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2026/02/22

Manda-me Amor CAMÕES e outros afins, de Vítor Serrão & Mário Rui Silvestre


 Manda-me Amor CAMÕES e outros afins 

EDIÇÃO COMEMORATIVA DO V CENTENÁRIO DE CAMÕES

de Vítor Serrão & Mário Rui Silvestre

Lisboa: Edições Cosmos - SPA, 2026

MAIO 2026 | Lançamento





"com relevante informação documental inédita sobre o vate"

Deste e muitos outros assuntos nos ocupamos 
[...] no livro Manda-me Amor CAMÕES e outros afins
que neste momento se vai terminando 
e que a SPAutores e a Cosmos lançam em maio."
Vítor Serrão
in Facebook, 22.02.2026


para saber +


in Luís de Camões - Diretório de Camonística

Daniel Cepa
in O Almeirinense, 24.06.2026

Mário Silvestre
in Mais Ribatejo [online], 22.06.2026

in e-CAM, 25.10.2025

in e-CAM, 30.11.2024

in e-CAM, 8.03.2025

in e-CAM, 30.01.2025

in e-CAM, 13.01.2025

in e-CAM, 30.09.2024







Redação: 26.06.2026

2025/03/08

Apresentação do livro "Camões: altos cumes, Scabelicastro e correlatos" na Biblioteca Ruy Gomes da Silva


"Camões: altos cumes, Scabelicastro e correlatos"

APRESENTAÇÃO

com a presença dos autores
Vítor Serrão e Mário Rui Silvestre

A obra será apresentada
pela Dra. Paula Pinhão Ribeiro


15 MAR. 2025, sábado | às 15h00

Na Biblioteca Ruy Gomes da Silva, na Chamusca.




"CONTRIBUTOS PARA O CAMÕES JOCOSO"

Será pouco posterior à sua missão em Ceuta a divertida poesia cuja existência neste livro se revela: um mote com 'voltas' glosado por Camões a propósito de um episódio ocorrido numa igreja de Lisboa (provavelmente a igreja das Chagas).

Dir-se-á que não é nada de especialmente novo (sabendo-se que o autor de 'Os Lusíadas', na rebeldia da lisboémia dos seus vinte anos, produziu outras poesia do mesmo teor), não fora o facto de, neste poema, ele se reunir na mordacidade crítica a cinco outros nomes da Poesia de então: no caso, António Ferreira, Diogo Bernardes, o Conde de Matosinhos, Francisco de Moura e Pero de Andrade Caminha!

Trata-se, assim, de uma novidade absoluta na biografia do vate. Quando sempre se usou e abusou da imagem de um Camões isolado (senão marginalizado) pelos seus pares, eis que ele nos surge integrado numa verdadeira comunidade literária com os mais eminentes poetas do tempo ! Uma comunidade de poetas que só se interrompe de vez com a prisão no Tronco e a sucedânea partida para a Índia (1553). 

Mas ele de lá prosseguiu a senda da crítica social, sabendo-se o que lhe custou a sátira visando D. Francisco Barreto e ridicularizando as festas que se fizeram à chegada do novo governador a Goa em 1555...

Agora, a revelação deste 'mote com voltas escrito a seis mãos' não pode deixar de ser considerada uma das várias surpresas que esta obra de investigação-a-dois (minha e de Mário Rui Silvestre) veio trazer ao seio dos Estudos Camonianos.

Atenção, pois, a mais um lançamento do livro (em 2ª edição) Camões: Altos Cumes, Scabelicastro e Correlatos (Edições Cosmos), a decorrer no próximo dia 15 de março na Biblioteca Municipal da Chamusca."






para saber +


in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 17.09.2024
Ver, no final deste verbete, a cronologia de eventos relacionados com o livro.

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 12.01.2025


in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 2.06.2024

in Luís de Camões - Diretório de Camonística








Redação: 8.03.2025

2025/01/30

Apresentação do livro "Camões: altos cumes, Scabelicastro e correlatos" na Biblioteca Municipal de Torres Novas

  

"Camões: altos cumes, Scabelicastro e correlatos"

APRESENTAÇÃO | 2.ª ed. da Obra

com a presença dos autores

Vítor Serrão e Mário Rui Silvestre

e do editor da Cosmos



15 FEV. 2025, sábado | às 15h30

Na Biblioteca Municipal de Torres Novas






CONVITE 

Apresentação em Torres Novas: 

Camões – Altos Cumes Scabelicastro e Correlatos

Comemorações do V Centenário de Luís Vaz de Camões

A Biblioteca Municipal de Torres Novas tem o prazer de se associar 
às comemorações do V Centenário de nascimento de Luís Vaz de Camões, 
um dos maiores ícones da literatura portuguesa, 
com um evento imperdível para os amantes da história e da literatura.

No próximo dia 15 de fevereiro, recebemos o historiador de arte Vítor Serrão, 
que, em parceria com Mário Rui Silvestre, assina a obra 
"Camões: Altos Cumes, Scabelicastro e Correlatos". 

O autor fará a apresentação desta importante publicação, 
que traz à tona novas descobertas documentais, incluindo um poema inédito de Camões, 
e oferece uma visão renovada sobre a figura do poeta, 
desafiando as interpretações tradicionais sobre sua vida e obra.

Com uma abordagem profunda e inovadora, 
o livro mergulha em aspetos pouco conhecidos da biografia de Camões 
e propõe reflexões sobre temas centrais da sua poesia, 
enriquecendo o nosso entendimento sobre a sua imortalidade literária."


in Edições Cosmos | Facebook, 15.01.2025
(texto adaptado do evento na biblioteca de Condeixa-a-Nova)



para saber +



in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 17.09.2024
Ver, no final deste verbete, a cronologia de eventos relacionados com o livro.

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 12.01.2025

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 2.06.2024

in Luís de Camões - Diretório de Camonística



Redação: 30.01.2025

Apresentação do livro "Camões: altos cumes, Scabelicastro e correlatos" na Biblioteca Municipal de Condeixa-a-Nova

 

"Camões: altos cumes, Scabelicastro e correlatos"

APRESENTAÇÃO | 2.ª ed. da Obra

com a presença dos autores

Vítor Serrão e Mário Rui Silvestre

e do editor da Cosmos


1 FEV. 2025, sábado| às 16h00 | Na Biblioteca Municipal de Condeixa-a-Nova






CONVITE 

Apresentação em Condeixa do livro: 

Camões – Altos Cumes Scabelicastro e Correlatos

Comemorações do V Centenário de Luís Vaz de Camões

"A Biblioteca Municipal Eng. Jorge Bento tem o prazer de se associar 
às comemorações do V Centenário de nascimento de Luís Vaz de Camões, 
um dos maiores ícones da literatura portuguesa, 
com um evento imperdível para os amantes da história e da literatura.

No próximo dia 1 de fevereiro, recebemos o historiador de arte Vítor Serrão, 
que, em parceria com Mário Rui Silvestre, assina a obra 
"Camões: Altos Cumes, Scabelicastro e Correlatos". 

O autor fará a apresentação desta importante publicação, 
que traz à tona novas descobertas documentais, incluindo um poema inédito de Camões, 
e oferece uma visão renovada sobre a figura do poeta, 
desafiando as interpretações tradicionais sobre sua vida e obra.

Com uma abordagem profunda e inovadora, 
o livro mergulha em aspetos pouco conhecidos da biografia de Camões 
e propõe reflexões sobre temas centrais da sua poesia, 
enriquecendo o nosso entendimento sobre a sua imortalidade literária."

in Edições Cosmos | Facebook, 15.01.2025




para saber +

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 17.09.2024
Ver, no final deste verbete, a cronologia de eventos relacionados com o livro.

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 12.01.2025

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 2.06.2024

in Luís de Camões - Diretório de Camonística



Redação: 30.01.2025

2025/01/13

A Arte em Santarém no tempo de Camões - uma vila-capital da cultura portuguesa, conferência por Vítor Serrão



A Arte em Santarém no tempo de Camões
uma vila-capital da cultura portuguesa

CONFERÊNCIA

pelo Professor Vítor Serrão

24 JAN. 2025 | às 18h30 | Teatro Taborda, Santarém





"A ARTE EM SANTARÉM NO TEMPO DE CAMÕES"

Se parece incontestável que Santarém é a Capital do Gótico nacional, tal como foi baptizada em 1924 pelo historiador de arte Vergílio Correia, não é menos verdade que a vila tagana viveu no século XVI uma das suas fases de maior brilho cultural e artístico. No recente livro 'Camões: Altos Cumes, Scabelicastro e Correlatos' (Edições Cosmos, 2024, em colaboração com Mário Rui Silvestre), considero mesmo 'a sempre enobrecida Scabelicastro' (como lhe chama Camões n'Os Lusíadas) uma das capitais desse ‘largo tempo do Renascimento’ em que os ventos humanísticos de Itália eram fonte de inspiração dos nossos literatos e artistas.

Apesar das perdas substanciais de património, tanto edificado como de equipamento decorativo, sem contar com os acervos documentais que não sobreviveram aos cataclismos da História, a Santarém do século XVI é um alfobre de valências significativas no campo cultural. Terra de Ana de Sá Macedo, a mãe de Camões (e também, com grande probabilidade, lugar de nascença do vate), a cidade de hoje estima-se por ainda ter um acervo relevante de edifícios marcados pela estética do classicismo italiano. É o caso da arquitectura da igreja da Misericórdia (de Miguel de Arruda) e da ermida da Senhora do Monte, da escultura do Santíssimo Milagre (pelo espanhol Diego de Çarça), das pinturas de Diogo de Contreiras e Ambrósio Dias (Almoster, Santa Clara, Santa Cruz da Ribeira, Romeira), da presença de ilustres mecenas imbuídos de cultura 'ao romano' como o escritor Francisco de Holanda (de passagem em 1549-1551 após regressar de Roma), os cronistas Manuel de Sousa Coutinho (Frei Luís de Sousa) e Fernão Lopes de Castanheda, o poeta e antonianista D. Manuel de Portugal (que transformou a sua quinta de Vale Figueira num centro de ´literati´), os Coutinho de Vaqueiros (também amigos de Camões), os Costa, os Macedo, os Brito, os Menezes...

É preciso saber avaliar o património escalabitano de artes e letras quinhentistas sob uma forma unívoca, no seu conjunto, e não do modo desagregado com que tem sido visto. Dessa leitura global perpassa a ideia de uma vila onde se impunha tanto a importância estratégica, junto ao curso do maior rio português e não longe do Paço Real de Almeirim, como a presença de uma élite cultural «aggiornata'.

As investigações levadas a cabo, ao mesmo tempo que alargaram saberes sobre a figura de Camões, avançam com uma série de proposições sobre as vivências culturais de uma Santarém que, apesar dos ventos adversos, era um espaço estimulante de liberdade criadora.

Vitor Serrão
in Facebook, 12.01.2025

para saber +



Rua do Maestro Luís da Silveira, n.º 4
2000-117 Santarém | PORTUGAL

+351 243 321 150 | circuloscalabitano@gmail.com 







Redação: 12.01.2025

2024/10/25

Uma entrevista sobre o livro "Camões: altos cumes, Scabelicastro e correlatos"


Uma entrevista sobre o livro "Camões: altos cumes, Scabelicastro e correlatos"

ENTREVISTA



Na sequência da publicação do livro CAMÕES: altos cumes, scabelicastro e correlatos, o historiador de arte Vítor Serrão explora novas perspetivas sobre a vida de Luís de Camões, as suas ligações a Santarém e o contexto cultural da sua época. Em coautoria com Mário Rui Silvestre, o livro traz à luz novas descobertas documentais, um poema inédito de Camões e um conjunto de reflexões que desafiam as visões tradicionais sobre o poeta. Esta entrevista ao Correio do Ribatejo aborda as motivações para a elaboração da obra e o impacto que estas novas perspetivas podem ter no entendimento da vida e obra de Camões.

Filipe Mendes / Correio do Ribatejo (CR): O que motivou a elaboração deste livro e qual é o objectivo central da obra?

Vítor Serrão (VS): A ideia de elaborar este livro surgiu a partir de uma série de ousadas crónicas publicadas pelo Mário Rui Silvestre no Correio do Ribatejo, onde ele defende a tese de que Camões teria nascido em Santarém. Estas crónicas geraram muito interesse e foram o ponto de partida para a colaboração entre nós. Fui convidado por Joaquim Garrido (Edições Cosmos) a juntar-me ao projeto, trazendo a minha perspetiva sobre o ambiente artístico da época de Camões. A partir daí, o livro desenvolveu-se em três frentes principais.

O primeiro objectivo foi explorar a tese do nascimento de Luís Vaz de Camões em Santarém, que é defendida com base em novas evidências documentais e no contexto familiar e cultural da mãe do poeta, Ana de Sá e Macedo, que era de Santarém e oriunda de uma família com fortes ligações à então vila, e do pai clérigo, Simão Vaz de Camões. Embora não tenhamos provas definitivas, a probabilidade de que Camões aqui tenha nascido é muito significativa. O segundo objetivo foi analisar o ambiente artístico e literário da época, e como Camões estava inserido numa rede de artistas e poetas que o influenciaram. E, por fim, o terceiro objetivo foi reinterpretar a obra de Camões à luz do Maneirismo, tal como o fez Jorge de Sena, e Aguiar e Silva, afastando-se da visão tradicional que o associa e limita ao Renascimento tardio.

CR: Como foi o processo de investigação para este livro, especialmente no que toca às descobertas documentais?

VS: O processo de investigação foi, sem dúvida, um desafio. Grande parte da pesquisa envolveu o acesso a arquivos que permaneciam por explorar: o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, a Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Évora, e a Biblioteca Braamcamp Freire em Santarém, a Igreja do Milagre, o Arquivo Cadaval em Muge, o Arquivo Distrital de Santarém, o Palácio de Vila Viçosa, e muitos outros locais. Esses arquivos trouxeram à luz correspondência, contratos, referências e mais documentos inéditos, que nos permitiram reconstituir relações do tempo de Camões e novos dados sobre figuras importantes do seu tempo com quem se relacionou, como a família Coutinho, por exemplo.

Uma das grandes novidades do livro é o achado de um poema inédito de Camões. Este poema, de caráter picaresco, foi escrito num contexto de boémia, antes de 1553, a partida para a Índia, e revela o lado mais irreverente do poeta. Ao contrário do que se pensava, Camões não estava isolado; ele fazia parte de uma comunidade de literatos que partilhavam ideias e produziam textos em conjunto. Este poema jocoso, um mote com seis voltas, é um exemplo claro disso: foi escrito em colaboração com outros poetas da época, como Diogo Bernardes, Pero de Andrade Caminha e António Ferreira, mostrando o dinamismo literário e as relações literárias boémias que o vate se integrava.

CR: Como é que estas descobertas mudam a forma como vemos Camões hoje?

VS: Estes achados e indagações ajudam a desconstruir alguns dos mitos e lendas em torno de Camões. Tradicionalmente, o poeta tem sido visto como uma figura quase isolada, uma espécie de herói-símbolo solitário do império português. O que este livro revela é que Camões estava inserido numa rede de relações culturais e literárias muito mais amplas e que influenciaram profundamente o seu trabalho. Tem-se lido Camões como poeta isolado do contexto dos seus contemporâneos, como Jerónimo Corte-Real ou Diogo Bernardes, com quem afinal (aqui se mostra) teve mesmo relações. Além disso, o livro propõe uma nova leitura estética da sua obra, inserindo-o nos cânones do Maneirismo. Camões não foi apenas um poeta do fim do Renascimento; ele viveu numa época de grande instabilidade política e religiosa, marcada por guerras e conflitos, em Portugal e no Mundo. O Maneirismo, com a sua ênfase na ambiguidade e no desconforto, é a corrente estética que melhor se ajusta à sua obra.

Camões foi um homem profundamente crítico da sociedade do seu tempo. Ele questionou o mundo em que vivia, como se pode ver nas suas obras, tanto na épica como na lírica e também no teatro e nas cartas. A sua poesia expressa a dúvida, a angústia e o desconforto de viver numa época marcada pela crise que levou ao fim da dinastia de Avis-Beja e pela subsequente união com a Espanha dos Filipes, uma mudança que reflectiu a grande instabilidade vivida no seu tempo. A sua visão do império também não é triunfalista nem apologética, como muitos querem fazer crer. O poeta do Amor, que tem uma espécie de alter ego no seu Velho do Restelo, é um humanista que critica a corrupção, a violência e as injustiças que encontrou nas suas viagens, especialmente no Oriente.

CR: Em relação aos mitos sobre os amores de Camões, pode clarificar algumas das confusões que surgiram ao longo do tempo?

VS: Um dos mitos mais recorrentes, propagado por autores como Hermano Saraiva e Aquilino Ribeiro, é o de que Camões teria tido um envolvimento amoroso com Violante e Joana de Andrade, figuras da casa de Linhares. Outros mencionam, sem fundamento algum, a própria Infanta D. Maria. Na realidade, o amor conhecido de Camões foi por Dona Catarina de Ataíde, aia da corte, e essa relação contrariada, tão bem tratada na sua poesia, levou ao seu desterro para Punhete (atual Constância), e posteriormente para Ceuta. Este é um dado que o livro atesta com base em novos documentos. A relação de Camões com Catarina de Ataíde é muito mais sólida do ponto de vista documental do que as histórias associadas a outras figuras que alguns autores sugeriram erroneamente. Com o estudo de Mário Rui Silvestre, é possível esclarecer melhor a vida amorosa de Camões, mostrando a sua ligação afetiva mais profunda com Dona Catarina de Ataíde e as consequências dessa relação.

CR: O livro também aborda a ligação de Camões a Santarém. Como é que isso contribui para o património cultural da cidade?

VS: A ligação de Camões a Santarém e ao Tejo são aspetos fundamentais deste livro. Santarém, ao tempo a nobre Scabicastro, como o poeta a refere, foi um importante centro cultural durante o Renascimento e o Maneirismo, e a sua relação com Camões é agora reforçada por estas novas descobertas. O livro explora o ambiente em que o poeta viveu, destacando a influência de figuras como a família de Gastão e Gonçalo Coutinho, que apoiou Camões em várias fases da sua vida, e as suas relações provadas com Vaqueiros e outros lugares, caso do paço de Almeirim, de Pernes e Vale Figueira.

Acredito que este livro pode ajudar Santarém a reivindicar o seu lugar como um centro cultural relevante na história de Portugal. Há muitos elementos do património da cidade que ainda estão por valorizar. Santarém tem um legado arquitetónico e artístico de que se destaca geralmente o período do Gótico, mas o seu papel no Renascimento e no Maneirismo também é significativo e merece ser mais explorado. Este livro traz uma nova perspetiva sobre a importância da vila no contexto cultural e artístico do século XVI.

CR: O que falta fazer em termos de preservação do património de Santarém?

VS: Muito já foi feito, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Temos arquivos que ainda não foram devidamente investigados e muitos elementos do nosso património estão mal preservados. Acredito que a preservação do património deve ser uma prioridade, não só a nível nacional, mas também local. As autarquias têm um papel fundamental na valorização da nossa memória histórica e cultural. E esta valorização deve começar nas escolas, com programas educativos que promovam o conhecimento e o respeito pelos bens patrimoniais.

Há também a necessidade de uma maior comunicação entre os investigadores e o público. Muitas vezes, o trabalho dos académicos não chega às pessoas. É preciso criar canais de comunicação que tornem o conhecimento acessível, especialmente para as gerações mais jovens. Isso passa, por exemplo, pela melhoria das infra-estruturas turísticas e culturais, pela formação de guias e pela criação de roteiros culturais que integrem os monumentos e locais históricos de cidades como Santarém.

CR: Como espera que este livro seja recebido pela comunidade académica e pelo público em geral?

VS: Espero que o livro seja lido com uma visão crítica justa. É uma obra que nasce da colaboração improvável entre um escritor e um historiador de arte e se baseia numa base heurística, com profunda honestidade no tratamento das fontes e que traz novas perspetivas sobre a vida e obra de Camões. Acredito que pode inspirar novos estudos e incentivar uma releitura da obra camoniana, não só em Portugal, mas também a nível internacional. Camões é estudado em academias e universidades em todo o mundo, e penso que este livro oferece novas ferramentas para compreender melhor o seu legado.

Além disso, acredito que o livro pode ser um motivo de orgulho para Santarém e para a sua população. A ligação de Camões a esta cidade, onde sua mãe nasceu e ele de certeza teve parte da formação clássica, deve ser mais explorada e valorizada, e este livro é um passo nesse sentido. Esperamos que o público o leia, o critique e que, acima de tudo, o veja como um contributo útil para a compreensão do nosso passado cultural.

CR: Considera que este livro pode "agitar as águas" no estudo de Camões?

VS: Sem dúvida. O livro propõe novas leituras e desafia algumas das visões tradicionais sobre Luís Vaz de Camões. Acredito que vai gerar debate, especialmente entre os estudiosos que têm defendido uma visão mais convencional do poeta. Mas penso que isso é positivo. O estudo de Camões ainda tem muito a oferecer, e este livro é apenas o começo de uma nova fase na investigação sobre a sua vida e obra.

Entrevista a Vítor Serrão: A redescoberta de camões e a sua ligação a Santarém
por Filipe Mendes
in Correio do Ribatejo, 25.10.84, p. 10-11.












Redação: 24.10.2024

2024/09/30

Camões e Santarém

 


Crónicas de Mário Rui Silvestre, in "Correio do Ribatejo" (jan.-abr. 2024)

O POETA DE PORTUGAL NASCEU EM SANTARÉM? 


"Entre janeiro e abril deste ano [2024], em sucessivas crónicas intituladas "Camões - V Centenário: O Poeta de Portugal Nasceu em Santarém" e saídas no 'Correio do Ribatejo', o romancista e historiógrafo Dr. Mário Rui Silvestre desenvolveu a tese de que Luís de Camões (1517 ou 1524?-1579?) era natural de Santarém. 

É certo que o sabemos filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá e Macedo, «dos Macedos de Santarém», a qual sobreviveu ao poeta, pobre e desvalida, em casa na Mouraria de Lisboa, e que alguns biógrafos (como Severim de Faria) lhe apontam esse berço (a par de Lisboa, Alenquer e Coimbra), mas sem prova concludente.

A pesquisa do autor assenta numa atenta leitura da obra poética, nas relações familiares e de amizade do vate, em provas arqueológicas (caso da pedra de armas por si achada em Vaqueiros), na relação com os nobres Coutinhos, no vínculo com Punhete (Constância) e com o poeta da 'Lusitânia Transformada', Fernão Álvares do Oriente, e - enfim - nuns perdidos 'Comentários (sobre Camões)' da autoria do padre Luís da Silva de Brito, que foi prior da igreja do Milagre em Santarém, homem que era adepto do Prior do Crato e que faleceu em 1630.

Neste cadinho plural de informações assenta uma análise inflamada, erudita, e com abundante recheio de informações cripto-históricas (que, aliás, não desmereciam de uma historiografia contra-factual...). 

Vistas no seu conjunto, as reflexões de Mário Rui Silvestre vêm aclarar a relação de Luís de Camões com a «corte de aldeia» de Vaqueiros (onde seu amigo D. Gastão Coutinho e seu filho D. Gonçalo Coutinho reuniam poetas e 'literati', caso de Diogo Bernardes), com os rios Alviela e Zêzere, com os Vimioso e, em especial, com o amigo poeta D. Manuel de Portugal, sedeado em Vale Figueira, e com os círculos culturais de Santarém, ao tempo um centro importante das artes e letras nas vésperas da tragédia de Alcácer Quibir e da sequente guerra civil gerada pela crise dinástica (a que o amargurado Camões ainda assistiu).

Que daqui se possa inferir com absoluta certeza que o nascimento do vate ocorreu em Santarém, faltará sempre a prova definitiva. Mas certo é que com as pesquisas realizadas, e sem prejuízo da argumentação (aqui e além algo forçada), os saberes sobre a inquieta vivência de Camões, poeta das liberdades, passam a ser melhor esclarecidos."

Vítor Serrão
 in Vítor Serrão | Facebook, 24.04.2024








Fotografia in "Mais Ribatejo"







para saber +



Mário Rui Silvestre

"Camões - V Centenário: O Poeta de Portugal Nasceu em Santarém"

Crónicas, in Correio do Ribatejo (jan.-abr. 2024).















Redação: 30.09.2024

2024/09/27

Conferência do Professor Vítor Serrão sobre Jerónimo Corte-Real, contemporâneo de Camões




«Jerónimo Corte-Real (c. 1525-1588), poeta, pintor e provedor da Misericórdia de Évora»

CONFERÊNCIA

por Vítor Serrão
Professor catedrático emérito da Faculdade de Letras da U. Lisboa


27 SET. 2024 | às 11h | Na igreja da Misericórdia de Évora












Assinala-se a 13.ª edição do 

Dia do Património e das Misericórdias

que terá lugar na igreja da Santa Casa de Évora, a 27 de setembro, 
com uma reflexão sobre as principais oportunidades e desafios 
na gestão desta realidade patrimonial. 

Inscrições para o evento, até 23 set., na ligação aqui.

Consulte aqui o programa [PDF]



11h

Painel I - Património com Identidade, por Vítor Serrão, professor catedrático 

Apresentado por José Alberto Machado, professor catedrático



«Jerónimo Corte-Real (c. 1525-1588), poeta, pintor e provedor da Misericórdia de Évora»

"O quase unânime estigma de decadência tributado à arte portuguesa da segunda metade do século XVI tem impedido a análise desses decénios de notável criação literária e pujança criadora. É um tempo de crise política em que, salvo Luís de Camões, toda a nossa produção seria desinteressante e seguidista... Os sintomas de crise identitária e o crescente poder censório em tempo de Contra-Reforma afeiçoaram por antítese um clima de liberdade em que despontam bravos talentos com consciência humanística: o teórico Francisco de Holanda, os pintores Campelo e Fernão Gomes, os arquitetos Diogo de Torralva e Nicolau de Frias, o iluminador António Fernandes, o calígrafo Giraldo de Prado, os escultores Diogo de Çarça e Filipe de Bries, o viajante Fernão Mendes Pinto e o cronista Francisco de Andrada.

Figura notabilíssima desse arco temporal foi o poeta, iluminador, músico e pintor Jerónimo Corte-Real, autor de livros de poesia que ombreiam com Os Lusíadas, o Sucesso do Segundo Cerco de Diu (1574), o Sucesso de Lepanto (1578), o póstumo Naufrágio de Sepúlveda (1594) e o Auto dos Quatro Novissimos do Homem (só publicado no século XVIII). Os dois últimos foram escritos no retiro de Vale de Palma, sendo então Corte-Real Provedor da Misericórdia de Évora.

Nesse cargo, em 1585 e 1586, fez obras na Santa Casa, desenvolveu muito a Música, encomendou ao pintor Francisco João os retábulos colaterais da igreja, e deu incremento a outras acções culturais significativas. Também foi juiz da Irmandade das Almas, em Santo Antão (1585), cujo retábulo pintou.

Apreciadíssimo a nível peninsular (por Lope de Vega, Quevedo, Herrera, Cervantes), viveu entre a corte de Lisboa e Évora, relacionou-se com poetas (António Ferreira, Pero de Andrade Caminha, Diogo Bernardes, e Camões) e com o pintor Fernão Gomes, deixando obra de iluminura e de pintura ainda injustamente desconhecida.

Os versos de Corte-Real no poema "Leonor e Sepúlveda", que enaltecem a Beleza como sinónimo da Sublimidade – coisa para além do humano entendimento – constituem bela síntese de um tempo em que, apesar da crise política pós-Alcácer Quibir e da guerra civil pós-1580, alguns artistas deram azo a uma inovadora frescura criativa, absolutamente original. Caso deste excelente poeta-pintor."

Vitor Serrão | Facebook, 12.09.2024








  1. Cartaz da 13ª edição do Dia do Património das Misericórdias.
  2. Apresentação do Painel I - Património com Identidade, pelo Professor catedrático emérito da FLUL, Vitor Serrão. - Imagem em Santa Casa da Misericórdia de Évora | Facebook, 27.09.2024.
  3. Vítor Serrão, Historiador de Arte, Professor, Camonista. - Imagem em União Das Misericórdias Portuguesas | Facebook, 27.09.2024.
  4. Jerónimo Corte-Real, retábulo das Almas do Purgatório, c. 1585, na igreja de Sto Antão de Évora. - Imagem em Vitor Serrão | Facebook, 14.09.2024.
  5. Jerónimo Corte-Real, "D. Sebastião, como S. Sebastião, a libertar os cativos cristãos", c. 1577-78 (Paço de Almeirim ?). -  Imagem em Vitor Serrão | Facebook, 14.09.2024.
  6. A pintura maneirista em Portugal: a arte no tempo de Camões.– Catálogo de exposição realizada no Centro Cultural de Belém, Lisboa, 1995, de que o Professor Vítor Serrão, foi coautor. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos. 





para saber +

Vitor Serrão | Facebook

in Luís de Camões - Diretório de Camonística
















Redação: 14.09.2024

2024/08/14

Resenha à biografia de Camões de Isabel Rio Novo pelo professor Vítor Serrão




O Professor e Historiador Vítor Serrão



FORTUNA, CASO, TEMPO E SORTE (ed. Contraponto, 2024) é um muito bom livro sobre a figura e o tempo histórico de Luís Vaz de Camões, ambos desenhados e fundidos nos seus aspetos plurais por Isabel Rio Novo. Tenho dificuldade em lhe chamar romance histórico, género tantas vezes aviltado (e com razão: nem todos podem ser Umberto Eco...). Estas 600 pp. de excelente escrita têm, antes, uma solidez de interpretações e relatos descritos com cumplicidade amorável e ancorados numa longa base de erudição que dá pleno suporte aos vários capítulos.

O 'romance' de IRN é um grande fresco em que se nos revelam em cores plausíveis os muitos Camões, o estudante, o palaciano, o boémio, o amante, o soldado, o preso, o exilado, o lírico, o épico, o antiépico, o náufrago, o epistológrafo, o dramaturgo, o doente, o anoso desencantado..., os quais se vão sucedendo, entre a realidade crua dos textos coevos, para explicar a rápida gigantização do poeta, que se seguiu ao reconhecimento internacional de Os Lusíadas.

Temia-se mais uma deriva fantasista a juntar a um sem-número de textos condenados a ser espuma volátil, fazendo lembrar as palavras certas de Almada-poeta (n’A Cena do Ódio, 1923): «…E inda há quem faça propaganda d’isto: a patria onde Camões morreu de fome e onde todos enchem a barriga de Camões!». Afinal, IRN supera com maestria essas tentações fáceis pelas mitificações abusivas. Mesmo a História contra-factual, a que a sua vocação literária tem direitos, é usada com parcimónia e justeza: até a hipótese de identificação da criada Bárbara, companheira dos últimos dias do poeta na casa da calçada de Sant'Ana, com a bela escrava das endechas, parece ter solidez... tanto quanto a lenda do Jau de Pedro de Mariz, pelo menos, e outros testemunhos credíveis que contam a angústia final do poeta doente, a quem a tardia fama já não valeu na má sorte...

Este livro, que será menos um romance e mais um ensaio romanceado de História, ensina-nos a ver Camões e a sua obra através dos «muitos outros Camões», coisa que desde Jorge de Sena se tornava necessária, desfeito o mito romântico-renascentista que prendia o vate a uma cómoda camisa de sete varas e a cânones académicos predeterminados. E logo ele, rebelde, inconstante, crítico, malcriado, brigão, marginal, como o eram os melhores maneiristas nessa Europa quinhentista em crise!

Meia-dúzia de 'senãos' apontados: Jerónimo Corte-Real, poeta que aparece na sua verdadeira dimensão de grandeza (como Hélio Alves de há muito provou), nunca esteve em Alcácer Quibir; esperava-se um capítulo, uma etapa de vida breve que fosse, pontuada pelo ambiente de Punhete e do Zêzere; e está ausente, inexplicavelmente, a 'corte na aldeia' de Vaqueiros (Santarém), o solar de letrados de D. Gastão e D. Gonçalo Coutinho, onde Camões foi acolhido e onde a sua poesia era lida nas margens do Alviela. Coisas de somenos, dirão (e direi eu), que não deslustram a excelência de um livro de seiscentas páginas como este.

Um livro que não esconde glórias e podres, sucessos e misérias, e que se lê como se estivéssemos a admirar lentamente um 'tempo histórico congelado' através de um políptico ou uma grandiosa pintura a fresco em que Luís Vaz é o centro! A ler, evidentemente.

Vítor Serrão
in Facebook, 13,08.2024












Redação: 14.08.2024

2024/06/02

Conferência "Fernão Gomes, pintor amigo de poetas e autor do retrato de Camões" por Vítor Serrão


Fernão Gomes

pintor amigo de poetas e 

autor do retrato de Camões


CONFERÊNCIA

Historiador de arte, professor, camonista

8 JUN. 2024 | às 11h
Auditório Casa-Memória de Camões, Constância






"Único testemunho da vera efígie do poeta, tomada em vida, o chamado ‘retrato pintado a vermelho’ é obra de Fernão Gomes, c. 1573, mas dele resta apenas a ‘cópia fidelíssima’ feita por Luís José Pereira de Resende a pedido do 3º duque de Lafões, entre 1819 e 1844, a partir do original de Os Lusíadas encontrado nos escombros do incêndio do palácio dos Condes da Ericeira e Marqueses de Louriçal."
Vítor Serrão
in página no Facebook, 10.06.2020






Vítor Serrão
Entre Camões e Jerónimo Corte-Real: encontros e desencontros
Edição comemorativa: 500 anos - Luís de Camões













para saber +


in Luís de Camões - Diretório de Camonística

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Redação: 2.06.2024

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