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2025/03/31

Em memória de Nuno Júdice (1949-2024)

   

Em memória de Nuno Júdice (1949-2024)

ARTIGO EM ATAS | [PDF]

por Felipe de Saavedra


Macau, 24-25 de fevereiro de 2024


ISBN: 978-989-35669-3-0.

Ficheiro integral do volume | .PDF




 





para saber +

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 24.03.2024

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 25.02.2024

no canal do Youtube da RCnA&A








Redação: 30.03.2025

O sexo no século de Camões

    

O sexo no século de Camões

ARTIGO EM ATAS | [PDF]

por Nuno Júdice


Macau, 24-25 de fevereiro de 2024


ISBN: 978-989-35669-3-0.

Ficheiro integral do volume | .PDF




 





para saber +

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 24.03.2024

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 25.02.2024

no canal do Youtube da RCnA&A








Redação: 30.03.2025

2022/11/28

Camões e o Erotismo numa jornada de estudos sobre a Literatura Portuguesa na Sorbonne Nouvelle



“Ai! Ou como gozar em português”

JORNADA DE ESTUDOS

28 de novembro de 2022, entre 9h15 às 17h00

Sala Athena da Maison de la Recherche da Universidade Sorbonne Nouvelle / Paris

Organização:
Fernando Curopos e Egídia Souto (Crepal)

com o apoio do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.






“A literatura em língua portuguesa nascida com o lirismo trovadoresco surge já permeada por um certo erotismo nas cantigas de amigo, revestindo-se de contornos pornográficos ou obscenos nas cantigas de escárnio e de maldizer. Embora “imorais”, essas cantigas integram o cânone literário, legitimadas pela academia e pelo discurso crítico. Ora, se esse mesmo discurso académico reconhece o episódio da “Ilha dos Amores” (Os Lusíadas) como um texto erótico de relevo, muitos outros, escritos na época e nos séculos seguintes, terão sido descartados, esquecidos ou mesmo apagados por vários mecanismos de censura ou de autocensura, uma censura que também atingiu a arte portuguesa. No entanto, vale lembrar que algumas práticas obscenas vindas de tempos remotos nem sempre foram censuradas e continuam ainda vivas na cultura popular.

A jornada de estudos “Ai! Ou como gozar em português” tem como objetivo resgatar textos, obras, autores, artistas, discursos e práticas culturais em que o sexo é dito, visto, “inter-dito” ou “maldito”.”

Fonte: Site do Camões, I.P. agenda.







Consulte
aqui
(.pdf)






2022/07/28

De manuscritos antigos, de textos inéditos e, principalmente, do estimar os poemas de Camões


Santo Agostinho hesitando entre o sangue de Cristo e o leite da virgem, 1498-99

Francesco Francia

Bologna, Pinacoteca Nazionale.



2022 é um Ano Camões, pois celebram-se os 450 anos da publicação de Os Lusíadas. A efeméride tem suscitado congressos, colóquios, dossiês temáticos em periódicos, exposições, concertos, maratonas de leitura da epopeia... – vejam-se as Efemérides neste blogue.

Entre esses eventos, ocorreu a 3 de julho a terceira Conversa dos Capuchos, no âmbito do Festival de Música dos Capuchos. A sessão intitulada O impulso épico de Camões e moderada por Carlos Vaz Marques contou com a presença do poeta e professor universitário Nuno Júdice, autor da coletânea de ensaios Camões: por cantos nunca dantes navegados (Sibila, 2019), e a escritora Isabel Rio Novo, futura autora de uma biografia do Poeta. A atriz Lia Gama deu voz ao poema "Camões dirige-se aos seus contemporâneos" da autoria de Jorge de Sena e a passagens de Os Lusíadas.

No decorrer da conversa no Convento dos Capuchos, Nuno Júdice leu o soneto “De Luis de Camões, a Christo atado a coluna”, sobre o qual não teria dúvidas da autoria camoniana, mas que teria reservas quanto ao seu ineditismo, carecendo da confirmação de especialistas. Inquirido sobre a possibilidade de publicá-lo algures, anuiu que talvez um dia viesse a fazê-lo.

Durante a leitura do poema, o professor e investigador Felipe de Saavedra, da Rede Camões na Ásia (RCnA), sentado a meu lado, partilhou a sua surpresa sobre o soneto ser apresentado como inédito, pois reconheceu-o imediatamente. O caso digno de memória teria ficado por aí, não fora o moderador da conversa, Carlos Marques, ter publicado no dia 13 do mesmo mês e na sua página do Facebook o post UM POEMA PERDIDO DE CAMÕES com a revelação de ter sido descoberto “nada mais, nada menos do que um poema inédito de Camões.”

A leitura desse post de Carlos Vaz Marques a meio do dia, e depois das notícias online disseminadas a partir da agência LUSA (v. lista de principais títulos aqui), motivou-me a reagir com o breve post UM INÉDITO TRIPLAMENTE PUBLICADO no blogue Luís de Camões. Desse modo, após uma conversa informal com o Professor Felipe de Saavedra, confirmei que o soneto de Camões anunciado nesse dia por vários órgãos de imprensa portugueses como "inédito" e recém-descoberto, fora já publicado em pelo menos três instâncias.

Quanto ao principal desta história e ao mais que se lhe seguiu, o Professor Nuno Júdice tudo evoca no seu artigo agora publicado no Jornal de LetrasUm inédito de Camões: com alecrim de entrada e manjerona à sobremesa (JL 1352, pp. 6-7), e em vez de um texto do genial Poeta, temos já dois, um soneto e um vilancete.


O balanço é francamente positivo: divulgaram-se os textos, mal conhecido o primeiro, inédito o segundo; elaboraram-se comentários sobre Camões religioso, faceta menos conhecida e esperada; pesquisam-se obras pictóricas e de natureza religiosa relacionadas com os temas presentes, ou inspiradores da conceção da obra camoniana.




Divulgamos aqui o texto do vilancete publicado no referido artigo do JL, complementado com uma das mais antigas pinturas que encontrámos, até agora, da autoria do artista bolonhês Francesco Francia – "A adoração da Criança” e/ou “Santo Agostinho hesitando entre o sangue de Cristo e o leite da virgem”, executada cerca de 1498-99.

Embora esta obra seja mais conhecida pelo primeiro nome, apresenta também uma segunda cena, a da direita do painel, que expressa a hesitação do Santo em devotar-se a Maria (o leite da Virgem) ou ao filho de Deus (o sangue de Cristo), dualidade que configura o maravilhamento do poema de Camões. Um quadro duplo, duas figuras máximas do Cristianismo, que nos revelam Camões como “Poeta da Fé” (título do estudo e antologia de Mendes dos Remédios. – Coimbra, 1924), seja de uma religiosidade menos ortodoxa ou mais ortodoxa, consoante as interpretações.

Bom Ano Camões!
Com revelações, com publicações, com leituras.



O VILANCETE:


MOTE

Duas grandes maravilhas
de que se espantam os Céus:
parir Virgem e nascer Deus.


VOLTAS

Vede se viu criatura
tal caso, ou se aconteceu:
Deus, de que tudo nasceu,
nascer duma Virgem pura.

Pois, Virgem, paristes vós
tanto bem, dai do peito
leite a quem
co seu nos dá sangue a nós.

Ambos ordenais a luz
que a todo o mundo aproveite:
Vós só no colo co leite,
Ele co'o sangue na Cruz.

Pois, Virgem, nasce de vós
tanto bem, dai do peito
leite a quem
co sangue nos salva a nós.

LUÍS DE CAMÕES


Fonte: Biblioteca da Ajuda, Lisboa. – Cota 52-II-42.
Reproduzido em: JÚDICE, Nuno – Um inédito de Camões: com alecrim de entrada e manjerona à sobremesa, in JL – Jornal de Letras, Ano XLII, n.º 1352, de 27.07 a 9.08.2022, Portugal, pp. 6-7.




A adoração da Criança
Santo Agostinho hesitando entre o sangue de Cristo e o leite da virgem
1498-99

– Tempera em painel, 52 x 169 cm, Bologna: Pinacoteca Nazionale.

Obra de 

Francesco Francia, 1450-1517



2022/07/14

UM INÉDITO TRIPLAMENTE PUBLICADO




Um *inédito* triplamente publicado

Em conversa informal com o Professor Felipe de Saavedra, da Rede Camões na Ásia (RCnA) - http://www.asia.pt ficámos a saber que o soneto de Camões anunciado hoje por vários órgãos de imprensa portugueses como "inédito" e recém-descoberto, foi já publicado em pelo menos três instâncias:

Edição princeps:

- em 1968, por Edward Glaser na ed. crítica do Cancioneiro de Manuel de Faria, p. 218.

A partir daí entrou nas edições que se seguiram dos sonetos de Camões:

- por C. Berardinelli na ed. dos Sonetos de 1980, p. 457 e 663.
- por M. L. Saraiva na ed. da Lírica Completa II de 1994, p. 485.

Também se encontra mencionado por Leodegário de Azevedo F. na Lírica de Camões, vol. 1, p. 241.

Vamos pois proceder aqui e agora à quarta edição deste belo soneto:


De Luis de Camões, a Christo atado a colunna


Se misericordia e amor não vos atara,
A corda per sy só se desfizera;
E, se isto deste modo acontecera,
Quem da prizão eterna me livrara?

Se amor, com vos prender, não me soltara,
Em cárcere infernal sempre estivera;
E, se do Ceo esse amor vos não decera,
Quem do inferno ao ceo me levantara?

Por demais forão gemidos nem oferta,
Se amor vos não tivera tão atado.
E cuidão cegos que a corda vos aperta!

E vos de amor estais tam apertado
Que so elle se acende e se desperta
Mais que algos contra vos, por meu pecado.

LUÍS DE CAMÕES

Fonte:
Cancionero recopilado por Manuel de Faria. – Dedicado ao Conde de Haro em 1666, ms., f. 36.
Pontuação modernizada.













Cristo atado à coluna, 1565

Óleo sobre madeira de castanho.
Atribuído a António Leitão.
Museu de Lamego








2022/06/28

O impulso épico de Camões, conversa no Festival de Música dos Capuchos





O impulso épico de Camões

nos 450 anos da publicação de "Os Lusíadas"


Com Nuno Júdice e Isabel Rio Novo 
e leituras de Lia Gama
Moderação de Carlos Vaz Marques


No Festival de Música CAPUCHOS

Conversa dos Capuchos 3

3 Julho, domingo, às 17h, no Convento dos Capuchos / Caparica



"O ano de 2022 é rico em importantes efemérides literárias. Elegemos três delas para em três fins-de-semana consecutivos associarmos à força expressiva da música a evocação da palavra escrita. Nos três domingos do Festival de Música dos Capuchos deste ano, celebramos e interrogamos três figuras literárias de primeira grandeza, duas delas, com séculos de História a separá-las, unidas no papel de grandes protagonistas do património literário da língua portuguesa. 

Assinalamos uma obra fundadora, Os Lusíadas, e dois centenários: o do nascimento de Agustina Bessa-Luís e o da morte de Marcel Proust. [...]  A última das Conversas dos Capuchos traz ao palco o poema fundador da identidade portuguesa, neste ano em que se assinalam os 450 anos da publicação de Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. Nuno Júdice e Isabel Rio Novo serão protagonistas de uma sessão em que nos interrogaremos sobre “O impulso épico” e a atualidade de Camões, com a actriz Lia Gama a dar voz a estrofes escolhidas de Os Lusíadas."
Fonte: Conversas dos Capuchos, in Festival de Música dos Capuchos.


"A incomparável epopeia de língua portuguesa, Os Lusíadas, foi publicada em 1572. Faz agora 450 anos. Este domingo, no Festival de Música dos Capuchos, evocamos Camões em conversa com o poeta Nuno Júdice (autor do ensaio premiado “Camões por cantos nunca dantes navegados”), com a escritora Isabel Rio Novo (que tem em preparação uma biografia de Luís Vaz) e com leituras na voz da actriz Lia Gama." - Carlos Vaz Marques (post no Facebook)





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