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2026/07/04

Camões na Ilha dos Amores, por Amaro della Quercia



  a Ilha dos Amores  

por Amaro della Quercia

Camões enamorado na Ilha

Não, o poeta Luís de Camões nunca esteve na Ilha dos Amores. 

Trata-se de um lugar mítico e alegórico criado nos Cantos IX e X da epopeia Os Lusíadas. A ilha terá sido uma recompensa da deusa Vénus aos navegadores portugueses, representando o encontro com o divino, a glória, o amor ou mesmo o conhecimento.

Historicamente, o poeta esteve em territórios insulares ou pensisulares, como Cabo Verde, Goa, a ilha de Ternate, a ilha de Banda, a península de Macau, a ilha de Moçambique, a ilha de Santa Helena e, antes de entrar no reino, na Ilha Terceira.

A mítica ilha nunca existiu na realidade. Vários artistas de diferentes épocas  já a imaginaram a mítica ilha, como Cícero Dias (A ilha dos amores, 1944, o texto de Camões ilustrado com quatro litografias originais), Lourdes Castro (reinterpretou o tema no livro-objeto Lusíadas, 1971), Joana Vasconcelos (com a obra "lha dos Amores", 2006). 

No Cinema português, Paulo Rocha dirigiu o filme A Ilha dos Amores (1982), uma obra de homenagem ancorada no imaginário camoniano. Recentemente, nos 450 anos da publicação de Os Lusíadas, no congresso Os Lusíadas na Escola, realizado na Figueira da Foz (18-19 nov. 2022), foi apresentada uma "exposição bibliográfica e iconográfica" intitulada Os Lusíadas - utopias de luz e sombra na ilha dos amores. A mostra contemplava obras - texto e ilustração - desde o séc. XVII até à contemporaneidade sobre o tema.

Todavia, em visão sincronizada com a de Amaro della Quercia, apenas conhecemos a artista visual Kit Man Leong, que explorou a temática de Camões na Ilha através da pintura chinesa. Na sua obra, a Ilha é Macau e o cimo do alto monte é coroado pelos penedos comummente designados "gruta de Camões". Camões enamorado na Ilha.

O Camões Humano

O desenho de Amaro della Quercia sobre o poeta Luís de Camões afasta-se de qualquer choque fácil ou atrevimento adolescente para procurar algo muito mais antigo e sério: devolver ao corpo a sua dimensão espiritual. 

Na sua visão artística, a transcendência nunca esteve fora do corpo, manifestando-se sempre através da carne. Ao retratar o poeta, o artista não destrói o universo sacro, mas reinscreve-o no lugar onde nasceu: no humano. 

A nudez de Camões surge aqui não como uma provocação, mas como uma restituição. Ao retirar a roupa, o autor remove a mentira social, a máscara e o aparato moral. O traço deixa a descoberto apenas aquilo que verdadeiramente somos: criaturas frágeis, desejantes, belas e condenadas.
Texto redigido a partir da leitura do post
de Amaro della Quercia
divulgado no perfil do artista no Facebook, a 14 mai. 2026:


para saber +


Desenhos de Amaro della Quercia
disponíveis em Ricardo Hogan Antiguidades, 
rua de S. Bento, 281- Lisboa
Ricardo Hogan | Facebook



Kit Man Leong
in e-CAM, 22.06.2026



Redação: 4.07.2027

2026/04/07

Exposição “O Fascínio da Linha” de José Faria, com inspiração na Ilha dos Amores de camões


O Fascínio da Linha, de José Faria

   “O Fascínio da Linha”   

 A EXPOSIÇÃO
de aguarelas, desenhos e gravuras 

de José Faria

A sessão inclui uma conferência inaugural 
por Isabel Almeida 

9 abr. 2026, quinta-feira | às 17h30 - Inauguração

Na Sala dos Passos Perdidos do Supremo Tribunal de Justiça, em Lisboa

A confirmação de presença deve ser feita 
até ao dia 6 de abril 



  O LIVRO  

JOSÉ FARIA
«Fascínio da Linha»

Ed. Alexandra Silvano e do João Prates

Lançamento: 9 nov. 2023, às 17h
na Galeria do CPS no Centro Cultural de Belém

"O livro Fascínio da Linha de José Faria, uma nova e relevante edição do Centro Português de Serigrafia, tem por base o canto IX de OsLusíadas de Luís Vaz de Camões, A Ilha dos Amores.

José Faria, mestre da ponta seca, professor de desenho, gravura e pintura, manuscreveu o poema com caligrafia de época e criou 12 gravuras que exploram as virtudes das técnicas da ponta seca e da água-forte, nas quais, segundo a linguista Isabel Hub Faria que prefacia o livro, o “artista fixa simultaneamente a aventura erótica fugaz e o carácter histórico da viagem, os seus heróis e as personagens fantásticas”. 

Uma obra fascinante que representa a mestria e a destreza artística de José Faria."

CPS - Centro Português de Serigrafia
no Facebook, 8.11.2023

Edição limitada de apenas 50 exemplares 
numerados e assinados.
© Imagens em CPS divulgadas no Facebook.

Imagem do projeto de José Faria, no Facebook 30.01.2024
                   "Camões" - Gravura de Jose Faria                      
Imagem no Facebook do artista, 10 jun. 2024 / 2025
      "Camões"  -  Gravura  água forte/ água tinta /ponta seca. - de José Faria            
  Edição da  gravura: Coop. de Gravadores Portugueses.
© Imagens de José Faria divulgadas no Facebook.

  “Fascínio da Linha” de José Faria  

Exposição patente de 11 de jan. a 3 fev. 2024
de segunda a sábado, entre as 15h e as 20h, 
 na Galeria Santa Maria Maior, Rua da Madalena, 147, em Lisboa.
Entrada livre.
"Inaugurámos ontem, na Galeria Santa Maria Maior e em parceria com o CPS - Centro Português de Serigrafia, a exposição de desenho e gravura “Fascínio da Linha” de José Faria, um trabalho que começou na década de 80 e que “depois de muitos anos finalmente viu a luz do dia”, nas palavras da responsável pela curadoria da Galeria Santa Maria Maior. 

Os esboços patentes nas primeiras salas convertem-se nos resultados finais, as obras, patentes na última sala de exposição, simbolicamente retratando as diferentes fases, não necessariamente cronológicas, do trabalho.

“Fascínio da Linha” é um trabalho inspirado no Canto IX de Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões, A Ilha dos Amores, e nasceu da necessidade do artista em falar e estar em contacto com a língua portuguesa durante o período que viveu em Espanha, mas também, e sobretudo, do encantamento e curiosidade que o “conto proibido” lhe provocou."

Junta de Freguesia de Santa Maria Maior

A qualidade e os detalhes

"A sua obra é um reflexo do cuidado, da dedicação, do amor pela arte e pelas pessoas que o rodeia. 
A exposição “Fascínio da Linha” é um trabalho de vários anos, com início na década de 80 do século XX e que viu a luz do dia num belíssimo livro editado pelo Centro Português de Serigrafia, pelas mãos da Alexandra Silvano e do João Prates, mas também pela apresentação das matrizes que são uma verdadeira epopeia ou simplesmente o Canto IX dos Lusíadas.

A qualidade e os detalhes obrigam-nos a um olhar atento, demorado e contemplador, através do seu génio artístico, lembrando o génio poético de Camões, naquela que é considerada a maior epopeia da língua portuguesa."
Rute Reimão

Inauguração da exposição “Fascínio da linha” de José Faria na Galeria Santa Maria Maior.
© Imagem de Rute Reimão no Facebook, 18.01.2024



  O ARTISTA  

Autorretrato, 12 jan. 2026

José Faria 
Pintor e Gravador, 
com atelier sediado em Santa Maria Maior.



para saber +


José Faria | Facebook

in Camões 500 Anos, Agenda







Redação: 6.04.2026

2024/04/11

Desfile Ilha dos Amores @ El Corte Inglés

 


Ilha dos Amores

Desfile de Moda Primavera/Verão

El Corte Inglés Portugal

11 ABRIL 2024

Nas Caves da Real Companhia Velha | Gaia, Porto







Celebrando a primavera, mas também 
o meio milénio do nascimento de Camões,
o El Corte Inglés, na cidade de Gaia, 
transportou os espectadores para a Ilha dos Amores, 
descrita nos célebres versos Os Lusíadas de Luís de Camões.


"Por entre verdes ramos, várias cores,
cores de quem a vista julga e sente
que não eram das rosas ou das flores,
mas da lã fina e seda diferente,
que mais incita a força dos amores,
de que se vestem as humanas rosas,
fazendo-se por arte mais fermosas."

Os Lusíadas, Canto IX, est. 68, v. 2-8.



Deste modo, inspirada na obra épica do Poeta, 
a passerelle, cujo centro era em forma de ilha, estava povoada de belas ninfas. 
Ao longo do desfile, a coleção apresentou pormenores que 
remetiam para a essência da Ilha Divina. 

Luís Onofre, conhecido designer, concebeu peças exclusivas,
como as golas de pregas (i.e., gorgeia, gola de rufos) e as palas no olho,
que presentificaram a representação iconográfica do Vate.

Os versos de Camões foram cantados pela fadista Lina
ao abrir e durante o evento, criando uma atmosfera dramática.
A identidade lusa na interseção da Moda com a Música
sob o signo genial de Camões.





Assista aqui a

















para saber +


por: Safiya Ayoob & Rita Silva Avelar
in: Máxima, 19.04.2024










2022/12/18

Exposição - A Ilha dos Amores e outros lugares imaginários das literaturas portuguesa e brasileira

Fonte da imagem: Paulo Amaral / Universidade de Coimbra



A Ilha dos Amores e outros lugares imaginários das literaturas portuguesa e brasileira

Na Sala de Leitura da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
até 30 de dezembro de 2022

Conceito, pesquisa e textos: António Eugénio Maia Amaral, diretor-adjunto da BGUC
Digitalizações: José Neto, BGUC
Projeto gráfico das placas: João Bicker, Dep. de Engenharia Informática da UC




visite aqui virtualmente a



"Uma exposição organizada como homenagem ao Dicionário de Lugares Imaginários de Alberto Manguel, quando da sua recente estada em Coimbra, no Colóquio das Bibliotecas Icónicas da Humanidade, organizado pela BGUC, em 27 e 28 de outubro de 2022.

Com a exclusão de céus e infernos, de lugares extraterrestres, sonhados, futuros ou bidimensionais (ou nomes ficcionados para lugares reais, como Tormes), fizeram-se entradas geográficas para «lugares visitáveis», literariamente. 
São 32 países, cidades ou apenas casas descritas nas literaturas portuguesa e brasileira, em obras publicadas entre 1572 (Os Lusíadas, de Camões) e 2021 (Hífen, de Patrícia Portela). Cada entrada é acompanhada da referência bibliográfica, com a respetiva cota para se poder requisitar a obra, e da imagem da capa.

Colocar a exposição em coberturas das mesas, diretamente sob os olhos dos utilizadores da Sala de Leitura, foi uma forma de a tornar mais interativa: no sentido de suscitar a leitura dos livros que se apresentam e de solicitar sugestões para inclusão de outras obras, romances, contos ou até poesia. Uma exposição como esta nunca está terminada porque as literaturas de que se pode alimentar não terminam nunca."






Fonte: BGUC

"AMORES, ilha por vezes erradamente identificada com a de Santa Helena ou com alguma do arquipélago de Cabo Verde, foi uma ilha artificial flutuante propositadamente colocada no Atlântico Sul, na rota de regresso da frota de Vasco da Gama, em 1499. Foi preparada pela deusa Venus com o objetivo de proporcionar um prémio erótico aos marinheiros portugueses, que regressavam da Índia. Para a ocasião, a Ilha foi povoada por ninfas aquáticas, que Cupido, filho de Vénus, tornou amorosas com as suas setas.

A Ilha tinha três elevações («outeiros») de pedra branca, bem providas de fontes e de vegetação, com uma enseada de areia coberta de conchas ruivas, onde os marinheiros desembarcaram, maravilhados e esperançosos de se poderem abastecer de caça fresca. Por intervenção divina, a Ilha estava repleta de árvores de fruto, das espécies que os portugueses conheciam e apreciavam, e povoada de animais pacíficos, cisnes, lebres, gazelas e pássaros variados.

Num dos outeiros, erguia-se um palácio de ouro e cristal, onde a nobre Tétis (uma titânide, filha de Celo e de Vesta) recebeu Vasco da Gama e onde foi servido um grandioso banquete aos seus marinheiros e acompanhantes. No final do banquete, a deusa profetizou o futuro do reino de Portugal, suas descobertas e conquistas territoriais no Oriente. Noutro outeiro (desconhece-se a configuração/função do terceiro), rodeado de uma mata cerrada e cujo topo parecia semeado de esmeraldas e rubis, Tétis mostrou uma esfera perfeita, maravilhosamente suspensa no ar, que representava a «Máquina do Mundo». A Terra ocupava o centro da máquina e em esferas concêntricas e transparentes representavam-se os movimentos aparentes dos corpos celestes. Perante este prodígio, a semideusa proferiu uma lição de geopolítica, de facto destinada a influenciar a conduta futura do monarca português."


In: Lusiadas de Luis de Camoens, principe de los poetas de España ... / Comentadas por Manuel de Faria i Sousa ... Contienen lo mas de lo principal de la historia, i geografia del mundo, i singularmente de España, mucha politica excelente, i catolica, varia moralidad, i doctrina, aguda, y entretenida satira en comun à los vicios, i de profession los lances dela poesia verdadera i grave, i su mas alto, i solido pensar. Todo sin salir de la idèa del poeta.

2 vols., En Madrid : por Juan Sanchez : A costa de Pedro Coello, mercader de libros : [por Antonio Duplastre], 1639.



para saber +


na BGUC

na LUSA







2019/08/20

Os Lusíadas – Utopias de Luz e de Sombra na ilha dos amores, exposição camonina na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (2019)


Os Lusíadas – Utopias de Luz e de Sombra na ilha dos amores

Exposição bibliográfica e iconográfica

19 de julho a 2 de agosto de 2019

Inauguração no dia 19 de julho de 2019, às 18h00
na Sala de São Pedro da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC)

Org. Equipa do Livro Antigo da BGUC

Textos: José Augusto Cardoso Bernardes
Recolha de imagens, tratamento iconográfico e legendagem técnica: Maria de Fátima Bogalho
Curadoria bibliográfica e montagem: A. E. Maia Amaral, Isabel Ramires, José Mateus, Maria José Otão e Maria Luísa Machado
Extensão pedagógica: Teresa Mendes




Chegada à Ilha dos Amores, por Gouveia Portuense, pseud.
In Camões, Luís de – Os Lusíadas. Porto: Lello & Irmão, 1973
Reprod. na capa do catálogo da exposição.


“Integrada no programa do 11.º Festival das Artes e resultante de uma iniciativa conjunta da Fundação Inês de Castro e da Biblioteca Geral [da Universidade de Coimbra], realizou-se a exposição bibliográfica e iconográfica Os Lusíadas: Utopias de Luz e de Sombra na Ilha dos Amores, de 19 de julho a 2 de agosto [de 2019]. Esta exposição teve como comissário o Professor Doutor José Augusto Bernardes que foi assessorado pelos Drs. António Maia do Amaral, Maria Luísa Sousa Machado, José Alberto Mateus, Fátima Bogalho, Maria José Otão, Isabel Ramires e Teresa Mendes.

Foram selecionadas e reproduzidas as gravuras alusivas ao episódio da Ilha dos Amores (e expostas as várias edições de Os Lusíadas que as incluíam), da autoria de diversos artistas, nacionais e estrangeiros, como Pires Marinho, Caetano Alberto da Silva, Lima de Freitas, Charles Eisen, Miloslav Troup, entre outros. Foi elaborado um Catálogo com os comentários explicativos de cada um dos núcleos e as respetivas referências bibliográficas.”

Fonte:
MACHADO, Maria Luísa Sousa; MATEUS, José Alberto (2020) Atividades culturais 2019: Exposições e Mostras Bibliográficas, in Boletim da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, n.º 50, p. 308-9.



Fotografia por DOIS


“O episódio da Ilha dos Amores constitui o ponto de chegada de toda a ação épica.
Feita de Amor e de Conhecimento, a recompensa não se dirige só aos lusitanos que uniram Ocidente e Oriente. O sentido de revelação que caracteriza o episódio constitui também uma promessa para o Rei D. Sebastião, a quem o poema é dedicado.
Por fim, embora de uma maneira diferente, a utopia camoniana convida-nos a refletir sobre ideais de felicidade e sobre o papel que neles pode caber à poesia e à arte em geral.

A presente Exposição constitui uma escolha de gravuras de alguns exemplares camonianos que se guardam na Biblioteca Geral [da Universidade de Coimbra]. Para além de variações de talento e criatividade, as ilustrações refletem as mudanças de sensibilidade próprias de cada época e de cada estilo.”






Algumas imagens do dia da inauguração do evento, 

da autoria de DOIS Fotografia, e publicadas na página do Facebook da BGUC:








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