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2026/10/18

Entre o riso e a inquietação, assim reagimos ao Camões de Amaro della Quercia

 

 "Pequeno Teatro da Condição Humana" 

 EXPOSIÇÃO 

de Amaro della Quercia

com curadoria de Paulo Azenha

21 out. 2026 | às 18h30 | no Atmosfera m
Rua Castilho, n.º 5, Lisboa

Organização:

Atmosfera M — Montepio Associação Mutualista

Algumas das obras estão disponíveis em
Rua de S. Bento, 251. Lisboa


Quando a Arte reflete a condição humana

"Há corpos, gestos e figuras que nos fazem sorrir, inquietar e, por vezes, reconhecer algo de nós próprios.

Em Pequeno Teatro da Condição Humana, o desenho é o lugar onde o humano se revela nas suas contradições, fragilidades e absurdos.

Será um enorme prazer contar com a vossa presença neste pequeno teatro onde o riso e a inquietação convivem e onde, afinal, todos somos um pouco personagens."
Amaro della Quercia

Exposição de A. Q. inaugura no 'Atmosfera M', em Lisboa

"O atmosfera m Lisboa inaugura, no próximo dia 21 de outubro, às 18h30, a exposição “Pequeno Teatro da Condição Humana”, de Amaro della Quercia, com curadoria de Paulo Azenha. A mostra reúne um conjunto de obras que refletem sobre a condição humana através da linguagem do desenho e estará patente ao público até 19 de novembro.

Com uma prática artística centrada no desenho, Amaro della Quercia desenvolve uma obra que tem a figura humana como elemento central. Entre referências à tradição figurativa e abordagens visuais contemporâneas, o artista explora temas como a vulnerabilidade, a memória, a espiritualidade e a experiência humana.

Nascido em Vila Nova de Famalicão, em 1982, o artista estudou Artes Plásticas no AR.CO – Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa, e licenciou-se em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Ao longo do seu percurso, apresentou o seu trabalho em diversas exposições individuais e coletivas, em Portugal e no estrangeiro, destacando-se participações em Itália, Países Baixos, Chipre e Macedónia do Norte. Em 2023, foi distinguido com o Prémio Osten, atribuído pela Bienal Osten de Desenho, em Skopje, pela obra “Nómadas”, atualmente integrada na coleção da Galeria Nacional da Macedónia do Norte.

A exposição propõe uma reflexão sobre a condição humana através de um conjunto de figuras e situações que remetem para temas como a memória, a passagem do tempo e as relações humanas. As obras apresentadas convidam o visitante a observar aspetos universais da experiência humana, numa abordagem marcada pela expressividade do desenho.

Integrada na programação cultural do atmosfera m, esta iniciativa dá continuidade ao compromisso do Montepio Associação Mutualista com a promoção da cultura e das artes visuais, proporcionando à comunidade o contacto com diferentes expressões da criação artística contemporânea.

A inauguração realiza-se no dia 21 de outubro, às 18h30, no atmosfera m Lisboa. A exposição está patente até 19 de outubro, em dias úteis, das 9h às 18h.

Junte-se a nós."
Texto do convite recebido


   AINDA E SEMPRE CAMÕES   




  "Camões" | Porto, 2026  
Tinta da china sobre papel, 30 x 22 cm
© Imagem no Facebook de 


  "Camões" | Porto, 2026  
Tinta da china sobre papel,  22 x 15 cm
por Amaro della Quercia 
© Imagem no Facebook do artista, 13.09.2026 

"Luis de Camões, nos 500 anos do seu nascimento" | Porto, 2026
Tinta da china sobre papel, 22 x 15 cm
por Amaro della Quercia
© Imagem no Facebook do artista, 12.09.2026 

  "Camões na Ilha dos Amores" | Porto 2026  
Tinta da china sobre papel, 29.7 x 42 cm
por Amaro della Quercia
© Imagem no Facebook do artista, 22.07.2026 

  "Camões" | Porto, 2026  
Tinta da china sobre papel,  30 x 15 cm
por Amaro della Quercia 
© Imagem no Facebook do artista, 18.07.2026 


  Macaco catando Camões (1 e 2) | Porto, 2026  
por Amaro della Quercia 
© Imagem no Facebook do artista, 18.07.2026 
"Talvez não seja por acaso que hoje o desenhei [o macao] a coroar Camões, 
como se entre piolhos, louros e poesia houvesse sempre lugar 
para um pouco de humor."

 "Camões" | Porto, 2026  
Tinta da china sobre p
apel, 30 x 22 cm
por Amaro della Quercia 
© Imagem no Facebook do artista, 11.07.2026 

 Camões | [Porto, 2026]  
Tinta da china sobre papel
por Amaro della Quercia 
© Imagem no Facebook do artista, 9.07.2026 
"Maldito seja o peito endurecido
Que nega ao forasteiro igual valor;
Pois quem despreza o filho desterrado,
Da própria Pátria é falso servidor."
A.Q.

  "Camões" | Porto, 2026  
Tinta da china sobre papel, 30 x 22 cm
por Amaro della Quercia 
© Imagem no Facebook do artista, 24.06 e 14.07.2026 

  Camões | [Porto, 2026]  
© Imagem no Facebook do artista, 20.06.2026
"Cantou com voz sublime os feitos da nação,
As conquistas do império e seu destino sem par;
Mas na Ilha dos Amores, sem espada nem brasão,
Parecia preferir outra forma de navegar."
A.Q.

[Camões, no 10 de junho de 2026] | [Porto]
© Imagem no Facebook do artista, 10.06.2026
"Não corras, Camões. O país não está cercado por ratos, mas por apetites. 
Há muito que os roedores do interesse, da vaidade e da falta de compaixão 
fizeram deste lugar a sua despensa."
A.Q.

"O poeta deu voz aos homens, Jau deu amparo ao homem que restava no poeta." 
[Porto, 2026]
© Imagem no Facebook do artista, 26.05.2026

  Camões | [Porto, 2026]  
© Imagem no Facebook do artista, 28.04.2026

Cego de um olho, e o outro já cansado,
canta um império em carne apodrecida;
não há na pátria honra, só ferida,
nem verso que resgate o chão vendido.

Louro na testa, lama no destino,
poeta a escrever sobre o próprio engano,
que o reino que cantou, vil e profano,
lhe cospe hoje o nome em desatino.
A.Q.


para saber +



Amaro della Quercia
na Galeria de São Mamede: Obras | Bio | Exposições
in e-CAM, 4.07.2026








Redação: 17.10.2025

2026/02/16

A Gruta de Camões a tinta da China por Zé Manel


  [Jardim Luís de Camões], 1998  

Macau. - Desenho, a tinta da China; preto & branco; 30x34 cm
por Zé Manel

in: Macau a tinta da China. 
Texto de Dinis de Abreu | Desenho de Zé Manel
Pref. Agustina Bess-Luís
Tradução da Companhia de Tradução de Macau, Ltd
Macau : Governo de Macau, ago. 1998 [p. 27].

"Veja como Macau se escreve em palavras curtas 
e se descreve a tinta da China"


"Um dia, uma jovem americana aportou a Macau, nos idos anos de 1829, meses depois de dura navegação, e começou um diário que é um dos raros documentos da época com impressões de um estrangeiro sobre Macau.

Harriet Low, o nome da jovem americana, fez do diário sete livros de memórias que estão hoje à guarda da Biblioteca do Congresso, e se não escondia o seu encantamento perante a beleza de Macau, visto do mar, era ainda menos contida na apreciação que fazia das suas ruas estreitas e irregulares e do jardim da Gruta de Camões, um «aprazível lugar», como lhe chama, com escadas e um mirante, donde se podia disfrutar uma vista única.

É natural que a jovem, do que se conhece, siga mais o caminho da sua sensibilidade do que o da polémica sobre se o poeta residiu ou não em Macau, se desempenhou ou não as «apagadas funções» de provedor dos defuntos e ausentes, para citarmos Pessanha.

O certo é que a gruta, discreta no seu penhasco, rodeada de uma vegetação densa e quase selvagem, é desde há muito lugar de peregrinação, visitada com respeito e veneração por estrangeiros letrados e portugueses que não guardam de Camões apenas o recitativo ou a "maçada" da divisão de orações de Os Lusíadas nos bancos do liceu.

Pessanha interroga-se sobre se "a exígua península" de Macau tem qualidades que a recomendem para "andar assim associada à memória dessa epopeia e da biografia do poeta sublime que a cantou". E logo a seguir responde, como se arrependido da dúvida, que Macau "é o mais remoto padrão da estupenda atividade portuguesa no Oriente nesses tempos gloriosos". E sublima o raciocínio deste modo: "Note-se que digo padrão vivo: não digo relíquia".

É esse padrão vivo, semi-escondido quase ao cimo da colina dominada pelo jardim, que todos os anos é destino de romagem de portugueses e de chineses. Porque Camões faz parte integrante do imaginário de Macau e das referências coletivas.

Na "exígua península" de Macau, os que hoje ali vivem e aqueles que amanhã hão-de vivê-la decerto não vão perder a memória - ou as referências. Macau será sempre um diário inacabado..."
Dinis de Abreu
in: Macau a tinta da China. 
Texto de Dinis de Abreu; desenho de Zé Manel
Macau : Governo de Macau, ago. 1998 [p. 26].


"Aí está o Jardim de Camões,
com os seus passarinheiros que entre si fazem torneios de canto"
Agustina Bess-Luís
Do prefácio

  Macau a tinta da China  

  LIVRO-ÁLBUM ILUSTRADO  

Texto de Dinis de Abreu | Desenho de Zé Manel

Prefácio de Agustina Bess-Luís
Tradução da Companhia de Tradução de Macau, Ltd

Macau : Governo de Macau, ago. 1998.

Ed. biblingue em português chinês
122 p. : muito il. (30x34 cm)


Macau a tinta-da-China
"um dos mais importantes livros-álbum que [Zé Manel] deu à estampa, 
resultado de uma divagação por aquele antigo território sob administração portuguesa".
Dinis Abreu

"Não pode, todavia, deixar de destacar-se 
a verdadeira orgia gráfica que deixou espalhada pela obra 
Macau a Tinta da China, um livro verdadeiramente impressionante, 
com textos de Dinis de Abreu, encomendado pelo Governo de Macau, 
à época da transferência daquele território para a China. 
É um dos álbuns mais geniais na história da Ilustração Gráfica Portuguesa ."
António Gomes de Almeida
"Zé Manel.. o talento e a sensualidade", jan. 2018
   in AMADORA BD | Facebook, 26.01.2029


Dinis de Abreu
Manuel de Jesus Dinis de Abreu
n. 1944. | Jornalista.

Foi subdiretor e diretor do Diário de Notícias (1978-1992),
dirigiu as  revistas Factos e Meios e, em 2002, 
assumiu o cargo de diretor de comunicação e relações exteriores da Estoril-Sol. 
Coordenou a coleção de livros "Media Hoje".
Em 2017, era presidente do Clube Português de Imprensa,
de que é um sócio fundador - o CPI foi fundado em 1980.

Entre outros títulos, publicou 
Macau: diário sem dias (Lisboa: Verbo, 2000) 
que "é o testemunho datado das atmosferas e das ocorrências 
que marcaram os últimos dias da Administração portuguesa, 
num território onde se cruzaram gentes e culturas 
e a História moldou um estilo peculiar de viver."

Zé Manel
José Manuel Domingos Alves Mendes
n. Lisboa, 22.01.1944 - m. 24.01.2019
Ilustrador e humorista.

Formado na Escola de Artes Decorativas António Arroio.
Um artista com uma obra multifacetada, repartida por  
cartoons políticos e desenho satírico, 
ilustração de livros infanto-juvenis  e de livros escolares,
banda desenhada, etc. 

Em 1998, para além da coautoria com Dinis de Abreu
em Macau a tinta da China (Macau: Governo de Macau) 
ilustrou outra obra sob o signo do Oriente: 
As 8 cartas de Macau, de Celina Veiga de Oliveira & Ana Cristina Alves 
Macau: Livros do Oriente / Fundação Macau.
 
“Eros uma vez… o humorista Zé Manel”
foi uma retrospetiva da sua obra, em 2014,
no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, na Amadora 
Dessa exposição resultou a publicação de uma coletânea do seu trabalho.

Em 2011, já recebera o Prémio de Honra do festival Amadora BD.



para saber +


in: humorgrafe, 24.01.2019

 in Torre de Babel, 30.06.2017





Redação: 16.02.2026

2026/01/15

Camões Poeta, Herói n'Os Lusíadas, de Helena Carvalhão Buescu



  Camões Poeta, Herói n'Os Lusíadas  

  LANÇAMENTO DE LIVRO  

de Helena Carvalhão Buescu

15 JAN. 2026 | Nas livrarias, em Portugal

Disponível em pré-venda no site da Editora


Lisboa: Tinta da China / U. Macau, jan. 2026

208 p. (13,3x18,9) | Amostra, em PDF



ÍNDICE

1. Herói e imortalidade | p. 15

2. Epopeia e desconcerto do mundo | p. 56

3. Múltiplas imagens de Camões | p. 82

4. Formas de sobrevida da epopeia camoniana | p. 97

5. Camões no Oriente | p. 190


"No centenário de Camões, a Tinta-da-china traz 
um ensaio sobre o desconcerto do mundo que percorre Os Lusíadas, 
a grande epopeia portuguesa, por Helena Carvalhão Buescu.

Propõe-se neste livro uma leitura que percorre Os Lusíadas como construção 
que alia, por um lado, o canto dos feitos dos Portugueses 
e, por outro, o tema que permite compreender como Camões Poeta 
se manifesta, ele mesmo, como herói na sua epopeia."

O desconcerto do mundo que percorre Os Lusíadas

"Partindo do conceito de negative capability, de John Keats, propõe-se neste livro uma leitura que percorre Os Lusíadas como construção que estreitamente alia, por um lado, o canto dos feitos dos Portugueses e, por outro, o tema do desconcerto do mundo. Este tema, importado da lírica, torna-se o núcleo da reflexão poética no texto épico e permite compreender como Camões Poeta se manifesta, ele mesmo, como herói na sua epopeia. 

O canto e o desconcerto são, assim, forma de subjetivização d’Os Lusíadas, levando o Poeta a louvar os que são dignos de integrar o Poema, mas também a expulsar deste aqueles que o não são. É este o terreno das incertezas, dos mistérios e das dúvidas a que Keats se referira a propósito de Shakespeare. 

A esta tese central associam-se ainda as múltiplas imagens de Camões, a «insolação sublime» (Eduardo Lourenço) que ele representa, até hoje, na literatura portuguesa, e a sua presença no Oriente."
Da contracapa


para saber +

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Guilherme d'Oliveira Martins
recensão-crítica de: Camões Poeta, Herói n'Os Lusíadas / Helena Carvalhão Buescu
in blogue Raiz e Utopia, "A Vida dos Livros", 9.02.2026


Fernando Alexandre Lopes | Facebook, 31.01.2026










Redação: 31.01.2026