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2026/01/17

Camões e as Ninfas da Ilha dos Amores no Parque dos Poetas de Oeiras

 





Camões no Parque dos Poetas, em Oeiras


 





As esculturas de Camões e das catorze ninfas
são da autoria de Francisco Simões

Imagens de Victor Nogueira

"Um poeta, um escultor e um político uniram-se em torno de um sonho comum. Os paisagistas deram-lhe corpo e nome – Parque dos Poetas. Nasceram poemas, jardins, lagos, muros e alamedas; as árvores cresceram e acolheram os poetas. Com uma área de 22,5 hectares, no Parque dos Poetas estão representados 60 poetas: 50 portugueses e 10 de países ou territórios de expressão portuguesa.

[...] A ideia inicial foi concebida pelo poeta e escritor David Mourão-Ferreira e pelo escultor Francisco Simões, aos quais se juntou o paisagista Francisco Caldeira Cabral e a arquiteta Elsa Severino com a sua equipa.

[...] David Mourão-Ferreira (falecido em1996) lançou a primeira semente de ‘uma alameda dos poetas’ e os paisagistas ‘transformam-na’ em Parque dos Poetas, com uma forte componente paisagística e botânica. Desde a sua génese, aqui se cruzaram várias artes: a poesia, a botânica e a escultura, mas também a música, o teatro e a dança, pois o jardim é a grande síntese.

Ladeada por pequenos jardins temáticos com as esculturas e as respetivas homenagens a poetas da língua portuguesa, a Alameda dos Poetas é o percurso central do parque, onde se caminha sobre lajes com poemas. [...] 

Luís de Camões está largamente representado em poemas gravados na pedra; a Gruta e a Ilha dos Amores no grande lago, a sul do parque, evocam o grande poeta português (a reabilitação e restauro da mãe d´água pombalina possibilitou a alimentação deste lago e do riacho a montante). A ‘flora d´Os Lusíadas' cresce nos jardins do poeta, numa importante relação entre literatura e botânica.

Os poetas do século XX, além de Camões e as catorze ninfas do imaginário de Os Lusíadas, são da autoria do escultor Francisco Simões."

Repórter de Serviço - OLHARES DE LISBOA


Parque dos Poetas: o maior museu ao ar livre de arte escultória da Europa,16.08.2021




Para saber +


Francisco Simões
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Redação: atualizado em 17.01.2026

2017/06/11

FALA APÓCRIFA DE CAMÕES, soneto de David Mourão-Ferreira


FALA APÓCRIFA DE CAMÕES


É inútil buscarem o meu signo
procurarem-me em ruas ou retratos
sequer em grutas gritos manuscritos
muito menos em fósseis ou em falsas

pistas que de meus ossos não existem
É inútil julgarem-me comparsa
de quem quer que julgou viver comigo
já que em lugar algum terei passado

comigo mais que um prazo muito exíguo
mais ambíguo aliás e mais escasso
que o vivido com Bembo ou com Virgílio

com Petrarca Ariosto ou Garcilaso
Só estes os contei por meus amigos
E só de astros que tais rompe o meu rasto


David Mourão-Ferreira


In “No veio do cristal”, parte de Obra poética: 1948-1988.
Lisboa: Presença, 1988, p. 397.






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