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2025/01/16

Estreia de cópia digital restaurada do filme CAMÕES (1946) de Leitão de Barros


O filme CAMÕES (1946) realizado por Leitão de Barros

ESTREIA DE CÓPIA DIGITAL RESTAURADA

pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema



Cópia digitalizada e restaurada no âmbito do projeto FILMar

"Esta cópia resulta da digitalização 4K, 
por imersão em janela líquida, do negativo de câmara original de 35mm, 
complementado com um interpositivo síncrono de 35mm, 
materiais conservados pela Cinemateca. 

O som foi digitalizado a partir do negativo de som ótico original, 
complementado com outros materiais de época também conservados pela Cinemateca. 

A digitalização, o restauro digital da imagem e a correção de cor 
foram realizadas ao abrigo de uma parceria Cineric Portugal / Irmã Lúcia Efeitos Especiais, 
e o restauro digital do som foi feito pelo Estúdio BillyBoom, em 2024, 
usando uma cópia de época como referência."


UMA PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA AMBICIOSA

CAMÕES foi, até à época, 
a produção cinematográfica mais ambiciosa feita em Portugal. 
Como refere Félix Ribeiro, o filme representou 
“o maior esforço empreendido no campo da produção nacional, 
pelos meios humanos, materiais, técnicos e financeiros” que congregou. 

Na extensa equipa de atores, destacam-se nomes como 
António Vilar, Eunice Munõz, Vasco Santana, João Villaret ou Carmen Dolores. 

CAMÕES formará, também, na obra de Leitão de Barros, 
o núcleo central da sua trilogia “poética”, começada com BOCAGE [1936]
e encerrada em 1949 com VENDAVAL MARAVILHOSO 
sobre o poeta brasileiro Castro Alves. 

O filme é enviado, em representação nacional, 
ao primeiro Festival de Cannes que se realiza nesse ano de 1946."



EVENTOS



11 NOV. 2024 | Mostra de Cinema Português no Luxemburgo

Organização:

Camões - Centro Cultural Português no Luxemburgo, 
em parceria com 
cinemas Kinepolis/Utopia e Cinémathèque de la Ville de Luxembourg

Cartaz do evento em Camões - Centro Cultural Português - Luxemburgo | Facebook, 8.11.2024


13 e 14NOV. 2025 - Ler Camões

"celebramos o poeta com leituras da sua poesia, 
dita e declamada por jovens alunos do Liceu Camões e por actores, 
musicada ou motivo de composições musicais 
por JP Simões e Carlos Maria Trindade."


13 Nov. 2024 | às 22h00 | No Teatro do Bairro
"Vinde cá meu tão certo secretário" - Canção X de Camões
leitura do poema 
por Eurico Lopes e Manuela Couto, 
com momento musical de J.P. Simões


14 Nov. 2024 | às 21h00 | No Auditório do Liceu Camões, em Lisboa
"Camões em Carne viva"
poemas de Camões 
ditos por alunos do Liceu Camões,
com momento musical de Carlos Maria Trindade

Imagens disponíveis em
Leffest - Lisboa Film Festival | Facebook, 4.11.2024






14 NOV. 2024, quinta-feira | às 15h00

Na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, em Lisboa

Estreia nacional no contexto do 
18º LEFFEST - Lisboa Film Festival

A sessão será seguida de debate 
com João R. Figueiredo e Paulo Branco

e insere-se num programa especial comemorativo 
com várias atividades paralelas promovidas pelo Festival.







AGENDA (prevista)

JAN. 2025

Filme de Leitão de Barros sobre Camões
Projeção, em parceria com a Cinemateca, 
seguida de debate coordenado por Rosário Lupi Belo 
com críticos de cinema, camonistas e historiadores, 
do filme de Leitão de Barros sobre Camões, de 1946.






José Leitão de Barros

Porto, 1896 - Lisboa, 1967
"Professor, cineasta, jornalista, dramaturgo e pintor, 
foi ele quem realizou o primeiro filme sonoro português, “A Severa” [1930], 
mas também “Maria do Mar” [1918], tido como um clássico do cinema mudo português, 
e “Camões”, estreado no primeiro festival de Cannes.

É considerado “o pai” das Marchas Populares de Lisboa, 
por ter percorrido as colectividades de Lisboa, 
convidando os núcleos bairristas a desfilar 
para que cada um mostrasse o que tinha de particular, 
com o objetivo de revitalizar o Parque Mayer. 
O evento foi crescendo a partir de 1934 
e o concurso foi sofrendo alterações, interrupções e renovações, 
mantendo-se sempre como uma das tradições mais acarinhadas pelos lisboetas."

Texto e imagem em
Lisboa Cultura| | Facebook, 22.10.2024


"José Leitão de Barros 
nasceu no Porto, em 1896. 
Aos 22 anos, realiza os seus primeiros filmes, "Malmequer" (1918) e "Mal de Espanha" (1918). 
Considerado um percursor, consolida a sua reputação com a realização de 
"Maria do Mar" (1931), obra maior do cinema mudo, 
e com "A Severa" (1931), primeiro filme sonoro português. 

Realizou também filmes como 
"Lisboa, crónica anedótica" (1930) e "Ala-arriba!" (1942), 
marcando a cinematografia nacional do período do Estado Novo."






para saber +


in LEFFEST - Lisboa Film Festival | 18ª edição
8 a 1 nov. 2024

in Notícias, Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, 8.11.2024


in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 16.06.2016

Cinema: Camões e o Cinema
in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 25.08.2017








Redação: 15.01.2024

2024/06/08

Camões: erros meus, má fortuna, amor ardente (1946), de Leitão de Barros


CAMÕES

erros meus, má fortuna, amor ardente

FILME

 
Estreia em 20 SET. 1946 | S. Luiz, Lisboa

A preto e branco | 118 min.


Realização:

José Leitão de Barros

Assistente de realização: 

Carlos Ribeiro, Alejandro Perla, Fernando Macedo, Carlos Marques, 
Celestino Soares, Óscar Acúrcio, João Moreira, Fernando Silva

Argumento: 

Leitão de Barros , António Lopes Ribeiro

Revisão de diálogos:

Afonso Lopes Vieira

Produção: 

António Lopes Ribeiro

Montagem

Vieira de Sousa

Música:

Ruy Coelho
Som: Francisco Quintella

Direcção de fotografia: 

Manuel Luís Vieira, Francesco Izarelli

Cenários: 

Vasco Regaleira, Rui Couto, Pierre Schild 

Assistente de decoração: 

Manuel Lima, João Barros, Jorge de Sousa, 
Armando Pires, Joaquim Esteves

Guarda-roupa:

Paula Lopes, Álvaro Costa

Chefe de indumentária: 

Alberto Anahory, Maria da Paz d'Orey

Empresa de guarda-roupa: 

Paiva, Sastreria Cornejo, Peris Hermanos, Vazquez



ELENCO: 

O Poeta e seus contemporâneos:
António Vilar (Luís de Camões)
José Amaro (Dom Manuel de Portugal)
Igrejas Caeiro (André Falcão de Resende)
Paiva Raposo (Pero de Andrade Caminha)
António Góis (Pedro Nunes)

Amigos de Camões:
João Amaro (amigo), 
Baltazar de Azevedo (amigo), Carlos Velosa (amigo)

Figuras femininas:
Leonor Maia (Leonor) | Idalina Guimarães (Inês)
Maria Manuela Fernandes (Dinamene) | Dina Salazar (Burguesa de Coimbra)
Eunice Muñoz (Beatriz da Silva) | Carmen Dolores (Catarina de Ataíde)
Lúcia Mariani (Guiomar Blasfé) | Maria Brandão (a rainha D. Catarina)
Julieta Castelo (infanta D. Maria) | Regina Montenegro (aia da infanta)
Cacilda de Albuquerque (Isabel)
Virgínia de Vilhena (Luísa), Joselina Andrade (a outra prima)
Isabel de Carvalho (dama que dá o mote)

Família de Natércia:
Mário Santos (pai de Natércia) | Josefina Silva (mãe de Natércia),

Amigos de Pero de Andrade de Caminha:
Manuel Lereno (amigo) | Carlos Moutinho (amigo)
Júlio Pereira (amigo) | Eduardo Machado (amigo)

Realeza:
João Villaret (D. João III de Portugal)
Armando Martins (D. Sebastião, Rei de Portugal).

Censores e Impressores:
José Vítor (Frei Bartolomeu Ferreira)
Sales Ribeiro (impressor António Gonçalves)

Do Mal-Cozinhado
Vasco Santana (Mal-Cozinhado)
Olga Fernandes (dama de aluguer) | Maria Julieta (dama de aluguer)
Álvaro da Fonseca (freguês) | Vilar de Miranda (freguês) | Mário Lázaro (freguês)

Outras figuras:
Celestino Soares (camareiro-mor) | Celestino Ribeiro (homem das velas)
Mário Ramsky (mestre de baile)
Alfredo Henriques (alcaide) | Assis Pacheco (D. João da Silva, regedor das Justiças)
José Paulo (Jorge da Silva) | Fernando de Oliveira (amigo de Jorge da Silva)
Costinha (Gaspar Borges) | Ferreira da Cunha (pintor)
António Silva (cabo dos meirinhos) | Virgílio Macieira (1º meirinho)



Sinopse:

Filme realizado por José Leitão de Barros, que relata a vida aventurosa de soldado e a escrita genial de poeta desse grande português - Luís Vaz de Camões: desde os tempos juvenis e irreverentes em Coimbra, o "amor ardente" iludido ou contrariado, o guerreiro da "má fortuna", a sua errância pelo Oriente e terras do Índico, até ao seu regresso à pátria, com a leitura de "Os Lusíadas" (1572), em Sintra...




CAMÕES de Leitão de Barros

por Jorge Leitão Ramos

“Camões” é um caso sem paralelo na História do Cinema Português. A sua singularidade começa no fausto da produção, para a qual foram canalizados meios nunca antes (nem depois...) disponíveis na nossa cinematografia – em boa medida providenciados pelo Estado, já que o Governo considerou o filme de «interesse nacional» – e bem expressos no aparato cenográfico, de guarda-roupa e de elenco, prossegue na audácia do próprio tema (uma biografia de Camões, símbolo central da ideia de portugalidade que o nacionalismo salazarista celebrava), conclui-se no extenso sucesso que o filme obteve (com entrada no 1.º Festival de Cannes, em 1946, e tudo). 

Sobre ele afirmou António Ferro ser ‘uma grande obra, um grande fresco cinematográfico que honra não só o cinema nacional como constitui padrão da sensibilidade portuguesa, marco da sua epopeia, tapeçaria movediça da sua glória’, e que ‘se não ganhou em Cannes o prémio que merecia, apesar das palmas que interromperam a sua exibição, foi apenas porque nesse concurso e nesse momento, o nacionalismo elevado, puro, não estava na moda’.

Por todas as razões “Camões” é um momento indeclinável do cinema português? Por todas as razões menos por uma: os seus méritos estéticos. Com efeito a retórica empolada que lhe está na matriz (e de que a interpretação de António Vilar, no protagonista, é expoente) cobre-o de um manto de incredulidade e de ridículo de que não é possível sair nem elidir. Cenas como as da invenção de ‘Descalça vai para a fonte / Leonor pela verdura...’, a da intuição dos Lusíadas (ambas, na época, saudadas por Augusto Fraga, no "Século", como ‘momentos culminantes’ do filme) ou a sequência final são exemplos acabados de uma falta de fôlego irremível, de um cinema poeirento e com barbas na pior de todas as tradições de representação. 

E quanto à verdade histórica da fita, logo à época houve quem a contestasse, sendo o caso mais paradigmático o de Alfredo Pimenta que, n’"A Nação", lhe chamou ‘monstruosidade... a mais escandalosa deturpação da vida de Camões’. Foi, todavia, voz muito minoritária, o diapasão geral da recepção na Imprensa afinou por tom entusiástico.

Mas se “Camões” não é (e nunca foi) um grande filme, vê-lo, desapaixonadamente, agora, tem lições várias. A maior de todas é constatar como os únicos intérpretes que aguentam a travessia incólumes se chamam Eunice Muñoz – ainda não tinha dezoito anos e assim se estreava no cinema – e João Villaret ou, em ‘intermezzos’ de natureza pícara, Costinha, Vasco Santana e António Silva. 
Não é inútil, também, olhar a invenção cenográfica (muito ao estilo Exposição do Mundo Português, mas mesmo assim...). 
E, sobretudo, é assaz proveitoso meditar numa obra que a propaganda oficial do Estado Novo apresentava como modelo."
Jorge Leitão Ramos
in Dicionário do Cinema Português 1895-1961
Lisboa: Editorial Caminho / Leya, 2012, p. 67.
Texto reprod. pelo autor na sua página do Facebook, 10.06.2022.









  1. José Leitão de Barros, professor, cineasta, jornalista, dramaturgo e pintor português.
  2. O filme "CAMÕES" em siporte DVD. - Apesar das críticas, o público tem acolhido a obra, que tem sido divulgada em diferentes suportes materiais, de acordo com a evolução técnica dos multi-média.





para saber +



Luís de Pina
"Camões, de Leitão de Barros"
In História do Cinema Português
Lisboa: Europa-América, 1986.



Programas TV: Camões | in RTP [online]







Alfredo Pimenta
In "A Nação", n.º 41 (30.11.1946), p. 1-10.
Texto reprod. no blogue Nonas, 25.6.2008

in IMDb










Redação: 16.06.2016, atualizado em 8.06.2024

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