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2023/03/29

Edição e tradução italiana de Os Lusíadas por Rita Marnoto & Roberto Gigliucci, nos 450 da publicação do grande livro




Luís de Camões

I Lusiadi

Ed. Rita Marnoto & Roberto Gigliucci

 Coordenação, texto e introdução de Rita Marnoto
tradução e notas de Roberto Gigliucci

Firenze, Milano: Giunti, Bompiani, 2022

Classici della Letteratura Europea, 
Collana diretta da Nuccio Ordine

1323 p.

ISBN: 978-88-301-0661-1







Os Clássicos da Literatura Europeia
Os Lusíadas de Luís de Camões

 

"Com este volume, os leitores europeus têm à disposição, pela primeira vez, uma edição de Os Lusíadas que, finalmente, distingue o texto licenciado por Camões em 1572 dos demais exemplares falsificados da mesma data. Um imbróglio brilhantemente resolvido por Rita Marnoto, uma das mais importantes estudiosas do poema. A versão original de Os Lusíadas permitirá uma releitura da obra literária fundadora da identidade portuguesa. 

A nova tradução de Roberto Gigliucci, o aparato rigoroso com as variantes impressas e o extenso comentário (no qual é reconstruído o denso diálogo que se estabelece entre a vasta cultura literária do autor e o conhecimento de percursos recentes, de populações até então desconhecidas e de novos conhecimentos científicos que perturbariam os horizontes da Europa) constituem um guia seguro para a fascinante viagem arquitetada por Camões. 

Esta epopeia, aliás, configura-se como o primeiro grande poema oceânico. Uma narrativa em oitavas que, através da aventura de Vasco da Gama até à Índia, entre 1497 e 1498, traça a história de Portugal. Ao colocar em paralelo os conflitos entre os deuses e as intervenções do único Deus verdadeiro, o poeta português inspira-se na Eneida de Virgílio e nos modelos clássicos do mito dos Argonautas.

O tema mais marcante de Os Lusíadas é o da refundação de uma nação nascida em 1143 - um país que, fora das fronteiras da Europa, encontrará uma nova identidade fruto da imaginação e da história em lugares remotos e fabulosos."

Texto da badana (trad. livre)

O valor desta monografia fundamenta-se, pois, em vários aspetos: apresenta o estudo comparativo dos exemplares de 1572 e propõe a identificação objetiva do texto da princeps - se tal objetivo foi atingido, será necessário averiguar; apresenta uma Introdução histórico-literária; é uma tradução da epopeia para a língua italiana; proporciona comentários ao texto épico.



Referêcia bibliográfica:

MARNOTO, Rita & Roberto Gigliucci, ed. (2022) Luís de Camões. I Lusiadi. Coordinamento, texto e introduzione di Rita Marnoto, traduzione e note di Roberto Gigliucci. Firenze, Milano: Giunti, Bompiani [Classici della Letteratura Europea, Collana diretta da Nuccio Ordine] [1323 pp.]. ISBN: 978-88-301-0661-1.


Palavras-chave: Luís de Camões; Edição de Os Lusíadas; Princeps de Os Lusíadas; Bibliografia analítica e descritiva; Ecdótica; Comentário a Os Lusíadas.






1. Cartaz da apresentação do livro em Roma, em 1 de dezembro de 2022.
2. Capa da edição impressa da tese de doutoramento de Rita Marnoto, 1997.
3. Capa ca coletânea de ensaios da Professora Rita Marnoto, 2007.
4. Índice da edição Luís de Camões. I Lusiadi, 2022.
5. Rita Marnoto, Comissária das Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões
6. Roberto Gigliucci, o tradutor desta edição italiana de Os Lusíadas.
7. Capa e contracapa da nova ed. e trad. italiana - I Lusiadi, 2022.











2021/11/24

"Os Lusíadas" traduzidos em língua turca por Ibrahim Aybek



"Na minha opinião, ser o primeiro a traduzir Os Lusíadas para o turco é menos importante do que ser o primeiro a lê-lo em turco. Para mim, é muito especial ler pela primeira vez em turco uma obra escrita há 450 anos. Especialmente considerando que a obra menciona muitas vezes a nossa civilização e o Império Otomano." - Ibrahim Aybek





Uma tradução de “Os Lusíadas” em turco está disponível a partir de 23 de novembro nas livrarias da Turquia por iniciativa de um arquiteto e diplomata que, em 2020, decidiu traduzir a epopeia de Luís de Camões.

A iniciativa foi de Ibrahim Aybek que, numa entrevista à agência Lusa, explicou que “sempre teve a ideia de traduzir Camões para turco”.

Arquiteto de formação e diplomata de profissão, a trabalhar na agência turca de cooperação, com missões em Moçambique e em S. Tomé, Ibrahim Aybek meteu mãos à obra com a chegada da pandemia de covid-19 e com o confinamento. Assim, em 2020 mergulhou “a fundo” na obra de Camões, o que só lhe foi possível por ter aprendido português em 2008 quando frequentou o programa Erasmus em Portugal.

Se a ideia de traduzir “Os Lusíadas” já tinha alguns anos, não avançou logo para o projeto por pensar que ainda não dominava suficientemente a língua portuguesa para o fazer. Não desistiu, porém, do sonho, tal como não o fez com a aprendizagem da língua portuguesa na qual foi avançando sempre até atingir um nível “mais maduro” que lhe permitisse traduzir Camões, acrescentou.

“Já sabia que Camões nunca tinha sido traduzido para turco”, disse Ibrahim Ayek à Lusa, acrescentando estar convicto de que até aqui “ninguém tivera coragem para o fazer”. “Não é um texto fácil, antes pelo contrário”, observou, realçando que é um “texto antigo, que também tem um sistema de rimas e um sistema métrico” específico, o que dificulta o trabalho dos tradutores.

A curiosidade de Ibrahim Ayek pelos textos antigos foi a “motivação” para mergulhar na leitura daquela obra de Camões bem como na de traduções em inglês, espanhol e francês. Como explicou: “Se não houvesse traduções em línguas atuais, estou em crer que nunca conseguiria traduzir a obra, porque há muitos termos que já não se utilizam”.

Apesar de lhe ter sido impossível manter os versos em decassílabos, Ibrahim Ayek disse tê-los mantido em “comprimentos iguais para serem mais próximos do original”. 

“Foi um trabalho difícil, mas no final acho que ficou um produto bom”, referiu, a propósito da obra de 450 páginas que hoje entrou no circuito livreiro turco com uma tiragem inicial de 1.000 exemplares. Referiu ainda que a editora Ötuken Nesriyat “sempre reconheceu valor ao trabalho que estava a ser desenvolvido” para tradução do poema nacional português.

Questionado sobre se há alguma parte de “Os Lusíadas” que o tenha encantado mais, Ibrahim Ayek disse que todo o livro “é uma obra-prima”. Além das narrações sobre as viagens dos navegadores, o tradutor deslumbrou-se com “O velho do Restelo”, por este traduzir um “sentimento comum a muitos povos e que continua a persistir no presente”.

Ibrahim Ayek frisou que “tentou explicar os versos de Camões da forma mais clara possível”, razão por que também fez questão de transmitir questões culturais específicas, através de mais de 1.200 notas de rodapé na obra.

A tradução de “Os Lusíadas” em turco não é, porém, a única tarefa em português que ocupa Ibrahim Ayek já que há anos que se encontra a elaborar um dicionário de português-turco. Depois de ter escrito uma gramática de português para turcofalantes, que já vai na segunda edição e é a única disponível no país, Ibrahim Ayek aposta agora num dicionário académico de português. Um trabalho que desenvolve desde 2018 e que já conta com 15.000 entradas, avançou à agência Lusa.

“'Os Lusíadas' vão criar muita curiosidade em qualquer pessoa que os leia, é um clássico mundial”, disse Ibrahim Ayek, sublinhando que ainda gostava de traduzir José Saramago para turco, apesar de o Prémio Nobel da Literatura 1998 contar com várias obras traduzidas para aquela língua.

Fernando Pessoa é outro dos autores portugueses que Ibrahim Ayek quer também traduzir para turco. Porque a poesia deste autor causa fascínio na Turquia e ainda ninguém apostou na tradução de qualquer obra do escritor.

“Vou tentar continuar a contribuir para transmitir as nossas culturas para ambos os lados”, disse Ibrahim Ayek, sublinhando que na Turquia existe “muita curiosidade” sobre a cultura portuguesa. “Somos povos mediterrânicos e há várias semelhanças. Portugal é destino preferido pelos turcos, há grande admiração pelo fado e pela arquitetura portuguesa que é muito valorizada na Turquia”, disse a propósito.

Ayek exemplificou com os poemas do angolano Agostinho Neto, que foram recentemente traduzidos para turco, acrescentando existir grande curiosidade na Turquia por todo o mundo lusófono.

Apesar de o português ser “uma das línguas mais raras na Turquia, tal como o turco em Portugal, Ibrahim Ayek está convicto de que os dois países podem estabelecer “relações mais ativas”.

Para que o intercâmbio cultural entre Portugal e Turquia “aumentasse e melhorasse”, Ibrahim Ayek desafia os tradutores portugueses a traduzirem clássicos turcos.

“Mesveni”, de Rumi, uma obra essencial sobre o sufismo, e “Yunus Emre Divanı”, uma obra essencial sobre o humanismo, são os livros que Ibrahim Ayek gostaria de ver traduzidos em português.




Para saber +








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