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2026/09/06

Praça Luís de Camões


 Praça de Camões. - Tela, óleo, por Abel Manta 
No CAM da Fundação Calouste Gulbenkian

 Praça Luís de Camões 



"E tu, nobre Lisboa, que no mundo
Facilmente das outras és princesa"

"Quem assim enalteceu Lisboa foi Camões, o homem que, por cantar Portugal como nenhum outro, foi alcandorado aos cimos da glória. Menos de cem anos após a sua morte (que ocorreu em 1580) era já reconhecido como sendo o "poeta nacional". 

A cidade onde viveu parte da sua vida, que deu à estampa a sua obra cimeira, Os Lusíadas, e onde morreu e está sepultado, não lhe regateou homenagens: em 1867 foi-lhe erigida uma estátua na praça que leva o seu nome e, no terceiro centenário da sua morte, em 1880, os seus presumíveis ossos foram trasladados para um magnífico túmulo no Mosteiro dos Jerónimos."
Luís Miguel Carneiro
Fotografias de Arquivo Municipal de Lisboa / Paulo Guedes / Praça Luís de Camões/ AMLSB/PAG/000460
Ana Luísa Alvim | CML

ICONOGRAFIA



 Vista da Praça Luís de Camões numa madrugada no Solar dos Poetas 


 Praça Luís de Camões, 2016 
© Foto no Facebook do Bairro Alto Hotel, 16.04.2016.


 Homenagem a Luís de Camões no dia 10 de Junho de 1951 
© Foto no Facebook do Bairro Alto Hotel, 10.06.2009.


   Praça Luís de Camões, 1906   
Fotografia de Arquivo Municipal de Lisboa  | CML
 Paulo Guedes / Praça Luís de Camões / AMLSB/PAG/000460


Legenda do monumento, em tripadvisor.pt

 Praça e monumento a Luís de de Camões, 1868 
Foto por Moreira


Inauguração do Monumento a Luís de Camões, 1867
Gravura a preto & branco
da coleção do fotógrafo e colecionador Eduardo Portugal (1900-1958)
in: Arquivo Municipal de Lisboa, Cota: POR060176





 Vista de cima das ruínas 
© Foto da ilustração no Facebook do Bairro Alto Hotel, 12.10.2009.



 Ruínas do Palácio postas a descoberto nas escavações 
© Foto da ilustração no Facebook do Bairro Alto Hotel, 12.10.2009.


 Fachada do Palácio que dava para o Largo Igrejas do Loreto e da Encarnação 
© Foto da ilustração no Facebook do Bairro Alto Hotel, 12.10.2009.



 ANTOLOGIA POÉTICA 


MONUMENTO A CAMÕES

Luís Vaz de Camões
foi soldado e poeta
conheceu luxos e grilhões
Numa vida repleta

galanteador e aventureiro
terá acabado na indigência
não obstante ser obreiro
de criação de grande ciência

figura ímpar da literatura
o seu valor só foi reconhecido
como grande da cultura
já depois de ter falecido

em 1867 regista-se a inauguração
de um núcleo escultórico, monumento
Que foi por pública subscrição
custeado a cem por cento

Victor Bastos foi o escultor
De uma obra não consensual
compunham o grupo promotor
Braga, Ortigão, Martins, Deus e Quental

No alto do pedestal
está em bronze a escultura
representando o poeta imortal
em quatro metros de altura

Rodeado por oito figuras
de gente de sabedoria
representam essas esculturas
notáveis da ciência e da poesia

Na Praça sobre o olhar de Camões
a vida é de grande agitação
quantas rimas, sonetos e canções
lhe inspirariam tanta animação.

Luís Fernando Lopes
in "Quiosque da Sorte"
publicado no Capeia Arraiana, 27.07.2022



REFERÊNCIAS

  • Curto, Diogo Ramada (2024) “Camões no nosso tempo e no seu”, Revista Expresso, 27.12.2024.
  • Ferreira, Rafael Laborde & Victor Manuel Lopes Vieira (1985) Estatuária de Lisboa. Lisboa: Amigos do Livro.
  • Figueiredo, Paula (2009) Monumento a Luís de Camões, in SIPA, Direção-Geral do Património Cultural / Ministério da Cultura online, 2009.
  • LISBOA, Câmara Municipal de (2001) Praça Luís de Camões. – “Autor do texto”: Luís Miguel Carneiro; pref. João Soares, “fotografias”: Bárbara Marques e arquivos vários da CML. – Col. “Lisboa porta a porta”, n.º 23, Lisboa: C. M. L., 2001. – [59, [4] p. : il. ; 15 cm].

para saber +


in e-CAM, 19.02.2026

in e-CAM, 20.08.2026

Luís Fernando Lopes
in Capeia Arraiana, 27.07.2022




Redação: 6.08.2026

2026/02/19

Monumento a Luís de Camões pelo escultor Vítor Bastos

 

Monumento a Luís de Camões, 2011
Foto do fotógrafo Osvaldo Gago, disponível na Wikipedia

  MONUMENTO A LUÍS DE CAMÕES  

  Praça Luís de Camões  

da autoria do escultor
Vítor Bastos

Estátua do poeta português, em bronze, com 4 metros de altura.

Luís de Camões (n. 25.02.1524/25 - Lisboa, 10.06.1579/80) é retratado de pé, vestido a rigor com traje renascentista. Ostenta na cabeça a coroa de louros dos poetas e heróis; a mão esquerda empunha a espada de soldado, cuja ponta da lâmina assenta no chão; A mão esquerda, junto ao peito, segura a sua obra-prima, a epopeia Os Lusíadas (1572). Com a perna esquerda avançada, numa pose altiva e segura - essa posição um pouco militar já tem sido motivo de crítica - própria de um herói ousado, que navegou além-mar e escreveu a epopeia dos lusitanos. Junto ao seus pés, atrás, uma resma de livros simbolizando a cultura e o saber.

A estátua assenta sobre um pedestal, octaédrico, de mármore branco, com 7,5 metros de altura. Este está rodeado por oito estátuas de pedra de lioz, de 2,40 metros de altura. Essas esculturas circundantes representam figuras notáveis da história, das letras e da ciência portuguesas: os cronistas/historiadores Fernão Lopes (1418-1459), Gomes Eanes de Zurara, cronista (1410-1474), Fernão Lopes de Castanheda (c.1500-1559) e João de Barros (c1496-1570); o matemático Pedro Nunes (1502-1578); os poetas Vasco Mouzinho de Quevedo (c.1570-c.1619), Jerónimo Corte Real (1533-1588) e Francisco de Sá de Meneses (1600-1664).
Estas figuras sucedem-se ao longo da dinastia de Avis: umas são testemunhas da grandeza da pátria: Fernão Lopes, Azurara, João de Barros, Castanheda, Pedro Nunes, e outras da sua decadência: Quevedo, Corte-Real e Sá de Menezes.



Estátuas, de pedra de lioz, de 2,40 m. de altura, de figuras notáveis da cultura portuguesa.
Imagem em tripadvisor.pt

Esta galeria de figuras do monumento 
está individualizada no álbum que se apresenta abaixo.

  Breve história do monumento  

Em julho de 1854, a Câmara de Lisboa expropria os terrenos em frente das ruínas do Palácio do duque de Lafões. 

Em 12 de junho de 1860, lança-se a subscrição para erguer uma estátua ao grande poeta (Cf. Archivo Pittoresco, Lisboa, vol. IV, n.º 22, 1861, p. 169-175), a qual foi presidida pelo duque de Saldanha. Em 1960, o escultor Vítor Bastos concebe o modelo da estátua para essa subscrição (CF. ibidem, p. 170, nota 1). O conjunto escultórico será projetado, pois, a partir de 1860, ano em que então Praça do Loreto recebe o nome de "Praça Luís de Camões" (out. 1960). 

Em 28 de junho de 1862, é lançada a primeira pedra da obra adjudicada a Vítor Bastos, que fará a sua estreia na escultura monumental.

Será em 9 de outubro de 1867 que o monumento será inaugurado, na presença do Rei Dom Luís e de seu pai Dom Fernando, Rei consorte.

O monumento a Luís de Camões foi custeado por subscrição pública e prepara e antecede as comemorações do tricentenário da morte do Poeta. "Grande homem", Camões será celebrado nos moldes do culto a um santo, tal como Petrarca em Itália (1874), Voltaire em França (1878) e Calderon de La Barca em Espanha (1881) (Cf. Moncóvio, 2015: 256, nota 1212).

A cerimónia de inauguração do monumento foi um evento grandioso, com a agora Praça Luís de Camões toda engalanada e animada por bandas militares, a que ocorreu uma multidão patriótica curiosa. Nela participaram figuras de relevo da monarquia, como o rei D. Luís e o seu pai.

Já na década de 90 nosso século, houve a necessidade de intervir no monumento a Camões devido ao risco de colapso da estrutura. "As obras de consolidação e restauro do monumento" foram complexas. Em 2001 o monumento a Camões foi reinstalado, com cerimónias aparatosas. Conheça todo o processo no vídeo (duração: 33:12) do Arquivo Municipal de Lisboa. Veja também aqui uma imagem espantosa (de João Carlos Santos) da estátua jazendo no solo num artigo do historiador Diogo Ramada Curto.

Inauguração do Monumento a Luís de Camões, 1867
Gravura a preto & branco
da coleção do fotógrafo e colecionador Eduardo Portugal (1900-1958)
in: Arquivo Municipal de Lisboa, Cota: POR060176

  O ESCULTOR  

Imagem (pormenor) in O Occidente, 1 jul. 1894
   Vítor Bastos   
Escultor e pintor português
n. Lisboa, c. 1829-34 – m. Lisboa, 17.06.1894

António Victor Figueiredo de Bastos estudou na Academia Real das Belas Artes em Lisboa (1845-1852) e concluiu o curso com a tela "Amor e Psiché", que esteve presente na 3.ª Exposição Trienal dessa Academia. Completará ainda em França e em Itália a sua formação artística.
É no período da Academia de Belas-Artes de Lisboa, em que era apenas pintor, que Vítor Bastos se liga ao grupo de românticos que virá a ser retratado por João Cristino da Silva na pintura Cinco Artistas em Sintra (1855).

Foi  professor de Desenho na Universidade de Coimbra  (1854-) e de Escultura na Academia lisboeta (1860-). Vítor Bastos obteve a cátedra de Escultura com a obra "Adónis partindo para a caça ao javali". Pertenceu à comissão para a reforma do ensino artístico criada em 1870 pela Academia de Belas-Artes de Lisboa.

Vítor Bastos é conhecido sobretudo como o escultor que foi o autor do "Monumento a Luís de Camões" (1867) na praça com o seu nome, no centro histórico da capital portuguesa. No entanto, realizou muitos outros trabalhos de escultura monumental. Por exemplo, em 1872, colaborou na decoração escultórica do Arco da Rua Augusta em coautoria com ao lado de Calmels. Assim, executou as estátuas de figuras históricas  (Vasco da Gama, Viriato, Marquês de Pombal, D. Nuno Álvares Pereira) e alegóricas (rios Tejo e Douro) para o referido arco triunfal.
Tradução do texto inscrito no topo do arco: 
“Às virtudes dos maiores, para que sirva a todos de ensinamento”
Foto de Luís Fernando Lopes
Arco triunfal da Rua Augusta, em Capeia Arraiana, 12.11.2025


Uma obra digna e proporcionada

"Vítor Bastos viajou de propósito em Itália e em França para se compenetrar da responsabilidade inédita no Portugal do século XIX […].

A sua obra teve a dignidade conveniente e foi bem proporcionada, na praça com prédios de (então) três andares de cércea e cujo desnível foi compensado na terraplanagem protegida por gradeamento (gradeamento aproximado também teve a estátua originalmente) e por uma breve escadaria sobre a rua do Alecrim, de modo a que praça e monumento se mostrassem cenograficamente na enfiada do Chiado [...].

Em torno da estátua de quatro metros de altura, nos ângulos do pedestal oitavado, oito outras estátuas se perfilam, marcando uma cadeia de gerações antes e depois do poeta, conforme seleção realizada por uma comissão de letrados e artistas que se decidiram pelas figuras de Fernão Lopes, Azurara, João de Barros, Castanheda, Quevedo, Corte-Real, Sá de Miranda, cronistas e poetas, mais o matemático Pedro Nunes"
José-Augusto França
Lisboa: história física e moral
Lisboa: Livros Horizonte, 2008, p. 594-5.
(2.ª ed., 2009)

Eça e a estátua triste de Camões

“Estavam no Loreto; e Carlos parara, olhando, 
reentrando na intimidade daquele velho coração da capital. 
Nada mudara. A mesma sentinela sonolenta rondava 
em torno à estátua triste de Camões.”
Eça de Queirós
In: Os Maias: episódios da vida romântica, 1888


Legenda do monumento, em tripadvisor.pt

Praça e monumento a Luís de de Camões, 1868
Foto por Moreira

Monumento a Camões - vista da parte traseira da estátua do Poeta
Imagem em tripadvisor.pt

Monumento a Camões - vista da parte lateral esq. da estátua do Poeta
Imagem em tripadvisor.pt

Fernão Lopes, historiador (1418-1459)

Gomes Eanes de Zurara, cronista (1410-1474)

Vasco Mouzinho de Quevedo, poeta (c.1570-c.1619)


Fernão Lopes de Castanheda, historiador (c.1500-1559)

 
João de Barros, historiador (c1496-1570)

Pedro Nunes, matemático (1502-1578)

Jerónimo Corte Real, poeta e pintor (1533-1588)

Francisco de Sá de Meneses, poeta (1600-1664)

Imagens disponíveis na Wikipedia no verbete em inglês 
e vários em português.


   Praça Luís de Camões, em Lisboa  

Cartaz do evento organizado pela C.M.L. 
Programa das comemorações camonianas.



para saber +


in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 10.06.2024

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 10.06.2024

Paula Figueiredo 
in SIPA, Direção-Geral do Património Cultural / Ministério da Cultura  
online, 2009

Rafael Laborde Ferreira & Victor Manuel Lopes Vieira
Estatuária de Lisboa. 
Lisboa: Amigos do Livro, 1985.

Diogo Ramada Curto
“Camões no nosso tempo e no seu”, 
in Revista Expresso, 27.12.2024

Maria Isabel Roque
in A.Muse.Arte, 10.06.2020/ 

V. a bela foto da autoria de Adriano Rodrigues/CNC
in Centro Nacional de Cultura

in Toponímia de Lisboa, 26.06.2018

Víctor Bastos | Wikipédia (em português)

António Víctor de Figueiredo Bastos | Wikipédia (em espanhol)

in Museu Virtual Belas-Artes, da U. Lisboa







Redação: 18.02.2026

2024/06/10

Descerramento de uma placa evocativa do V centenário do nascimento de Luís de Camões junto ao monumento de Camões em Lisboa

 


V centenário do nascimento de Luís de Camões

Descerramento de uma placa evocativa do

10 JUN. 2024 | às 18h | Na Praça Luís de Camões







Descerramento de placa evocativa do 
V centenário do nascimento de Luís de Camões, 
na base da estátua do poeta.

O evento integra as comemorações municipais dos 
500 anos do nascimento de Luís de Camões.






Praça Luís de Camões, em Lisboa, 
onde será descerra a placa comemorativa do V centenário.




para saber +

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 10.06.2024





Redação: 10.06.2024

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