Pesquisar na e-CAM:

Mostrar mensagens com a etiqueta Antologia poética. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Antologia poética. Mostrar todas as mensagens

2026/07/04

Antologia "Escrevo Camões para Camões" lançada durante espectáculo e gala de de Jantar na Fundação Oriente

 

 Escrevo Camões para Camões 

  LANÇAMENTO DA OBRA  


10 JUN. 2026 | 17h00 – 21h50
Na Fundação Oriente, em Lisboa

Reservas:
+351 968 184 894 (WhatsApp): Escritora Paula OZ I Edições Oz
Lotação limitada e sujeita aos lugares reservados.

PARTICIPAÇÃO PARA TODOS
GALA — 100 € (Inclui espectáculo e jantar)
GALA MECENAS — 120 €
Experiência completa (espectáculo + jantar + PODCAST)
Lugar reservado nas primeiras filas
Menção no programa oficial
Fotografia individual em destaque na revista CenasOz Magazine.

Fotografia: Antonio Alfredo | Hugo Ascenção
Filmagem: José António Esteves

Organização:

Voz - Cultura com vida
em parceria com a Fundação Oriente


 "CAMÕES À MESA DA PALAVRA" 

Espectáculo e Gala de Jantar

"No Dia de Camões, 
a VOZ – Cultura Com Vida e a Fundação Oriente 
convidam para uma noite onde literatura, música e teatro se encontram.
O programa inicia-se com espectáculo na Sala Beijing, 
seguido de cocktail dinatoire e jantar no Restaurante Panorâmico com vista para o Tejo,
reunindo convidados e autores numa noite de cultura, convívio 
e celebração da Língua Portuguesa."

Momento especial da noite
Apresentação da antologia

 Escrevo Camões para Camões 
Antologia pética
Lisboa: Edições Oz, 2026.

Edição limitada, exclusiva e numerada
com uma tiragem especial de 20 exemplares

Uma obra concebida como edição de coleccionador,
que reúne vinte vozes da poesia contemporânea
em homenagem ao poeta Luís de Camões.

Com assinatura e cunho especial 
do escritor Mia Couto e Paula OZ

e capa com a pintura de Camões 
de António Dias.



  PROGRAMA  

Na Sala Beijing
Espectáculo com teatro - Ator Miguel Rosendo Linares - e música
  O ator Miguel Linares como poeta Luís de Camões | © Imagem no Facebook do artista   
Entrega do Prémio Camões da Palavra 
pela Actriz e Escritora Sónia Balacó
Breve apresentação da antologia
“Escrevo Camões para Camões”
Momentos musicais inspirados na tradição portuguesa: 
Música Renascentista | Fado | Saxofone | Cânticos a Camões
Cocktail dinatoire seguido de jantar 
no Restaurante Panorâmico com vista para o Tejo
Photoshooting oficial do evento e cobertura da revista


para saber +


in e-CAM, 3.07.2026

Cristina Caeiro | Facebook, 15.03.2026

Edições Oz | Facebook









Redação: 4.07.2026

2026/02/01

O poema de Camões feito canção, testemunho por Sérgio Godinho


Sérgio Godinho, 
n. Porto, 1945.
Capa do álbum Aos Amores (1989)

  AO ARREPIO DAS CONVENÇÕES  

"Falando só da lírica de Camões (fulgurante, luminosa e atual), que sempre me fascinou, queria apenas deter-me num momento não tão comum como possa parecer: há um poema ímpar intitulado "Endechas a Bárbara Escrava", que louva os seus amores por uma escrava negra (ou indiana, segundo uma ou outra interpretação), e que me foi dado a conhecer através do José Afonso.

Mais propriamente, pelo poema feito canção pela música e interpretação do Zeca. Uma espécie de invólucro maior de algo que já valia por si mesmo.Mas ouvi-o a cantar "Aquela cativa que me tem cativo, porque nela vivo, já não quer que viva"... e depois aquele outro verso extraordinário, "Pretidão de amor, tão doce a figura, que a neve lhe jura que trocara a cor". E aqui fiquei literalmente aos pés do Luís de Camões e do Zeca. Que conjugação! 

E também que subversão, a do poeta, ao ter assumido os seus amores (reais ou imaginados, não interessa) por uma negra, ao arrepio das convenções da época, que sempre valorizaram a mulher de pele ebúrnea, e tantas vezes de cabelos louros ou castanho-claros. [...] E é quase como se Camões fizesse a demonstração ad contrarium das virtudes semelhantes e tão dignas de ser louvadas de uma mulher negra, ainda para mais uma escrava (que faz dele um escravo do seu amor)."

Sérgio Godinho

"Ao arrepio das convenções", prefácio em
Lírica de Camões: antologia: Amor é um brando afeito. - Volume III.
Escolha de textos e introdução - "Sonetos de melancolia",
de José Augusto Cardoso Bernardes; anotações de Martinho Soares.
Lisboa: Expresso, 2026, p. 8.



"Endechas a Bárbara Escrava" ao vivo por Sérgio Godinho
No Teatro São Luís, 2020
Spotify | Áudio, 04:25

"Celebrar a poesia de Camões 
numa música composta por José Afonso 
numa versão interpretada por Sérgio Godinho 
acompanhado pela Orquestra Metropolitana de Lisboa 
e por Filipe Raposo."

Pode também ouvir aqui.

Outra versão, no Youtube | Áudio, 03:53



para saber +


Sérgio Godinho | Facebook oficial

in Vachier & Associados

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 27.12.2025






Redação: 1.02.2026

2026/01/18

O Amor o Vinho e as Rosas na poesia de Camões, saboreados com muita arte de Francisco Simões




"Ilha dos Amores", por Francisco Camões
desenho utilizado na capa da antologia Com Vinho e Rosas... 

  Com vinho e rosas:  

O AMOR O VINHO E AS ROSAS
na poesia de Luís Vaz de Camões

  antologia de homenagem aos 450 anos da Ilha dos Amores  

VÍDEO & LIVRO


O vídeo [9:00 min] apresenta a leitura 
de excertos da poesia de Luís de Camões presente na antologia 
Com vinho e rosas: 
o amor o vinho e as rosas na poesia de Luís Vaz de Camões 
– Homenagem aos 450 anos da Ilha dos Amores
organizada por Gonçalo Salvado
com desenhos de Francisco Simões 
e apresentada por por Maria João Fernandes
na coleção LUMEN Pintura Poesia Vinho
10 jun. 1022

Poemas ditos por 

Francisco Simões, Gonçalo Salvado e Maria Paula Mendes

Realização:

Filme e montagem de Henrique Calvet
exceto auto-filmagem de Francisco Simões

As filmagens foram efetuadas 
junto à "Ilha dos Amores e Ninfas" no Parque dos Poetas, em Oeiras, 
na Livraria Sá da Costa, em Lisboa 
e no atelier de Francisco Simões, no Funchal.





para saber +


in Luís de Camões - Diretório de camonística, 17.11.2024

in Gonçalo Salvado Poeta, 31.12.2023






Redação: 18.01.2026

2025/11/10

“O Vasto Império do Coração” é o título do livro e da exposição da autoria de Sara Augusto

© Conteúdo integrante desta exposição.


















“O Vasto Império do Coração”

APRESENTAÇÃO DO LIVRO e da INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO

da autoria de Sara Augusto


18 JUN. 2025 | às 18h00

Na Chancelaria do Consulado-Geral De Portugal em Macau e Hong Kong

Exposição patente de 18 a 30 JUN: 2025
De segunda a sexta-feira, das 9h30 às 18h30


Organização:

IPOR - Instituto Português do Oriente
Com o apoio de
Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, 
Estrutura de Missão  para as Comemorações do 
V Centenário do Nascimento de Luis de Camões


O Ascendente poético de Camões

"Um verso de António Couto Viana serve de título 
à antologia e à exposição que se apresentam, motivados pela 
celebração dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões. 

Na senda do Renascimento e do Humanismo, 
engajado nas viagens marítimas para o Oriente, 
o poeta afirmou a sua excelência pelos temas, pelas formas poéticas, 
pela riqueza e pela estabilização linguística que representou. 
Camões terá vivido por algum tempo em Macau.

Os versos da antologia e as fotografias expostas descrevem e interpretam 
um lugar literário dominado pelo pequeno busto do poeta, 
o Jardim e a Gruta de Camões, que se tornou lugar de visitação. 

A antologia recolhe registos poéticos de visitantes, 
de escritores portugueses que residiram em Macau algum tempo 
e de escritores nascidos em Macau, 
revelando laços que celebram, se identificam e que inscreveram Camões na memória coletiva. 

A exposição pretende um olhar também poético, 
pelas sombras da vegetação, pelos gestos diários da dança e do tabuleiro de jogo, 
pelo riso e pela conversa, pelo silêncio e pelo olhar posto no horizonte. 
É o poder do coração, em toda a sua paleta, 
que torna um lugar simultaneamente mítico e humano, 
aliado ao poder da imaginação e ao poder transformador do tempo."

Do Programa "Junho, Mês de Portugal" 2025
e no site da autora - Estrada de Prata


Referência bibliográfica:

Sara Augusto
O Vasto Império do Coração: a visitação de Camões na literatura de Macau 
em língua portuguesa: antologia e estudo.
Com fotografias também da autora.
Macau: IPOR, jun. 2025.

Um álbum fotográfico

 © Fotografias no site Estrada de Prata: Sara Augusto

Uma antologia poética

que nos convida a conhecer a receção da obra de Luís de Camões,
ao longo dos tempos, por outros escritores
da  literatura de Macau em língua portuguesa.


[Poema]




Sara [Manuela Ribeiro Martins] Augusto, n. 1969
Professora, investigadora e fotógrafa.

Licenciada em Humanidades na  U. Católica Portuguesa (1991), 
Mestre em Literaturas de Expressão Portuguesa - Literatura Brasileira, pela U. Lisboa (1995)
e Doutorada em Literatura Portuguesa pela U. Católica Portuguesa (2005)
 com a tese A alegoria na ficção romanesca do Maneirismo e do Barroco.
 Fez um pós-doutoramento em Literatura Portuguesa barroca:
"Literatura de Viagens na época barroca: viagens de portugueses a Roma" 
nas U. Coimbra e U. Roma (2007-2012). 

Atualmente, é docente na City University of Macau,.

Publicou, entre outros títulos,
 A alegoria da ficção romanesca do Maneirismo e do Barroco (2010), 
A Guerra Interior, do Padre Matias de Andrade, 1743 (2012), 
Português com textos I e II (2017-2019),
Camilo Pessanha: novas interrogações (2019); 
Produção de materiais didáticos para o ensino de PLE 
no contexto da China e Ásia Pacífico (2020), Alegoria: ensaios (2021).


A figura de Camões, poeta de Macau, 
já tinha estado patente numa exposição anterior de Sara Augusto:

“Poesia em Língua Portuguesa | 葡語詩歌”

Exposição | Pode ver a mostra online.
Com os trabalhos realizados pela Turma C1 - Aperfeiçoamento
inspirados pelo livro Macau: o Livro dos Nomes (2022)
da autoria de Carlos Morais José (texto) e de Sara Augusto (fotografia).

para saber +

João Luz 
in Jornal Hoje Macau, 13.05.2025








Redação: 20.05.2025

2025/06/04

Lançamento da obra "Sete Mulheres, Sete Musas: lírica de Camões"

Cartaz do evento no Facebook - 4 jun. 2025

"Sete Mulheres, Sete Musas: 
Lírica de Camões"

LANÇAMENTO DA OBRA 

Com a presença de Alexandra Lourenço Dias
autora do projeto e coord. da antologia

Sessão moderada por Manuel Ferro.


4 JUN: 2025, quarta-feira | 18:00 - 19h30

Na Sala de São Pedro, BGUC


Organização:
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra



Sete Mulheres, Sete Musas:  lírica de Camões

Coordenação de Alexandra Lourenço Dias.

Londres: Camões - Centre for Portuguese Language and Culture do King’s College, 2025.


"Partindo da lírica camoniana e do lugar central que nela ocupam as figuras femininas, esta obra propõe uma reinterpretação visual e literária de sete musas camonianas — Leonor, Dinamene, Bárbara, Violante, Francisca, Catarina e a Menina dos Olhos Verdes — através do olhar contemporâneo de sete artistas da banda desenhada portuguesa: Amanda Baeza, Daniela Viçoso, Miguel Rocha, Jorge Marinho, José Smith Vargas, Rita Mota e Susa Monteiro, com argumento de Pedro Vieira de Moura.

Concebida pelo Camões Centre for Portuguese Language and Culture do King’s College London, sob coordenação de Alexandra Lourenço Dias, a antologia apresenta-se como uma homenagem às mulheres que povoam o imaginário camoniano, explorando o cruzamento entre texto poético, narrativa gráfica e representação feminina.

Mais do que uma simples adaptação literária, Sete Mulheres, Sete Musas é um exercício de intermedialidade que convoca o lirismo de Camões para o universo da banda desenhada, promovendo o encontro entre a tradição literária e as linguagens visuais contemporâneas. A obra destaca o papel da mulher — real ou imaginada — na poesia camoniana e celebra a sua pluralidade, dando corpo e voz a figuras que, durante séculos, inspiraram música, literatura e arte em Portugal."

in Evento | No Facebook


Exposição: "CAMÕES 500"

Com curadoria de Paulo da Silva Pereira e Filipa Araújo

HORÁRIO:

Patente até 25 de julho 2025

Para o público em geral: 
segunda a sexta-feira | 14h00–17h00, exceto feriados.
"A imagem de capa do livro Sete Mulheres, Sete Musas: Lírica de Camões

foi escolhida para ilustrar um dos painéis da exposição 
CAMÕES 500
com o objetivo de focar o tema «As mulheres em Camões"."

in Evento | No Facebook



para saber +

Evento | Facebook

Página da Exposição 

Universidade de Coimbra, Programação.

Universidade de Coimbra, Agenda.


in Notícias ao Minuto, 24.05.2025




Redação: 24.05.2025

2024/09/23

Celebrações em torno da Antologia de 100 Poetas brasileiros que homenageiam Camões



Café Literário com Luís de Camões


"100 Poetas brasileiros Contemporâneos, homenageiam os 500 anos do nascimento do Príncipe dos Poetas - Camões"

Lançamento da Obra


"Os 500 anos do Príncipe dos Poetas - Camões"

Recital brasileiro 


23 SET. 2024 | 20h (Brasília) | Brasil | Ao Vivo pelo Google Meet 

Organização:


Com Certificado de 4 horas.

Aberto a todos os interessados.



Mesa redonda / bate papo com: 

Coautores da Obra
"100 Poetas brasileiros Contemporâneos, homenageiam os 500 anos do nascimento do Príncipe dos Poetas - Camões"

Organização de Zecca Paim
Antologias Brasil






"Ainda com o coração repleto de alegria e realizado, 
quero agradecer a cada Poeta e Poetisa, Escritores, Cordelistas, Contistas, 
todos que se dispuseram de seu valioso tempo, para estarem connosco 
nesse dia festivo 23 de setembro, 
no Lançamento da Obra em Homenagem ao Príncipe dos Poetas Camões

foi uma Noite de Gala, para entrar para a História da Literatura Nacional e Internacional, fizemos bonito, deixamos nosso Legado para essa e as futuras Gerações, 
Camões 500 anos é apenas uma vez e acontece nesse ano de (2024), 

meus cordiais cumprimentos e abraços camonianos a todos Coautores presentes, 
nossa mesa redonda estava repleta de bons conteúdos 
e pudemos levar ao mundo nossa Literatura Brasileira.

Dentro da Agenda das Celebrações Camonianas 2024, para o mês de Setembro, 
realizamos o "Café Literário com Luís de Camões, 

Lançamento da Obra: "100 Poetas brasileiros contemporâneos, homenageiam os 500 anos do nascimento do Príncipe dos Poetas- Camões "

e um belo Recital brasileiro 

"Os 500 anos do Príncipe dos Poetas - Camões" 

uma edição especial comemorativa aos 500 anos de nascimento de Camões, 
com os Coautores da Obra,
Francisco Almeida, Ana Maria da Silva Almeida, Domingos Tomo

Tendo como Organizadores


e foi transmitido Ao Vivo pela Tv Channel Network 
que agradecemos imensamente na pessoa do querido Ale Abdo

Agradeço a TV pela Cobertura, a Maestria na Condução dos Trabalhos de Osalda Pessoa 
e a nossa Prefaciadora Nauza Luza Martins pela presença, seu brilho nos encanta.


Sobre a Obra: 

"100 Poetas brasileiros Contemporâneos, homenageiam os 500 anos do nascimento do Príncipe dos Poetas - Camões"

ISBN: 978-65-84517-65-3 | Páginas: 408 p.
Editora: Antologias Brasil | Organizador: Zecca Paim

Apoio e realização: Antologias Brasil Constelação Luza – Antologias 
Organizador Zecca Paim e 
ALCAAB - Academia de Letras Ciências e Artes da Amazônia Brasileira.


Gratidão a todos, Obrigado a cada um que tornou nossa Noite rica em Literatura Universal.

O evento pode ser assistido no Facebook ou pelo Youtube."


in Facebook, 23.09.2024






Evento Obra 100 poetas em Homenagem aos 500 anos de Camões 23.09.2024










  1. Cartaz do lançamento da Obra.
  2. Cartaz com reprodução da capado livro 100 Poetas brasileiros Contemporâneos, homenageiam os 500 anos do nascimento do Príncipe dos Poetas - Camões.
  3. Certificado de participação na mesa redonda/bate papo da coautora Pamela Beatriz Guimarães da Silva. - Imagem no Facebook, 24.09.2024.








para saber +


Zecca Paim | Facebook, 5.09.202423.09.2024


José Carlos Canoa
in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 9.12.2023










Redação: 5.09.2024 e atualizado em 25.09.2024

2024/05/14

Camões: uma antologia, de Frederico Lourenço


Camões: uma antologia

de Frederico Lourenço


No meio milénio do nascimento de Luís de Camões, 
uma antologia com textos escolhidos e anotados 
por Frederico Lourenço. 

Nas livrarias a 29 de maio.





"Luís de Camões (1524?-1580) é um dos maiores nomes da literatura mundial e a sua obra ocupa, ainda hoje, o lugar cimeiro na história da cultura portuguesa. Na sua produção épica e lírica criou um universo único, cujos encantos e mistérios despertam há séculos a paixão de leitores e estudiosos. A presente antologia, pensada como homenagem ao poeta no seu quinto centenário, dá a ler as passagens mais brilhantes de Os Lusíadas e das Rimas, com um comentário ao mesmo tempo acessível, erudito e ousado.

Conhecido pelo seu romance camoniano Pode um Desejo Imenso e por estudos académicos sobre Camões, Frederico Lourenço dedica-se aqui a explorar, com elementos novos, a velha questão da presença clássica na obra camoniana, não deixando de enfrentar o problema de como lê-la à luz das mentalidades contemporâneas."



LANÇAMENTO - Camões: uma Antologia

 19 JUN. 2024 | 18h00 
No Auditório, Biblioteca Nacional de Portugal

Apresentação da obra pela
Professora Doutora Isabel Almeida





Recensão crítica da obra por Guilherme d'Oliveira Martins


"A publicação de Camões: uma antologia de Frederico Lourenço (Quetzal, 2024) constitui um acontecimento importante na celebração dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões, aproximando o grande poeta do grande público e de todos os estudiosos.

Uma Antologia reunindo as passagens mais importantes de Os Lusíadas e da poesia lírica camoniana, envolvendo sonetos, canções, éclogas e demais obras significativas é uma necessidade quando celebramos o quinto centenário do mais importante poeta da língua portuguesa.

Daí a importância da obra de Frederico Lourenço Camões: uma antologia (Quetzal, 2024), que pretende responder à pergunta feita por muitos: Por onde começar a ler Camões de modo a poder apreender o significado e o lugar de uma obra fundamental, também para a cultura contemporânea? E ninguém melhor que um classicista para nos ajudar nessa diligência. 

Daí a importância da matriz latina na poesia de Camões, único na afirmação de um idioma falado em todos os continentes, o primeiro do hemisfério sul, com capacidade de atração multifacetada que ultrapassa em muito a dimensão textual. E importa lembrar que a origem do português está na herança dos trovadores, que um rei poeta tornou língua oficial e que a maturidade do idioma comum foi atingida por um poeta genial, que se tornou símbolo da pátria, não apenas ao cantar as glórias do passado, mas assumindo a erudição e a expressão popular enquanto marcas de uma cultura e contributos de civilização.


O CONTACTO COM A DOCTRINA

Virgílio e Horácio estão bem presentes na poesia camoniana e “o que impressiona acima de tudo na poesia de Camões é a profundidade da sua cultura e das suas leituras: daquilo a que os romanos chamariam a sua doctrina”. E Frederico Lourenço insiste em que “se há poeta doctus na história da literatura que possa ser posto ao lado de Virgílio e de Horácio, esse é Camões”. 

E se não há prova documental da frequência do poeta da Universidade, o certo é que parece evidente o contacto com o ambiente académico através de seu tio D. Bento de Camões, cancelário da Universidade e prior dos frades de Santa Cruz de Coimbra. Além disso, Camões pode ter seguido lições do humanista André de Resende, a quem se deve a criação do neologismo Lusíadas, típico da preocupação neoclássica de encontrar raízes antigas contemporâneas da civilização romana. 

A verdade é que o épico teve acesso a bibliotecas, ligando intensamente a leitura e a memória. E nas Rimas revela-se um profundo conhecedor de Petrarca e dos seus seguidores em Itália e Espanha. E Os Lusíadas, desde as primeiras palavras, revelam um conhecimento profundo da Eneida e dos principais clássicos latinos. Do mesmo passo, as redondilhas das Rimas pressupõem um conhecimento seguro do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende e a dramaturgia do Autos de Filodemo, dos Anfitriões e d’El-Rei Seleuco evidencia o conhecimento certo dos modelos italianos e ibéricos. 

E se não encontramos em Camões nem Beatriz, nem Laura, como fixações individualizadas, há as raízes trovadorescas das cantigas de amor e de amigo, na medida velha, enriquecidas com a medida nova, trazida por Sá de Miranda. Mas, seguindo a boa lição de Jorge de Sena, a melhor atitude na leitura camoniana é a recusa da tentação biografista, apesar das “puras verdades já por mim passadas”. E quando lemos “Transforma-se o amador na cousa amada / por virtude do muito imaginar” é a inspiração de Petrarca que se nota – “l’amante nell’amato si transforme”… Há, pois, a relevância da poesia como processo criativo próprio, com reminiscências pessoais, quer para proteção da intimidade, quer como afirmação pública do valor próprio. E se há afirmação autobiográfica, ela não se encontra escondida, mas está claramente afirmada em Os Lusíadas, no Canto décimo: “Nem me falta na vida honesto estudo / Com longa experiência misturado” (154).


LIDAR COM UMA OBRA-PRIMA

O genial poeta encontra-se, porém, envolto em mistério no caso mais evidente da publicação da sua obra-prima. De facto, não estamos perante uma figura ignorada ou subalterna. Camões não foi um poeta maldito. O período em que morreu, esse sim, foi de angústias e tensões. A publicação do célebre poema obteve um parecer favorável da Inquisição, o que pode surpreender, em contraste com as desconfianças depois encontradas, designadamente no comentário de Faria e Sousa, em 1640. 

Mas o rei Filipe I de Portugal não escondeu admiração (quiçá política) por quem sabia ser um símbolo de Portugal, em respeito com as decisões de 1581 das Cortes de Tomar… Mas é a história de um pelicano que nos fixa as atenções. Subsistem cerca de 50 exemplares da edição de 1572, iguais em quatro erros, com algumas particularidades, devidas à complexa organização dos vários cadernos que os constituem, avultando a posição do pelicano no frontispício e a diferença na expressão “E entre gente remota edificaram” e “Entre gente remota edificaram”. Deve-se hoje a K. David Jackson, Vítor Aguiar e Silva e Rita Marnoto a demonstração de que a realidade da edição de 1572 é muito mais complexa do que as simplificações que se foram repetindo. E merece atenção o exemplar que se encontra em Austin, na Universidade do Texas, com anotações do padre católico, um indiano convertido, que testemunhou a morte de Camões e que anotou no referido exemplar que o poeta faleceu no hospital sem um manto para se cobrir… 

Mas, como ler nos dias de hoje a obra de Camões? Ninguém duvida […] que o seu mundo era profundamente diferente do nosso. Contudo, Os Lusíadas à semelhança da Eneida contém a semente do seu próprio contraditório. Como não encontrar em Virgílio e em Camões nas entrelinhas das obras outras vozes, distantes da lógica imperial, capazes de reconhecer uma lógica emancipadora, decorrente do significado humano da literatura? 

De facto, também Camões quis que ouvíssemos outra voz, além da triunfalista. “Quis que soasse no seu poema uma voz a transmitir a consciência pesarosa da limitação humana”. E aí está o Velho do Restelo, como voz crítica, com o saber de experiências feito, pondo-nos de sobreaviso para a glória de mandar e a vã cobiça. Daí o alerta do canto nono: “E ponde na cobiça um freio duro / e na ambição também, que indignamente / Tomais mil vezes, e no torpe e escuro / Vício da tirania infame”…      
Guilherme d'Oliveira Martins
"A vida dos livros", in blogue Raiz e Utopia, publicado pelo CNC, 8.07.2024












para saber +



Francisco José Viegas
A biblioteca de Camões [acerca da antologia poética de Frederico Lourenço ]
in Correio da Manhã [online], 15.09.2024 [Texto de acesso limitado!]

«Esta bela edição reúne os trechos camonianos preferidos do autor, anotados pela elegância e pela erudição acessível que pontuam o seu estilo, e a exploração da ligação à matriz latina da poesia de Camões. Frederico Lourenço adverte que “nunca entenderemos o poeta d’Os Lusíadas se o divorciarmos dos autores da Roma Antiga, que ele próprio lia”, como Virgílio e Horácio.» 

Sílvia Souto Cunha
"Camões: uma antologia", in Visão, n.º 1631 (5 a 12.06.2024): 
Camões: A história, os mitos e o enigma.

João Céu e Silva
in DN online, 27.05.2024
















Redação: 14.05.2024, atualizado em 15.09.2024

Etiquetas