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2026/08/26

Camões e o Platonismo, de Francisco Miranda de Andrade



 'Camões e o platonismo: 
um problema de crítica literária' 
de Francisco Miranda de Andrade 

 100 anos da 1.ª edição: 1926- 2026 

 Sessão de lançamento da edição comemorativa 

26 AGO. 2026 

18h00 - 18h45
Sessão de lançamento do livro, na Feira do Livro do Porto
 nos Jardins do Palácio de Cristal, 
na Rua de D. Manuel II, no Porto.

Com a presença de 
Tiago Miranda de Andrade, Presidente da Fundação Miranda de Andrade 
e neto do autor; 
Jorge Sobrado, Vereador da Cultura e Património da Câmara Municipal do Porto;
 José Augusto Cardoso Bernardes, Comissário-Geral das comemorações 
dos 500 anos do Nascimento de Luís de Camões 
e Joel Cleto, Historiador e Consultor de História & Património da Fundação.

 ROTEIRO CAMONIANO NO PORTO 

 Percurso guiado pelo historiador Joel Cleto 

2 SET. 2026 

16h30 - 18h00
Partida do Palácio da Justiça (Cordoaria) e chegada ao Palácio de Cristal.

Organização:

Fundação Miranda de Andrade 


  CONVITE  

No dia 26 de agosto, convidamo-lo a descobrir o Porto 
através dos lugares que guardam a memória de 𝗟𝘂𝗶́𝘀 𝗱𝗲 𝗖𝗮𝗺𝗼̃𝗲𝘀.

Começamos às 16h30, com partida do Palácio da Justiça, no Porto, 
para um percurso por alguns dos mais emblemáticos espaços da cidade, 
numa homenagem ao poeta e ao seu legado.

No final da visita, seguimos diretamente para a 𝗙𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗱𝗼 𝗟𝗶𝘃𝗿𝗼 𝗱𝗼 𝗣𝗼𝗿𝘁𝗼, 
onde, às 18h30, apresentaremos a reedição de 
“Camões e o Platonismo”, de 𝗙𝗿𝗮𝗻𝗰𝗶𝘀𝗰𝗼 𝗠𝗶𝗿𝗮𝗻𝗱𝗮 𝗱𝗲 𝗔𝗻𝗱𝗿𝗮𝗱𝗲."
Fundação Miranda de Andrade



PROGRAMA



 Camões e o platonismo / Francisco Miranda de Andrade 

 Reedição comemorativa dos 
 '100 anos da 1.ª edição: 1926- 2026' 

"Esta reedição recupera um ensaio dedicado 
à presença da tradição platónica e neoplatónica na lírica camoniana, 
contribuindo para a valorização e divulgação do património literário português."

Francisco Miranda de Andrade
Tese de Licenciatura apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. 
Barcelos: Companhia Editora do Minho, 1926.


Descubra o Porto pelos passos de Luís de Camões

 ROTEIRO CAMONIANO NO PORTO 
"Este roteiro convida-o a percorrer locais onde a memória do maior poeta da língua portuguesa permanece viva, através de monumentos, ruas, edifícios históricos e espaços culturais que evocam a sua vida, a sua obra e a sua ligação à cidade."


 ÁLBUM 


© Fotos no Facebook da Fundação Miranda de Andrade


para saber +


in e-CAM, 26.08.2026


Fundação Miranda de Andrade | Facebook (com + info!)

in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997
Reprod. em DGLAB, Autores.

in JN [online], 26.08.2026




Redação: 26.08.2026, atualizado a 27.08.2026

CAMONISTA - Francisco Miranda de Andrade


  Francisco Miranda de Andrade  
n. Barcelos, 1902-1999
Professor, ensaísta e camonista.

Licenciou-se em Filologia Românica (do curso de Ciências Histórico-Geográficas), 
com a tese Camões e o Platonismo, a 29 de janeiro de 1926, 
na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Frequentou o curso da Escola Normal Superior de Lisboa,
após o qual seguiu a carreira de professor de liceu.

Foi diretor do Correio do Minho, de 1946 a 1949,
e colaborou noutros jornais: O Comércio do Porto, 
Diário Ilustrado e Comércio do Minho.
Colaborou também em muitos revistas portuguesas: 
Ocidente, Labor, Revista de História, Barcellos, Quatro Ventos.
E ainda no Boletim da Biblioteca Pública Municipal de Matosinhos
e no Boletim da Câmara Municipal do Porto. 

É o autor, provavelmente, da primeira tese académica portuguesa 
sobre a obra camoniana, com uma proposta inovadora:
Camões e o platonismo: um problema de crítica literária, 1926.




CAMONIANA


  • (1980) Notas camonianas, Boletim da Biblioteca Pública Municipal de Matosinhos, n.º 24, 3-16. - Há em separata. Texto redigido no "Porto, março de 1980."
  • (1959) Ao ritmo da vida: estudos e crónicas [PDF]. Braga : [s.n.], 1959. - 159 p. - Ver os seguintes estudos:  "Um busto de Camões em Paris", pp. 19-21; "Encontro com Afrânio Peixoto" [em dez. 1936. Texto redigido em "1947"], pp. 83-90.



Encontro com Afrânio Peixoto em Lamego, em dezembro de 1936

"[...] e recordo-me de que eu próprio, um tanto nervosamente, depois de citar Vieira e Aquilino, também exaltei o magnífico cultor da língua portuguesa, o estilista admirável, o mestre do camonismo contemporâneo, a quem pedi licença para oferecer um modesto e despretensioso trabalho meu sobre o lirismo filosófico de Camões."
Francisco Miranda de Andrade

Camões, poeta da fé. A poesia sacra de Camões

"Quase como resposta, saía em 1926, dois anos após a publicação da conferência de [Mendes dos] Remédios, uma obra que viria a abrir aqueles caminhos: Camões e o platonismo de Miranda de Andrade, estudo que se conta entre os primeiros trabalhos sobre Camões apresentados a concurso para provas académicas em Portugal. 

Sob a influência de Leonardo Coimbra e dos mestres da Faculdade de Letras do Porto, a quem o autor dedica esta tese de licenciatura, Andrade afirmava propor pela primeira vez nos estudos camonianos que o agostinismo fora uma das vias de acesso ao platonismo pelo poeta [pp. 66-77]. Salientando o pioneirismo desta indagação, “Não nos consta que alguém tivesse já abordado o assunto da hipótese que vamos expor” [p. 66], Andrade modalizava que “Não nos persuadimos, todavia, que fôsse a obra de Santo Agostinho a única fonte do platonismo do poeta” [p. 77], admitindo igualmente a via petrarquista: “Dessa forma, por mais duma vez os belos espíritos de Camões e de Petrarca se encontraram: – não só na imitação superior duma arte poética, mas também nas próprias fontes de pensamento e objecto de estudo” [p. 70]."
Felipe de Saavedra
in Boletim de Estudos Clássicos 70, 
Coimbra: Universidade de Coimbra, 141-178.



 'Camões e o platonismo: um problema de crítica literária' 
de Francisco Miranda de Andrade 

 100 anos da 1.ª edição: 1926- 2026 

 Sessão de lançamento da edição comemorativa 


Com a presença de 
Tiago Miranda de Andrade, Presidente da Fundação Miranda de Andrade 
e neto do autor; 
Jorge Sobrado, Vereador da Cultura e Património da Câmara Municipal do Porto;
 José Augusto Cardoso Bernardes, Comissário-Geral das comemorações 
dos 500 anos do Nascimento de Luís de Camões 
e Joel Cleto, Historiador e Consultor de História & Património da Fundação.

© Fotos no Facebook da Fundação Miranda de Andrade


para saber +


in e-CAM



in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997
Reprod. em DGLAB, Autores.






Redação: 26.08.2026

2016/11/20

SOBRE OS RIOS QUE VÃO, uma obra-prima do poeta Luís de Camões

A Torre de Babel
por Pieter Brueghel (c. 1525 – 9.09.1569)

Sobre os rios que vão



Sobre os rios que vão
por Babilónia m’ achei,
onde sentado chorei
as lembranças de Sião
e quanto nela passei.
Ali o rio corrente
de meus olhos foi manado,
e tudo bem comparado:
Babilónia ao mal presente,
Sião ao tempo passado.

Ali, lembranças contentes
n'alma se representaram,
e minhas cousas ausentes
se fizeram tão presentes
como se nunca passaram.
Ali, depois de acordado,
co rosto banhado em água,
deste sonho imaginado,
vi que todo o bem passado
não é gosto, mas é mágoa.

E vi que todos os danos
se causavam das mudanças,
e as mudanças dos anos;
onde vi quantos enganos
faz o tempo às esperanças.
Ali vi o maior bem
quão pouco espaço que dura,
o mal quão depressa vem,
e quão triste estado tem
quem se fia da ventura.

Vi aquilo que mais val
que então se entende milhor
quando mais perdido for;
vi o bem suceder mal,
e o mal muito pior.
E vi com muito trabalho
comprar arrependimento;
vi nenhum contentamento;
e vejo-me a mim, qu’ espalho
tristes palavras ao vento.

Bem são rios estas águas
com que banho este papel;
bem parece ser cruel
variedade de mágoas
e confusão de Babel.
Como homem que, por exemplo,
dos transes em que se achou,
despois que a guerra deixou,
pelas paredes do templo
suas armas pendurou,

assi, despois que assentei
que tudo o tempo gastava,
da tristeza que tomei,
nos salgueiros pendurei
os órgãos com que cantava.
Aquele instrumento ledo
deixei da vida passada,
dizendo: «Música amada,
deixo-vos neste arvoredo
à memória consagrada.

Frauta minha que, tangendo,
os montes fazíeis vir
para onde estáveis, correndo;
e as águas, que iam decendo,
tornavam logo a subir.
Jamais vos não ouvirão
os tigres, que se amansavam;
e as ovelhas, que pastavam,
das ervas se fartarão
que, por vos ouvir, deixavam.

Já não fareis docemente
em rosas tornar abrolhos
na ribeira florecente;
nem poreis freio à corrente,
e mais, se for dos meus olhos.
Não movereis a espessura,
nem podereis já trazer
atrás vós a fonte pura,
pois não pudestes mover
desconcertos da ventura.

Ficareis oferecida
à Fama, que sempre vela,
frauta de mim tão querida;
porque, mudando-se a vida,
se mudam os gostos dela.
Acha a tenra mocidade
prazeres acomodados,
e logo a maior idade
já sente por pouquidade
aqueles gostos passados.

Um gosto que hoje se alcança,
amanhã já o não vejo;
assi nos traz a mudança
de esperança em esperança,
e de desejo em desejo.
Mas em vida tão escassa
que esperança será forte?
Fraqueza da humana sorte
que quanto da vida passa
está receitando a morte!

Mas deixar nesta espessura
o canto da mocidade...
Não cuide a gente futura
que será obra da idade
o que é força da ventura.
Que idade, tempo, o espanto
de ver quão ligeiro passe,
nunca em mim puderam tanto
que, posto que deixe o canto,
a causa dele deixasse.

Mas, em tristezas e enojos,
em gosto e contentamento,
por sol, por neve, por vento,
terné presente á los ojos
por quien muero tan contento».
Órgãos e frauta deixava,
despojo meu tão querido,
no salgueiro que ali estava,
que para troféu ficava
de quem me tinha vencido.

Mas lembranças da afeição,
que ali cativo me tinha,
me perguntaram então
que era da música minha
qu'eu cantava em Sião.
Que foi daquele cantar
das gentes tão celebrado?
Porque o deixava de usar,
pois sempre ajuda a passar
qualquer trabalho passado?

Canta o caminhante ledo
no caminho trabalhoso,
por antr’ o espesso arvoredo;
e de noite o temeroso,
cantando, refreia o medo.
Canta o preso docemente
os duros grilhões tocando;
canta o segador contente;
e o trabalhador, cantando,
o trabalho menos sente.

Eu, qu’ estas cousas senti
N’ alma, de mágoas tão cheia,
“Como dirá, respondi,
quem tão alheio está de si
doce canto em terra alheia?”
Como poderá cantar
quem em choro banha o peito?
Porque, se quem trabalhar
canta por menos cansar,
eu só descansos enjeito.

Que não parece razão
nem seria cousa idónea,
por abrandar a paixão,
que cantasse em Babilónia
as cantigas de Sião.
Que, quando a muita graveza
de saüdade quebrante
esta vital fortaleza,
antes moura de tristeza
que, por abrandá-la, cante.

Que, se o fino pensamento
só na tristeza consiste,
não tenho medo ao tormento:
que morrer de puro triste,
que maior contentamento?
Nem na frauta cantarei
o que passo e passei já,
nem menos o escreverei;
porque a pena cansará,
e eu não descansarei.

Que, se vida tão pequena
se acrecenta em terra estranha
e se amor assi o ordena,
razão é que canse a pena
de escrever pena tamanha.
Porém se, para assentar
o que sente o coração,
a pena já me cansar,
não canse para voar
a memória em Sião.

Terra bem-aventurada,
se, por algum movimento,
d’ alma me fores mudada,
minha pena seja dada
a perpétuo esquecimento.
A pena deste desterro,
que eu mais desejo esculpida
em pedra ou em duro ferro,
essa nunca seja ouvida,
em castigo de meu erro.

E se eu cantar quiser
em Babilónia sujeito,
Hierusalém, sem te ver,
a voz, quando a mover,
se me congele no peito.
A minha língua se apegue
às fauces, pois te perdi,
se, enquanto viver assi,
houver tempo em que te negue
ou que me esqueça de ti.

Mas ó tu, terra de Glória,
se eu nunca vi tua essência,
como me lembras na ausência?
Não me lembras na memória,
senão na reminiscência.
Que a alma é tábua rasa
que, com a escrita doutrina
celeste, tanto imagina
que voa da própria casa,
e sobe à pátria divina.

Não é logo a saüdade
das terras onde nasceu
a carne, mas é do Céu,
daquela santa cidade,
donde esta alma descendeu.
E aquela humana figura,
que cá me pôde alterar,
não é quem se há de buscar:
é raio da fermosura
que só se deve de amar.

Que os olhos e a luz que ateia
o fogo que cá sujeita,
não do sol, mas da candeia,
é sombra daquela Ideia
que em Deus está mais perfeita.
E os que cá me cativaram
são poderosos efeitos
que os corações têm sujeitos:
sofistas, que me ensinaram
maus caminhos por direitos.

Destes o mando tirano
me obriga, com desatino,
a cantar ao som do dano
cantares de amor profano
por versos de amor divino.
Mas eu, lustrado co santo
Raio, na terra de dor,
de confusões e d’ espanto,
como hei de cantar o canto
que só se deve ao Senhor?

Tanto pode o benefício
da Graça que dá saúde,
que ordena que a vida mude;
e o que tomei por vício
me fez grau para a virtude.
E faz este natural
amor, que tanto se preza,
suba da sombra real,
da particular beleza
para a Beleza geral.

Fique logo pendurada
a frauta com que tangi,
ó Hierusalém sagrada,
e tome a lira dourada
para só cantar de ti!
Não cativo e ferrolhado
na Babilónia infernal;
mas dos vícios desatado,
e cá desta a ti levado,
Pátria minha natural.

E se eu mais der a cerviz
a mundanos acidentes,
duros, tiranos e urgentes,
risque-se quanto já fiz
do grão livro dos viventes.
E tomando já na mão
a lira santa e capaz
doutra mais alta invenção,
cale-se esta confusão,
cante-se a visão da paz.

Ouça-me o pastor e o rei,
retumbe este acento santo,
mova-se no mundo espanto;
que, do que já mal cantei,
a palinódia já canto.
A vós só me quero ir,
Senhor e grão Capitão
da alta torre de Sião,
à qual não posso subir
se me vós não dais a mão.

No grão dia singular
que na lira o douto som
Hierusalém celebrar,
lembrai-vos de castigar
os ruins filhos de Edom.
Aqueles, que tintos vão
no pobre sangue inocente,
soberbos co poder vão;
arrasai-os igualmente,
conheçam que humanos são.

E aquele poder tão duro
dos efeitos com que venho,
que encendem alma e engenho,
que já me entraram o muro
do livre alvídrio que tenho;
estes, que tão furiosos
gritando vêm a escalar-me,
maus espíritos danosos,
que querem como forçosos
do alicerce derrubar-me;

derrubai-os, fiquem sós,
de forças fracos, imbeles,
porque não podemos nós
nem com eles ir a Vós,
nem sem Vós tirar-nos deles.
Não basta minha fraqueza
para me dar defensão,
se vós, santo Capitão,
nesta minha fortaleza
não puserdes guarnição.

E tu, ó carne que encantas,
filha de Babel tão feia,
toda de misérias cheia,
que mil vezes te levantas
contra quem te senhoreia!
Beato só pode ser
quem co a ajuda celeste
contra ti prevalecer,
e te vier a fazer
o mal que lhe tu fizeste;

quem com disciplina crua
se fere mais que üa vez,
cuja alma, de vícios nua,
faz nódoas na carne sua,
que já a carne n’ alma fez;
e beato quem tomar
seus pensamentos recentes
e, em nacendo, os afogar,
por não virem a parar
em vícios graves e urgentes;

quem com eles logo der
na pedra do furor santo
e, batendo, os desfizer
na Pedra, que veio a ser
enfim cabeça do Canto;
quem logo, quando imagina
nos vícios da carne má,
os pensamentos declina
àquela Carne divina
que na Cruz esteve já;

quem do vil contentamento
cá deste mundo visível,
quanto ao homem for possível,
passar logo o entendimento
para o mundo inteligível,
ali achará alegria
em tudo perfeita e cheia
de tão suave harmonia
que nem, por pouca, recreia,
nem, por sobeja, enfastia.

Ali verá tão profundo
mistério na suma alteza
que, vencida a natureza,
os mores faustos do mundo
julgue por maior baixeza.
Ó tu, divino aposento,
minha pátria singular!
Se só com te imaginar
tanto sobe o entendimento,
que fará se em ti se achar?

Ditoso quem se partir
para ti, terra excelente,
tão justo e tão penitente
que, despois de a ti subir,
lá descanse eternamente.

Luís de Camões


Fonte:
Lírica completa - I [Redondilhas], org., pref. e notas de  Maria de Lurdes Saraiva, 2.ª ed., Lisboa: INCM, 1986, p. 269-280.


Os jardins suspensos de Babilónia (1998), por Lee Krystek




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