosto é mais belo do que as montanhas e o mar.

Capitão: Olá! Vocês estão bem? Precisam de viajar para fora daqui, não é?
Dina: Sim! Nós somos náufragos!
Homem chinês: Sobrevivemos a um terrível naufrágio.
Noivo chinês: Outros também escaparam, mas perdemo-nos todos e ninguém sabe que estamos vivos.
Capitão: Venham comigo! Eu levo-vos para Malaca.
Todos: Obrigado! Muito obrigado!

ATO II

Dina: Capitão, posso embarcar convosco para Goa?
Capitão: Claro, mas... tu tens dinheiro para a passagem?
Dina: Não tenho... mas eu canto muito bem.
Marinheiro 1: Então canta para nos entreteres durante a viagem!
Marinheiro 2: Sim! Assim podes embarcar de graça!
Dina: Com todo o prazer! Eu canto poemas de um grande poeta da vossa terra.

Dina: 
O mar me traz, o mar me leva, 
A saudade de ti, minha luz,
Não há farol que mais me ilumine
Que o olhar teu, no fundo da escuridão.

Marinheiro 3: Que voz linda!
Marinheiro 1: E que poemas maravilhosos!
Capitão: Que bom canto! Cantemos juntos!

Amor é fogo que arde sem se ver, 
É ferida que dói e não se sente, 
É um contentamento descontente,
E dor que desatina sem doer.


ATO III

Dina: Desculpa, conheces Luís, um poeta português?
Goês 1: Não conheço. 
Goês 2: Nós estamos com pressa, desculpa.
António: Luís? Poeta? Ele é o meu senhor!
Dina (com os olhos brilhantes): De verdade? Podes levar-me até ele?
António: Ele está muito triste, a amada dele morreu num naufrágio a caminho daqui.
Dina: Eu tenho notícias da amada dele para lhe dar!
António: De verdade?! Então vem comigo.

Luís: António, deixa-me sozinho, não tragas ninguém aqui, só quero que me deixes chorar!
António: Senhor, esta jovem chegou agora de Malaca e traz notícias importantes da China.
Dina: Luís!!!!!!... Minha vida, meu Amor!!
Luís: Dina!!? És tu? Mas tu não morreste?
Dina: Sou eu. E venho trazer-te um grande presente.
Luís: Um presente? Tu és o maior presente que eu posso receber.
António: É como se o meu senhor voltasse a querer viver!
Dina: Luís, eu estou grávida do nosso filho!
António: Um filho? Um Luisinho?
Luís: Graças sejam dadas a Deus!
António: Deus é grande!
Luís: Eu pensava que perdera a pessoa mais importante da minha vida, e no final ganhei duas.
António: Eu cuidarei bem do menino, nós os três nunca mais nos separaremos!

FIM

 ÁLBUM 


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Redação: 17.04.2026

A VIDA DE CAMÕES