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2026/06/09

Além-Mar, um soneto alusivo a Camões de Maria Teresa Leite Neves


   Pintura chinesa da exposição individual “Ilha dos Amores” de Leong Kit Man, jun. 2026.  
Mostra no Albergue da Santa Casa da Misericórdia, em Macau.


Além-Mar


Tão nosso este País que nem é grande
porém em todo o mundo e apenas num,
há uma bela História em que expande
glória escrita e não em mais nenhum;

ressalta o sabor a mar de vasto alcance
que de ilustrado foi em lira incomum,
nos Cantos em que a Tormenta abrange
recônditos lugares e mais algum,

vibrava o navegar-se até à India,
por arrojo além mais foi-se alcançar
a onda de rompante, e de razões,

Gama o navegador, mais fez ainda:
relembrar o Infante – ir pra além-mar
sublimes epopeias – Luís de Camões.


Teresa Leite Neves

Recebido da autora por email, 
5 jun. 2026


Maria Teresa Leite Neves
Poetisa, ficcionista e pintora
***
Também assina "Tereza Neves".
Nasceu em Lisboa, em 1932 (93 anos).
Trabalhou na Emissora Nacional (1947),
depois na Radiotelevisão Portuguesa (1956).

Publicou recentemente o romance
Um drama deslocado no tempo
(Carnaxide: Cordel d'Prata, 2025).



para saber +


Teresa Leite | Facebook

in e-CAM, 20.09.2025

in RTP Notícias, 15.06.2005




Redação: 8.06.2026

2025/11/10

“O Vasto Império do Coração” é o título do livro e da exposição da autoria de Sara Augusto

© Conteúdo integrante desta exposição.


















“O Vasto Império do Coração”

APRESENTAÇÃO DO LIVRO e da INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO

da autoria de Sara Augusto


18 JUN. 2025 | às 18h00

Na Chancelaria do Consulado-Geral De Portugal em Macau e Hong Kong

Exposição patente de 18 a 30 JUN: 2025
De segunda a sexta-feira, das 9h30 às 18h30


Organização:

IPOR - Instituto Português do Oriente
Com o apoio de
Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, 
Estrutura de Missão  para as Comemorações do 
V Centenário do Nascimento de Luis de Camões


O Ascendente poético de Camões

"Um verso de António Couto Viana serve de título 
à antologia e à exposição que se apresentam, motivados pela 
celebração dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões. 

Na senda do Renascimento e do Humanismo, 
engajado nas viagens marítimas para o Oriente, 
o poeta afirmou a sua excelência pelos temas, pelas formas poéticas, 
pela riqueza e pela estabilização linguística que representou. 
Camões terá vivido por algum tempo em Macau.

Os versos da antologia e as fotografias expostas descrevem e interpretam 
um lugar literário dominado pelo pequeno busto do poeta, 
o Jardim e a Gruta de Camões, que se tornou lugar de visitação. 

A antologia recolhe registos poéticos de visitantes, 
de escritores portugueses que residiram em Macau algum tempo 
e de escritores nascidos em Macau, 
revelando laços que celebram, se identificam e que inscreveram Camões na memória coletiva. 

A exposição pretende um olhar também poético, 
pelas sombras da vegetação, pelos gestos diários da dança e do tabuleiro de jogo, 
pelo riso e pela conversa, pelo silêncio e pelo olhar posto no horizonte. 
É o poder do coração, em toda a sua paleta, 
que torna um lugar simultaneamente mítico e humano, 
aliado ao poder da imaginação e ao poder transformador do tempo."

Do Programa "Junho, Mês de Portugal" 2025
e no site da autora - Estrada de Prata


Referência bibliográfica:

Sara Augusto
O Vasto Império do Coração: a visitação de Camões na literatura de Macau 
em língua portuguesa: antologia e estudo.
Com fotografias também da autora.
Macau: IPOR, jun. 2025.

Um álbum fotográfico

 © Fotografias no site Estrada de Prata: Sara Augusto

Uma antologia poética

que nos convida a conhecer a receção da obra de Luís de Camões,
ao longo dos tempos, por outros escritores
da  literatura de Macau em língua portuguesa.


[Poema]




Sara [Manuela Ribeiro Martins] Augusto, n. 1969
Professora, investigadora e fotógrafa.

Licenciada em Humanidades na  U. Católica Portuguesa (1991), 
Mestre em Literaturas de Expressão Portuguesa - Literatura Brasileira, pela U. Lisboa (1995)
e Doutorada em Literatura Portuguesa pela U. Católica Portuguesa (2005)
 com a tese A alegoria na ficção romanesca do Maneirismo e do Barroco.
 Fez um pós-doutoramento em Literatura Portuguesa barroca:
"Literatura de Viagens na época barroca: viagens de portugueses a Roma" 
nas U. Coimbra e U. Roma (2007-2012). 

Atualmente, é docente na City University of Macau,.

Publicou, entre outros títulos,
 A alegoria da ficção romanesca do Maneirismo e do Barroco (2010), 
A Guerra Interior, do Padre Matias de Andrade, 1743 (2012), 
Português com textos I e II (2017-2019),
Camilo Pessanha: novas interrogações (2019); 
Produção de materiais didáticos para o ensino de PLE 
no contexto da China e Ásia Pacífico (2020), Alegoria: ensaios (2021).


A figura de Camões, poeta de Macau, 
já tinha estado patente numa exposição anterior de Sara Augusto:

“Poesia em Língua Portuguesa | 葡語詩歌”

Exposição | Pode ver a mostra online.
Com os trabalhos realizados pela Turma C1 - Aperfeiçoamento
inspirados pelo livro Macau: o Livro dos Nomes (2022)
da autoria de Carlos Morais José (texto) e de Sara Augusto (fotografia).

para saber +

João Luz 
in Jornal Hoje Macau, 13.05.2025








Redação: 20.05.2025

2025/09/20

"E já tão longe vai, só porque amava", por Maria Teresa Leite Neves

 


Maria Teresa Leite Neves
Poetisa, ficcionista e pintora.
***
Também assina "Tereza Neves".
Nasceu em Lisboa, em 1932 (93 anos). 
Trabalhou na Emissora Nacional (1947), 
depois na Radiotelevisão Portuguesa (1956).
Publicou recentemente o romance
Um drama deslocado no tempo 
(Carnaxide : Cordel d'Prata, 2025).




E já tão longe vai, só porque amava

E já tão longe vai, só porque amava
demais absorvida em ler Camões
e quanto mais lia, mais me encantava
quando acabei, nada mais depois
tão soberbo li quanto me encantava
aquela magia, força de leões
quase que decorei tantas oitavas,
hoje, não mais 'Taprobana nem barões'

Ficou poesia para sempre imortal
pelos Lusíadas coroa de louros
estro destacado entre milhões

Corre mundo porque é universal
e sangue e alma em lusos e mouros...
minha exaltação Luís de Camões.

Teresa Leite Neves

In Facebook, 10 jun. 2024


Os Descobrimentos e os Lusíadas

Este o nosso País que, nem é grande
em todo o mundo e só apenas um,
uma bela História tem que expande
glória escrita e não em mais nenhum

nela sabor a mar de longo alcance
pois um poeta assim não é comum
a Tormenta em seus cantos abrange
recônditos lugares e mais algum

de tanto verso em mitos adornado
história pátria sem haver igual
rompida a onda, onda de razões

pra que o mundo ficasse então ligado
pequeno e grande o nosso Portugal,
ímpar poeta Luís de Camões.

Teresa Leite Neves

Recebido da autora por email, 15 jul. 2025
Nova versão recebida em 28.08.2025



para saber +


Teresa Leite | Facebook

in RTP Notícias, 15.06.2005






Redação: 12.07.2025

2025/09/19

Sôbolos versos que vão da vida..., poema de José Valle de Figueiredo


Túmulo de Camões no Mosteiro dos Jerónimos em Belém, em Lisboa. - Foto de JVF.

SÔBOLOS VERSOS QUE VÃO DA VIDA…



SÔBOLOS VERSOS QUE VÃO DA VIDA DECORRENDO,

VAI O CAMINHO PELA DISTÂNCIA

ONDE VAI CRESCENDO A ÂNSIA

DE NOVAMENTE NASCER O CORAÇÃO

QUE SE VAI MOVENDO,

SEMPRE DA MORTE LIBERTANDO.

SÔBOLOS VERSOS QUE SE VÃO DILATANDO

COM A VIDA QUE SE VAI TECENDO,

VEM A POESIA QUE TAMBÉM NOS VAI ESCREVENDO.


José Valle de Figueiredo





para saber +


in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 30.05.2025

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 5.07.2025

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 17.04.2025







Redação: 21.09.2025

2025/05/30

Luís de Camões entre nós - poesia de homenagem por José Valle de Figueiredo

"Luís de Camões e Vasco da Gama entre nós"

POESIA EM EXPOSIÇÃO

Uma mostra de José Valle de Figueiredo 

Com curadoria de Paulo Sá Machado

Patente até 31 MAI. 2025

No Núcleo Museológico de São Pedro de Rates

Organização:

 Junta de Freguesia de São Pedro de Rates
do Município da Póvoa de Varzim



“Como está a decorrer o aniversário de Luís de Camões e Vasco da Gama,
decidimos fazer uma exposição com composições 
que eu fui fazendo e com ilustração de imagens, 
passa a ser isto o assento tónico da minha estadia aqui e da vossa partilha. 
Estão aqui alguns postais grandes a representar a vida do poeta 
e do navegador tanto quanto pode ser retratada e passada a painel”
José Valle de Figueiredo 


Exposição e publicação digital que reune três cadernos com textos e imagens 
evocativos dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões
e os 500 anos da morte do navegador Vasco da Gama:

"Luís de Camões: exaltação e memória"

"Se mais longe houver, novamente partirei: Vasco da Gama"

e "Luís de Camões: o canto e a poesia vamos dilatando".


Do segundo "caderno", citamos o poema 
"Meditação de Vasco da Gama no dia em que partiu [i.e., faleceu] no Natal de 1524"





O AUTOR


José Valle de Figueiredo
N. em Tondela, 1942.
Poeta e publicista português.

Foi director dos periódicos conimbricenses
Combate e Commedia
e, com Artur Anselmo e Rui de Abreu de Lima, dirigiu os
Cadernos de Cultura Viva Cidadela (1959), 
com a orientação Artística de Helder Pacheco.

Editou a Antologia de poesia brasileira da Col. Livros RTP-Verbo (1971)
e a Antologia de poesia de Tomás Ribeiro (2001).

A sua obra poética realizou-se, entre outros, no títulos
As cinco regras do equilíbrio (1959), Poemário (1966), 
A poesia animada (1968), Poemavra (1970), Gradual (1974), 
Portuguesimentos (1977), Portugraal (1980-1985), O Provedor de Vivos (1988),
O afinador de versos (1998), As três perfeições (Macau: IIM, 2002).
A sua poesia está reunida na obra
O seu a seu poema : 1959-2002
Com pref. de José Carlos Seabra Pereira.
Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2006.

Em formato digital publicou sete
 Cadernos de poema em poema (entre 2022 e 2024) e

Luís de Camões e Vasco da Gama entre nós
Formato digital, 2025



  1. Aspeto da exposição "Luís de Camões e Vasco da Gama entre nós: poesia em exposição" de José Valle de Figueiredo, com curadoria de Paulo Sá Machado. - Imagem em A Voz da Póvoa, 15.05.2025.
  2. Reprodução da capa de O seu a seu poema: 1959-2002, Lisboa: INCM, 2006.
  3. José Valle de Figueiredo na apresentação da sua obra Roteiro Literário da Foz,  na Capela de Nossa Senhora da Conceição. - Fotografia em Manuel N. Cabral | Facebook, 1.12.2019.

para saber +

in Col. Biblioteca de Autores Portugueses da INCM
Mostra, em pdf

José Peixoto
in A Voz da Póvoa, 15.05.2025





Redação: 30.05.2025

2024/05/13

Escrever Camões no meio milénio do nascimento do Poeta


Escrever CAMÕES

nos 500 anos do seu nascimento

30 autores


Uma iniciativa das Edições Colibri

coordenada literariamente por Ângelo Rodrigues











Lançamento na Feira do Livro de Lisboa 2024

15 JUN. 2024, sábado | às 17h00

Na Feira do Livro de Lisboa, Auditório Norte

Apresentação do projeto

por Ângelo Rodrigues

com a presença de alguns autores









AVULSAS IMPRESSÕES

por Ângelo Rodrigues

 

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.
Luís Vaz de Camões

 
1. Caros autores, obrigado por serem quem são e por fazerem parte desta coletânea assumidamente diferenciada e eclética que podemos considerar uma espécie de “desígnio nacional”. A vossa confiança, dedicação, colaboração e generosidade, são também a necessária e “boa lenha” das nossas “fogueiras criativas” que nos proporciona conforto e iluminação da Alma. (Um pouco à maneira de Camões, podemos dizer que tal atitude é uma “forma de Amor” que «arde sem se ver», mas que queremos sentir intensamente e cada vez mais). É graças ao vosso empenho literário e cultural que transfiguramos as nossas vidas e fazemos a devida apologia, bem como louvamos a existência e a influência (estamos em crer que é o desejo de todos ou quase todos) do grande Vate (também profeta, também vidente…) Camões. É ele que nos continua a inspirar, nos motiva e galvaniza. Ele é intemporal (clássico, mas tão contemporâneo ou mais do que muitos) e eterno; e daqui a um milhão de anos continuará - certamente - a ser celebrado e reconhecido como bem merece e se impõe. Os vários, ousados e especiais - tão diversos -, fantásticos trabalhos literários (em quase todos os géneros e subgéneros) exarados nas muitas páginas desta obra coletiva são sobretudo um agradecimento e um reconhecimento da imensa e extraordinária influência de Camões em praticamente todos nós. Sem ele, certamente que não seria amesma coisa. Esta singela celebração/homenagem no ano da comemoração dos 500 anos do seu nascimento, impunha-se mais do que nunca, e toda e qualquer homenagem/celebração a Luís Vaz de Camões ficará sempre aquém da sua grandiosidade; assim, qualquer tipo de apologia, através de qualquer meio ou suporte, por mais honesta, apaixonada, sentida e autêntica que seja é sempre bem vinda e desejável, mas jamais esgotará a genialidade desta tão ímpar personalidade.

2. Camões não é só “nosso” (apenas da Portugalidade ou, se preferirem, da Lusofonia), mas sobretudo do mundo. Camões é como uma grande e bela galáxia cheia de vida que nos continua - ainda - a impactar, inquietar, deslumbrar... Ele é, sem dúvida, o maior poeta da língua portuguesa e um dos mais importantes e diferenciados da Literatura mundial. 
“Os Lusíadas” bate aos pontos qualquer obra épica (e existem várias e boas) e consubstancia-se numa obra-prima sem paralelo e de difícil e arriscada comparação com as que conhecemos em virtude da sua excelência estilística (forma, conteúdo…). Que Homero, Vergílio e Dante se cuidem! Está ainda por nascer um espírito desbravador, um poeta/escritor/”rebelde” que consiga narrar de forma tão inovadora, criativa, diferenciada e sublime (inspirando também posteriores obras do género em todo o mundo), as conquistas, os feitos, as glórias,  e também os sofrimentos, os desalentos e as angústias dos navegadores portugueses que se aventuraram e desbravaram os vários mares e os continentes, levando com eles a mentalidade, a fé, a cultura, a mundividência bem como a forma de ser e de estar Lusitana. 
Mas, como sabemos, Camões não foi apenas e só o poeta épico por excelência (de que quase todos tomamos conhecimento - e nem sempre boa nota - a partir dos “bancos da escola”, pois para alguns, a aprendizagem forçada e sofrida da Gramática, e particularmente das famosas orações, a partir de “Os Lusíadas” e também da Lírica, foi terrível… - e provavelmente desnecessário -, mas o Vate não tem culpa nenhuma desta situação…), foi muito mais do que isso; foi também um destacado agente da cultura e das artes, um visionário, um sublimador, um “revolucionário”, um poeta lírico, que cantou como ninguém o Amor e a Saudade (tão nossa “que outros estranham e depois docemente se lhes entranha”, à maneira de Pessoa - outro dos grandes - que teve também Camões como mestre). 
Camões cantou e refletiu - como nenhum outro antes e depois dele -  outras temáticas, sentimentos, afetos e emoções, lugares reais e imaginários, homens e mulheres especiais bem como seres mitológicos que marcam a vida e a condição humana cantando a Natureza, o Bucolismo, a Fortuna, o  Sofrimento, a Morte, as Tágides, as Ninfas, os Deuses (com as suas peculiares e encantadas implicações na vida dos humanos)... Abordou poética e literariamente (com uma peculiaridade desconcertante e genial) tantos temas e dimensões da nossa vida em versos únicos, diferenciados, absolutamente originais e de rara beleza, harmonia, musicalidade e encanto. 
Vale a pena questionar agora: que outra (e melhor) inspiração podiam ter tido os autores incluídos nesta obra (?!) Como sabemos, Camões viveu numa época bastante conturbada e conflituosa, de grandes transformações físicas e espirituais, tanto na Europa como no mundo. Assim, e pelo exposto, teremos que admitir e nos render um pouco à ideia de que a história é cíclica e que, apesar de Camões nos ensinar que tudo muda,  alguma coisa do que já foi, voltará a ser como era. («Mudam-se os tempos, / Mudam-se as vontades, / Muda-se o ser, muda-se a confiança; / Todo o mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades»). Puxando a brasa à nossa sardinha, dizemos que, também por isso, se Camões cá voltasse hoje, não iria - certamente - estranhar algumas coisas que pouco ou nada mudaram... Muito em particular, e principalmente para o mal ou para o menos bom, a natureza - a “condição humana” com tudo o que isso quer dizer e significa - continua praticamente inalterada. 
Foi Camões testemunha e protagonista de acontecimentos históricos marcantes ainda hoje e para sempre, como a expansão marítima, a alteração do paradigma religioso, as guerras e as intrigas palacianas e políticas (e ainda hoje nada disto é muito diferente). Foi também um homem de aventuras, de infortúnios, de experiências intensas, que viajou por vários lugares (alguns considerados já então exóticos e estranhos) e países. Foi muita coisa enquanto viveu e também dedicado soldado tendo combatido em algumas batalhas (físicas e espirituais) e até perdeu um olho (sendo que via muito bem com “os olhos da Alma”). Esteve preso (em prisões físicas e almíficas – palavra nossa); naufragou literalmente (e também pela sua Alma grande); sofreu/adoeceu e recuperou (pois, como escreveu um dos grandes vultos da nossa Filosofia, muitos anos depois dele, «tudo o que não me mata torna-me mais forte» – Nietzsche). Camões reinventou o conceito de Amor bem como a compreensão e a prática do mesmo; amou  e foi amado (explorando e alargando como mais ninguém,  a essência do Amor, a semântica, o propósito, o sentido e mais além) tendo sofrido muito,  com resiliência, com bravura, com coragem e ousadia. A sua vida foi uma peregrinação, uma extraordinária odisseia interior e exterior, uma demanda (certamente orientada pelos deuses - com um nobre propósito - a fim de experimentarem - e testarem - o génio do Homem Grande que os investigava, denunciava, conhecia e confrontava como ninguém) que se reflete na sua obra, tanto na forma e estilo inconfundíveis, inigualáveis e inultrapassáveis como na excelência dos  temas genialmente abordados que continuam a marcar-nos hoje e para sempre, pois Camões é eterno.

3. Camões não é apenas o grande poeta universal; é uma referência, um padrão, um “ideal de Literatura” e também um ideal de causas nobres em busca do Bem, do Belo e da Justiça (onde certamente o também grande e genial - muitos anos depois dele - Antero de Quental se inspirou, e a quem tencionamos dedicar um livro como este), que para ele são a mesma coisa. Alguém que soube, mais do que ninguém, expressar os sentimentos, as injustiças, os ideais, a beleza, os desejos, as ambições e os grandes valores/princípios axiológicos e estéticos da humanidade, com uma linguagem bastante original, riquíssima, variada e ousada, e muito à frente do seu tempo (daí o Vate que significa também profeta e visionário…). Camões soube como nenhum outro - e continua a ensinar-nos isso pelo tempo fora - a combinar a longa e maravilhosa tradição clássica (sobretudo greco-romana, mas não só, que muito amou, investigou, refletiu e cantou) com os cânones e “modelos literários” do seu tempo (tendo sido  inovador, moderno e contemporâneo). 
Camões experimentou, vivenciou e mudou definitivamente alguns paradigmas que ainda seguimos. Tal como Camões, tenhamos nós a ousadia e a coragem de mudar! Sem qualquer tipo de dúvida, a sua obra é parte significativa, honrosa e essencial do património cultural português e também do mundo, que merece ser não apenas lida, mas muito mais: fruída, inteligentemente interpretada, partilhada, enaltecida, compreendida, admirada, celebrada, verdadeiramente sentida e estudada/investigada/criticada por todas as gerações “até ao fim dos tempos”. Não sendo propriamente uma crítica (embora possa ser considerada uma farpazinha), que o estado Português - e quem de direito, esses tais “representantes e líderes” da nossa Cultura e afins - tenham em consideração, possam interiorizar e perceber a importância desta enorme personalidade nos 500 anos do seu nascimento (2024). 
Assim, celebrar Camões não é apenas um dever, é também um agradecimento, e, como já se percebeu, esta efeméride, não é apenas e só mais uma data como outra qualquer. E nas escolas… tem estado a acontecer alguma coisa de relevante e de significativo para as novas gerações tendo como ponto de partida e inspiração Camões (?!) Quem achar por bem, que responda, e oxalá que possa ser - desejavelmente -  em sentido positivo.

4. Nesta obra coletiva de trinta autores (que livremente optaram por qualquer dos géneros literários conhecidos), conscientes da importância desta tão relevante personalidade e desta data tão marcante, simbólica e significativa - que jamais poderia ser esquecida -, foi proposto - por convite da editora - uma homenagem/celebração/apologia - uma espécie de tributo - a Camões pelo e com o contributo literário de cada um dos autores envolvidos, pois estamos em crer que o nosso melhor legado (e também por isso seremos eternos) é a nossa criatividade, que se consubstancia nas páginas desta obra em vários textos, poemas, contos, aforismos, memórias e pequenos ensaios que este diferenciado, singelo e eclético livro deixará para fruição desta e das próximas gerações. 
Assim, e com a forte convicção de que não temos (nem tal coisa é necessária) que justificar esta aventura literária e criativa, tal tarefa se impunha por si mesmo no ano (2024) em que se comemoram os 500 anos do nascimento desta figura ímpar da Portugalidade. 
Mais uma vez, o nosso sentido agradecimento aos trinta autores de todos os géneros literários que connosco alinharam - e reciprocamente se motivaram - neste nobre propósito. Cada autor (escritor, poeta, ensaísta, contista…) procurou dar/partilhar o melhor de si e contribuiu com um texto de um género diferente, inspirados, como não podia deixar de ser, na fantástica e intensa vida, e sobretudo na grandiosa obra de Camões, bem como em aspetos relacionados com o seu tempo/época, as suas viagens, vivências peculiares, a sua cultura e influências várias e sempre ricas, algumas completamente “fora da caixa”,  e, também por isso, inspiradoras. 
Em jeito de síntese, e na honrosa qualidade de coordenador literário deste projeto, podemos dizer, sem peias, sem rodriguinhos ou falsas modéstias, que o resultado valeu bem a pena e que estamos perante uma obra de grande diversidade estilística, de qualidade literária quanto baste, sendo também original e diferenciada, e que, mais do que tudo, pretende celebrar o poeta, o escritor, aquele que tratava as Musas por tu, o Homem com H grande, o lutador de causas nobres, o também “rebelde”, o inconformista, o defensor e praticante da “desobediência civil” (que muito nos tem hoje a ensinar), o defensor da dignidade humana, o humanista por excelência, aquele que ousou redefinir o conceito e a ideia de Amor e que o compreendeu e vivenciou como ninguém. 
Meus caros autores e leitores em geral, em duas palavras, o legado de Camões é incontornável, e também por isso, eterno; assim, saibamos nós continuar pelo tempo fora a celebrar um dos grandes que habitou este planeta. Tendo em conta o que já foi dito, e sobretudo o que não foi possível ou, de todo, não conseguimos dizer (pois, tal como Wittgenstein - grande observador e pensador do mundo -, também pensamos e afirmamos com ele que “o que falta dizer é sempre o mais importante”), então DIGAM! Que esta singela obra coletiva consiga inquietar-nos cada vez mais, perturbar (no bom sentido do termo) e provocar a reflexão que falta fazer; que incentive a boa “rebeldia” e o debate, aguçando a nossa curiosidade bem como o nosso necessário e urgente espírito crítico. Em síntese, esta obra só foi possível pelo facto de que todos os envolvidos nunca se esqueceram da boa influência, da nobreza, do simbolismo, do significado, do sentido e da atualidade do legado de Camões.

5. Esperamos - sinceramente - que esta singela obra coletiva seja do agrado dos mais exigentes leitores e que estes possam apreciar as diferentes perspetivas (perceções, paradigmas, opiniões, visões do mundo e da vida) e abordagens dos ousados e corajosos autores que lhe deram corpo, voz, alma e sentido. Que esta obra possa também motivar à releitura, ao redescobrimento e ao aprofundamento do extraordinário legado de Camões. Escrever, portanto, inspirados em Camões, é uma forma de reconhecer e agradecer a sua fantástica contribuição para a língua, a literatura e a identidade portuguesas, mas também - e sobretudo - para a cultura e a história da humanidade.

6. A influência de Luís Vaz de Camões na cultura, língua e literatura portuguesas são inegáveis e todos (ou quase todos) temos consciência disso. Ainda assim, nem sempre o Vate tem tido o melhor tratamento e consideração por todos nós. Podemos dizer que Camões foi também um “pensador”, um exímio criador de conceitos e o grande renovador da Língua Portuguesa tendo conseguido transformá-la num dos mais fortes símbolos da nossa identidade (essa coisa da Lusofonia…). Camões influenciou a cultura portuguesa em vários aspetos. A sua obra é uma fonte de inspiração e de conhecimento para os portugueses (e para todos os povos do mundo), e devemos orgulhar-nos da sua herança, da sua aventura e ventura, propósito e missão de vida. 
Camões valorizou a Cultura e a Arte de forma peculiar e diferenciada, mas também denunciou a corrupção, a decadência, a falta de dignidade e de justiça (a desgraça e o sofrimento), a perseguição e a falta de liberdade. Viveu a sua intensa - e muitas vezes desconcertante - vida como “livre pensador” e foi ousado, corajoso, “rebelde” e desbravador. Possamos nós estar hoje - e sempre - à altura do seu peculiar e extraordinário legado! A obra é obviamente bela, genial, incontornável, majestosa, insuperável, intemporal, inovadora… contudo, e para além do acima dito, que é mesmo positivamente muito para um homem só, que a sua experiência de vida possa ser por nós celebrada como exemplo de alguém que lutou e que defendeu a Literatura, o Teatro e as Artes, não apenas como um cidadão comprometido com a Cultura do seu tempo, como Poeta ou Escritor brilhante, mas também como Homem grande que hoje podemos metaforicamente considerar (e legitimamente confundir) com “um dos deuses da tradição clássica” que ele bem conhecia (e com quem  “conviveu”) e que muito referiu, especulou, criticou, exaltou e confrontou, tanto na sua obra épica como na lírica.

7. É sabido, mas nem sempre devidamente reconhecido e compreendido, que Camões influenciou a língua e a cultura portuguesa de forma tão marcante (a Lusofonia, a Portugalidade) em vários aspetos: o estilo, a gramática, a ortografia, o vocabulário, a sintaxe, a prosa, a retórica... A sua obra é um modelo de excelência e de talento. Camões contribuiu como nenhum outro poeta ou “intelectual” para a formação e para a consolidação da língua portuguesa, que se tornou uma língua de culto, de máxima cultura e de prestígio. O Português é falado por mais de  260 milhões de pessoas em todo o mundo, e, se não estamos em erro (pois a Estatística não tem ajudado muito neste particular), já chegou - ao que parece - a ser a quinta Língua mais falada, orgulhosamente capaz de competir com as designadas línguas dominantes (e mais nobres) da época, como o Latim, o Francês e o Espanhol. Camões enriqueceu a língua portuguesa com novas palavras que ousadamente inventou, novas expressões, nova e imaginativa semântica, novas figuras de estilo e de linguagem, novas formas poéticas e também novos ritmos, nova musicalidade e renovadas abordagens temáticas. Além do já referido, é legítimo reconhecer e fazer a devida apologia, pois, foi graças a Camões que alguma coisa de muito belo se alterou no exercício e partilha da Língua: desde o estilo aos temas-problemas. Podemos dizer (e tal coisa só nos vincula a nós, tendo em conta as supostas e eventuais críticas/objeções dos mais puritanos destas coisas) que foi ele o criador e o mentor de uma nova e ousada metalinguagem que pouco ou nada tem mudado desde então. A sua obra é, e sempre será, tal como se pode verificar pela leitura cuidada, hermenêutica e fruição desta coletânea de homenagem/celebração (“escrever CAMÕES”), uma fonte de influência e de interação para os escritores de Língua portuguesa, que nele se inspiram (sobretudo pela poesia - Lírica e Épica -, mas também pela prosa e pelo “ideário” camoniano em geral). Camões criou obras de vários géneros literários (sendo vários deles - infelizmente - pouco conhecidos da maioria das pessoas), como a Epopeia, a Lírica, o Teatro (tendo sido também um Dramaturgo, e esta faceta é menos conhecida). Parece que Camões não quis deixar quase nenhum género nem subgénero de fora (sendo também o inventor e experimentador de alguns, particularmente subgéneros poéticos que vários autores - e bem - recordam em várias produções contidas nesta obra e que dispensamos de os referir/enumerar aqui), e isso revela - uma vez mais - a grandiosidade desta personalidade que quase tudo quis experimentar e que em tudo o que tocou foi mestre (arauto e expoente máximo  da Sensibilidade). 
Não é fácil seguir o seu exemplo, mas o desafio é mesmo esse. Esta obra (a vossa/nossa coletânea que passa agora a ser de todos e de ninguém em particular) é assumidamente eclética (podemos dizer que inclui todos os géneros literários já inventados e mais um) e, assim, à maneira de Camões, aquele que nos inspira, e que está seguramente sentado na ponta da sua estrela a contemplar o Uni-Verso pela eternidade fora, que olha por nós como fazem os bons deuses - que recordou e cantou -, e que como por magia, pois os deuses assim o quiseram e ordenaram, nos “obriga” e desafia a criar e a recriar cada vez mais e a aperfeiçoar o que será o nosso melhor legado, e com isso,  sub-repticiamente, o convite e o repto a fim de nos superarmos. Obrigado Luís Vaz de Camões.

8. O poeta espanhol, nosso contemporâneo, Juan Vicente Piqueras, disse: «Escrevo porque não tenho palavras». Entendemos e sugerimos que devemos ir em busca (em demanda) das palavras certas e também das problemáticas e das incertas, bem como das que ainda não existem, das mais luminosas, das mais belas e também das feias e aleijadas; mas também das mais perturbadoras e inquietantes, das mais autênticas, das mais intensas, das palavras douradas e eternas, daquelas que habitando ora o Infinito, ora o Submundo, habitam necessariamente - e sempre, quando bem procuradas - no verdadeiro e apaixonado autor/criador. Estamos em crer que, obviamente inspirados em Camões, e reiterando, é também essa a grande motivação dos autores que integram esta obra. Para além de ser uma boa terapia (pois estamos em crer que toda a Literatura - bem como a boa Arte em geral -  é terapêutica e atua em nós como catarse), talvez a melhor, a mais eficaz, e a que vale a pena recomendar,  escrever é sobretudo descobrir e descobrir-nos, compreender e compreender-nos, interiorizar e “outrar”, viver e fazer viver. Escrever é um ato de Amor. Assim sendo, que nos seja permitida uma recomendação aos humanos (para que se tornem cada vez mais humanistas): escrevam (em qualquer género literário conhecido ou por inventar) e amem-se cada vez mais e melhor, pois pouco mais valerá a pena.

9. Contaremos com os autores (de todos os géneros) nos próximos projetos literários que tencionamos promover e partilhar. Mais uma vez, obrigado pela vossa confiança e dedicação a esta causa que nos parece necessária e nobre. Um grande abraço do tamanho do Uni-Verso.


Ângelo Rodrigues










para saber +


dedicado ao projeto literário das antologias


evento no Facebook

Ângelo Rodrigues - perfil no Facebook
Docente e Coord. literário nas Edições Colibri










Redação: atualizado em 26.05.2024


2023/12/09

100 poetas brasileiros homenageiam Luís de Camões em coletânea a lançar em 2024





100 poetas brasileiros contemporâneos, homenageiam

500 anos do nascimento do príncipe dos poetas – Camões

ANTOLOGIA



Autora Convidada: Ju Ju Dias


Poeta inspirador de Poetas

Não se trata de um projeto académico, embora no aparato crítico contemple um prefácio e um posfácio. Portanto, não se espere o rigor exigido nesse tipo trabalhos: prevê-se que a "antologia" junte 100 poetas, mas os géneros contemplados serão a lírica, a ficção e a crónica jornalística; não há distinção entre coletânea / antologia, e de facto visa-se uma obra coletiva de textos de homenagem, não escolhidos de obras maiores. Assuma-se, pois, que se trata de uma coleção de textos em verso e em prosa escritos por 100 autores brasileiros, maiores de 18 anos e residentes no país. Cada autor poderá enviar até três textos que corresponderão, no máximo, a três páginas da coletânea (veja o Edital com o respetivo regulamento).

O louvável do projeto literário organizado por Zecca Paim encontra-se na capacidade de este ter encontrado um meio de homenagear Camões "à altura" através de uma publicação que consegue reunir participantes das mais diversas proveniências e formações do território brasileiro, que apresentam um aspeto em comum - gostarem de Poesia expressa em português. A língua de Luís de Camões, o "príncipe dos poetas", homenageado no meio milénio do seu nascimento. E haverá forma mais adequada e iluminadora de homenagear um grande poeta? Felicitamos a iniciativa!

Como refere o Organizador no edital, "o objetivo desta Antologia Poética é comemorar e celebrar o contributo do poeta autor de Os Lusíadas para a história da literatura" lusófona e da língua portuguesa, constituindo a efeméride "uma oportunidade única para pensar o legado de um poeta omnipresente, tanto na literatura como na identidade portuguesas"; sobretudo - visto tratar-se de autores brasileiros - para avaliar a "influência de Camões" como modelo inspirador para a literatura brasileira.

Luís de Camões, poeta inspirador de poetas, "símbolo da vocação universalista da língua" e das culturas lusófonas.

Para saber + e eventualmente participar na coletânea, consulte:

Edital com o regulamento [PDF]

Ficha de Inscrição [formulário online]

na Antologias Brasil







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