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2026/09/06

DINAMENE, DINAMENES - A musa asiática celebrada

   "Viagem para Goa", 2026, por Tiago Côrte-Real   

  Um drama amoroso e poético camoniano  
  recriado ao longo do tempoe  


A relação entre Luís de Camões e a jovem chinesa Dinamene que este amou durante a sua estadia no Oriente, concretamente em Macau, e que terá perecido no naufrágio do Mekong — constitui um episódio bastante debatido da vida e também da obra do poeta.

Episódio com traços romanescos, ele inpirou e continua a inspirar numerosas recriações poéticas, ficcionais, dramáticas e também artísticas, como a música e as artes plásticas.

Objeto de artigos e de breves monografias, atualmente está a ser estudado por jovens investigadores, de origem chines e portuguesa, nas suas dissertações académicas.

Neste verbete, daremos conta de alguns nomes de autores e títulos de obras nessas várias áreas.


PARA UMA CONSTITUIÇÃO DO CORPUS DINAMENIANO
EM CAMÕES



Os sonetos (inventariados por Afrânio Peixoto)
Outros géneros cultivados por Camões?




Luís de Camöes
Dinamene : Alma minha gentil 
"estudo de Afrânio Peixoto seguido de 44 poesias de Luís de Camões"
1.ed., Lisboa: Oficinas Gráficas da Bibiblioteca Nacional, 1926
[169, [7] p. : il. ; 18 cm]

Luís de Camões
Dinamene: celebrada serás sempre em meu canto
Introd. e notas de Afrânio Peixoto 
Sep. [100 exemplares] da Revista da Academia Brasileira, vol. 17, p. 261-327.
Rio de Janeiro: Benjamim Costallat & Miccolis, 1925
[70, [2] p. ; 24 cm].


ESTUDOS

  • Azevedo Filho, Leodegário A. de (2019) Dinamene: alma minha gentil, que te partiste.  Rio de Janeiro: ABRAFIL [Revista da Academia Brasileira de Filologia], 2009. - [60 p. ; 21 cm].
  • Correia, João Frade (1946) Dinamene ou o drama psicológico de Camões. S.l. : s.n. [Castelo Branco: Tip. Semedo]. - [110, [1] p. ; 20 cm].
  • Gonçalves, Luiz da Cunha (1951) Quem era a "Alma minha gentil" e a "Dinamene" de Camões. - Sep. Memórias Classe Letras, 5. - Lisboa: Academia da Ciências. - [14, [1] p. ; 24 cm].
  • Ribeiro, Eduardo (2021) Camões e a moça china, Fénix – Revista dos Amigos do Instituto Confúcio da Universidade de Aveiro, Anual, n.º 1 (2021), p. 24-26.

OBRAS LITERÁRIAS e ARTÍSTICAS


 LITERATURA 



Maicon Tenfen
Dinamene
Projeto gráfico de 
Vilmar Schuetze e Jean Valim; 
ilustrações de Rubens Belli.
Ituporanga, Santa Catarina, Brasil: Ronin / Ed. Salto Grande Ltda, 2021.

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Carlos Morais José
O Arquivo das Confissões: Bernardo Vasques e a Inveja: romance
Macau: Livros do Oriente, 2016.
2.ª ed., Lisboa: Arranha Céus, set. 2018.
Trad. para língua inglesa:
The Archive of Confessions: Bernardo Vasques and Envy
Trad. David Brookshaw. Macao: PraiaGrande Edições, 2019.

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Mário Cláudio
Os naufrágios de Camões: romance.
Lisboa: Dom Quixote, 2016.

Maria João Lopo de Carvalho
 Até que o amor me mate: as mulheres de Camões
Amadora: Oficina do Livro, 2016.


Antônio R. Amaral
Camões e Dinamene. - [Drama em 3 atos].
Cenários e gravuras desenhados por Vicente Passos. 
S.l.: s.n. [ed. de autor?], s.d. [1947].
[54, [10] p. : il. ; 20 cm].

Cf. nótula sobre a obra na secção "No Mundo das Letras",
em "Letras e Artes", Suplemento de "A Manhã"
Rio de Janeiro, Ano 2, n.º 46, 29.06.1947, p. 3. | [PDF]


Poesia
Guilherme de Almeida | © Foto na Casa Guilherme de Almeida
"Sonetos a Dinamene" de Guilherme de Almeida 
O poeta brasileiro Guilherme de Almeida 
recriou e dialogou com a estética de Camões, 
especialmente na obra Camoniana (1956).
Em 1945, tinha publicado na revista luso-brasileira Atlântico 
um conjunto de seis sonetos
dedicados inteiramente a Dinamene.
Reproduzimo-los abaixo.

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 ICONOGRAFIA 




 “Dinamene a Musa Chinesa de Camões”, 2026 - Aguarela 
por Zélia Reis Ferreira
Processo artístico de criação:
Ver e-CAM, 26.08.2026



 O Arrependimento do Amor - pormenor com o afogamento de Dinamene 
《愛的遺憾》/ The Regret of Love | 2026  
Leong Kit Man / 梁潔雯
Seda, pigmentos minerais / 絹本、礦物顏料 / Mineral pigments on silk

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       Sete Mulheres, Sete Musas: Lírica de Camões       
Obra de BD - 72 p., a cores (16,8x24,4cm), capa mole com badanas.
Com argumento de Pedro Moura
e ilustração de Amanda Baeza, Daniela Viçoso, Miguel Rocha, Jorge Marinho, 
José Smith Vargas, Pedro Moura, Rita Mota e Susa Monteiro.
Textos de Cátia Verguete, Alexandra Lourenço Dias e Janek Scholz.
Editoras: A Seita, Comic Heart: jun. 2025
Coleção Comic Heart

Produção: A Seita | Comic Heart

No âmbito de um projeto e com o apoio do Camões - Centro de Língua Portuguesa 
no King's College em Londres.

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      "Perda de amor", 2020 - Aguarela por Scarlett Ma     
que ilustra  a sua obra: Para Camões: um diálogo com o poeta 
através da música e da pintura, atravessando 400 anos     
         致賈梅士 /    用樂與繪,與詩人跨越400年的心靈對話    
Livro e CD.
Edição, ilustração, compilação de Scarlett Ma / Ma Ying Ying / 馬 瑩瑩
Composição e interpretação das canções do CD da obra por Scarlett Ma.
O seu livro-CD ilustrado reúne vários poemas e canções
algumas destas inspiradas e outras traduzidas
dos sonetos de Luís de Camões.
Tradução: Cindy Yan.
Macau: Instituto Cultural de Macau, set. 2020
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  Camões e Dinamene, 2017 - de José de Guimarães  
Serigrafia: papel Artesanal, color, 56 x 71 cm.
Lisboa : Centro Português de Serigrafia.
© Imagem no CPS.


  Ah minha Dinamene..., 1982 - de José de Guimarães  
1 gravura: serigrafia, papel, color. ; 75x56 cm.
A obra está catalogada em 
Volta ao mundo: obra gráfica = Around the world: graphic works
de José de Guimarães, com textos Raquel Henriques da Silva.
Lisboa: INCM - BNP, 2019, p. 158.
© Imagem na plataforma P55.ART.


"Luís de Camões", 2007 - Ilutração de Danuta Wojciechowska
in Ana Oom - Luís de Camões, da Col. "Nomes com história"
Lisboa: Zero a Oito, 2007.

 TEATRO 


AH! MINHA DINAMENE! 

TEATRO | 2018
Obra com encenação de José Maria Dias, 
música de Jorge Salgueiro, violoncelo Marco Madeira.
Produção: 
Teatro Estúdio Fontenova.
in e-CAM, 21.08.2026


 MÚSICA 


Ah! Minha Dinamene!
 de Jorge Salgueiro, 
op. 264, poema de Luís Vaz de Camões. 
Palmela: Jorge Salgueiro, 2018.
DINAMENE 2 |  No Youtube, vídeo - 03:29
Composto para a criação do Teatro Estúdio Fontenova AH! MINHA DINAMENE! 
com encenação de José Maria Dias, 
música de Jorge Salgueiro, violoncelo Marco Madeira.


Canção "Dinamene
Faixa 2 da trilha Sonora de "A página perdida de Camões" 
letra por Luciano Milici
cantada pela Banda Polifônicos.
No Youtube, vídeo - 04:08

Dinamene 

Não reclame, alma minha
se meu beijo é salgado e mortal
a vida ensina,
porcelana da China,
que a eternidade é feita de sal

Dinamene, minha Dina
Dinha minha...menina

Não suspire, alma minha
quando ouvir minha voz cantar
poemas e cenas
coisas pequenas
que não explicam o que é amar

Dinamene, minha Dina
Dinha minha....menina

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,

Repousa lá no Céu eternamente

E viva eu cá na terra sempre triste.

Não demore, alma minha
quando nosso barco naufragar
no rio infinito
da ninfa e do mito
um dia poderei voltar

Dinamene, minha Dina
Dinha minha....menina

Não me esqueça, alma minha
daquele rock dançado a dois
do rio chinês
do amor português
que foi seu, nessa vida e depois

Dinamene, minha Dina
Dinha minha....menina

Se lá no assento etéreo, onde subiste,

Memória desta vida se consente,

Não te esqueças daquele amor ardente

Que já nos olhos meus tão puro viste.

Dinamene, minha Dina
Dinha minha....menina

Poster do "filme" na página de fâs do Facebook, 5.07.2012

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 FILMOGRAFIA 



O poeta Luís de Camões e Dinamene, personagens do filme "Taprobana", 2014

TAPROBANA

CURTA-METRAGEM
Portugal: 23 min; Super-16 mm transferido para HD/cor.
Realização de Gabriel Abrantes
Com Jani Zhao, Natxo Checa, João Pedro Vale, Alexandre Melo.
Produção: A Mutual Respect Productions | Portugal
Vimukthi Jayasundara | Sri Lanka
CPH DOX:LAB | Dinamarca.
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Redação: 21.08.2026, atualizado a 6.09.2026

2021/09/13

O que teria acontecido se Camões tivesse escolhido salvar a sua amada em vez da sua epopeia? – receção criativa pelo ficcionista Maicon Tenfen

 Dinamene, por Maicon Tenfen 

Projeto gráfico de Vilmar Schuetze e Jean Valim; ilustrações de Rubens Belli. 

Ituporanga, Santa Catarina, Brasil: Ronin / Ed. Salto Grande Ltda, 2021.

– Disponível na Amazon em formato Kindle e capa comum.



O autor sobre a escrita da sua narrativa:





A ideia de escrever um romance com a história de Dinamene é antiga. É claro que não me interessava reescrever a lenda conforme ela entrou para o imaginário. Era preciso mudar alguma coisa, e a primeira, sem dúvida, estava na decisão de Camões. Por que não salvar a mulher amada em vez de Os Lusíadas? Ao longo dos anos, lancei essa pergunta a meus alunos: quem vocês salvariam? Escrevi inclusive uma crônica, cujo fragmento abaixo vai esclarecer os que estão boiando com a minha conversa. Em certo momento de 2018, pus a mão na massa e comecei a escrever esse romance que chega agora em março.

In: Facebook, 29.01.2021


Fragmento da crónica A NAMORADA CHINESA:

Conta-se que Camões enfrentou vários naufrágios em suas andanças pelo Oriente. O mais famoso se deu na foz do Rio Mekong, quando uma tempestade pôs a pique a caravela em que viajava.

Na confusão que se seguiu, o poeta deparou com um dilema que atravessaria os séculos: de um lado, sumindo na imensidão das águas, viu a bolsa com o manuscrito d’Os Lusíadas; de outro, tomando os primeiros caldos e gritando por socorro, a sua bela namorada chinesa.

A quem salvar?

Veja que a solução do problema não era tão simples quanto pensam os apressados.

Camões imaginava que Os Lusíadas tornar-se-iam o poema mais importante do idioma. Símbolo máximo da cultura portuguesa, é composto por 8816 decassílabos simetricamente heroicos (com tônica na sexta e na décima sílabas de cada verso), algo muito difícil de fazer, trabalho que lhe consumiu anos e mais anos de reclusão.

E a namorada chinesa? Era doce e graciosa como um lírio num vaso de ouro, um pêssego em forma de gente, uma flor de tamareira. Dizem que se chamava Dinamene, tinha olhos verdes e declamava madrigais em português fluente e harmonioso.

Se Camões salvasse Dinamene, Os Lusíadas desapareceriam nas águas inclementes; se salvasse Os Lusíadas, Dinamene é que afundaria e morreria afogada. Mais que violenta, a tempestade não permitia a alternativa de socorrer a obra e a amada ao mesmo tempo. Ou uma, ou outra, e o poeta tinha menos de dois segundos para decidir.

Sinopse:

"Conta-se que Camões enfrentou vários naufrágios em suas navegações pelo Oriente. O mais famoso se deu na foz do Rio Mekong, quando uma tempestade pôs a pique a caravela em que viajava. Na confusão que se seguiu, o poeta deparou com um dilema que atravessaria os séculos: de um lado, sumindo na imensidão das águas, viu a bolsa com o manuscrito d’Os Lusíadas; de outro, gritando por socorro, a sua amada Tin Na Men. A quem salvar? 

Considerando que hoje o resumo de um dos maiores épicos da literatura universal está em todos os manuais de Língua Portuguesa da Europa, América, África e Ásia, fica claro que Camões ignorou as súplicas da namorada e mergulhou para salvar o manuscrito.

Esse é o ponto de partida de Dinamene, com a importante diferença de que aqui Camões não mergulha para salvar o poema, mas a mulher da sua vida. 

Conheceremos o poeta em sua dimensão mais romântica, assim como a enigmática Tin Na Men, ou Dinamene, uma habilidosa praticante de Kung Fu que se vê no meio de uma guerra familiar na China do século XVI.

A Macau recém-tomada pelos portugueses é o cenário de muitos encontros inesperados: da língua portuguesa com as artes guerreiras orientais, dos jesuítas ibéricos com os devotos da deusa A-Má, do mercantilismo europeu com os costumes chineses e de um aventureiro inconsequente com uma jovem destinada a um casamento convencional.

Uma história de amor e aventura cujo pano de fundo é a criação do Poema que forjou a identidade dos portugueses e fundamentou um dos idiomas mais difundidos do mundo." (in: Amazon/Facebook)



 O AUTOR 


Maicon Tenfen nasceu em 1975 em Ituporanga, Santa Catarina, no Brasil.

É formado em Letras (1998) e entre 2000 e 2006 concluiu os cursos de mestrado e doutoramento em Teoria Literária na Universidade Federal de Santa Catarina.

É professor de Literatura Brasileira na FURB, Universidade de Blumenau; leciona oficinas de escrita criativa e coordena a equipe de roteiristas da série de animação televisiva “Boris e Rufus”.

Estreou-se literariamente em 1996 e desde então já publicou cerca de duas dezenas de títulos, compreendendo crónicas, contos, romances e ensaios. 

Destacam-se os contos reunidos em O Impostor (2006), os romances da série Quissama e a coletânea Ler é uma droga: crônicas sobre livros e leitura (2012). 

Colaborou como cronista no “Diário Catarinense” e no “Jornal de Santa Catarina.” 


Para saber +


GEARINI, Victória
in AH – Aventuras na História, 26.04.2021.

Gonçalo Lobo Pinheiro
in Ponto Final [online], 13.05.2021.

Pré-leitura (amostra) 
na Amazon.


Atualização: 25.08.2026