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2026/09/19

CAMONISTA - Ángel Marcos de Díos




Ángel Marcos de Dios, Prémio Eduardo Lourenço 2020 | Vídeo, 01:12
Ángel Marcos de Díos
Licenciado em Filologia Românica pela Universidade de Salamanca (1972)
e doutorado na mesma área, em 1975, com a tese
Portugueses en la Universidad de Salamanca (1580-1640). 
É um professor jubilado 

Professor de Língua e Literatura Portuguesas 
na Faculdade de Filologia da Universidade de Salamanca desde 1972,
implementou a licenciatura em Filologia Portuguesa nessa Universidade.
Está atualmente jubilado, dedicando-se à investigação.
Ángel Marcos de Dios foi diretor da revista de filología portuguesa 
Estudios portugueses (Salamanca: Caja Duero, 2001-).

Em 2017 foi homenageado com a edição duma coletânea dos seus escritos, 
em que as áreas de interesse do professor e investigador 
são destacadas no título:
Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos.
A parte II desta obra é inteiramente dedicada aos Estudos Camonianos.

Colaborou no Dicionário Luís de Camões, coord. por Vítor Aguiar e Silva,
com verbetes dedicados a figuras da literatura peninsular com ligação ao contexto 
ou à obra camoniana: Juan Boscán, Garcilaso de la Vega, Jorge de Montemayor.

Ángel Marcos de Dios recebeu o Prémio Eduardo Lourenço 2020
pela sua dedicação ao desenvolvimento das relações culturais e académicas 
entre Portugal e Espanha.

Camões na Ibéria através da Literatura Comparada

A relação entre o catedrático Ángel Marcos de Dios e a figura de Luís de Camões constitui um dos eixos mais importantes da sua carreira de investigação em literatura comparada e estudos ibéricos. Como especialista em filologia portuguesa na Universidad de Salamanca, analisou a receção, tradução e impacto de Camões na literatura espanhola do Século de Ouro.

Camões no Século de Ouro Espanhol e Influência em Quevedo.
Em "La diffusion de Camões en Espagne et son influence sur Quevedo” (1981) investiga como a obra lírica e épica de Camões penetrou nos círculos literários de Castela, qual o impacto direto que os versos camonianos exerceram sobre grandes autores espanhóis como Francisco de Quevedo.

Vários dos seus ensaios são dedicados à projeção ibérica do poeta (por ex., em "Camões y los siglos de oro ibéricos”), delineando quer uma visão panorâmica do diálogo transfronteiriço durante os séculos XVI e XVII, quer realizando uma análise específica e comparativa sobre a receção e tradução do famoso soneto “Sete anos de pastor Jacob servia”.

Através da sua linha de investigação sobre a presença de estudantes e intelectuais portugueses em Salamanca (assunto que também foi objeto da sua tese doutoramento, sobre o período de 1580-1640), Ángel Marcos de Dios mapeou o ambiente académico e cultural da época em que surgiram as primeiras traduções castelhanas de Os Lusíadas (1580), demonstrando como a Península Ibérica partilhava um património literário comum.

CAMONIANA


  • (2017) Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca. - Volume de homenagem ao autor. Contém textos de Ángel Marcos de Díos em espanhol, francês, português e inglês.
[Os textos que se seguem estão ordenados pela sequência que lhes foi conferida pelos editores da coletânea de ensaios Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos, Universidad de Salamanca, 2017, nas duas partes seguintes:]

Parte II. 
CAMÕES Y LOS SIGLOS DE ORO IBÉRICOS
  • (1981) "La diffusion de Camöes en Espagne et son influence sur Quevedo". - Sep. Arquivos do Centro Cultural Português, vol. 16, Paris: Fund. Calouste Gulbenkian - Centro Cultural Português, 755-775. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 77-96.
  • (1986) "Itinerario hispánico del chantre de Évora Manuel Severim de Faria, en 1604", Revista de Estudios Extremeños, XLII-1, Badajoz, 139-185. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 97-138.
  • (1998) "O soneto 'Sete anos de pastor Jacob servia', em Espanha", Arquivos do Centro Cultural Calouste Gulbenkian, XXXVII, 219-228. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 139-148.
  • (2005) "Viaje del Siglo de Oro a la cultura portuguesa", in Territórios y culturas ibéricas, Porto: Campo das Letras, 213-223. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 149-160.
  • (2010) "Castilian and Portuguese in the sixteenth century", in A Comparative History of Literatures in the Iberian Peninsula. Vol. I, Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins Publishing Company, 413-428. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 161-181.
  • (2013) "Camões dans l’oeuvre de Eduardo Lourenço", in Eduardo Lourenço et la passion de l’humaine. Org. Maria Graciete Besse, Paris, Éd. Convivium Lusophone, 139-158. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 183-197.
Parte III.
PORTUGUESES EN LA HISTORIA
DE LA UNIVERSIDAD DE SALAMANCA

  • (2006) "Portugueses en la Universidad de Salamanca de la Edad Modern", in Historia de la Universidad de Salamanca. Coord. de Luis Enrique Rodríguez-San Pedro Bezares, tomo III.2, Salamanca: Edic. Universidad de Salamanca, 1101-1128. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 201-229. 
  • (2003) "Estudantes brasileiros na Universidade de Salamanca durante os séculos XVI, XVII e XVIII", in Diálogos Ibero-Americanos. Coord. De Gilberto Mendonça Teles, Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 190-211. – reprod., com o título "Estudantes brasileiros em Salamanca durante os séculos XVI, XVII e XVIII", em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 231-253.
  • (2010) "A Universidade de Salamanca e Portugal no Periodo Barroco", in Marta Teixeira Anacleto, ed. et al., D. Francisco Manuel de Melo e o Barroco Peninsular. Coimbra/Salamanca: Imprensa da Universidade de Coimbra / Ediciones Universidad de Salamanca, 79-91. – reprod. em Letras Portuguesas: literatura comparada y estudios ibéricos. - Ed. Eduardo J. Alonso Romo; Ana M.ª García Martín y Pedro Serra, Salamanca: Universidad de Salamanca, p. 255-270.

(Continuação da bibliografia, no verbete, de Ángel Marcos de Díos)

  • (2011) Boscán, Juan, verbete, in Dicionário Luís de Camões, coord. por Vítor Aguiar e Silva, Alfragide: Caminho, 99-101.
  • (2011) Garcilaso de la Vega, verbete, in Dicionário Luís de Camões, coord. por Vítor Aguiar e Silva, Alfragide: Caminho, 401-405.
  • (2011) Montemayor, Jorge de, verbete, in Dicionário Luís de Camões, coord. por Vítor Aguiar e Silva, Alfragide: Caminho, 604-607.
  • (2010) Relaciones literarias entre España y Portugal en el Siglo de Oro, in Maria Graciete Besse (coord.) Cultures Lusophones et hispanophones: Penser la Relation. Paris: Indigo&Côté-Femmes Éditions, 291-302.
  • (2009) Portugueses na Universidade de Salamanca (1550-1580). Salamanca: Luso-Española de Ediciones. - 470 págs. - [Provavelmente, ed. da tese de dout. homónima].
  • (2008) Libros y lecturas portugueses en la España de los siglos XVI y XVII», in Aula Bilingüe. Investigación y archivo del castellano como lengua literaria en Portugal. Salamanca: Luso-Española de Ediciones, 45-136.
  • (2002} Manuscritos portugueses en la Universidad de Salamanca. - Em coautoria com Ana María García Martín y Eduardo J. Alonso Romo, Estudios Portugueses, 2, Salamanca, 141-164.
  • (2002) La expansión del portugués en Oriente y la documentación jesuítica. - Em coautoria com Eduardo Javier Alonso Romo, Revista de Filología Románica, 19, 125-160.
  • (2001) Os portugueses na Universidade de Salamanca desde a Restauração até às reformas iluministas do Marquês de Pombal, Estudios Portugueses, 1, Salamanca, 111-120.
  • (1999) Conhecimento de Camões na Espanha nos séculos XVI e XVII, in Actas do 'I Congresso Internacional de Estudos Camonianos e XXIX Congresso Brasileiro de Língua e Literatura', Rio de Janeiro, 78-91.
  • (1999) Historia de la literatura portuguesa. - Em coautoria com Pedro Serra. - Salamanca: Luso-Española de Ediciones. - 390 p.
  • (1991) A transferência de escolares entre Salamanca e Coimbra, in UNIVERSIDADE(S). História, Memória, Perspectivas, Actas do Congresso História de Universidade, vol. 3, Coimbra, 155-164.
  • (1990) Nivel social de los estudiantes portugueses en Salamanca hasta 1640, in Historia, pensamiento, literatura. Estudios en Homenaje a María Dolores Gómez Molleda, vol. II, Salamanca: Ediciones Universidad de Salamanca-Narcea, S. A. de Ediciones, 125-132.
  • (1989) Procedencia social de los estudiantes portugueses en Salamanca hasta 1600. - Comunicação apresentada no 'III Encontro sobre História Dominicana'. - Sep. Arquivo Histórico Dominicano Português [Atas do III Encontro], vol. 4, tomo 2, Porto: Dominicanos,  291-298.
  • (1984) «Portugueses en la Universidad de Salamanca (1580-1640)», Brigantia, IV-4, p. 569-586. | (1985), V-1, p. 131-151. | (1586), VI 1-2-3, p. 219-240. | (1987), VII 1-2, p. 71-100. | (1987), VII-3, p. 305-337. | «Índice de Portugueses en la Universidad de Salamanca (1580-1640)», Brigantia, (1990) X-4, p. 163-188. | (1991), XI-1-2, p. 57-92. | (1992), XX-1 79-153. | (1992) XII-3, p. 85-153. | (1993) XIII-1-2, p. 101-189. | (1994) XIV-3-4, p. 87-140. | (1996) XVII-3-4, p. 115-160. | 19: (1999) XIX-1-2, p. 101-149. | (2000) XX-1-2, p. 107-155. | (2000) XX-3-4, p. 171-200. | (2003) XXIII1-2, p. 69-119. - "Son los volúmenes de la tesis de doctorado, que, por su extensión, tuvo que ser publicada por entregas a lo largo de esos años."
  • (1977) Inventário de los bracarenses en la Universidad de Salamanca durante la Monarquia Dual. - Sep. O Distrito de Braga, II-2ª série, Braga: [Tip. Barbosa & Xavier]. - 142, [1] p.;  il.; 30 cm.
  • (1976-1977) Estudiantes de la archidiócesis de Évora en la Universidad de Salamanca (1580-1640), A Cidade de Évora, n.º 59, p. 72-107; n.º 60, p. 119-168.
  • (1976) "Estudiantes de Brasil en la Universidad de Salamanca durante los siglos XVI y XVII". - Sep. Revista de História, n.º 105, São Paulo, 215-230.
  • (1976) Proyección cultural de la Universidad de Salamanca en Portugal durante el reinado de los Felipes. - Sep. Arquivos do Centro Cultural Português, vol. 10, Paris: Fundação Calouste Gulbenkian, 135-169.
  • (1975) Portugueses en la Universidad de Salamanca (1580-1640). - Dissertação de doutoramento, com orient. de José Luis Pensado Tomé. Salamanca: Universidade de Salamanca.
  • (1960) La universidad de Salamanca y Portugal (1580-1640). - S.l.: s.n. - 1 vol.; 29 cm.

para saber +


Miguel Martínez
in Revista Desassossego, vol. 15, n.º 29 (2023): 
Além da Taprobana... Memórias gloriosas: Os Lusíadas 450 anos [Dossiê].
São Paulo, USP, 108-136.






Redação: 19.09.2026

2026/08/27

CAMONISTA - Roque Machado





[RETRATO]

Roque [José] Machado 
n. Nagoá, de Vernã, Salcete, na Índia.
Médico da marinha mercante, ensaísta e camonista indo-português

Diplomado pela Escola Médica de Goa em 1918, 
exerceu medicina a bordo do vapor ‘Lourenço Marques’ e depois no ‘Índia’. 
Em 1957, completou 25 anos ao serviço da Companhia Nacional de Navegação. 

Ficou conhecido pelo seu trabalho de erudição sobre a obra camoniana.

Em 1934, publicou uma monografia histórica sobre o tratamento 
e a recepção de Camões na Academia das Ciências de Lisboa.

Em 1947, em A Flora da Índia nos 'Lusíadas', apresentou um estudo pormenorizado
sobre as referências botânicas e a flora dos territórios indianos 
presentes na grande epopeia de Camões.

Em Deus na Épica e na Lírica de Camões (1958),
realiza uma análise sobre a dimensão espiritual, religiosa 
e a presença de Cristo e da divindade na poesia de Camões.

CAMONIANA

  • (1958) Deus na épica e na lírica de Camões. Lisboa : s.n. - 78, [1] p. ; 20 cm.
  • (1950) A ilha dos amores. Lisboa: s.n. [Lisboa: Tip. Impr. Artística]. - 127 p. : il. ; 20 cm.
  • (1948) Vasco da Gama na história  e na epopeia. S.l.: s.n. [Lisboa: Tip. Impr. Artística]. - 64 p. ; 19 cm.
  • (1947) A flora da Índia nos Lusíadas. Lisboa: s.n. [Tip. Impr. Artística]. - 133 p. ; 19 cm.
  • (1938) Cristo nos Lusíadas: ensaios. S.l. : s.n. [Tip. Impr. Artística]. - 112 p. ; 19 cm
  • (1937) Altas questões camoneanas: a propósito da nova edição comentada de «Os Lusíadas» pelo ilustre professor da Universidade de Lisboa, Sr. Dr. Agostinho Fortes.- Lisboa: s.n. [Tip. Impr. Artística]. - 58 p. : il. ; 20 cm. - Ilustrado com um retrato do autor em anterrosto.
  • (1936) Carta ao almirante Gago Coutinho sobre questões Camoneanas. - ... |  2.ª ed., Lisboa: [s.n.], 1960. - 59 p., [1] f. : il. ; 19 cm.
  • (1936) Vasco da Gama nos Lusíadas. Lisboa: Imprensa Artística. - 63 p. ; 19 cm.
  • (1935) De quem é o peito ilustre Lusitano, a quem Neptuno e Marte obedeceram?. S.l. : s.n. [Lisboa:  Soc. Nacional de Tipografia]. - 16 p. ; 26 cm.
  • (1935) Ensaio síntese de uma camoneana: de quem é o peito ilustre lusitano, a quem Neptuno e Marte obedeceram?. - S.l. : s.n. [ Lisboa: Centro Tip. Colonial]. - 8 p. ; 23 cm.
  • (1934) Camões perante a Academia das Ciências de Lisboa. Lisboa: Sociedade Nacional de Tipografia. - 14, [1] p. ; 27 cm.



para saber +


Aleixo Manuel da Costa
Dicionário de literatura goesa
ICM e F.O., 1997








Redação: 27.08.2026

2026/08/26

CAMONISTA - Francisco Miranda de Andrade


  Francisco Miranda de Andrade  
n. Barcelos, 1902-1999
Professor, ensaísta e camonista.

Licenciou-se em Filologia Românica (do curso de Ciências Histórico-Geográficas), 
com a tese Camões e o Platonismo, a 29 de janeiro de 1926, 
na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Frequentou o curso da Escola Normal Superior de Lisboa,
após o qual seguiu a carreira de professor de liceu.

Foi diretor do Correio do Minho, de 1946 a 1949,
e colaborou noutros jornais: O Comércio do Porto, 
Diário Ilustrado e Comércio do Minho.
Colaborou também em muitos revistas portuguesas: 
Ocidente, Labor, Revista de História, Barcellos, Quatro Ventos.
E ainda no Boletim da Biblioteca Pública Municipal de Matosinhos
e no Boletim da Câmara Municipal do Porto. 

É o autor, provavelmente, da primeira tese académica portuguesa 
sobre a obra camoniana, com uma proposta inovadora:
Camões e o platonismo: um problema de crítica literária, 1926.




CAMONIANA


  • (1980) Notas camonianas, Boletim da Biblioteca Pública Municipal de Matosinhos, n.º 24, 3-16. - Há em separata. Texto redigido no "Porto, março de 1980."
  • (1959) Ao ritmo da vida: estudos e crónicas [PDF]. Braga : [s.n.], 1959. - 159 p. - Ver os seguintes estudos:  "Um busto de Camões em Paris", pp. 19-21; "Encontro com Afrânio Peixoto" [em dez. 1936. Texto redigido em "1947"], pp. 83-90.



Encontro com Afrânio Peixoto em Lamego, em dezembro de 1936

"[...] e recordo-me de que eu próprio, um tanto nervosamente, depois de citar Vieira e Aquilino, também exaltei o magnífico cultor da língua portuguesa, o estilista admirável, o mestre do camonismo contemporâneo, a quem pedi licença para oferecer um modesto e despretensioso trabalho meu sobre o lirismo filosófico de Camões."
Francisco Miranda de Andrade

Camões, poeta da fé. A poesia sacra de Camões

"Quase como resposta, saía em 1926, dois anos após a publicação da conferência de [Mendes dos] Remédios, uma obra que viria a abrir aqueles caminhos: Camões e o platonismo de Miranda de Andrade, estudo que se conta entre os primeiros trabalhos sobre Camões apresentados a concurso para provas académicas em Portugal. 

Sob a influência de Leonardo Coimbra e dos mestres da Faculdade de Letras do Porto, a quem o autor dedica esta tese de licenciatura, Andrade afirmava propor pela primeira vez nos estudos camonianos que o agostinismo fora uma das vias de acesso ao platonismo pelo poeta [pp. 66-77]. Salientando o pioneirismo desta indagação, “Não nos consta que alguém tivesse já abordado o assunto da hipótese que vamos expor” [p. 66], Andrade modalizava que “Não nos persuadimos, todavia, que fôsse a obra de Santo Agostinho a única fonte do platonismo do poeta” [p. 77], admitindo igualmente a via petrarquista: “Dessa forma, por mais duma vez os belos espíritos de Camões e de Petrarca se encontraram: – não só na imitação superior duma arte poética, mas também nas próprias fontes de pensamento e objecto de estudo” [p. 70]."
Felipe de Saavedra
in Boletim de Estudos Clássicos 70, 
Coimbra: Universidade de Coimbra, 141-178.



 'Camões e o platonismo: um problema de crítica literária' 
de Francisco Miranda de Andrade 

 100 anos da 1.ª edição: 1926- 2026 

 Sessão de lançamento da edição comemorativa 


Com a presença de 
Tiago Miranda de Andrade, Presidente da Fundação Miranda de Andrade 
e neto do autor; 
Jorge Sobrado, Vereador da Cultura e Património da Câmara Municipal do Porto;
 José Augusto Cardoso Bernardes, Comissário-Geral das comemorações 
dos 500 anos do Nascimento de Luís de Camões 
e Joel Cleto, Historiador e Consultor de História & Património da Fundação.

© Fotos no Facebook da Fundação Miranda de Andrade


para saber +


in e-CAM



in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997
Reprod. em DGLAB, Autores.






Redação: 26.08.2026

2026/06/30

CAMONISTA - José Carlos Canoa













José Carlos Canoa
Docente, Camonista

n. Lourinhã, 1967.

Licenciado em Estudos Portugueses (1990) 
pela U. NOVA de Lisboa
e doutorando pela mesma Universidade.

Atualmente é docente de língua portuguesa
no IPOR - Instituto Português do Oriente, em Macau.

É membro investigador da RCnA&A
e do IELT 

Fundador e editor da e-CAM, a Enciclopédia Camões online.

CAMONIANA


 José Carlos Canoa | 10.06.2026, na Gruta de Camões  


in Jornal de Noticias [online], 6.06.2026

Versão áudio: Ep. 23 🔈 6.06.2026
Episódios breves com professores e personalidades da vida pública portuguesa 
sobre a relação que têm com Camões.
Produção: TSF / JN


 A Gruta de Camões / 賈梅士洞, 2014 - por Im Hok Lon 
          
2-3 JUN. 2026 | Na FLUL e na BNP, em Lisboa
Curadoria: Isabel Almeida
Evento promovido diretamente pela Estrutura de Missão para as Comemorações dos 500 anos do Nascimento de Camões.
"O congresso convocará figuras que investigam em Portugal e no estrangeiro
e terá por principal objetivo identificar e reconfigurar a agenda dos estudos camonianos.
Serão constituídos 10 painéis temáticos,
que terão por base os aspetos mais debatidos dos estudos camonianos."
Consulte aqui a informação atual no site oficial.


12 mar. 2026, quinta-feira | em formato presencial, em Goa
14 mar. 2026, sábado | via ZOOM
16 mar. 2026, segunda-feira | Extensão presencial em Damão
Parceiros do Congresso:
Rede Camões na Ásia & África | Fundação Oriente na Índia | U. Goa
Comissão Organizadora:
Prof. Doutor Felipe de Saavedra, Coord. RCnA&A
Loraine Alberto, RCnA&A e U. Goa | Dhruv Usgaonkar, U. Goa
Doutora Irene Silveira, U. Goa | Elias Colaço, Comunidade Indo-portuguesa de Macau
Delfim Correia da Silva, leitor do Camões, IP. na U. Goa.


Sessão por José Carlos Canoa
investigador da RCnA&A e docente do IPOR
No âmbito da Rota das Letras - Festival Literário de Macau
The Script Road - Macau Literary Festival / 15.ª EDIÇÃO
Literatura | Cinema | Teatro | Música | Artes Visuais
15 MAR. 2026, domingo, às 16h00, na Casa Garden 2, em Macau
Organização: Ricardo Pinto
Rota das Letras - Festival Literário de Macau
The Script Road - Macau Literary Festival


15h30  | Anf. III
  MESA-REDONDA:  
  Ensinar Camões além-fronteiras  
com João Paulo Videira, Moçambique | José Carlos Canoa, Macau
Ana Relvas, Luxemburgo | Roberta Kappaunn, Brasil
Moderação de Doris Wieser.
27, 28 e 29 NOV. 2025, quinta (19h), sexta e sábado  (das 09:30 às 18h00)
Na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
Comissão Executiva: Filipa Araújo, Martinho Soares, Rui Mateus.
Org. Faculdade de Letras da U. Coimbra,
Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos,
Centro de Literatura Portuguesa, Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos.
Com o alto patrocínio da Estrutura de Missão para as Comemorações dos 500 anos
do Nascimento de Camões e da Reitoria da Universidade de Coimbra.


VÍDEO da reportagem | 1:59 | por Hermes Trabuco | imagem de Rodrigo Guimarães
in TDM, Macau, 21.11.2025

Camões na Biblioteca Camilo Pessanha do IPOR

Exposição Bibliográfica Camoniana, 2025
Com curadoria de José Carlos Canoa
 21 nov.  a 30 dez. 2025 | No Café do Oriente | IPOR, em Macau
Org. IPOR - Instituto Português do Oriente



Imagem na página do Facebook do IPOR - Instituto Português do Oriente

Isabel Rio Novo, à conversa com José Canoa, apresentou o seu livro  
Fortuna, Caso, Tempo e Sorte: biografia de Luís Vaz de Camões
28 jun.  2025, sábado, às 17h00,
No Auditório Dr. Stanley Ho do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong
Organização  do IPOR - Instituto Português do Oriente
com o apoio de Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.
e do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong.
VÍDEO: 
in TDM - Teledifusão de Macau, 28.06.2025


Imagem no perfil de Gilberto Lopes no Facebook, 21.06.2025
A presença em Macau do poeta Luís de Camões
foi o tema do programa televisivo "Estado da Região" 
conduzido pelo jornalista Gilberto Lopes | TDM,  25 jun. 2025.
Com Sara Augusto e José Carlos Canoa.
Na Rádio Macau, sábado ao meio-dia,
e domingo depois do Telejornal no Canal Macau.
VÍDEO, 60 min., disponibilizado online em 25.06.2025.


Os livros perdidos de Camões na ficção contemporânea

in Felipe de Saavedra, ed., Atas do 
Il Congresso do Meio Milénio do Nascimento de Camões 1525-2025: 
Maputo & Ilha de Moçambique, 6 e 10 de junho de 2025, 
org. RCnA&A, U. Politécnica e U. Eduardo Mondlane, de Moçambique.
Macau: Rede Camões na Ásia & África, 2026 (no prelo)


Texto publicado em:
REC - Revista de Estudos Camonianos, 
Macau: Rede Camões na Ásia & África, 1 (2025), 31-46.


Luís Gonzaga Gomes, o camonista de Macau

[PDF], [VÍDEOATA, 07] 
in Felipe de Saavedra, ed., 
Atas do I Congresso Internacional do Meio Milénio de Camões, 
(Macau 24-25 de fevereiro de 2024), 
Macau: Rede Camões na Ásia & África, 2025, 90-103.

Página do Congresso | Atas, volume integral


 As grandes coleções camonianas dos séculos XIX e XX 

[PDF]

in Felipe de SAAVEDRA, ed., 
Atas do Congresso Internacional 450 anos de ‘Os Lusíadas’,
Ternate/Jakarta: Rede Camões na Ásia & África, 2023, 88-118.

Página do Congresso | Atas, volume integral


2014-2026



Para saber +




Redação: 29.09.2025, atualizado em 30.06.2026

2026/02/18

CAMONISTA - Hélio Alves



Trinta anos de Camões:
ensaios e intervenções 1991-2021


de Hélio J. S. Alves

Lisboa: Caleidoscópio, 2024

362 p.

AGENDA das APRESENTAÇÕES


FEV. 2026

26 fev. 2026, quinta-feira, às 15h00, sala do DEPER, FLUP
Lançamento do livro: "Trinta Anos de Camões: ensaios e intervenções 1991-2021"
de Hélio Alves
Apresentação de Isabel Almeida (FLUL) e Zulmira Santos (FLUP).



5 fev. 2026, às 17h30, no auditório da BNP, em Lisboa.
Lançamento de: Trinta Anos de Camões: ensaios e intervenções 1991–2021, de Hélio Alves, 
com apresentação de Paulo Silva Pereira.



NOV. 2025

14 nov. 2025, sexta-feira, 16h-18h, 
no Campus Nation, U. Sorbonne Nouvelle, Paris.
Sessão de apresentação do livro:
Trinta Anos de Camões: ensaios e intervenções 1991-2021 de Hélio Alves
Mesa-redonda sobre "sur les enjeux de lecture de l'œuvre de Camões aujourd'hui"
com Aude Plagnard e Vanda Anastácio.


MAI. 2025

16 mai. 2025, sexta-feira, às 10h00
Hélio Alves falou de "Camões, de Redondo e de outras coisas mais"
na palestra intitulada "Nos princípios de Camões" de apresentação do livro: 
Trinta Anos de Camões: ensaios e intervenções 1991-2021, de Hélio Alves.
No âmbito da XXXVII Feira do Livro do Redondo, Alentejo.



Uma colectânea de crítica literária, filológica e histórico-cultural

"Este livro consiste numa recolha de reflexões realizadas entre dois regressos do autor a Portugal, o primeiro antes de iniciar a carreira universitária, o último logo depois de mudanças determinantes nela. A migração é o entre-lugar certo para entender Luís de Camões e os seus intérpretes mais voluntariosos e influentes (Manuel de Faria e Sousa, António José Saraiva e Jorge de Sena foram, como ele, emigrantes). A vida noutras paisagens e culturas permite adquirir o distanciamento necessário para, sem deixar de ver a árvore, vislumbrar a floresta.

Camões como autor não é o que tem parecido ser. Não é tão independente, ousado ou desinteressado como se tem dito, nem é o cantor do povo que direita e esquerda nele quiseram ver. Queixa-se insistentemente de que a poesia, a cultura e as artes são desdenhadas em Portugal, mas aquilo que incomoda Camões pessoalmente é a falta do «favor com que mais se acende o engenho», isto é, a falta de subvenção mecenática – e não, como erradamente se tem visto, a «apagada e vil tristeza» da pátria. Queixa-se, como é fama, de ser vítima de infortúnios e miséria; foi, porém, tratado pela Coroa de modo invulgarmente favorável.

Grande poeta épico e lírico, capaz duma fluência e energia inigualáveis, Camões levanta, ao mesmo tempo, problemas terríveis. Trinta Anos de Camões é uma colectânea de crítica literária, filológica e histórico-cultural que pretende contribuir para uma compreensão mais genuína da sua poesia, ao arrepio das interpretações excepcionalistas e exclusivistas predominantes desde há séculos."
Da sinopse no site da Caleidoscópio

Uma leitura crítica da obra de Luís de Camões

"A obra reúne ensaios produzidos ao longo de três décadas e propõe uma leitura crítica de Luís de Camões que questiona interpretações consolidadas da sua figura e da sua obra. Partindo da experiência da migração, entendida como um espaço de distanciamento crítico, o livro revisita temas como o mecenato, a relação do poeta com a Coroa e o modo como a sua poesia tem sido historicamente interpretada, contrariando leituras excepcionalistas e ideologicamente marcadas.

Trinta Anos de Camões. Ensaios e Intervenções 1991–2021 apresenta-se como uma colectânea de crítica literária, filológica e histórico-cultural que procura contribuir para uma compreensão mais rigorosa e historicamente situada de um dos autores centrais da literatura portuguesa."
in: Camões 500 Anos, Notícia.


Portugal desde 1640... até hoje

"Radica no Portugal da dinastia brigantina o predomínio e estabilização dum etnocentrismo que mascara as divisões internas à nação e constitui esta como una, eleita e predestinada por Cristo em Ourique. Se Camões se tornou o poeta por excelência desta representação ideológica de Portugal, tal aconteceu certamente porque as imagens do homem e do poeta a serviam melhor do que qualquer alternativa viável. 

A imagem do país condicionou-se fortemente por efeitos de unanimidade criados pela Restauração, transformando uma sociedade, caracterizada pela formação de clientelas claramente divergentes e muitas vezes ferozmente rivais, numa nação idealizada em torno do seu rei, duma política centralizada e duma simbologia uniforme. 

A partir de 1640, tudo o que pudesse indiciar variação ou diferença passou a ser interpretado como fractura na unanimidade nacional, como sinal de fraqueza no corpo político e, portanto, como objecto de repressão, condenação e silenciamento."

Excerto de Trinta Anos de Camões.
Lisboa: Caleidoscópio, 2024, p. 247


Hélio J. S. Alves
 n. Coimbra, 1963
Professor, investigador, camonista

Mestre em Línguas e Literaturas Românicas
pela Universidade de Londres (1986)
e doutorou-se em Literatura na U. Évora em 1999,
onde defendeu provas de agregação, em 2008.

É professor de Literatura na FLUL
e director do Centro de Estudos Comparatistas (CEComp). 

Entre outros artigos e monografias, publicou
Camões e Tasso, ficções em diálogo (Évora, 1996);
Camões, Corte-Real e o sistema da epopeia quinhentista (Coimbra, 2001);
"O som e a fúria d'Os Lusíadas" /Coimbra, 2006 - p. 49-65);
"Camões e o lirismo confessional na epopeia quinhentista, 
separta da revista Românica 16 (2007), Lisboa;
 Sepúlveda e Lianor : canto primeiro / Jerónimo Corte-Real -
 ed. crítica e comentada de Hélio J. S. Alves (Coimbra, 2014);
Poetas que não eram Camões = Poets who weren't Camões
coautoria de Landeg White e Hélio J. S. Alves (Lisboa, 2018).



Cartaz do lançamento da obra, 
provavelmente com apresentação de José Alberto Ferreira.




para saber +


Hélio Alves | Facebook

Hélio J. S. Alves | U. Évora

Vítor Serrão
O Camões de Hélio Alves | Facebook, 2.10.2025







Redação: 2.11.2025, atualizado em 18.02.2026

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