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2025/11/10

Macau e a gruta de Camões, por Camilo Pessanha

© Conteúdo integrante desta exposição.























Camilo Pessanha, 1867-1926

"Camilo de Almeida Pessanha, o mais singular e original poeta simbolista português, apenas viu publicado em vida o livro Clepsydra (1920), que reuniu o essencial da sua produção poética. 
Colaborador fugaz de vários jornais e revistas, viveu os últimos anos da sua vida afastado do convívio dos seus principais companheiros de letras, em Macau, repetindo os seus melhores versos "de memória", como gostava de sublinhar. 
Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro contaram-no entre os seus mestres, estabelecendo-se, através da sua obra, a ponte que em Portugal ligou simbolismo e modernismo."




O Jardim Luís de Camões em Macau, China.

Um vídeo - no Facebook -  que participou no concurso "Falar Macau, falar português",
organizado pelo IPOR - Instituto Português do Oriente em 2019. 


A Gruta de Camões no Jardim

Imagem atual, com o investigador Eduardo Ribeiro
Fonte: página do Autor no Facebook


Macau e a gruta de Camões

por Camilo Pessanha

Dos templos profanos portugueses dedicados ao culto da Pátria e ao culto do génio é sem dúvida um dos mais venerados o modesto jardim de Macau, chamado a Gruta de Camões. Nenhum português absolutamente, nenhum estrangeiro de mediana instrução vem a Macau, mesmo de passagem, cujo primeiro cuidado não seja o de irem em romagem a esse recinto sobre cujo solo é tradição que poisaram os pés do poeta máximo de Portugal – um dos máximos poetas de todo o mundo e de todos os tempos –[,] enquanto o seu génio elaborava algumas das estrofes de bronze dos Lusíadas. E a nenhuma deixa de invadir, apenas transposto o vulgaríssimo portal de quintalejo suburbano, que dá acesso ao local, um sentimento dominador de religiosidade, a todos impondo silêncio, como se do lado de dentro das duas insignificantes umbreiras de granito estivesse aquela tela que existiu à entrada da cartuxa do Bussaco, onde a pintura macerada de um frade fitava imperativa, com o seu olhar imóvel, os que se aproximavam, erguendo verticalmente diante da boca o indicador da mão direita.

Tem-se debatido desde há anos a questão de se Camões residiu ou não em Macau, se esteve ou não preso no tronco da cidade, se aqui desempenhou ou pode ter desempenhado as apagadas funções de provedor dos defuntos e ausentes. A polémica há de decerto renascer mais animada algum dia; e provável é que o problema venha a decidir-se finalmente pela negativa.

É a sorte de todas as tradições consagradas. A crítica histórica, a história-ciência, positiva e experimental, vem fazendo tábua rasa de quando é anedótico e pessoal, das atitudes esculturais, dos gestos dramáticos, das frases eloquentemente concisas, em que tradições, lentamente evoluídas, haviam definido, em termos quási sempre de inexcedível beleza, um carácter, um acontecimento ou uma época. Para só me referir à história literária, basta lembrar que, demonstradamente, Homero nunca existiu; e que, quanto a Shakespeare, se é, ao que suponho, incontestado ter havido no século XVI a XVII um actor inglês desse nome, não falta já quem lhe negue a autoria de todas e cada uma das tragédias que o mesmo nome imortalizaram e para apreciação de cujo valor não se encontra termo de comparação mesmo nas supremas criações do teatro grego clássico.

Mas discussões são essas de carácter puramente académico, só interessando à investigação erudita. Se as tradições estão bem arraigadas e vivas, não será a demonstração de sua inexatidão histórica que as poderá destruir. É que não foi nas dissertações dos sábios que elas germinaram e medraram, nem é delas, mas do sentimento popular, que tiram a seiva. A Ilíada e a Odisseia hão de chamar-se sempre os poemas homéricos; e quando os infatigáveis sapadores que são os historiadores modernos chegarem à conclusão documentada de que Shakespeare não existiu, ou de que não sabia escrever, nem por isso a série de assombrosas figuras animadas que, no Hamlet, no Macbeth, no Otelo, no Rei Lear, se estorcem nas grandes crises das suas paixões sobrehumanas, traduzindo, ampliadas até ao grandioso, todas as modalidades de afectividade, cessariam de constituir a galeria das personagens shakespearianas. 

Há, é certo, lendas e lendas, tradições e tradições: umas sublimes, outras grotescas. Estas são efémeras, aquelas eternas. Basta como exemplo da indestrutibilidade destas últimas o da lenda heróica da Grécia.

A vitalidade das tradições lendárias, ou quási lendárias, depende essencialmente de dois requisitos. É necessário que o objecto a que se referem se imponha pela sua grandeza à admiração contemplativa de todos os tempos. É-o igualmente que a própria tradição, nos diversos factores que a constituem, seja adequada a esse objecto. As tradições pertencem ao folclore, há nelas, preponderante, um elemento estético; e toda a obra de arte precisa, antes de mais nada, de ser bem equilibrada.

Quanto à grandeza gigantesca de Camões, e à da assombrosa epopeia marítima que culminou na formação do vasto império português do século XVI, estão acima de qualquer discussão. Resta apenas ponderar se Macau, esta exígua península portuguesa do Mar da China ligado ao distrito chinês de Heong-Shan, tem qualidades que a recomendem para assim andar associada à memória dessa epopeia e à biografia do poeta sublime que a cantou. 

Ora essas qualidades tem-nas Macau como nenhum outro ponto do globo. Macau é o mais remoto padrão da estupenda atividade portuguesa no Oriente, nesses tempos gloriosos. Note-se que digo padrão, padrão vivo: não digo relíquia. Há, com efeito, padrões mortos. São essas inscrições obliteradas em pedra, delidas pelas intempéries e de há muito esquecidas ou soterradas, que os arqueólogos vão pacientemente exumando e penivelmente decifrando, tão lamentavelmente melancólicas como as ressequidas múmias dos faraós.

A fatalidade do determinismo histórico fez que a colonização portuguesa quási exclusivamente se desenvolvesse a dentro dos trópicos, e, com exclusão de Macau, todas as colónias portuguesas, ou ex-portuguesas de clima relativamente temperado são situadas no hemisfério austral. Assim[,] é Macau a única terra do ultramar português em que as estações são as mesmas da Metrópole e sincrónicas com estas. 

É a única em que a Missa do Galo é celebrada em uma noite frígida de Inverno; em que a exultação da aleluia nas almas religiosas coincide com o alvoroço da Primavera – Páscoa florida com a alegria das aves novas ensaiando os seus primeiros voos; em que a comemoração dos mortos queridos tem lugar no Outono. Mais ainda: em Macau é fácil à imaginação exaltada pela nostalgia, em alguma nesga de pinhal, menos frequentada pela população chinesa, abstrair da visão dos prédios chineses, dos pagodes chineses, das sepulturas chinesas, das misteriosas inscrições chinesas, destacando a cada canto em retângulo[s] de papel vermelho, das águas amarelas do rio e da rada, onde deslizam as lentas embarcações chinesas de forma extravagante, com as suas velas de esteira fantasmáticas, e criar-se, em certas épocas do ano e a certas horas do dia, a ilusão de terra portuguesa. Quem estas linhas escreve teve, por várias vezes, (há quantos anos isso vai!), deambulando pelo passeio da Solidão, a ilusão, bem vivida apesar de pouco mais duradoira que um relâmpago, de caminhar ao longo de uma certa colina da Beira Alta, muito familiar à sua adolescência.

Ora a inspiração poética é emotividade, educada, desde a infância e com profundas raízes no húmus do solo natal. É por isso que os grandes poetas são em todos os países os supremos intérpretes do sentimento étnico. Toda a poesia é[,] em certo sentido, bucolismo; o bucolismo e regionalismo são tendências do espírito inseparáveis. Notáveis prosadores (basta lembrar, dentre os contemporâneos, Lafcádio Hearn, Wenceslau de Moraes e Pierre Loti) têm celebrado condignamente os encantos dos países exóticos. Poeta, nenhum. Os poucos que vagueiam e se definham por longínquas regiões, se acaso escrevem em verso, é sempre para cantar a pátria ausente, para se enternecerem (os portugueses) ante as ruínas da antiga grandeza da pátria e, sobretudo para dar desafogo à irremediável tristeza que os punge. E se na reduzida obra poética colonial desses escritores – Tomás Ribeiro, Alberto Osório de Castro, Fernando Leal (este último nascido na Índia, mas nem por isso menos exilado ali, português como era pelo sangue e pela educação) – se encontram dispersos alguns traços fulgurantes de exotismo, é só para tornar mais pungente pela evocação do meio hostil de inadequado pela sua estranheza à perfeita floração das almas – a impressão geral da tristeza – da irremissível tristeza de todos os exílios. 

Veio toda esta divagação a propósito de dizer que ainda é Macau a única terra de todo o ultramar português, em que se pode ter, até certo ponto, a ilusão de se estar em Portugal, essencial ao exercício por portugueses da sua especial atividade imaginativa... Para concluir contra toda a tradição e contra toda a evidência histórica, que tenha sido escrita ou concebida em Macau uma parte considerável da vastíssima obra poética de Camões? Seria verdadeira loucura.

O génio de Camões alimentado embora exclusivamente da seiva que trouxera da Pátria – da imagem viva da sua paisagem, da lembrança minuciosa e fiel dos seus costumes, da sua história, das suas lendas, das suas crenças, da sua cultura científica e literária – tem pujança bastante para triunfar dos meios mais adversos, para resistir aos mais implacáveis factores de perversão e de atrofia. As suas composições são datadas (indiretamente datadas) dos mais diversos pontos e dos mais inclementes climas – da África e da Ásia[,] por onde no século XVI se estendia o imenso império português e se despendia a exuberante energia da raça portuguesa. Muitas das obras primas do seu lirismo, das mais tipicamente nacionais pelo acentuado tom elegíaco de que estão impregnadas, brotaram na Índia do seu coração saudoso; e uma delas, das mais comoventes e das mais conhecidas, nasceu entre essa penedia sinistra da costa do Mar Vermelho; dessas nuas penedias incandescentes, que escaldam os pés a quem ali desembarca e parecem[,] vistas a certa distância, formadas de escumalha de ferro.

Mas a terrível acção depressiva do clima e do ambiente físico e social dos países tropicais, se não tiveram poder contra a assombrosa vitalidade criadora do poeta máximo, têm-no, todavia, não só para esterilizar em cada um de nós outros, os pigmeus que a quatro séculos de distância o contemplamos, o pouco de aptidão versificadora que algum tivesse, mas ainda para destruir, mesmo nos melhor[es] dotados, a comezinha parcela de imaginação de que é indispensável dispor quem intente evocar a estatura do gigante, o seu esbelto perfil e a sua figura augusta. E, pois que Macau, não só pelas suas condições climáticas mas também como mais remoto padrão da acção portuguesa na Ásia, é o palmo de terra mais próprio para essa evocação se fazer, natural é que, à semelhança do que sucedia com os mais célebres santuários pagãos, situado cada um deles em terra ilustrada por algum episódio da vida da]divindade a que era dedicado, seja em Macau o santuário nacional – pan-lusitano – consagrado ao génio do poeta, e que a Macau a biografia deste particularmente se refira.

É a Gruta de Camões, com o seu cenário irremediavelmente mesquinho – mas suscetível, apesar disso, de correcção em muitos dos seus defeitos –, esse lugar sobre todos prestigioso, dedicado ao culto de Camões, que é também o culto da Pátria. Culto e prestígio que não podem extinguir-se enquanto houver portugueses; e enquanto não se extinguirem, há de ser verdade intuitiva, superior a todas as investigações históricas, que o maior génio da raça lusitana sofreu, amou, meditou, em Macau, aqui tendo composto, em grande parte, o seu poema imortal, e que o local predileto aos devaneios do seu espírito solitário era essa colina, então erma, sobre o porto interior, junto das penhas com aparência de dólmen em cujo vão foi colocado há anos o seu busto, de proporções reduzidas, fundido em bronze.

Macau, junho de 1924
CAMILO PESSANHA

In: "Macau e a gruta de Camões", in A Pátria [semanário], Macau, 7.07.1924.

Reprodução em:
  • Contemporânea, 5.ª série, nº3 (jul-out. 1926), 116-118.
  • Camões nas Paragens Orientais: textos por Camilo Pessanha e Venceslau de Morais. -  opúsculo. - Ed. Petrus, 1927.
  • Camões nas paragens orientais. - Camilo Pessanha e Venceslau de Morais. S.l.: s.n., 1951.
  • Macau e a gruta de Camões. - [Camilo Pessanha]. Macau: Imp. Nacional, 1972.
  • Camões nas Paragens Orientais: textos por Camilo Pessanha e Venceslau de Morais. - Reedição anastática do opúsculo editado por Petrus em 1927. Macau: Fundação Macau e Instituto Internacional de Macau, 1999.

Para saber +

  • RIBEIRO; Eduardo (2020) Camões em Macau: uma verdade historiográficaPref. João Paulo Oliveira e Costa. 2.ª ed., “revista e atualizada”. Lisboa: Mythus de Er. - [1.ª ed., Lisboa: Labirinto de Letras, 2012].
  • RIBEIRO; Eduardo (2018) Camões no Oriente e outros textos. 2.ª ed., Lisboa: e.a.. - [1.ª ed., Lisboa: Labirinto de Letras, fev. 2012].
  • RIBEIRO; Eduardo (2016) Camões in Asia (1553-1570). Lisboa: CCCM.
  • FRANCHETTI, Pauylo - Pessanha e a gruta de Camões. - Texto lido no colóquio “Camilo Pessanha: orientalisme, exil et esthétiques fin-de-siècle”, Universidade Paris Oeste/Nanterre, nov. 2008. - São Paulo: USP.
  • BOTAS, João - [...], in Macau Antigo: a blog about Old Macau.






Redação: 17.02.2023, atualizado em 10.11.2025

2025/07/22

Camões nos cartazes do 10 de junho em Macau por Victor Hugo Marreiros

 

Camões Cinco Zero Zero

EXPOSIÇÃO

de Victor Hugo Marreiros

a partir de uma ideia do designer gráfico e ilustrador português 
Henrique Silva (Bibito)

26 JUL. 2025, sábado | às 18h30 - INauguração

26 JUL. - 30 AGO. 2025

Na Galeria Passevite, em Lisboa


 Organização:

Galeria PasseVite
Com o apoio da Herdade do Perdigão




"Para quem está por Lisboa (ou arredores) 
e tem Macau no coração e não só: 
no sábado 26, o Victor Marreiros inaugura finalmente 
a sua primeira exposição individual em Portugal, na Galeria Passevite.

É uma releitura visual do Camões a partir dos cartazes 
que tem feito há mais de 30 anos em Macau para o 10 de Junho… 
com humor, memória e liberdade."
Henrique Silva / Bibito
in grupo "Macau Literary Festival" do WA, 19.07.2025



"Com o apoio do IPOR 
a exposição Cinco Zero Zero, de Víctor Marreiros, rumará a Portugal.
A mostra constituída pelos vários Camões que Víctor Marreiros 
criou para os cartazes das comemorações do 10 de Junho em Macau 
será inaugurada no dia 26 de julho na Galeria Passevite 
e estará patente até dia 30 de agosto.

Esta iniciativa conta ainda com a colaboração da Companhia Bai Li Grupo, Limitada 
e dos vinhos desta empresa, Herdade do Perdigão."




"Camões Cinco Zero Zero 
é uma reinterpretação visual da figura de Camões 
a partir da obra gráfica de Victor Hugo Marreiros, 
artista macaense com mais de três décadas de criação 
dos icónicos cartazes do 10 de Junho em Macau. 

A exposição parte do desafio de isolar o poeta 
do ruído histórico e simbólico que o tem acompanhado 
— reis, presidentes, clubes e efemérides — e reinventá-lo 
a partir de fragmentos do próprio trabalho do artista.

O resultado é uma nova série que 
recicla, recontextualiza e amplia o universo gráfico de Marreiros, 
mantendo o humor, a crítica e a liberdade formal 
que caracterizam a sua linguagem. 

Um Camões filtrado por um olhar lusófono vindo de Macau 
— mestiço, político, gráfico — que nos convida a repensar 
a identidade portuguesa à luz dos encontros culturais.

Apresentada na Galeria Passevite, esta exposição celebra 
Camões como símbolo aberto, plural e partilhável 
— tal como a própria arte, que aqui se afirma pública, múltipla e provocadora."





para saber +


in Plataforma Media, 21-07.2025

Passe Vite, Exposições

in Passe Vite

Carolina Baltazar
in jornal Ponto Final, Cultura, 20.07.2025

Exposição retrospectiva dos cartazes do dia 10 de Junho
[Patente até 12 ago. 2024] 
in Fundação Oriente Macau | Facebook, 23.06.2024





Redação: 21.07.2025

2025/01/12

Exposição camoniana bibliográfica na Universidade de Macau, 2025


"LUÍS DE CAMÕES"

EXPOSIÇÃO DE LIVROS TEMÁTICOS


Comemoração dos 500 anos do nascimento do grande poeta português, Luís de Camões

2025 | Digital e talvez na Biblioteca da U. Macau






Pode pesquisar em:





O POETA E A SUA ÉPOCA através dos livros

"Esta exposição bibliográfica apresenta uma criteriosa seleção de mais de 50 livros, abrangendo várias edições da célebre obra-prima de Luís de Camões (1524-1580), Os Lusíadas (1572), bem como obras históricas que tratam a era das grandes Descobertas marítimas retratadas nesta grandiosa epopeia.
Através destes livros, embarcará numa viagem de exploração literária e histórica, mergulhando profundamente nas obras deste amado poeta português da Era dos Descobrimentos e no seu profundo impacto na identidade portuguesa."
(Trad. no Google, revista. Não há texto em português. Porquê?) 

本次書展展出50多種精選書籍,涵蓋各種版本的賈梅士代表作《盧濟塔尼亞人之歌》,以及探討這部史詩巨作所描繪的大航海時代的歷史著作。透過這些書籍,你將踏上一場文學和歷史的探索之旅,深入了解這位葡萄牙航海時代偉大詩人的作品及其對葡萄牙民族精神的深遠影響

"This book exhibition showcases a curated selection of over 50 books, encompassing various editions of Luís de Camões' renowned masterpiece "Os Lusíadas", as well as historical works exploring the era of the great maritime discoveries depicted in this monumental epic. Through these books, you will embark on a journey of literary and historical exploration, delving deep into the works of this esteemed Portuguese poet of the Age of Discovery and their profound impact on the national spirit of Portugal."




  1. Cartaz divulgando a exposição bibliográfica sobre Luís de Camões na Universidade de Macau, em 2025.
  2. Edição anotada de 1613 de “Os Lusíadas do Grande Luís de Camoens” adquirida em 2024 pela Biblioteca da U. Macau.
  3. Capa de Os Lusíadas contados às crianças e lembrados ao povo. – Adaptação em prosa de João de Barros; tradução para mandarim de Lin Junbao e Wang Qianli. Macau: KAVA Edições, 1980.
  4. Cerimónia de apresentação do livro raro  de 1613: "Os Lusíadas do Grande Luís de Camões", na U. Macau, em 27.02.2024. - Fotografia no Facebook, 14.03.2024.
  5. UM Digital Library Portal, o catálogo digital online da Biblioteca da U. Macau.
  6. Instalações da Universidade de Macau. - Imagem no Facebook.








para saber +


UM Digital Library Portal | Biblioteca da U. Macau

in U. Macau, 10.03.2024

in Luís de Camões - Diretório de Camonística









Redação: 12.01.2025

2023/10/15

A romagem anual à Gruta de Camões, em Macau



Romagem camoniana em 10 de junho de 2023

A romagem anual à Gruta de Camões

Desde 1923, terá tido início a romagem cívica e cultural anual à Gruta de Camões, mobilizando as escolas e os representantes da comunidade portuguesa e chinesa. Foi instituída pelo governador Rodrigo José Rodrigues (1879-1963), mobilizando as escolas e os representantes das comunidades portuguesa e chinesa.


"A tradicional romagem à Gruta de Camões é uma interessante característica da vida cultural, educacional e social de Macau, instituída pelo governador Rodrigo José Rodrigues em 1923.

O Padre Manuel Teixeira refere que a 
“iniciativa partiu dum patriota exaltado e fervoroso cultor de Camões, o Governador Rodrigo José Rodrigues, que logo no primeiro ano da sua chegada a Macau convidou as escolas e as forças armadas para irem à gruta homenagear o épico. E, caso único na história destas romarias, foi ele que enalteceu o vulto imortal do poeta e a sua emoção foi tão profunda que desatou a chorar, tendo de interromper o discurso”. [Fonte: xx]

[...] Desde então a romagem à Gruta de Camões ficou institucionalizada ao mesmo tempo que se legitimou a presença histórica de Luís de Camões em Macau. Camões esteve em Macau, sem dúvida, e o recente livro de Eduardo Ribeiro vem reforçar essa tese, aduzindo uma argumentação tão inteligente quanto historicamente segura. Gostaria de evocar a romagem à Gruta de Camões realizada no ano de 1937.

O governador Artur Tamagnini Barbosa cometeu a António Maria da Silva, Chefe da Repartição Técnica do Expediente Sínico, a tarefa de proferir uma conferência sobre a vida e a obra de Luís de Camões, no dia 10 de Junho de 1937, no cenário bucólico da Gruta, perante a mocidade escolar, o professorado, os convidados e as autoridades da Província.

António Maria da Silva evoca a constelação de valores do seu tempo: 
“Graças a Deus, Portugal vai regressando ao seu antigo apogeu, desde que passou novamente a tomar como lema da sua nacionalidade a Fé e o Patriotismo, a Religião e a Pátria. Devemos incontestavelmente este nosso regresso à Fé e ao Amor de Deus ao facto de sermos guiados por esse homem extraordinário que se chama António de Oliveira Salazar, português de raça e católico de alma e coração. Camões nunca separou a sua Pátria do seu Deus; Camões nunca imaginou que Portugal pudesse ser grande, sem o auxílio do Alto”. [Fonte: xx] 
António Maria da Silva será, bastantes anos volvidos, deputado na V legislatura da Assembleia Nacional, em Lisboa. Essa interessante conferência é publicada nas línguas portuguesa e chinesa, em 1937, com o insólito título de Sumário dos Luziadas. A versão chinesa foi revista por Chu-Pui-Chi, letrado da Repartição Técnica do Expediente Sínico*.

António Aresta, in Jornal Tribuna de Macau, n.º 3771, 9.6.2011
(excertos do artigo)




Sumário dos Luziadas: 
ampliação do discurso proferido no dia 10 de junho de 1937, 
no jardim da gruta de Camões em Macau.
por António Maria da Silva 
[então “Chefe da Repartição Técnica do Expediente Sínico”]. 
– Edição bilingue, em chinês e em português, 
Macau: Imprensa Nacional. – 68 p. 










Rodrigo José Rodrigues (28.03.1879 - 18.01.1963)
Foi um médico militar e político português.

Foi capitão-médico do Exército do Ultramar, com comissões em Cabo Verde (1903) e na Índia (1904-1910); reitor do Liceu de Goa; ministro do interior (1913-1914); governador civil dos distritos de Aveiro e do Porto; deputado (1913; 1918-1922), vogal do Conselho Colonial; governador de Macau (1922-1924) e adido da legação de Portugal na Sociedade das Nações (1924-1927).





  1. Coroas de flores das entidades que coorganizaram a romagem camoniana, em 10 JUN 2023 (fotografia na página do IIM no Facebook).
  2. Jovens da Escola Portuguesa de Macau e outros visitantes na gruta de Camões, 10 JUN 2023 (fotografia na página do IIM no Facebook).
  3. Grupo em romagem, em 1925 (fotografia in Macau antigo, de João Botas).
  4. Turistas chineses na gruta de Camões, nas década de 1910/20 (fotografia in Macau antigo, de João Botas).
  5. Turistas ocidentais na gruta de Camões nas década de 1930/40 (fotografia in Macau antigo, de João Botas).




A VIDA DE CAMÕES