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2026/08/18

Revista de Estudos Camonianos - Número extra, "Ternate 2022" (2026)

  

 Revista de Estudos Camonianos 
 Número extra, "Ternate 2022" (2026) 

 Revista académica de camonística 


Uma edição da RCnA&A, em Macau,
com direção de 


Edição:


O número extra da  Revista de Estudos Camonianos (REC), editada em Macau pela Rede Camões na Ásia & África (RCnA&A), realizado em 2022 na ilha de Ternate, na Indonésia, reúne as atas do Congresso Internacional 450 anos de 'Os Lusíadas', com foco na receção da obra, tradução para línguas do Sudeste Asiático e a presença histórica de Camões na Ásia. 

Organizado pela RCnA&A, o volume destaca-se por abordar o colecionismo camoniano e incluir vídeos das comunicações realizados na Indonésia. Para mais detalhes, visite Rede Camões na Ásia & África.

Segundo o seu diretor, Felipe de Saavedra,"embora os autores tivessem recebido as suas separatas em 2022, a dispersão e provisoriedade desses trabalhos foram agora superadas com a reunião definitiva e oficial do acervo num número especial de 2026 da Revista de Estudos Camonianos («Ternate 2022»), garantindo finalmente à comunidade académica o acesso coeso e permanente à produção científica do evento."


 TEXTOS 


ALOCUÇÕES OFICIAIS

S. M. o Rei de Ternate

Reitor da Universitas Khairun

EDITORIAL

Felipe de Saavedra

ARTIGOS

Maria do Céu Fraga

Barbara Spaggiari

Fábio Vianna Peres

Gil Clemente Teixeira

Regina Célia Pereira da Silva

Vitor Amaral de Oliveira

José Carlos Canoa


Uma revista académica inteiramente dedicada à Camonística

"A Revista de Estudos Camonianos (R.E.C.) de Macau, é uma publicação anual em formato digital da Rede Camões na Ásia & África, que organizou já quatro congressos internacionais de Camonística, em Ternate/Jakarta (2022), Macau (2024), Moçambique (2025), e Goa (2026).

Há duas décadas que não se publicava uma revista académica inteiramente dedicada aos Estudos Camonianos. O número inicial da R.E.C. saiu em dezembro de 2025, com autores de cinco países e regiões: Macau, Goa, Indonésia, Moçambique e Brasil.

A nível global, a Revista vem reforçar a projeção da Camonística nos debates académicos sobre literatura e história. Para cumprir esta agenda científica, publica trabalhos de investigação originais nos domínios da especialidade e afins – literatura, história, retórica, biografia, humanidades, ciências, artes visuais e cénicas dos séculos XV a XVII, Ásia e África portuguesas, e os modelos clássicos e medievais relevantes para o Renascimento."




para saber +



in e-CAM, 28.02.2026





Redação: 17.08.2026

2026/03/15

Luís Gonzaga Gomes, o camonista de Macau



© Conteúdo integrante desta exposição.







 

Luís Gonzaga Gomes, o camonista de Macau

ARTIGO EM ATAS | [PDF]

por José Carlos Canoa


Macau, 24-25 de fevereiro de 2024

Macau: Rede Camões na Ásia & África, p. 90-103. 

ISBN: 978-989-35669-3-0.

Ficheiro integral do volume | .PDF



Traduzindo, estudando, homenageando Camões

"Nascido e criado em Macau, Luís Gonzaga Gomes encontrava‑se num espaço muito estimulante para o conhecimento da vida e da obra do poeta Luís de Camões, situação a que ele não foi indiferente, primeiro como tradutor, depois igualmente como historiador das culturas chinesa e portuguesa e do forte intercâmbio entre elas, e ainda como homem de cargos públicos, destacando-se como conservador-diretor do Museu Luís de Camões, fundador do Instituto Luís de Camões e diretor do Boletim do Instituto Luiz de Camões.

O percurso que nos propomos delinear através dos estudos camonianos em Macau será sobretudo através de mais uma faceta do humanista Luís Gonzaga Gomes — o estudioso de Camões, o divulgador da sua vida e obra em Macau, o camonista."
José Carlos Canoa





  Receção de Camões em Macau 

Breve cronologia, destacando os textos de LLG


1880 
Tricentenário da morte de Luís de Camões

1923 
1.ª romagem à Gruta

1924 
Tricentenário do nascimento do Poeta

1936
Aberto ao público o Museu Luís de Camões

1940
Duplo centenário: da Fundação da Nacionalidade (1140) e da Restauração (1640)

1942
Tradução para cantonês de Os Lusíadas contados às crianças e lembrados ao povo.

1951
LGG publica: “A Gruta de Camões”

1952
LGG publica: “A rocha dos cinco metais”

1972
IV centenário da Publicação de Os Lusíadas.
LGG publica: Representação iconográfica da gruta de Camões de Macau,
e a 2.ª ed. de Os Lusíadas, contados às crianças...

1980
IV centenário da morte do Poeta. | Quinzena de Macau.

1983
J. J. Monteiro publica a sua epopeia: Macau vista por dentro,
que, entre outros autores, se inspira na obra de LGG.

1986
3.ª ed. de Os Lusíadas, contados às crianças... Trad. de LGG,
agora com ilustrações dos alunos das escolas secundárias.


  Camoniana de Luís Gonzaga Gomes  



 1942 
Os Lusíadas, contados às crianças e lembrados ao povo 
adaptação em prosa de João de Barros, 
tradução para cantonês de L. G. Gomes e Tcheung Iêk Tchi. 
Macau: Comissão dos Centenários da Fundação e Restauração: Imprensa Nacional.
2.ª ed. 
Comissão Executiva do IV Centenário da Publicação de Os Lusíadas, 
Macau: Imp. Nacional, 1972.
3.ª ed. 
com ilustrações dos alunos das escolas secundárias, 
Macau: Departamento de Educação, 1986.



 1945 
A rocha dos cinco metais 
redigido em 26-VI-1942 
e publicado em Curiosidades de Macau antiga, Renascimento, 1945.
Reed. - Macau: Notícias de Macau, 1952.
Reed. - Macau: Instituto Cultural, 1996: 77-82. 
pág. 77
Reproduzido em Manuel Teixeira:
A Gruta de Camões em Macau
Macau: Imprensa Nacional, 1977:155-159 
(excerto da ed. de 1952 de Curiosidades de Macau Antiga)
 2.ª ed. da obra de Manuel Teixeira, 
Macau: Fundação Macau e Instituto Internacional de Macau, 
com a mesma numeração de páginas dos textos, jun. 1999.

O visitante/leitor encontra um excerto desta lenda
na Casa da Literatura em Macau:




 1951 
A gruta de Camões
Mosaico, vol. II, núm. 11, 282-290, Macau.
Reprod. em 
Mosaico: órgão do Círculo Cultural de Macau, 
reed. fac-similada, vol. 2, 
Macau: Fundação Macau / Editora Mar‑Oceano, 2000.


 1969   
Os inícios da cidade de Macau
[Acerca da estadia ou não de Camões em Macau]
Boletim do Instituto Luís de Camões
vol. III, núm. 3-4, 271-295.


 1972 
Representação iconográfica da gruta de Camões em Macau
Garcia de Orta: revista da Junta de Investigação do Ultramar
número especial comemorativo do 4.º Centenário da publicação de Os Lusíadas
Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 323-331. 
Texto seguido de 9 págs. de ilustrações hors de texte.

Reproduzido em Manuel Teixeira:
A Gruta de Camões em Macau,
Macau: Imprensa Nacional, 1977, 159-168, 
transcrição sem as notas e a iconografia originais. 
2.ª ed. da obra de Manuel Teixeira, 
Macau: Fundação Macau e Instituto Internacional de Macau, 1999.

Ver (ainda não disponível):
José Carlos Canoa
Representações iconográficas da gruta de Camões em Macau
Luís de Camões - Diretório de Camonística.
imagem do poster 3 da exposição bibliográfica 
 e ainda patente nas instalações do Instituto.



 1973  
Museu Luís de Camões
Boletim Instituto Luís de Camões
vol. VII, núm. 3 (outono 1973), Macau: Imprensa Nacional, 271-323.




para saber +

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 24.03.2024

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 25.02.2024

no canal do Youtube da RCnA&A








Redação: 30.03.2025, atualizado em 11.03.2026

2026/02/25

“Camões: uma vida em imagens" apresentada na EPM por Felipe de Saavedra


  “Camões: uma vida em imagens"  

  CELEBRAÇÃO DO ANIVERSÁRIO DE CAMÕES NA EPM 


Com a presença de Felipe de Saavedra
investigador da obra do Poeta
e professor na UCTM

25 FEV. 2026, quarta-feira | às 14h30 | na EPM, em Macau

Organização:

Professora Alexandra Domingues
Escola Portuguesa de Macau



Uma data de aniversário a manter


A Escola Portuguesa de Macau (EPM) celebrou o aniversário de Luís de Camões no dia 25 de fevereiro de 2026.

Pela primeira vez na sua história, a EPM comemorou este ano de 2026 o dia natalício do Poeta na data proposta por Felipe de Saavedra, o dia 25 de fevereiro. Pelas 14h30 de quarta-feira, decorreu uma sessão evocativa para as turmas do 9.º e 10.º anos de escolaridade da professora Teresa Sequeira.

O orador discorreu com empatia sobre a vida acidentada de Camões no Oriente, e sobretudo acerca da sua estadia em Macau, solidamente documentada nas fontes da época.

Graças ao uso da inteligência artificial, foi possível reconstituir com rigor e excelência estética os tempos e os mundos em que Camões viveu, mergulhando na recriação “Camões: uma vida em imagens”.

Sinalizando que a data em tempos proposta pela Universidade de Coimbra não é uma solução viável, pois o eclipse de janeiro de 1525 não foi visível no Reino, onde Camões então se encontrava, o coordenador da Rede Camões na Ásia & África formulou em 2025 uma nova proposta de datação, baseada nos eclipses que Camões realmente presenciou durante a sua vida, que publicou nas Atas do Congresso do Meio Milénio de Camões em Macau [pdf].

O pesquisador apontou como mais credíveis as hipóteses do eclipse de Goa de 14 de fevereiro de 1561, e sobretudo o de 25 de fevereiro de 1579, visível em Lisboa. Apesar de algumas questões ainda não estarem respondidas, é para esta última solução que Saavedra se inclina como sendo a mais provável data do nascimento, aludida pelo Poeta no soneto “O dia em que nasci morra e pereça”.

A sessão decorreu com grande agrado dos discentes, que brindaram o orador com um espontâneo e prolongado aplauso.




para saber +








Redação: 28.02.2026

2026/02/01

"Um vilancete recém-divulgado de Luís de Camões", investigação de Felipe de Saavedra


Santo Agostinho hesitando entre o sangue de Cristo e o leite da virgem, 1498-99
(pormenor) por Francesco Francia. -Bologna, Pinacoteca Nazionale.

"Um vilancete recém-divulgado 
de Luís de Camões"

ENSAIO

da autoria do professor e investigador Felipe de Saavedra
UCTM - Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau.

In: Boletim de Estudos Clássicos, 70 (2025), Coimbra, 141-178.



Um poema devocional de Camões

"Foi revelada ao público recentemente uma composição ao divino creditada a Camões, o vilancete “Duas grandes marauilhas / Vede se Vio Creatura”. 

Neste pequeno poema devocional confluem três temas mariânicos, populares nas letras e nas artes da época: o da Virgem lactante com o Menino, o do símile entre o leite e o sangue, e o da lactação dos santos, que foram transmitidos nos hinários e na liturgia, bem como nas hagiografias e nas iconografias bernardiana e agostiniana. 

Os três motivos forneceram a matéria poética com que foi elaborada esta síntese, que dialoga de perto com outro poema de Camões, a “Elegia à Paixam de Christo N. Senhor”, permitindo ampliar o perfil do poeta como compositor de hinos sacros.

Palavras-chave:  Camões,  fluidos  corporais,  poesia  devocional,  diálogo interartes."

Resumo


para saber +







Redação: 22.01.2026

2025/11/10

CAMONISTA - Felipe de Saavedra


© Conteúdo integrante desta exposição.






















Felipe de Saavedra
Camonista, historiador, professor e coordenador da RCnA&A
n. Lisboa, 1963


Felipe de Saavedra é doutor em História Antiga e Medieval pela Universidad Autónoma de Madrid (1993), em Filosofia da Educação pela University of Canterbury (2015), e em Estudos Portugueses pela Universidade Nova de Lisboa (2016). Pesquisa temas relativos à história da presença portuguesa na Ásia e ao seu impacto na cultura global e o período clássico da literatura portuguesa, com foco em Camões, de quem editou correspondência inédita.
Ensina Estudos Portugueses na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau e é membro fundador e coordenador da Rede Camões na Ásia & África (RCnA&A), que em 2022 organizou o Congresso Internacional comemorativo dos 450 anos da primeira publicação de Os Lusíadas, com a participação de estudiosos da obra camoniana de todo o mundo.



Camoniana / Período Clássico da Lit. Port.

  • (2001) Livros quinhentistas de prelos italianos. Academia das Ciências de Lisboa; introd. José V. de Pina Martins; catalogação Maria de Lurdes Rosa; rev. Maria Leonor Cardoso Sérgio Pinto, Filipe Delfim Santos. Lisboa: ACL.
  • (2019) Congresso internacional Mariana – Lisboa e Beja, Portugal, 15 a 17 de nov. 2019. – org. Filipe Delfim Santos.
  • (2019) Mariana Alcoforado: 350 anos de paixão e prélio. – Mostra bibliográfica que assinalou os 350 anos da edição princeps das Lettres portugaises traduites en françois. Na Biblioteca Nacional de Portugal, Lisboa, 4 - 30 nov. 2019.
  • (2020) Afinal nem todas as cartas de amor são ridículas, in Cartas portuguesas traduzidas em francês de Mariana Alcoforado. – Edição definitiva. Ed. Filipe Delfim Santos. Amadora: Canto Redondo, 9-53.





Cartas portuguesas traduzidas em francês

Coord. de Filipe Delfim Santos
Retroversão de Vitor Amaral de Oliveira

Amadora: Canto Redondo, 2020.



Congresso Mariana: atas

1.º vol. : Crónica e comunicações iniciais

Ed. Filipe Delfim Santos

Beja: Congresso internacional Mariana / Canto Redondo, 2021. 











Epistolário magno de Luís de Camões
Volume I – Celestina em Lisboa

edição crítica, analítica e comentada
de Felipe de Saavedra

Col. Epistolários, 2

Lisboa: Canto Redondo, 2022 


Congresso Internacional 450 anos de Os Lusíadas

Ternate/Jakarta, 12 de março de 2022. 
Org. Felipe de Saavedra. 






Atas do Congresso Internacional 450 anos de Os Lusíadas


Ed. Felipe de Saavedra
 
Ternate, Jakarta, Lisboa: RCnA, 2022





 



"Luís de Camões: no meio milénio do seu nascimento (1525-2025)"

Exposição de 15 painéis sobre a vida e obra de Luís de Camões.
Conceção e textos do Professor Felipe de Saavedra.
Primeira exibição na Fundação Rui Cunha, em Macau,
organizado pela Rede Camões na Ásia e África (RCnA&A).
Itinerante, viajará até África, estando patente durante o 
Congresso do Meio Milénio em Moçambique.
A exposição resulta de uma parceria entre
 a Rede Camões Ásia & África e o IPOR - Instituto Português do Oriente.



Páginas Web com eventos e recursos:





Rede Camões na Ásia & África (RCnA&A). – Rede asiática e. africana de pesquisadores e tradutores de Luís de Camões.




Camoens.pt – Divulgação de música, poesia e outras atividades, incluindo trabalhos académicos.






Luís de Camões – Canal do Youtube sobre a vida, a obra e a época de Luís de Camões, que veicula igualmente recursos da RCnA&A e de Camoens.pt.







Bahasa Portugis – Canal do Youtube que funciona como “repositório dos trabalhos multimédia sobre Língua e Cultura Portuguesa dos estudantes da Universitas Indonesia” sob orientação do Professor Felipe de Saavedra.





Óbidos, Livraria Artes & Letras



Redação: atualizado em 10.08.2022.

Apresentação do livro das Odes de Camões na Casa Garden, junto ao Jardim Luís de Camões, em Macau

 

© Conteúdo integrante desta exposição.








AQUILEIDA, a trilogia de Aquiles, e mais onze odes de Luís de Camões

Nova edição integral e ilustrada.

APRESENTAÇÃO


Organização cronológica, introdução e paráfrases 

Tradução para chinês mandarim
por Zhang Weimin

Edição bilingue: português - chinês


Macau: uma edição da RCnA&A, 1.ª edição, set. 2024.

Impresso em Lisboa. | Distribuição da Canto Redondo



Apresentação, com debate

12 OUT. 2024, sábado | às 15h00 | Na Casa Garden, Macau






VÍDEO | 3:49
TDM Canal Macau, no Facebook, 11.10.2024

Rafael Marçal



"As odes no Meio Milénio de Camões"

"As composições poéticas que aqui se oferecem à fruição dos públicos de língua portuguesa e de língua chinesa são as odes que o poeta Luís de Camões (c.1525-c.1580) compôs durante o florescimento do movimento cultural europeu renascentista, assim chamado por assentar na continuidade e na renovação das culturas da Grécia e Roma antigas.

Não havendo recebido até hoje uma edição própria que as destacasse da inteira produção poética do Autor, ela surgiu graças à iniciativa do Professor Zhang Weimin, a quem se deveu a inspirada sugestão de verter para a língua chinesa os poemas inscritos neste género, e destiná-los a publicação independente. Neste labor colocou o sábio tradutor uma experiência de quatro décadas de convívio com Camões, iniciada em finais dos anos setenta do século passado, e aprofundada numa familiaridade crescente que lhe tem permitido oferecer com regularidade ao público chinês os maiores tesouros da literatura clássica portuguesa. E em boa hora surgiu esta proposta, a tempo de com ela celebrarmos os quatrocentos e sessenta anos da estância de Camões em Macau, 1564–2024, assim como o início do triénio de celebrações do Meio Milénio do Nascimento do Poeta, 2024–2026.

Camões é um dos maiores expoentes da plurissecular amizade luso-chinesa, e o mais notável de todos os escritores que viveram em Macau. Foi aqui, durante os anos de 1563-1565, quando desempenhava funções oficiais para a Coroa portuguesa, que ele compôs uma significativa parte das composições adscritas ao ciclo asiático da sua produção poética – que engloba também a Índia, a Indonésia e o Médio Oriente – bem como muitas estrofes de Os Lusíadas. Nesse ensejo teve o Poeta estreito contacto com a língua chinesa, mormente devido à afeição que nutriu por uma jovem beldade local, que ele crismou com um nome grego, Dinamene.

Procurou-se então que esta edição das odes de Camões fosse digna da importância da semimilenar efeméride. Consultaram-se todos os manuscritos e edições pertinentes para oferecer ao público um texto melhorado, optando-se quase sempre pelas propostas de Manuel de Faria e Sousa (1590-1649), com exceções assinaladas na ‘Nota Textual’ no final do volume. Para o pleno entendimento da linguagem poética camoniana elaboraram-se paráfrases, que por vezes são interpretativas. No interesse do leitor foram ocasionalmente retocadas maiusculações, virgulações e pontuações, e desfeitas algumas elisões. Foram adicionadas notas à tradução chinesa pelo Professor Zhang.

Pela primeira vez as odes foram ordenadas cronologicamente, tomando como referência as que têm a datação seguramente estabelecida, e agrupando-se as restantes por afinidades temáticas e estilísticas. O corpus das odes foi restaurado, excluindo-se dele duas canções que por longo tempo se lhe acharam impropriamente agregadas, e adicionando-lhe duas odes que vinham sendo indevidamente omitidas nas edições hodiernas. O conjunto constitui a totalidade das composições de Camões pertencentes a esta tipologia que chegaram até nós, enquanto se aguardam novos achados em manuscritos por compulsar. Por fim, cada uma das composições recebeu uma ilustração alusiva ao tema ou ao destinatário, em recriações executadas por Tiago Côrte-Real em estilo maneirista — a fase tardo-renascentista e pré-barroca das belas-artes e da arquitetura, mas não transponível para a literatura como em tempos se pretendeu.

Ao livro resultante destes ciclópicos trabalhos deu-se o título de Aquileida, destacando-se desta forma a trilogia composta pelas odes inspiradas na vida e feitos do guerreiro Aquiles de Ftia, um núcleo coeso que documenta o interesse do Poeta pelo jovem campeão das armas gregas, e que compreende a conceção, a educação e os amores do príncipe tessálio."

Felipe de Saavedra
In: Introdução - "O mundo das odes de Camões" 
(p. 11-12 de 11-31).



  1. Evento na Casa Garden, no sábado, dia 12 de outubro de 2024.
  2. Zhang Weimintradutor da obra camoniana para chinês, e de Felipe de Saavedra, investigador e camonista, na apresentação do Livro das Odes na Casa Garden, em Macau.
  3. Momento do recital de poesia: alunos da MUST dizem odes de Camões em chinês.
  4. Sessão de autógrafos no final.
  5. Ilustração da Ode III - "Fogem as neves frias", p. 65 da Aquileida.

para saber +


Andreia Sofia Silva
in Hoje Macau, Literatura, 16.10.2024

in RCnA&A - Rede Camões na Ásia & África

in Luís de Camões - Diretório de Camonística

Macau, Fundação Rui Cunha, 24-15 de fevereiro de 2024
e com transmissão online | V. Videoatas 2024

Editora Canto Redondo / Canto Redondo no Facebook






Redação: 11.10.2024, atualizado em 13.10.2024.

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