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2026/02/19

Monumento a Luís de Camões pelo escultor Vítor Bastos

 

Monumento a Luís de Camões, 2011
Foto do fotógrafo Osvaldo Gago, disponível na Wikipedia

  MONUMENTO A LUÍS DE CAMÕES  

  Praça Luís de Camões  

da autoria do escultor
Vítor Bastos

Estátua do poeta português, em bronze, com 4 metros de altura.

Luís de Camões (n. 25.02.1524/25 - Lisboa, 10.06.1579/80) é retratado de pé, vestido a rigor com traje renascentista. Ostenta na cabeça a coroa de louros dos poetas e heróis; a mão esquerda empunha a espada de soldado, cuja ponta da lâmina assenta no chão; A mão esquerda, junto ao peito, segura a sua obra-prima, a epopeia Os Lusíadas (1572). Com a perna esquerda avançada, numa pose altiva e segura - essa posição um pouco militar já tem sido motivo de crítica - própria de um herói ousado, que navegou além-mar e escreveu a epopeia dos lusitanos. Junto ao seus pés, atrás, uma resma de livros simbolizando a cultura e o saber.

A estátua assenta sobre um pedestal, octaédrico, de mármore branco, com 7,5 metros de altura. Este está rodeado por oito estátuas de pedra de lioz, de 2,40 metros de altura. Essas esculturas circundantes representam figuras notáveis da história, das letras e da ciência portuguesas: os cronistas/historiadores Fernão Lopes (1418-1459), Gomes Eanes de Zurara, cronista (1410-1474), Fernão Lopes de Castanheda (c.1500-1559) e João de Barros (c1496-1570); o matemático Pedro Nunes (1502-1578); os poetas Vasco Mouzinho de Quevedo (c.1570-c.1619), Jerónimo Corte Real (1533-1588) e Francisco de Sá de Meneses (1600-1664).
Estas figuras sucedem-se ao longo da dinastia de Avis: umas são testemunhas da grandeza da pátria: Fernão Lopes, Azurara, João de Barros, Castanheda, Pedro Nunes, e outras da sua decadência: Quevedo, Corte-Real e Sá de Menezes.



Estátuas, de pedra de lioz, de 2,40 m. de altura, de figuras notáveis da cultura portuguesa.
Imagem em tripadvisor.pt

Esta galeria de figuras do monumento 
está individualizada no álbum que se apresenta abaixo.

  Breve história do monumento  

Em julho de 1854, a Câmara de Lisboa expropria os terrenos em frente das ruínas do Palácio do duque de Lafões. 

Em 12 de junho de 1860, lança-se a subscrição para erguer uma estátua ao grande poeta (Cf. Archivo Pittoresco, Lisboa, vol. IV, n.º 22, 1861, p. 169-175), a qual foi presidida pelo duque de Saldanha. Em 1960, o escultor Vítor Bastos concebe o modelo da estátua para essa subscrição (CF. ibidem, p. 170, nota 1). O conjunto escultórico será projetado, pois, a partir de 1860, ano em que então Praça do Loreto recebe o nome de "Praça Luís de Camões" (out. 1960). 

Em 28 de junho de 1862, é lançada a primeira pedra da obra adjudicada a Vítor Bastos, que fará a sua estreia na escultura monumental.

Será em 9 de outubro de 1867 que o monumento será inaugurado, na presença do Rei Dom Luís e de seu pai Dom Fernando, Rei consorte.

O monumento a Luís de Camões foi custeado por subscrição pública e prepara e antecede as comemorações do tricentenário da morte do Poeta. "Grande homem", Camões será celebrado nos moldes do culto a um santo, tal como Petrarca em Itália (1874), Voltaire em França (1878) e Calderon de La Barca em Espanha (1881) (Cf. Moncóvio, 2015: 256, nota 1212).

A cerimónia de inauguração do monumento foi um evento grandioso, com a agora Praça Luís de Camões toda engalanada e animada por bandas militares, a que ocorreu uma multidão patriótica curiosa. Nela participaram figuras de relevo da monarquia, como o rei D. Luís e o seu pai.

Já na década de 90 nosso século, houve a necessidade de intervir no monumento a Camões devido ao risco de colapso da estrutura. "As obras de consolidação e restauro do monumento" foram complexas. Em 2001 o monumento a Camões foi reinstalado, com cerimónias aparatosas. Conheça todo o processo no vídeo (duração: 33:12) do Arquivo Municipal de Lisboa. Veja também aqui uma imagem espantosa (de João Carlos Santos) da estátua jazendo no solo num artigo do historiador Diogo Ramada Curto.

Inauguração do Monumento a Luís de Camões, 1867
Gravura a preto & branco
da coleção do fotógrafo e colecionador Eduardo Portugal (1900-1958)
in: Arquivo Municipal de Lisboa, Cota: POR060176

  O ESCULTOR  

Imagem (pormenor) in O Occidente, 1 jul. 1894
   Vítor Bastos   
Escultor e pintor português
n. Lisboa, c. 1829-34 – m. Lisboa, 17.06.1894

António Victor Figueiredo de Bastos estudou na Academia Real das Belas Artes em Lisboa (1845-1852) e concluiu o curso com a tela "Amor e Psiché", que esteve presente na 3.ª Exposição Trienal dessa Academia. Completará ainda em França e em Itália a sua formação artística.
É no período da Academia de Belas-Artes de Lisboa, em que era apenas pintor, que Vítor Bastos se liga ao grupo de românticos que virá a ser retratado por João Cristino da Silva na pintura Cinco Artistas em Sintra (1855).

Foi  professor de Desenho na Universidade de Coimbra  (1854-) e de Escultura na Academia lisboeta (1860-). Vítor Bastos obteve a cátedra de Escultura com a obra "Adónis partindo para a caça ao javali". Pertenceu à comissão para a reforma do ensino artístico criada em 1870 pela Academia de Belas-Artes de Lisboa.

Vítor Bastos é conhecido sobretudo como o escultor que foi o autor do "Monumento a Luís de Camões" (1867) na praça com o seu nome, no centro histórico da capital portuguesa. No entanto, realizou muitos outros trabalhos de escultura monumental. Por exemplo, em 1872, colaborou na decoração escultórica do Arco da Rua Augusta em coautoria com ao lado de Calmels. Assim, executou as estátuas de figuras históricas  (Vasco da Gama, Viriato, Marquês de Pombal, D. Nuno Álvares Pereira) e alegóricas (rios Tejo e Douro) para o referido arco triunfal.
Tradução do texto inscrito no topo do arco: 
“Às virtudes dos maiores, para que sirva a todos de ensinamento”
Foto de Luís Fernando Lopes
Arco triunfal da Rua Augusta, em Capeia Arraiana, 12.11.2025


Uma obra digna e proporcionada

"Vítor Bastos viajou de propósito em Itália e em França para se compenetrar da responsabilidade inédita no Portugal do século XIX […].

A sua obra teve a dignidade conveniente e foi bem proporcionada, na praça com prédios de (então) três andares de cércea e cujo desnível foi compensado na terraplanagem protegida por gradeamento (gradeamento aproximado também teve a estátua originalmente) e por uma breve escadaria sobre a rua do Alecrim, de modo a que praça e monumento se mostrassem cenograficamente na enfiada do Chiado [...].

Em torno da estátua de quatro metros de altura, nos ângulos do pedestal oitavado, oito outras estátuas se perfilam, marcando uma cadeia de gerações antes e depois do poeta, conforme seleção realizada por uma comissão de letrados e artistas que se decidiram pelas figuras de Fernão Lopes, Azurara, João de Barros, Castanheda, Quevedo, Corte-Real, Sá de Miranda, cronistas e poetas, mais o matemático Pedro Nunes"
José-Augusto França
Lisboa: história física e moral
Lisboa: Livros Horizonte, 2008, p. 594-5.
(2.ª ed., 2009)

Eça e a estátua triste de Camões

“Estavam no Loreto; e Carlos parara, olhando, 
reentrando na intimidade daquele velho coração da capital. 
Nada mudara. A mesma sentinela sonolenta rondava 
em torno à estátua triste de Camões.”
Eça de Queirós
In: Os Maias: episódios da vida romântica, 1888


Legenda do monumento, em tripadvisor.pt

Praça e monumento a Luís de de Camões, 1868
Foto por Moreira

Monumento a Camões - vista da parte traseira da estátua do Poeta
Imagem em tripadvisor.pt

Monumento a Camões - vista da parte lateral esq. da estátua do Poeta
Imagem em tripadvisor.pt

Fernão Lopes, historiador (1418-1459)

Gomes Eanes de Zurara, cronista (1410-1474)

Vasco Mouzinho de Quevedo, poeta (c.1570-c.1619)


Fernão Lopes de Castanhedahistoriador (c.1500-1559)

 
João de Barroshistoriador (c1496-1570)

Pedro Nunesmatemático (1502-1578)

Jerónimo Corte Real, poeta e pintor (1533-1588)

Francisco de Sá de Meneses, poeta (1600-1664)

Imagens disponíveis na Wikipedia no verbete em inglês 
e vários em português.


   Praça Luís de Camões, em Lisboa  

Cartaz do evento organizado pela C.M.L. 
Programa das comemorações camonianas.



para saber +


in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 10.06.2024

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 10.06.2024

Paula Figueiredo 
in SIPA, Direção-Geral do Património Cultural / Ministério da Cultura  
online, 2009

Rafael Laborde Ferreira & Victor Manuel Lopes Vieira
Estatuária de Lisboa. 
Lisboa: Amigos do Livro, 1985.

Diogo Ramada Curto
“Camões no nosso tempo e no seu”, 
in Revista Expresso, 27.12.2024

Maria Isabel Roque
in A.Muse.Arte, 10.06.2020/ 

V. a bela foto da autoria de Adriano Rodrigues/CNC
in Centro Nacional de Cultura

in Toponímia de Lisboa, 26.06.2018

Víctor Bastos | Wikipédia (em português)

António Víctor de Figueiredo Bastos | Wikipédia (em espanhol)

in Museu Virtual Belas-Artes, da U. Lisboa







Redação: 18.02.2026

2026/01/11

Ciclo de conferências “Camões Hoje” na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa



   CAMÕES HOJE   

  CICLO DE CONFERÊNCIAS  

3 fev. | 3 mar. | 7 abr. | 5 mai. | 9 jun. 2026
18h30 - 20h00
Na Biblioteca Palácio Galveias, Campo Pequeno, em Lisboa

O ciclo de conferências “Camões Hoje”
decorre entre fevereiro e junho, uma vez por mês,
a partir de 3 fev. 2026.

Acesso livre.

Organização:

com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa


  PROGRAMA  

03 fev. 2026
Camões, Cidadão e Pedagogo
por Guilherme de Oliveira Martins

03 mar. 2026
A música em Camões, Camões na música
por Rui Vieira Nery

07 abr. 2026
O poder da imagem na poesia de Camões
por José Manuel de Vasconcelos

05 mai. 2026
Camões em Camilo
por Ernesto Rodrigues

09 jun. 2026
Camões, poeta e viajante
por Rita Marnoto


para saber +











Redação: 11.01.2026

2025/07/05

Madrigais Camonianos II no Festival ao Largo 2025



Madrigais Camonianos II
– Camões / Compositoras

CONCERTO

No âmbito da 17ª edição do 
Millennium Festival ao Largo, de 4 a 28 de julho de 2025.

5 JUL. 2025 | 21h30
No Largo de São Carlos, em Lisboa

Entrada livre

Intérpretes:

Giampaolo Vessella, direção musical
Carolina Raposo, soprano
Natália Brito, meio-soprano
Kodo Yamagishi, piano
Coro Feminino do Teatro Nacional de São Carlos

Organização:

OPART – ORGANISMO DE PRODUÇÃO ARTÍSTICA, E.P.E.
e as três estruturas artísticas que gere:
Teatro Nacional de São Carlos | Companhia Nacional de Bailado  | Estúdios Victor Córdon
O Millennium bcp é o mecenas principal do Festival.


"A obra que dá título ao concerto 
constitui uma evocação das conhecidas obras de Luís de Freitas Branco (1890-1955) 
sobre poesia de Camões, neste caso para Coro feminino. 
Este programa surge, aliás, no seguimento de um outro apresentado no final de 2024, 
para coro misto, no âmbito das celebrações do V centenário do nascimento de Luís de Camões.

O programa abre e fecha com canções do francês Léo Delibes (1836-1891), 
compositor conhecido pela escrita de outros géneros musicais, 
como ópera (Lakmé) ou bailado (Coppélia) que, neste concerto, demonstra 
a beleza da sua escrita para diferentes formações de vozes femininas.

Ainda no domínio dos compositores franceses, o programa completa-se com 
canções de Cécile Chaminade (1857-1944), 
uma das primeiras mulheres pianistas a ter obra editada, projeção internacional 
e a ser reconhecida pelos seus pares, designadamente por Maurice Ravel."



PROGRAMA


Léo Delibes: 

Messe brève | Les trois oiseaux | Les Norwégiennes | Les nymphes des bois

Luís de Freitas Branco:

Pois dano me faz | Falso cavaleiro ingrato | Apartaram-se os meus olhos

Cécile Chaminade:

Sous l'aile blanche des voiles | Les elfes des bois | Noël des Marins | Ronde du crépuscule


  1. Início da edição do Millennium Festival ao Largo 2025. - Foto no Facebook da Agenda Cultural de Lisboa.
  2. Atuação do coro feminino do Teatro Nacional de São Carlos. - Foto de Bruno Simões, em Millennium Festival ao Largo | Facebook, 4.07.2025
  3. Capa do dossiê de imprensa do Millennium Festival ao Largo 2025. | PDF.



para saber +

Millennium Festival ao Largo 2025 | Página oficial





Redação: 7.07.2025

2024/05/05

Exposição camoniana nos Paços do Concelho de Lisboa

Exposição bibliográfica e iconográfica camoniana

5 MAI. - 10 JUN. 2024 | Paços do Concelho, Lisboa


Exposição onde serão apresentadas 
várias edições de Os Lusíadas, entre elas 
um exemplar fac-simile da monumental edição de 1817,
dita edição do Morgado de Mateus
proveniente da Biblioteca Camões, também em Lisboa.
 

Será exibido também um busto do Poeta
proveniente da mesma biblioteca com o nome do vate.






Os Lusiadas: poema epico / de Luis de Camões.
Edição fac-similada:
Em Lisboa: Livraria Sam Carlos, 1972.
Edição total limitada a 1100 exemplares numerados e rubricados pelo editor.

Edição original:
Os Lusiadas: poema epico / de Luis de Camões. 
Nova edição correcta, e dada á luz / por Dom Joze Maria de Souza Botelho... 
Paris: na Officina Typographica de Firmin Didot, 1817.



O evento integra as comemorações municipais dos 
500 anos do nascimento de Luís de Camões.

 








Fotografias da autoria de Ana Luísa Alvim e Ana Sofia Serra / CML
Divulgadoras do evento na página do Facebook da 






Redação: 5.05.2024, atualizado em 10.06.2024

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