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2026/09/19

CAMONISTA - Ángel Marcos de Díos




Ángel Marcos de Dios, Prémio Eduardo Lourenço 2020 | Vídeo, 01:12
Ángel Marcos de Díos
Licenciado em Filologia Românica pela Universidade de Salamanca (1972)
e doutorado na mesma área, em 1975, com a tese
Portugueses en la Universidad de Salamanca (1580-1640). 
É um professor jubilado 

Professor de Língua e Literatura Portuguesas 
na Faculdade de Filologia da Universidade de Salamanca desde 1972,
implementou a licenciatura em Filologia Portuguesa nessa Universidade.
Está atualmente jubilado, dedicando-se à investigação.
Ángel Marcos de Dios foi diretor da revista de filología portuguesa 
Estudios portugueses (Salamanca: Caja Duero, 2001-).

Em 2017 foi homenageado com a edição duma coletânea dos seus escritos, 
em que as áreas de interesse do professor e investigador 
são destacadas no título:
Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos.
A parte II desta obra é inteiramente dedicada aos Estudos Camonianos.

Colaborou no Dicionário Luís de Camões, coord. por Vítor Aguiar e Silva,
com verbetes dedicados a figuras da literatura peninsular com ligação ao contexto 
ou à obra camoniana: Juan Boscán, Garcilaso de la Vega, Jorge de Montemayor.

Ángel Marcos de Dios recebeu o Prémio Eduardo Lourenço 2020
pela sua dedicação ao desenvolvimento das relações culturais e académicas 
entre Portugal e Espanha.

Camões na Ibéria através da Literatura Comparada

A relação entre o catedrático Ángel Marcos de Dios e a figura de Luís de Camões constitui um dos eixos mais importantes da sua carreira de investigação em literatura comparada e estudos ibéricos. Como especialista em filologia portuguesa na Universidad de Salamanca, analisou a receção, tradução e impacto de Camões na literatura espanhola do Século de Ouro.

Camões no Século de Ouro Espanhol e Influência em Quevedo.
Em "La diffusion de Camões en Espagne et son influence sur Quevedo” (1981) investiga como a obra lírica e épica de Camões penetrou nos círculos literários de Castela, qual o impacto direto que os versos camonianos exerceram sobre grandes autores espanhóis como Francisco de Quevedo.

Vários dos seus ensaios são dedicados à projeção ibérica do poeta (por ex., em "Camões y los siglos de oro ibéricos”), delineando quer uma visão panorâmica do diálogo transfronteiriço durante os séculos XVI e XVII, quer realizando uma análise específica e comparativa sobre a receção e tradução do famoso soneto “Sete anos de pastor Jacob servia”.

Através da sua linha de investigação sobre a presença de estudantes e intelectuais portugueses em Salamanca (assunto que também foi objeto da sua tese doutoramento, sobre o período de 1580-1640), Ángel Marcos de Dios mapeou o ambiente académico e cultural da época em que surgiram as primeiras traduções castelhanas de Os Lusíadas (1580), demonstrando como a Península Ibérica partilhava um património literário comum.

CAMONIANA


  • (2017) Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca. - Volume de homenagem ao autor. Contém textos de Ángel Marcos de Díos em espanhol, francês, português e inglês.
[Os textos que se seguem estão ordenados pela sequência que lhes foi conferida pelos editores da coletânea de ensaios Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos, Universidad de Salamanca, 2017, nas duas partes seguintes:]

Parte II. 
CAMÕES Y LOS SIGLOS DE ORO IBÉRICOS
  • (1981) "La diffusion de Camöes en Espagne et son influence sur Quevedo". - Sep. Arquivos do Centro Cultural Português, vol. 16, Paris: Fund. Calouste Gulbenkian - Centro Cultural Português, 755-775. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 77-96.
  • (1986) "Itinerario hispánico del chantre de Évora Manuel Severim de Faria, en 1604", Revista de Estudios Extremeños, XLII-1, Badajoz, 139-185. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 97-138.
  • (1998) "O soneto 'Sete anos de pastor Jacob servia', em Espanha", Arquivos do Centro Cultural Calouste Gulbenkian, XXXVII, 219-228. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 139-148.
  • (2005) "Viaje del Siglo de Oro a la cultura portuguesa", in Territórios y culturas ibéricas, Porto: Campo das Letras, 213-223. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 149-160.
  • (2010) "Castilian and Portuguese in the sixteenth century", in A Comparative History of Literatures in the Iberian Peninsula. Vol. I, Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins Publishing Company, 413-428. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 161-181.
  • (2013) "Camões dans l’oeuvre de Eduardo Lourenço", in Eduardo Lourenço et la passion de l’humaine. Org. Maria Graciete Besse, Paris, Éd. Convivium Lusophone, 139-158. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 183-197.
Parte III.
PORTUGUESES EN LA HISTORIA
DE LA UNIVERSIDAD DE SALAMANCA

  • (2006) "Portugueses en la Universidad de Salamanca de la Edad Modern", in Historia de la Universidad de Salamanca. Coord. de Luis Enrique Rodríguez-San Pedro Bezares, tomo III.2, Salamanca: Edic. Universidad de Salamanca, 1101-1128. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 201-229. 
  • (2003) "Estudantes brasileiros na Universidade de Salamanca durante os séculos XVI, XVII e XVIII", in Diálogos Ibero-Americanos. Coord. De Gilberto Mendonça Teles, Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 190-211. – reprod., com o título "Estudantes brasileiros em Salamanca durante os séculos XVI, XVII e XVIII", em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 231-253.
  • (2010) "A Universidade de Salamanca e Portugal no Periodo Barroco", in Marta Teixeira Anacleto, ed. et al., D. Francisco Manuel de Melo e o Barroco Peninsular. Coimbra/Salamanca: Imprensa da Universidade de Coimbra / Ediciones Universidad de Salamanca, 79-91. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 255-270.

(Continuação da bibliografia, no verbete, de Ángel Marcos de Díos)

  • (2011) Boscán, Juan, verbete, in Dicionário Luís de Camões, coord. por Vítor Aguiar e Silva, Alfragide: Caminho, 99-101.
  • (2011) Garcilaso de la Vega, verbete, in Dicionário Luís de Camões, coord. por Vítor Aguiar e Silva, Alfragide: Caminho, 401-405.
  • (2011) Montemayor, Jorge de, verbete, in Dicionário Luís de Camões, coord. por Vítor Aguiar e Silva, Alfragide: Caminho, 604-607.
  • (2010) Relaciones literarias entre España y Portugal en el Siglo de Oro, in Maria Graciete Besse (coord.) Cultures Lusophones et hispanophones: Penser la Relation. Paris: Indigo&Côté-Femmes Éditions, 291-302.
  • (2009) Portugueses na Universidade de Salamanca (1550-1580). Salamanca: Luso-Española de Ediciones. - 470 págs. - [Provavelmente, ed. da tese de dout. homónima].
  • (2008) Libros y lecturas portugueses en la España de los siglos XVI y XVII», in Aula Bilingüe. Investigación y archivo del castellano como lengua literaria en Portugal. Salamanca: Luso-Española de Ediciones, 45-136.
  • (2002} Manuscritos portugueses en la Universidad de Salamanca. - Em coautoria com Ana María García Martín y Eduardo J. Alonso Romo, Estudios Portugueses, 2, Salamanca, 141-164.
  • (2002) La expansión del portugués en Oriente y la documentación jesuítica. - Em coautoria com Eduardo Javier Alonso Romo, Revista de Filología Románica, 19, 125-160.
  • (2001) Os portugueses na Universidade de Salamanca desde a Restauração até às reformas iluministas do Marquês de Pombal, Estudios Portugueses, 1, Salamanca, 111-120.
  • (1999) Conhecimento de Camões na Espanha nos séculos XVI e XVII, in Actas do 'I Congresso Internacional de Estudos Camonianos e XXIX Congresso Brasileiro de Língua e Literatura', Rio de Janeiro, 78-91.
  • (1999) Historia de la literatura portuguesa. - Em coautoria com Pedro Serra. - Salamanca: Luso-Española de Ediciones. - 390 p.
  • (1991) A transferência de escolares entre Salamanca e Coimbra, in UNIVERSIDADE(S). História, Memória, Perspectivas, Actas do Congresso História de Universidade, vol. 3, Coimbra, 155-164.
  • (1990) Nivel social de los estudiantes portugueses en Salamanca hasta 1640, in Historia, pensamiento, literatura. Estudios en Homenaje a María Dolores Gómez Molleda, vol. II, Salamanca: Ediciones Universidad de Salamanca-Narcea, S. A. de Ediciones, 125-132.
  • (1989) Procedencia social de los estudiantes portugueses en Salamanca hasta 1600. - Comunicação apresentada no 'III Encontro sobre História Dominicana'. - Sep. Arquivo Histórico Dominicano Português [Atas do III Encontro], vol. 4, tomo 2, Porto: Dominicanos,  291-298.
  • (1984) «Portugueses en la Universidad de Salamanca (1580-1640)», Brigantia, IV-4, p. 569-586. | (1985), V-1, p. 131-151. | (1586), VI 1-2-3, p. 219-240. | (1987), VII 1-2, p. 71-100. | (1987), VII-3, p. 305-337. | «Índice de Portugueses en la Universidad de Salamanca (1580-1640)», Brigantia, (1990) X-4, p. 163-188. | (1991), XI-1-2, p. 57-92. | (1992), XX-1 79-153. | (1992) XII-3, p. 85-153. | (1993) XIII-1-2, p. 101-189. | (1994) XIV-3-4, p. 87-140. | (1996) XVII-3-4, p. 115-160. | 19: (1999) XIX-1-2, p. 101-149. | (2000) XX-1-2, p. 107-155. | (2000) XX-3-4, p. 171-200. | (2003) XXIII1-2, p. 69-119. - "Son los volúmenes de la tesis de doctorado, que, por su extensión, tuvo que ser publicada por entregas a lo largo de esos años."
  • (1977) Inventário de los bracarenses en la Universidad de Salamanca durante la Monarquia Dual. - Sep. O Distrito de Braga, II-2ª série, Braga: [Tip. Barbosa & Xavier]. - 142, [1] p.;  il.; 30 cm.
  • (1976-1977) Estudiantes de la archidiócesis de Évora en la Universidad de Salamanca (1580-1640), A Cidade de Évora, n.º 59, p. 72-107; n.º 60, p. 119-168.
  • (1976) "Estudiantes de Brasil en la Universidad de Salamanca durante los siglos XVI y XVII". - Sep. Revista de História, n.º 105, São Paulo, 215-230.
  • (1976) Proyección cultural de la Universidad de Salamanca en Portugal durante el reinado de los Felipes. - Sep. Arquivos do Centro Cultural Português, vol. 10, Paris: Fundação Calouste Gulbenkian, 135-169.
  • (1975) Portugueses en la Universidad de Salamanca (1580-1640). - Dissertação de doutoramento, com orient. de José Luis Pensado Tomé. Salamanca: Universidade de Salamanca.
  • (1960) La universidad de Salamanca y Portugal (1580-1640). - S.l.: s.n. - 1 vol.; 29 cm.

para saber +


Miguel Martínez
in Revista Desassossego, vol. 15, n.º 29 (2023): 
Além da Taprobana... Memórias gloriosas: Os Lusíadas 450 anos [Dossiê].
São Paulo, USP, 108-136.






Redação: 19.09.2026

2026/08/27

CAMONISTA - Roque Machado





[RETRATO]

Roque [José] Machado 
n. Nagoá, de Vernã, Salcete, na Índia.
Médico da marinha mercante, ensaísta e camonista indo-português

Diplomado pela Escola Médica de Goa em 1918, 
exerceu medicina a bordo do vapor ‘Lourenço Marques’ e depois no ‘Índia’. 
Em 1957, completou 25 anos ao serviço da Companhia Nacional de Navegação. 

Ficou conhecido pelo seu trabalho de erudição sobre a obra camoniana.

Em 1934, publicou uma monografia histórica sobre o tratamento 
e a recepção de Camões na Academia das Ciências de Lisboa.

Em 1947, em A Flora da Índia nos 'Lusíadas', apresentou um estudo pormenorizado
sobre as referências botânicas e a flora dos territórios indianos 
presentes na grande epopeia de Camões.

Em Deus na Épica e na Lírica de Camões (1958),
realiza uma análise sobre a dimensão espiritual, religiosa 
e a presença de Cristo e da divindade na poesia de Camões.

CAMONIANA

  • (1958) Deus na épica e na lírica de Camões. Lisboa : s.n. - 78, [1] p. ; 20 cm.
  • (1950) A ilha dos amores. Lisboa: s.n. [Lisboa: Tip. Impr. Artística]. - 127 p. : il. ; 20 cm.
  • (1948) Vasco da Gama na história  e na epopeia. S.l.: s.n. [Lisboa: Tip. Impr. Artística]. - 64 p. ; 19 cm.
  • (1947) A flora da Índia nos Lusíadas. Lisboa: s.n. [Tip. Impr. Artística]. - 133 p. ; 19 cm.
  • (1938) Cristo nos Lusíadas: ensaios. S.l. : s.n. [Tip. Impr. Artística]. - 112 p. ; 19 cm
  • (1937) Altas questões camoneanas: a propósito da nova edição comentada de «Os Lusíadas» pelo ilustre professor da Universidade de Lisboa, Sr. Dr. Agostinho Fortes.- Lisboa: s.n. [Tip. Impr. Artística]. - 58 p. : il. ; 20 cm. - Ilustrado com um retrato do autor em anterrosto.
  • (1936) Carta ao almirante Gago Coutinho sobre questões Camoneanas. - ... |  2.ª ed., Lisboa: [s.n.], 1960. - 59 p., [1] f. : il. ; 19 cm.
  • (1936) Vasco da Gama nos Lusíadas. Lisboa: Imprensa Artística. - 63 p. ; 19 cm.
  • (1935) De quem é o peito ilustre Lusitano, a quem Neptuno e Marte obedeceram?. S.l. : s.n. [Lisboa:  Soc. Nacional de Tipografia]. - 16 p. ; 26 cm.
  • (1935) Ensaio síntese de uma camoneana: de quem é o peito ilustre lusitano, a quem Neptuno e Marte obedeceram?. - S.l. : s.n. [ Lisboa: Centro Tip. Colonial]. - 8 p. ; 23 cm.
  • (1934) Camões perante a Academia das Ciências de Lisboa. Lisboa: Sociedade Nacional de Tipografia. - 14, [1] p. ; 27 cm.



para saber +


Aleixo Manuel da Costa
Dicionário de literatura goesa
ICM e F.O., 1997








Redação: 27.08.2026

2026/08/26

CAMONISTA - Francisco Miranda de Andrade


  Francisco Miranda de Andrade  
n. Barcelos, 1902-1999
Professor, ensaísta e camonista.

Licenciou-se em Filologia Românica (do curso de Ciências Histórico-Geográficas), 
com a tese Camões e o Platonismo, a 29 de janeiro de 1926, 
na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Frequentou o curso da Escola Normal Superior de Lisboa,
após o qual seguiu a carreira de professor de liceu.

Foi diretor do Correio do Minho, de 1946 a 1949,
e colaborou noutros jornais: O Comércio do Porto, 
Diário Ilustrado e Comércio do Minho.
Colaborou também em muitos revistas portuguesas: 
Ocidente, Labor, Revista de História, Barcellos, Quatro Ventos.
E ainda no Boletim da Biblioteca Pública Municipal de Matosinhos
e no Boletim da Câmara Municipal do Porto. 

É o autor, provavelmente, da primeira tese académica portuguesa 
sobre a obra camoniana, com uma proposta inovadora:
Camões e o platonismo: um problema de crítica literária, 1926.




CAMONIANA


  • (1980) Notas camonianas, Boletim da Biblioteca Pública Municipal de Matosinhos, n.º 24, 3-16. - Há em separata. Texto redigido no "Porto, março de 1980."
  • (1959) Ao ritmo da vida: estudos e crónicas [PDF]. Braga : [s.n.], 1959. - 159 p. - Ver os seguintes estudos:  "Um busto de Camões em Paris", pp. 19-21; "Encontro com Afrânio Peixoto" [em dez. 1936. Texto redigido em "1947"], pp. 83-90.



Encontro com Afrânio Peixoto em Lamego, em dezembro de 1936

"[...] e recordo-me de que eu próprio, um tanto nervosamente, depois de citar Vieira e Aquilino, também exaltei o magnífico cultor da língua portuguesa, o estilista admirável, o mestre do camonismo contemporâneo, a quem pedi licença para oferecer um modesto e despretensioso trabalho meu sobre o lirismo filosófico de Camões."
Francisco Miranda de Andrade

Camões, poeta da fé. A poesia sacra de Camões

"Quase como resposta, saía em 1926, dois anos após a publicação da conferência de [Mendes dos] Remédios, uma obra que viria a abrir aqueles caminhos: Camões e o platonismo de Miranda de Andrade, estudo que se conta entre os primeiros trabalhos sobre Camões apresentados a concurso para provas académicas em Portugal. 

Sob a influência de Leonardo Coimbra e dos mestres da Faculdade de Letras do Porto, a quem o autor dedica esta tese de licenciatura, Andrade afirmava propor pela primeira vez nos estudos camonianos que o agostinismo fora uma das vias de acesso ao platonismo pelo poeta [pp. 66-77]. Salientando o pioneirismo desta indagação, “Não nos consta que alguém tivesse já abordado o assunto da hipótese que vamos expor” [p. 66], Andrade modalizava que “Não nos persuadimos, todavia, que fôsse a obra de Santo Agostinho a única fonte do platonismo do poeta” [p. 77], admitindo igualmente a via petrarquista: “Dessa forma, por mais duma vez os belos espíritos de Camões e de Petrarca se encontraram: – não só na imitação superior duma arte poética, mas também nas próprias fontes de pensamento e objecto de estudo” [p. 70]."
Felipe de Saavedra
in Boletim de Estudos Clássicos 70, 
Coimbra: Universidade de Coimbra, 141-178.



 'Camões e o platonismo: um problema de crítica literária' 
de Francisco Miranda de Andrade 

 100 anos da 1.ª edição: 1926- 2026 

 Sessão de lançamento da edição comemorativa 


Com a presença de 
Tiago Miranda de Andrade, Presidente da Fundação Miranda de Andrade 
e neto do autor; 
Jorge Sobrado, Vereador da Cultura e Património da Câmara Municipal do Porto;
 José Augusto Cardoso Bernardes, Comissário-Geral das comemorações 
dos 500 anos do Nascimento de Luís de Camões 
e Joel Cleto, Historiador e Consultor de História & Património da Fundação.

© Fotos no Facebook da Fundação Miranda de Andrade


para saber +


in e-CAM



in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997
Reprod. em DGLAB, Autores.






Redação: 26.08.2026

2026/08/17

O camonista K. David Jackson é o novo sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras

 

© Imagem divulgada no Facebook da Academia Brasileira de Letras.

       K. David Jackson na ABL       

 ELEITO PARA A CADEIRA 2 DA ABL 


5 AGO. 2026, quinta-feira
 Na Academia Brasileira de Letras, Brasil

Organização:



Bem-vindo à casa de Machado de Assis!

"Na Academia Brasileira de Letras, a língua portuguesa se entrelaça com a história, a crítica literária e a difusão da nossa cultura pelo mundo.

Estreitamos ainda mais os laços com os estudos lusófonos internacionais com a eleição de um novo Sócio Correspondente da ABL. O texano Kenneth David Jackson assume oficialmente a cadeira 2, anteriormente ocupada pelo pensador e sociólogo francês Edgar Morin, falecido em maio de 2026, aos 104 anos.

Professor de literatura luso-brasileira na Yale University, Jackson dedica parte expressiva de sua pesquisa ao legado de dois dos fundadores da nossa Casa, Machado de Assis e Joaquim Nabuco, promovendo a prosa e o pensamento brasileiro em universidades do exterior.

Seja bem-vindo, Kenneth David Jackson. Welcome to Machado’s house!"
Academia Brasileira de Letras

Discípulo de Jorge de Sena e divulgador da obra machadiana

"A Academia Brasileira de Letras tem um novo sócio correspondente. O professor Kenneth David Jackson, professor de literatura brasileira na Universidade de Yale, foi eleito na última quinta-feira, dia 5, para cadeira 2, vaga com a morte do filósofo francês Edgar Morin em maio de 2026.

Ele é especialista em literatura luso-brasileira. [...] Foi aluno de Jorge de Sena, um exilado português que se naturalizou brasileiro e depois se mudou para os Estados Unidos. Sena foi crucial para sua dedicação aos estudos luso-brasileiros.

É um dos principais responsáveis pela disseminação da obra de Machado de Assis e também de modernistas brasileiros em língua inglesa. [...] Em 2006 organizou a Oxford Anthology of the Brazilian Short Story, na qual incluiu 10 contos do autor. Em 2015, publicou um longo estudo sobre o fundador da Academia Brasileira de Letras, “Machado de Assis: A Literary Life”, propondo uma visão marcadamente psicológico-filosófica de seusromances.

Esse já pode ser considerado um dos mais importantes trabalhos publicados nos Estados Unidos a respeito do autor brasileiro, dando continuidade à herança crítica deixada por Helen Caldwell, que revolucionou a interpretação de Dom Casmurrocom [com] o ensaio The Brazilian Othello of Machado de Assis (traduzido no Brasil como O Otelo Brasileiro de Machado de Assis), em 1960."

Kenneth David Jackson como camonista

Como camonista, K. David Jackson é um dos mais prestigiados investigadores e divulgadores da obra de Luís de Camões nos Estados Unidos, destacando-se pelo seu contributo na análise das ligações do poeta com o Oriente e pelo desenvolvimento de ferramentas digitais pioneiras. 

Professor catedrático na Universidade de Yale, a sua paixão pela língua portuguesa foi profundamente influenciada pelo seu orientador de doutoramento, o célebre escritor e intelectual português Jorge de Sena. Atualmente, é membro do núcleo de investigadores da Rede Camões na Ásia & África, dirigida por Felipe de Saavedra, e prestigiado articulista da REC - Revista de Estudos Camonianos, sediada em Macau e com colaboração e projeção internacional. Está também unido a Macau como Professor Vistante Ilustre da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCT).

David Jackson aborda Camões não apenas como um poeta nacional, mas como uma figura central da literatura mundial e um pensador profundo. Defende que a profundidade temática dos sonetos camonianos representa o ponto mais alto da lírica renascentista.

O seu trabalho explora o impacto do império marítimo português e a sobrevivência cultural portuguesa no Oriente, ligando a vivência de Camões a territórios como Goa, Macau e Sri Lanka.

É o criador do conhecido CD-ROM multimedia Luís de Camões and the First Edition of The Lusiads, 1572 (2003), que facilitou o acesso académico e pedagógico aos vários exemplares da editio princeps d' Os Lusíadas guardados nas bibliotecas nacionais e outros arquivos existentes internacionalmente.

David Jackson tem sido uma voz ativa no circuito internacional de conferências - participando em painéis de Macau, Índia e Portugal, onde tem divulgado a sua visão global e transatlântica do poeta. Todavoa, tem também alertado para a falta de especialistas nos EUA, o que dificulta a devida integração de Camões nos estudos renascentistas americanos.

Como reconhecimento oficial pelo seu trabalho de décadas no estudo, ensino e difusão internacional da cultura portuguesa, o governo de Portugal condecorou Kenneth David Jackson com o prestigiado grau de Comendador da Ordem de Camões.
e-CAM, 17.08.2026
(Texto redigido com recurso à IA)

 ÁLBUM 

     Prof. Kenneth David Jackson, Comendador da Ordem de Camões    
© Imagens num verbete da e-CAM.
© Imagem divulgada no Facebook da Academia Brasileira de Letras.
Camões and the First Edition of The Lusiads, 1572 - Ed. K. David Jackson
Special CD Issue of Portuguese Literary & Cultural Studies
Tagus Press at UMass Dartmouth, 2003.
      Machado de Assis: A Literary Life, K. David Jackson (Yale University Press, 2015)      

para saber +



in Academia Brasileira de Letras, 8.08.2026

in e-CAM, 19.04.2026

in Enciclopédia Camões, 14.04.2026

As perguntas de Camões, por Kenneth David Jackson
(VÍDEO no Youtube, 10 jul. 2025), com texto publicado em 
in Enciclopédia Camões, 10.12.2025


in Enciclopédia Camões, 9.03.2024






Redação: 17.08.2026

2026/06/14

CAMONISTA - Rita Marnoto










Rita Marnoto 
Professora, investigadora, camonista
*
Rita Maria da Silva Marnoto é Professora da Faculdade de Letras da Univ. de Coimbra, Vice-Diretora do Centre International d’Études Portugaises de Genève (CIEPG) e membro da Academia das Ciências de Lisboa.
No âmbito dos Estudos Camonianos, publicou numerosos trabalhos, alguns dos quais reunidos em
Sete ensaios camonianos (2007), coordenou o projecto Comentário a Camões, do qual resultaram quatro volumes (2012-2016), e publicou a obra O petrarquismo português do Cancioneiro geral a Camões (2015). Assinalando os 450 da publicação de Os Lusíadas, publicou a "edição crítica da princeps", em 2 volumes (CIEPG, 2022). 




Rubrica da UC, vídeo no Youtube (clique no título).

CAMONIANA

  • (1994) O petrarquismo português do renascimento e do maneirismo. – Tese dout. Lit. Italiana, UC, 1994. – 856, [4] p. : il. (30 cm); bibl., p. 717-823. – Ed. em livro: v. MARNOTO 1997. V. também MARNOTO 2015.
  • (1994) Ramalhete poético do parnaso italiano: língua portuguesa como arauto da poesia italiana na América do Sul, in Il Portogallo e i mari: un incontro tra culture. Napoli: Liguori, 241-260.
  • (1995) Dois sonetos de D. Tomás de Noronha no Cancioneiro Manuel de Faria, rev. Biblos, S.l., n.º 71 (1995), 117-128. – Há sep.
  • (1997) Camões, Laura e a bárbora escrava, Máthesis, Viseu: Univ. Católica Port., n.º 6 (1997), 77-103. – Há sep.
  • (1997) O Petrarquismo português do Renascimento e do Maneirismo. Coimbra: Acta Universitatis. – _ Publicação da tese de dout., v. MARNOTO 1994.
  • (1998) Da Arcadia a Sôbolos Rios. – [Comunicação, Oxford, 1996], in Actas do Quinto Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas. Coimbra: s.n., 1023-1044. – Há sep.
  • (2001) Camões: a ordem dos clássicos e o ruído de fundo, Aprendizagem – desenvolvimento, Lisboa, V. 10, n.º 39-40 (2001), 145-156. – Há sep.
  • (2003) “Spero trovar pietà, nonché perdono”: tradução e imitação no lirismo português do século XVI, Critica del testo, 6/2 (2003), 837-851. – Há sep.
  • (2003) A ambivalência da mimicry : leituras da "Bárbora escrava" = The ambivalence of mimicry: eadings on “Bárbora escrava”, Camoniana, São Paulo, 3.ª série, n.º 14 (2003), 169-184. – Há sep.
  • (2004) Caminhos da italianística em Portugal. Coord. Rita Marnoto. Coimbra: Instituto de Estudos Italianos da FLUC. – 75, 2 p. (21 cm).
  • (2004) Dove Petrarcha scrisi, Loco beato: Petrarchismo transculturale: il Portogallo del Cinquecento nelle rotte oceaniche, L’Erasmo, Milano, n.º 22 (2004), 54-60. – Há sep.
  • (2004) Leonardo express. Ceserani et al.; coord. Rita Marnoto. Coimbra: Instituto de Estudos Italianos - FLUC. – 144, 1 p.; il. (21 cm).
  • (2004) O “livro de poesia”: o cancioneiro petrarquista e a edição das Obras de Sá de Miranda de 1595, Revista Portuguesa de História do Livro e da Edição, vol. 8, n.º 15 (2004), 105-138. – Há sep.
  • (2005) Petrarca: 700 anos. Coord. Rita Marnoto; trad. Giulio Ferroni et al.. Coimbra: Univ. – 544, 2 p.; il. (21 cm).







  Sete ensaios camonianos

  de Rita Marnoto

  Coimbra: CIEC, 2007. 

  – 264, 2 p.; il. (24 cm)

  Col. Estudos Camonianos, 3.





  • (2011) Petrarquismo, verbete, in Dicionário de Luís de Camões. Ed. Vítor Aguiar e Silva, Lisboa: Caminho, 670-679.




Cinco ensaios circum-camonianos


Maria Luisa Meneghetti, 
Cesare Segre, 
Giuseppe Tavani; 
coord. e trad. de Rita Marnoto. 

Coimbra: CIEC, 2012.









  • (2012) Comentário a Camões. Vol. 1 – Sonetos. Coord. Rita Marnoto. Coimbra: CIEC; Lisboa: Cotovia. – Com comentários aos sonetos camonianos: “Eu cantarei de amor tão docemente” por Maurizio Perugi; “Tanto de mau estado me acho incerto” por Rita Marnoto; “Amor é um fogo que arde sem se ver” por Rita Marnoto; “Se as penas com que amor tão mal me trata” por Roberto Gigliucci; “Transforma-se o amador na cousa amada” por Barbara Spiaggiari. – 254, 1 p. (21 cm).

  • (2012) Comentário a Camões. Vol. 2 – Sonetos. Coord. Rita Marnoto. Coimbra: CIEC; Lisboa: Cotovia. – Com comentários aos sonetos camonianos: “Amor que o gesto humano n’alma escreve” por Maurizio Perugi; “Seguia aquele fogo, que o guiava” por Clelia Bettini; “Amor, co a esperança já perdida” por Marimilda Rosa Vitali; “Cara minha inimiga, em cuja mão” por Maurizio Perugi. – 165, 2 p. (21 cm).


  • (2012) Entre Cloud gate e Il cortegiano. Portugal no espelho de Castiglione, in Uma coisa na ordem das coisas: estudos para Ofélia de Paiva Monteiro. Coord. Carlos Reis, José Augusto Cardoso Bernardes, Maria Helena Santana. Coimbra: IUC, 643-659.
  • (2014) Sobre o lirismo português do século XVI e a retórica, in Matrizes clássicas da literatura portuguesa: uma (re)visão da literatura portuguesa das origens à contemporaneidade. Coord. cient. Paula Morão, Cristina Pimentel. Lisboa: Campo da Comunicação, 129-140.
  • (2015) A canção à Virgem na literatura portuguesa do século XVI, Quaderns d’Italià, n.º 20 –  Petrarca y el humanismo en la península Ibérica : Petrarca e l’Umanesimo nella Penisola Iberica (2015), 155-173.






O petrarquismo português do Cancioneiro Geral a Camões

de Rita Marnoto

Rev. de textos Carlos Marques
Lisboa: INCM, 2015. – 711, [22] p.





  • (2015) O poema de Camões entre Europa e Oceano, in Sudi (e testi) italiani, Roma: Sapienza Università, n.º 34 – Epica e oceano (secondo semestre 2014), a curi di Roberto Gigliucci. Roma: Bulzoni, 123-132. – Há versão digital.






Os Lusíadas / de Luís de Camões

“Edição diplomática que toma por base o exemplar da edição princeps, impressa em Lisboa por António Gonçalves em 1572, conservado na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra”. 

Coord. António Olaio; design gráfico de João Bicker / FBA; estabelecimento de texto Rita Marnoto. 

Coimbra: Almedina - CA-UC, 2016.






Os Lusíadas / Luís de Camões
Edição ilustrada para a BIG 2021

Texto fixado para a ortografia atual e com introdução por Rita Marnoto.
Ilustrações de Carolina Celas, Joana Rego, Joana Estrela, Madalena Matoso, Amanda Baeza, Inês Machado, Mariana Rio, Catarina Gomes, Marta Madureira e Marta Monteiro.
Braga: Univ. do Minho Ed. / Matosinhos: Kalandraka, 2021.
















  Luís de Camões. I Lusiadi

  Coordinamento, texto e introduzione di Rita Marnoto
  Traduzione e note di Roberto Gigliucci. 

  Firenze, Milano: Giunti, Bompiani, 2022.







Os Lusíadas / de Luís de Camões

Edição crítica da princeps

Volume I   -  Volume II

Edição crítica de Rita Marnoto

Genéve: Centre International d’Études Portugaises de Genève - CIEPG, 2022

Col. "Études de Philologie et Littérature Portugaises", 10
Design e produção editorial: Rosa Bandeirinha
ISBN: 978-2-9701489-2-0



  • (2026) "Falta-nos a combatividade e a clarividência de Camões". - Entrevista de Teresa Carvalho a Rita Marnoto. Teresa Carvalho (Texto) & Bruno Gonçalves (fotografias). in: Nascer do SOL, n.º 1033, 12.06.2026, p. 34-36.


para saber +


in e-CAM, 12.04.2026

in e-CAM, 20.06.2024

in e-CAM, 29.03.2023









Atualização em 13.06.2026

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