Vítor Rebelo
Entrevista ao professor e investigador
in Jornal Tribuna de Macau, 29.11.2024
"A figura incontornável da cultura nacional, Luis Vaz de Camões, o poeta-viajante envolvido direta e ativamente no processo de expansão territorial portuguesa no Oriente a partir do século XVI, e que o próprio imortalizou na sua obra magna de Os Lusíadas, teve no decurso das comemorações celebrativas de 1969 a sua efígie multiplicada nos modelos de representação tradicionalmente aceites pelos especialistas.Os festejos comemorativos dos quatrocentos anos da saída definitiva de Camões da Ilha de Moçambique destacar-se-iam das restantes quatro comemorações ocorridas em 1969 – como as de Vasco da Gama por exemplo – pela menor expressão celebrativa entre as sociedades locais e as da metrópole, em dimensão e na duração dos eventos. Tanto quanto sabemos, somente as festividades camonianas não dispuseram de um evento em Lisboa.Circulando com maior ou menor impacto na província moçambicana, até alcançar inevitavelmente a metrópole portuguesa, as edições comemorativas móveis e de pequeno porte – as coleções filatélicas e as séries medalhísticas –, foram permitindo contribuir para a difusão do programa final das comemorações oficiais a decorrer naquela pequena ilha africana. Enquanto os selos postais foram produzidos em suporte de papel com uma ampla margem de distribuição, as medalhas, cunhadas em bronze e em prata, foram difundidas essencialmente nos meios mais elitistas dos círculos institucionais e dos circuitos colecionistas.Mas entre as diversas obras comemorativas promovidas pelas comissões ganhou destaque, pela imponência física, simbologia histórica e exclusividade material, a escultura de Camões empunhando o manuscrito de Os Lusíadas na Ilha de Moçambique, segundo uma imagem idealizada e algo romantizada integrada no projeto de recuperação e beneficiação dos principais eixos urbanísticos e arquitetónicos daquele território insular.No quadro político-ideológico da época, as comemorações camonianas de 1969 permitiram à máquina propagandística e ideológica do Estado Novo continuar a difundir uma mensagem de cunho histórico-nacionalista português e europeísta, vincada por um sentimento de partilha e pertença identitária expresso na obra de Os Lusíadas. Contudo, não foi apenas o regime salazarista que se aproveitou politicamente da obra e do seu autor.O mesmo Camões que fora recrutado pelos republicanos contestatários ao regime monárquico nos finais do século XIX, associando-o aos anseios de luta pela liberdade «cerceada pelo despotismo» – e que para muitos falecera em 1580, o ano em que D. Filipe I de Portugal [1527|1581-1598] começara a forjar a Monarquia Dual Ibérica com entrada no Reino –, acabara por ser convocado uma vez mais para legitimar a presença portuguesa nos territórios em que começaram a irromper os movimentos independentistas da denominada Guerra da Libertação de Moçambique a partir de 1964.Independentemente da forma e da matéria, e do impacto de cada peça ou conjunto, os elementos comemorativos camonianos permitiram assinalar o acontecimento histórico e impulsionar uma vez mais a biografia e a obra do Poeta. E neste caso, a escultura camoniana concebida por António Pacheco ocupou um lugar preponderante entre as demais peças celebrativas promovidas."
“Encontro com Manuel Casimiro” (8.03.21)
“Encontro com António Olaio” (12.03.21)
“Encontro com Nikias Skapinakis (com a intervenção de Helena Skapinakis)" (15.03.21)
“Encontro com Fernando Marques de Oliveira” (19.03.21)
“Encontro com José Maçãs de Carvalho” (22.03.21)
“Encontro com Pedro Pousada” (26.03.21)
“Encontro com Lu Lessa Ventarola” (29.03.21)
“Encontro com Francisco Laranjo” (5.04.21)
“Encontro com José Rodrigues (com a intervenção de Ágata Rodrigues)" (9.04.21),
“Encontro com Albuquerque Mendes” (12.04.21)
“Encontro com Sobral Centeno” (16.04.21)
“Encontro com Júlio Pomar (com a intervenção de Sara Antónia Matos)" (19.04.21),
“Encontro com Pedro Calapez” (23.04.22)
“Encontro com Rui Sanches” (26.04.21)