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2026/03/12

III Congresso do Meio Milénio do Nascimento de Camões, em Goa e Damão - 2026

 


III Congresso do Meio Milénio 
do Nascimento de Camões




12 mar. 2026, quinta-feira | formato presencial, em Goa

14 mar. 2026, sábado | via ZOOM

16 mar. 2026, segunda-feira | extensão cultural a Damão

Parceiros do Congresso:

Rede Camões na Ásia & África
Universidade de Goa
Instituto Camões

Com o apoio de

Comissão Organizadora:

Felipe de Saavedra, coord. RCnA&A
Loraine Alberto, RCnA&A e U. Goa
Irene Silveira, RCnA&A e U. Goa
Delfim Correia da Silva, CLP Camões Goa 



  Encontro com Camões em Goa  

"Luís de Camões, que foi não só o maior poeta da língua portuguesa como também um dos maiores da tradição ocidental, viveu em Goa em períodos importantes da sua vida criativa, especialmente entre 1559 e 1562, sob os vice-reinados de Dom Constantino de Bragança e de Dom Francisco Coutinho, ambos seus patronos e protetores, mas também em 1566 e 67, caído então em desgraça e preso preventivamente por ordem do vice-rei Dom Antão de Noronha.

A capital do Império Português do Oriente foi determinante para a vida literária do Poeta: foi em Goa que ele compôs o Auto de Filodemo, bem como muitas poesias e cartas extantes, e uma parte significativa de Os Lusíadas. Meio milénio após o seu nascimento, a obra de Camões, ainda que seja hoje conservada apenas parcialmente, permanece como um marco essencial para as culturas goesa e portuguesa, e para o mundo de língua portuguesa em geral.

O III Congresso do Meio Milénio do Nascimento de Camões prossegue a série de reuniões científicas de alto perfil iniciadas em Ternate, Indonésia, em março de 2022, e prosseguidas em fevereiro de 2024 em Macau, e em junho de 2025 na Ilha de Moçambique, todos eles lugares de estadia prolongada de Camões na Ásia e no Índico.

Em Goa tiveram lugar as sessões presenciais. Entre outras iniciativas suscitadas pelo Congresso, estiveram patentes duas exposições visuais e houve leituras públicas da poesia de Camões pelos estudantes da Universidade de Goa.

Houve igualmente uma sessão virtual aberta aos pesquisadores do mundo inteiro e uma extensão cultural a Damão, para contactos com a comunidade lusodescendente local.

O Congresso terminou com uma visita guiada a Bombaim, incluindo o assentamento português e a Ilha de Elefanta."



   PROGRAMA   

CAMÕES EM GOA 2026

12 MAR. 2026, quinta-feira
Universidade de Goa
09h00 – 13h00


Boas-vindas
dos participantes pelas estudantes de português Sanikaa Verlekar e Tanushree Rai

     Os participantes receberam um diploma e uma obra de inspiração camoniana    
da autoria do artista Shailesh Dabholkar

 A Diretora da Fac. de Letras da Universidade de Goa com o Padre Délio Mendonça, SJ 

  Saudação de abertura  
por Anuradha Wagle, Diretora da Faculdade de Letras,
aqui no ato simbólico de plantar os estudos camonianos na Universidade 

  Discurso inicial  
por Felipe de Saavedra, coordenador da RCnA&A

Camões na Goa contemporânea, ecos na escrita e na literatura
por Aren Noronha
estudante de pósgraduação da U. Goa

As confluências intertextuais entre Os Lusíadas e o Mahabharata
por Dhruvan Nair
estudante de pósgraduação da U. Goa

Entre a epopeia e a tragédia: Pedro e Inês em Camões e Montherlant
por Irene Silveira Almeida
U. Goa

Reimaginando a profecia
por Loraine Ethel Barreto Alberto
U. Goa


15h00 – 17h00
                   No Centro de Língua Portuguesa               

Monarquia eletiva imaginada
por Wang Yuan
U. Pequim

A Indonésia em Os Lusíadas 
por Danny Susanto
U. Indonésia

Balanço e encerramento
por Felipe de Saavedra, coordenador da RCnA&A

17h30
Visita guiada à Exposição.

20h00
     JANTAR    


  "Os Rostos de Camões" 

  EXPOSIÇÃO  

Encerramento da exposição
que esteve patente de 19 jun. 2025 a 12 mar. 2026
no CLP do Camões em Goa.

Com curadoria de 
Savia Viegas e Delfim Correia da Silva.
Foi também lançado o livro homónimo 
que reuniu os 8 artistas plásticos goeses
participantes na exposição coletiva:

Francis Desousa
Nishant Saldanha
Savia Viegas
Shailesh Dabholkar
Viraj Naik
Vitesh Naik
Verodina Ferrao
Yolanda de Sousa Kammermeier

       "Sopa de letras", 2025 - Cerâmica, 18x35 cm       
por Verodina Ferrao
Reprod. da imagem divulgada com o programa do evento.


CLP - Camões em Goa
Os rostos de Camões:
Publicado por ocasião da exposição comemorativa
500 anos de Luís de Camões OS ROSTOS DE CAMÕES
19 de junho de 2025 - 12 de março de 2026
Ed. Delfim Correia da Silva e Savia Viegas.
 Com os ensaios: 
"Camões, Portuguese, Goan and Universal" de Delfim Correia da Silva;
"Luís de Camões between Europe and Asia", de Kenethe David Jackson;
"Os Rostos de Camões", de Savia Viegas;
Pref. de Isabel Raimundo, Consul-Geral de Portugal em Goa.
Goa: Centro de Língua Portuguesa - Camões em Goa, 2026.


  SESSÃO DE LEITURA DE POEMAS  

Leitura de poemas de Camões em várias línguas
pelos estudantes de português 
da Faculdade de Letras da Universidade de Goa.

Aren Noronha leu oitavas d'Os Lusíadas em inglês,
Dhruvan Nair leu em malayalam,
Leanne Fernandes leu em português,
e Delaney Rodrigues leu em concanim.
Joann D'Silva leu o poema "Amor é fogo que arde..."
Sanikaa Verlekar e Tanushree Rai leram textos em francês.

  Luís de Camões  
  No meio milénio do seu nascimento  
  (1525-2025)  

  EXPOSIÇÃO  

da autoria de Felipe de Saavedra
mostrada em Goa no dia 12 de março de 2026, 
no âmbito do III Congresso do Meio Milénio 
do Nascimento de Luís de Camões.


  CAMÕES: 
UMA VIDA EM IMAGENS  
ITINERÁRIO DIDÁTICO 
elaborado pela RCnA&A - Rede Camões na Ásia & África
com o apoio do IPOR - Instituto Português do Oriente
© RCNA&A 2024-2026

A exposição foi concebida no âmbito das 
celebrações dos 500 anos do nacimento de Luís de Camões, 1525-2025,
e consiste em posters cronológicos, 
com os marcos biográficos do Poeta descritos por texto e ilustração.

Com ilustração e ligações/links 
(ir deslizando o cursor do rato para baixo).


   PROGRAMA   

CAMÕES EM GOA 2026

14 MAR. 2026, sábado
Em registo vídeo (receção)

📹 21:09
1.
  SAUDAÇÃO INICIAL  

500 anos de Camões: sentidos de uma comemoração
Presidente da Comissão Nacional Portuguesa 
para as Celebrações dos 
500 anos do nascimento de Luís de Camões.

📹 11:35
2.
Influência de Camões na lírica de Rui de Noronha
Abudo Machude
"Luís de Camões (1524-1580) e Rui de Noronha (1909-1943) são dois importantes poetas de língua portuguesa separados no tempo e no espaço, mas próximos um do outro pelo diálogo permanente dos seus textos.

A presente proposta de trabalho tem como objetivo principal demonstrar a influência da poesia lírica de Camões sobre a poesia lírica de Rui de Noronha, poeta moçambicano do século XX.

Assim, em termos metodológicos, partindo de uma análise baseada na intertextualidade, serão tomados, a título exemplificativo, os poemas ‘Alma minha gentil que te partiste’ (Camões, Rhythmas, 1595, Soneto XIII) e ‘Por Amar-te Tanto’ (Rui de Noronha, Sonetos…).

Os resultados deste estudo mostram uma forte influência de Camões na poesia lírica de Rui de Noronha no concernente à forma (soneto) e ao conteúdo (a predominância da temática do amor platónico)."
📹 35:59
3.
O ano em que Camões embarcou da Índia Portuguesa para Macau
Eduardo Ribeiro
Investigador independente
"Com a premissa de que Camões esteve em Macau, esta comunicação examina os vários indícios que apontam a data de partida do vate de Goa para os Mares do Sul da China, e essa data é abril de 1562.

Esses indícios estão evidenciados quer na Década VIII (versão extensa) de 1615, quer no Primeiro Soldado Prático, de 1569, ambas as obras de Diogo do Couto.

Contudo, há outros, que complementam o testemunho do dialogista/cronista, e que apontam, ainda, para o nome do capitão da Nau do Trato com quem Camões foi para Macau, o cargo que o Poeta foi a desempenhar na Viagem, e a quem ele ficou a dever o emprego."

📹 36:15
4.
Camões no 'Boletim do Instituto Luís de Camões' de Macau
José Carlos Canoa
RCnA&A / IPOR - Macau
Publicado em Macau entre 1965 e 1981 (com os números agrupados em 14 volumes, que estão disponíveis em formato digital no site da Biblioteca Pública do Instituto Cultural), o Boletim do Instituto Luís de Camões (BILC) funcionou como uma pilar da identidade luso-macaense e plataforma para estudos críticos, incluindo estudos sobre o poeta Luís de Camões e a sua relação com Macau.

Os textos de temática camoniana abrangem ensaios historiográficos sobre a presença do poeta, análises da sua obra, registos de comemorações e traduções para inglês. Há dois números temáticos consagrados a Camões e que celebram duas efemérides camonianas: o de 1972, que celebra o IV  Centenário da Primeira Edição dos Lusiadas (Vol. VI, n.º 1-2; n.º 3-4), apresentando três traduções para inglês de peças dramáticas inspiradas em Camões. O de 1980 é um “número especial comemorativo do IV centenário da morte de Camões” (Vol. XIV, n.º 1-4) e apresenta 14 textos da autoria de Pe. Manuel Teixeira, C. R. Boxer, Carlos Estorninho, Beatriz Basto da Silva, Graciete Batalha, Carmem Fernandez, Clara Maria Nunes, Túlio L. Tomaz, José dos Santos Ferreira.

Esta publicação cultural, com periodicidade anual, não foi apenas uma revista académica, mas a expressão da necessidade de diálogo entre culturas, utilizando o nome e o legado de Camões como elo de união entre as culturas do Oriente e do Ocidente.

📹 14:41
5.
Desta barra fora: canções de comunidades indoportuguesas
Kenneth David Jackson
U. Yale
"No porto de Damão, ainda hoje se pode ouvir um crioulo português semelhante ao crioulo norteiro descrito há mais de cem anos nos estudos linguísticos pioneiros de Hugo Schuchardt e Sebastião Dalgado, falado por vários milhares de pessoas, como comprova a análise linguística de Clements (1996) e Hugo Cardoso (2010).

Os crioulos indo-portugueses ainda seriam um sincretismo das suas fontes intercontinentais, no qual as contribuições europeias temáticas e léxicas se traduzem semioticamente num discurso euroasiático.

As canções publicadas por António Francisco Moniz Júnior em Notícias e documentos para a história de Damão (1900-1904) fazem parte do acervo de canções crioulas levantado por viajantes e estudiosos, muitas delas reproduzidas no CD Desta Barra Fora (1998)."

6.
Desejada parte oriental: 
a Índia metafórica e a Índia experimentada em ‘Os Lusíadas’
Luiza Nóbrega
U. Federal do Rio Grande do Norte, Brasil
"A centralidade primacial da Índia em Os Lusíadas é ponto pacífico indiscutível, e já bastante repisado ao longo dos séculos. Não se pode, porém, dizer o mesmo quanto à importância crucial da incidência metafórica da Índia na estrutura semântica do poema; nem quanto ao amplo e prodigioso conjunto de aspectos que compõem essa incidência.

Por outro lado, muito embora o contexto histórico que envolve a Índia em Os Lusíadas — seja aquele ao qual remete o enunciado (o tempo da viagem descobridora), ou aquele ao qual remete a enunciação (o tempo da escrita do poema) — tenha sido bastante explorado, também é verdade que certos factos, com seus pormenores, e suas respetivas implicações, no que concerne à gênese e à semântica do poema, permaneceram e, de certo modo, ainda permanecem, à sombra no conjunto geral dos estudos camonianos.

A tais relevantes temas, entre outros de igual relevância, já ao longo de cinco décadas tenho dedicado os meus estudos sobre Os Lusíadas. E são esses dois tópicos que proponho abordar no III Congresso Camoniano da Rede Camões na Ásia & África, em Goa / Damão."

📹 52:36
7.
"Camões, o dramaturgo e sua dramaturgia"
Márcio Ricardo Coelho Muniz
 Instituto de Letras 
da U. Federal da Bahia
"Nos estudos que desenvolvo sobre a dramaturgia quinhentista portuguesa, tenho me interessado particularmente por certa consciência do fazer dramático revelada por alguns autores.

Não são poucos os textos em que encontramos marcas ou estratégias metadramáticas a desvelar práticas teatrais de quem tem não só domínio da cena, mas também ciência de seu labor dramático.

Testemunhos de Gil Vicente, Afonso Álvares, António Ribeiro Chiado, António Prestes e alguns anônimos, comprovam que muitos dramaturgos estavam atentos ao teatro que se produzia à época, referenciavam-se com frequência, recorriam a estratégias dramáticas similares, defendiam modos do fazer teatral semelhantes e demonstravam conhecer e respeitar o gosto do público a que se dirigiam. 

Nesta minha comunicação buscarei incluir Camões entre esses dramaturgos que têm ciência de seu fazer teatral, levantando e comentando estratégias metadramáticas presentes em seus Autos, e defendendo um Camões dramaturgo, atento ao que produziam seus pares e ao que desejava seu público."
📹 13:51
8.
"Heroísmo, honra e império nos épicos ibéricos"
Saloni Jha
mestre em Português pela U. Goa
e em Espanhol pela U. Jawaharlal Nehru de Nova Deli
"Esta comunicação apresenta uma análise comparativa de dois épicos centrais da tradição ibérica, o Cantar de Mio Cid e Os Lusíadas de Luís de Camões, centrando-se nos valores do heroísmo e da honra em diferentes contextos históricos, religiosos e imperiais. Apesar de estarem separados por quase quatro séculos, ambas as obras constroem figuras heroicas cujas ações são moldadas pelo serviço, dever, fé e poder.

No Cantar de Mio Cid, Rodrigo Díaz de Vivar representa um modelo medieval de heroísmo baseado na lealdade feudal, na honra pessoal e no serviço militar ao rei e à Cristandade. O seu exílio e a posterior recuperação da honra revelam uma sociedade marcada pela luta territorial, pelo conflito religioso e pela dinâmica da Reconquista, onde a honra está fortemente ligada à obediência, à reputação familiar e à vitória em batalha. O poema reflete um mundo em que a identidade se constrói em oposição ao Outro religioso e racial, sobretudo no contexto cristão-muçulmano.

Em contraste, Os Lusíadas apresenta Vasco da Gama como um herói renascentista cuja missão já não se limita à terra ou ao reino, mas se estende à expansão marítima e à construção do império. Camões enquadra a viagem como um projeto nacional e providencial, combinando a mitologia clássica com a ideologia cristã. É dada especial atenção à representação dos encontros com povos não‑europeus, incluindo referências a reinos hindus e às tentativas de estabelecer com eles alianças contra o poder islâmico.

Estes episódios revelam atitudes coloniais iniciais e relações de poder complexas entre os europeus e as culturas recém-contactadas. Ao colocar estes dois épicos lado a lado, o estudo mostra a transformação do heroísmo ibérico: do guerreiro feudal ao navegador imperial, da defesa territorial à expansão ultramarina.

A investigação analisa ainda como a honra, a religião, a diferença racial e o mito contribuem para a construção da identidade heróica, mostrando como a poesia épica reflete as mudanças de valores e as ambições da sociedade ibérica desde o período medieval até ao início da modernidade."
📹 37:20
9.
"Camões, três óperas românticas e Goa"
Vítor Amaral de Oliveira
U. Católica de Lisboa
"Camões é personagem da ópera romântica L’esclave de Camoens, de Henry de St. Georges (1799-1885) que existe em três versões, uma das quais em tradução italiana.

Análise do percurso das versões e das suas diferenças e de um apontamento cénico passado em Goa, num contexto político e social europeu bem determinado. "


Fotografia de grupo no III Congresso do Meio Milénio do Nascimento de Camões, em Goa. 





Chamada para Comunicações


"A Comissão Organizadora convida todos os interessados a enviar para congresso @ camoens.pt as propostas de comunicação, de mesas-redondas ou de constituição de painéis, eventualmente integradas nos seguintes temas, sendo outros igualmente possíveis:

 Camões em Goa e na Índia, roteiro camoniano 

 Camões no Índico e no Oriente: 
 Arábia, Malaca, Ternate, Macau, Camboja/Vietname e Moçambique 

 Camões e a literatura goesa 

 Camões e as artes plásticas, a música e as artes do espetáculo 

 Camões no ensino 

 Crioulos de base portuguesa 

 Literatura comparada 

As propostas deverão detalhar o modo de participação (comunicação individual, mesa-redonda, painel), a modalidade presencial ou virtual, e incluir o resumo curricular dos participantes e o sumário da comunicação.

Esta chamada estará aberta até ao dia 30 de setembro de 2025."



Redação: 1.10.2025, atualizado em 13.04.2026

2026/02/18

Estátua de Camões em Goa por Martins Correia


                                        Estátua de Camões em Velha Goa , 1961                                      
"Portugal - Goa: estátua de Camões em Velha Goa / Emissora de Goa. 
1 postal : color. ; 10,5x15 cm
Goa : Emissora de Goa, [D.L. 1961] (Porto: Lito Of. Artistas Reunidos).
Existe um exemplar na BNP em Lisboa, com variantes de tom.

 ESTÁTUA DE LUÍS DE CAMÕES 

  O Poeta Nacional Português  

Escultura, em bronze, c.4 metros de altura | 1958

da autoria do escultor Martins Correia


Atualmente, na Galeria n.º 1 
Exposta originalmente no largo da igreja de S. Francisco de Assis, na Velha Goa.



MASTER SCULPTOR MARTINS CORREIA  Vídeo, 11.33
por František Jakub
Com a colaboração de Henrique Velez e Elsa Martins Correia
Music & Piano port Farshad Sanace
SolitArtGallery apresenta Slovak Art Film, 2014

Estátua de Camões em Goa. Autor MARTINS CORREIA

Gen.Vassalo e Silva em Goa, 1980.



"No dia 10 de junho de 1960, na ampla praça central de Velha Goa, o Governador Vassalo e Silva inaugurou uma estátua de Luís de Camões, que foi custeada através de uma subscrição pública por iniciativa do jornal Diário Popular, datada de 1956 e da autoria do escultor Martins Correia. 

Nesse dia, o jornal O Heraldo incluía um editorial intitulado “O Dia da Raça” e ilustrava-o com uma fotografia da estátua e, no dia 12, noticiava que as comemorações do Dia de Portugal no Estado da Índia “tiveram um brilho extraordinário nesta terra”. 

No dia 14 o mesmo jornal ainda voltava a referir “a brilhante e significativa cerimónia”, salientando que a estátua “se encontrava rodeada por centenas de filiados da M.P.” e reproduzia o discurso proferido na ocasião pelo major Ramos de Freitas, sub-chefe do Estado-Maior. 

A nova e imponente estátua de Camões “sobreviveu” aos acontecimentos de 1961 que levaram à queda da Índia Portuguesa e, em Junho de 1980, durante uma visita privada que o general Vassalo e Silva fez a Goa, ainda foi fotografado junto dela. 

Porém, em 1982 a estátua foi danificada por um engenho explosivo colocado por alguns “Freedom Fighters”, com o argumento de que Camões era o poeta dos colonizadores. A estátua foi imediatamente reparada e passou a ser guardada de noite pela Polícia, mas porque era demasiado oneroso manter aquele dispositivo de segurança, o policiamento cessou pouco tempo depois. Em 1983 a estátua voltou a ser atacada e danificada pelos mesmos activistas. 

Então, as autoridades decidiram retirá-la daquele local privilegiado e colocaram-na no interior do Archaeological Museum & Portrait Gallery, que ocupa um edifício conventual anexo à Igreja de S. Francisco de Assis, a pouca distância do local onde a estátua foi inicialmente colocada. 

Este museu aloja a famosa Galeria dos Vice-Reis e nele se encontra, também, a estátua de Afonso de Albuquerque que, até 1961, esteve na rotunda de Miramar, em Pangim."

Fonte: Escultor Martins Correia | Facebook., 11.07.2013


Martins Correia 
n. Golegã, 7.02.1910 - m. 30.07.1999
Artista plástico português, modernista
Escultor e Pintor

Orfão desde cedo, ingressou na Casa Pia, 
em novembro de 1922, onde concluiu o curso industrial.
Frequentou a Escola de Belas Artes de Lisboa, 
onde se diplomou em escultura.

 Foi professor do Ensino Técnico Profissional, 
nas Caldas da Rainha e em Lisboa.

Começou a expor no ano de 1938 e em 1940
já participou na Exposição do Mundo Português, em Lisboa. 
Ao longo da sua carreira artística acumulará muitos prémios e condecorações. 
Em 1951, tornou-se Presidente da Secção de Cultura Artística 
da Sociedade de Geografia de Lisboa. 

"A sua estatuária é composta de originais soluções decorativas policromáticas 
que aligeiram as suas figuras do solene compromisso oficial, sobretudo a partir de 1968 
com a utilização de intensos vermelhos, ocres, pretos, verdes, brancos, azuis e amarelos,
pintados nos materiais escultóricos."

Várias das obras mais representativas de Martins Correia
estão expostas em espaço público, acessíveis a todos os cidadãos. 
O seu nome foi dado à Escola E.B. 2,3 e Secundário do Concelho da Golegã. 

Em Lisboa, destacamos a estátua de granito rosa 
representando Fernão Lopes patente na BNP, 
e a decoração artística da estação do Metropolitano de Picoas 
e do átrio da Torre Vasco da Gama, no Parque das Nações. 

Trabalhou muitos anos num atelier da Câmara Municipal de Lisboa, 
tendo realizado alguns trabalhos para jardins e edifícios municipais, 
como a estátua em pedra de Bartolomeu de Gusmão.
Foi membro do Conselho de Arte e Arqueologia da C.M.L. 

O Mestre perpetuou a sua obra fora de Portugal.
Em Goa, fez em gesso a estátua de S. Francisco Xavier 
por ocasião do centenário do santo. Em 1958, executou a estátua em bronze 
de Luís de Camões, a qual lhe valeu o Prémio Diário de Noticias.

Em 1973, decorreu uma exposição retrospectiva 
da sua obra, na Sociedade Nacional de Belas Artes, onde foram apresentadas 
"300 obras de escultura, desenho, medalhística e desenho colorido, 
versando sobre o período de 1939 a 1973."

Colaborou com 26 desenhos coloridos
para a antologia poética Mulher 
organizada por Natália Correia  (Lisboa: Estúdios Cor, 1973).

Em novembro de 1982, foi homenageado na Golegã com a inauguração 
da sua estátua “A Camponesa” e a abertura do Museu Municipal Martins Correia

"Temas como o cavalo, o touro, a terra e a mulher, 
são representativos nas suas obras, evidenciando a ligação profunda 
de Martins Correia às suas raízes goleganenses, ribatejanas e portuguesas. 
Está representado no Museu de Arte Contemporânea de Lisboa, 
no Museu Soares dos Reis, na Invicta, no Museu Regional de José Malhoa, 
no Museu de Arte Moderna de Madrid e claro, no Museu Martins Correia."

"O Mestre Escultor Martins Correia deixa uma obra 
que marca várias décadas da escultura, que o torna 
um dos maiores escultores portugueses do século passado."
Fonte: 



"A arte do século XX será […] idealista e poética ao mesmo tempo que popular"
e "nenhuma coisa pode ser nacional, senão é popular". 
Martins Correia

"Um escultor com o condão da poesia”

 ÁLBUM 


Atualmente a estátua de Camões concebida pelo mestre Martins Correia
está exposta "no interior do Archaeological Museum & Portrait Gallery
que ocupa um edifício conventual anexo à Igreja de S. Francisco de Assis, 
a pouca distância do local onde a estátua foi inicialmente colocada."


Imagem na Wikipédia

Estátua de Luís de Camões, no
Fotos divulgadas em Escultor Martins Correia | Facebook, jul.-ago. 2013


Originalmente, desde 10 de junho de 1960, data em que 
a estátua de Luís de Camões foi inaugurada pelo Governador Vassalo e Silva, 
a obra artística camoniana encontrava-se exposta nobremente
no centro da Praça de São Francisco Xavier, em Goa.


  Estátua de Camões no centro da Praça de São Francisco Xavier, em Goa 
in Mahendra Tamba | Facebook, 4.09.2017

 "Estátua de Luís de Camões e o Mosteiro de São Francisco de Assis", 1962  
Fotografia - por Francis Millet Rogers. 
Fundo "Francis Millet Rogers 1962", 
na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 
  "Velhos amigos numa foto antiga tirada em Goa Velha". 
Fotografia, preto & branco
Divulgada em: Joel's Goa Pics, no Flickr.

  A estátua de Camões, em 1956?  
pela equipa do Serviço Arqueológico da Índia.
 in Mahendra Tamba | Facebook, 22.08.2018
 
  A estátua de Camões em Goa   
in Mahendra Tamba | Facebook, 13.04.2018


para saber +


Estátua de Camões em Goa. Autor MARTINS CORREIA

Gen.Vassalo e Silva em Goa, 1980.



"No dia 10 de junho de 1960, na ampla praça central de Velha Goa, o Governador Vassalo e Silva inaugurou uma estátua de Luís de Camões, que foi custeada através de uma subscrição pública por iniciativa do jornal Diário Popular, datada de 1956 e da autoria do escultor Martins Correia. 

Nesse dia, o jornal O Heraldo incluía um editorial intitulado “O Dia da Raça” e ilustrava-o com uma fotografia da estátua e, no dia 12, noticiava que as comemorações do Dia de Portugal no Estado da Índia “tiveram um brilho extraordinário nesta terra”. 

No dia 14 o mesmo jornal ainda voltava a referir “a brilhante e significativa cerimónia”, salientando que a estátua “se encontrava rodeada por centenas de filiados da M.P.” e reproduzia o discurso proferido na ocasião pelo major Ramos de Freitas, sub-chefe do Estado-Maior. 

A nova e imponente estátua de Camões “sobreviveu” aos acontecimentos de 1961 que levaram à queda da Índia Portuguesa e, em Junho de 1980, durante uma visita privada que o general Vassalo e Silva fez a Goa, ainda foi fotografado junto dela. 

Porém, em 1982 a estátua foi danificada por um engenho explosivo colocado por alguns “Freedom Fighters”, com o argumento de que Camões era o poeta dos colonizadores. A estátua foi imediatamente reparada e passou a ser guardada de noite pela Polícia, mas porque era demasiado oneroso manter aquele dispositivo de segurança, o policiamento cessou pouco tempo depois. Em 1983 a estátua voltou a ser atacada e danificada pelos mesmos activistas. 

Então, as autoridades decidiram retirá-la daquele local privilegiado e colocaram-na no interior do Archaeological Museum & Portrait Gallery, que ocupa um edifício conventual anexo à Igreja de S. Francisco de Assis, a pouca distância do local onde a estátua foi inicialmente colocada. 

Este museu aloja a famosa Galeria dos Vice-Reis e nele se encontra, também, a estátua de Afonso de Albuquerque que, até 1961, esteve na rotunda de Miramar, em Pangim."

Fonte: Escultor Martins Correia | Facebook., 11.07.2013










Redação: 18.02.2026

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