Pesquisar na e-CAM:

Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Alegre. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Alegre. Mostrar todas as mensagens

2024/10/12

Vinte poemas para Camões

"Esta nação nasceu como poema.
Teu canto e tu são nossa tromba de água
sílaba longa sílaba breve
são nosso fogo de santelmo e consoantes
nosso mapa tecido a azul e mágoa
salso argento lenho leve
haverá sempre em nós um nunca dantes
amar e mar e nunca ter senão
Babilónia Sião rios que vão."

MANUEL ALEGRE




“Vinte Poemas para Camões”, de Manuel Alegre 

RECITAÇÃO

pelas vozes do ator Luís Lucas e da atriz Natália Luíza 

12 OUT. 2024, sábado | a partir das 19h00 | No Colégio Militar

Organização:










A proposta de Portugal para a NLE 2024

"A proposta de Portugal para a Noite da Literatura Europeia é a colectânea Vinte Poemas para Camões, de Manuel Alegre, editada pelas Publicações Dom Quixote. No ano em que se comemora o quinto centenário do nascimento de Luís de Camões, a melhor homenagem de um grande poeta a outro grande poeta é dedicar-lhe um livro.

No Colégio Militar teremos a oportunidade de ouvir, pelas vozes do ator Luís Lucas e da atriz Natália Luíza, os versos que o poeta de Águeda dedicou ao maior poeta de língua portuguesa de todos os tempos, que é também uma das suas grandes referências e permanente inspiração."
EUNIC Portugal | Facebook, 3.10.2024




A Noite da Literatura Europeia 2024

"Noite da Literatura Europeia 2024 tem a sua 12.ª edição no dia 12 de outubro e promete uma experiência única em Lisboa, desta vez no bairro de Carnide. 

Neste evento anual, totalmente gratuito, organizado pela EUNIC Portugal, os visitantes poderão conhecer obras literárias de 18 países europeus, através de leituras encenadas em locais inusitados, muitos deles normalmente inacessíveis ao público. Desde lojas acolhedoras a edifícios históricos, cada espaço será transformado num palco de poesia, teatro e prosa, proporcionando uma noite repleta de criatividade e descobertas culturais.

A Noite da Literatura Europeia é uma celebração das vozes contemporâneas da literatura europeia, oferecendo uma viagem entre diferentes culturas e estilos. Nas leituras de 15 minutos, atores e atrizes dão vida aos textos, permitindo ao público embarcar em diferentes narrativas ao longo da noite. 

Com um ciclo de leituras repetido ao longo de 10 sessões, os visitantes podem passear por Carnide, mergulhando em múltiplas histórias, temas e géneros, desde o romance à poesia, passando pelo teatro e até banda desenhada.

Além de explorar a diversidade literária europeia, o evento de 2024 destaca-se também pela inclusão, com sessões acessíveis a visitantes com dificuldades auditivas, acompanhadas de interpretação em língua gestual portuguesa.

Esta é uma oportunidade rara para explorar locais de Carnide que se transformam por uma noite em epicentros literários, onde a arte, as palavras e os espaços se fundem para criar uma experiência inesquecível.

Junte-se a nós nesta celebração da literatura, numa noite mágica que transcende fronteiras e nos convida a redescobrir o poder da narrativa. Contamos consigo para juntos descobrirmos novamente a magia da literatura nas ruas de Lisboa!"

Da brochura com o programa





  1. Cartaz do evento - NLE 2024, Noite da Literatura Europeia.
  2. Os atores Luís Lucas Nasceu e Natália Luiza, que dizem poemas de Manuel Alegre dedicados a Camões.
  3. Local do evento, dedicado à leitura de textos portugueses.
  4. Programa geral do evento, em brocgura digital. - [PDF].
  5. Mapa do percurso literário da NLE2024 com a indicação das leituras dos 18 países participantes.







para saber +

EUNIC Portugal | Facebook






Redação: 11.10.2024

2019/06/08

Encontro poético entre Manuel Alegre e Camões, em Viseu

 


Encontro Poético entre Manuel Alegre e Camões

serão literário

11 JUN. 2019 | terça-feira | 21h30

Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva - Viseu

com Ana Maria Albuquerque

Iniciativa integrada nos "Passeios pela Literatura", 
apoiado pelo Município de Viseu através do programa VISEU CULTURA





Pormenor do álbum fotográfico do evento
In: © GRUPO DE TEATRO AFTA_GRUPO OFF




Para saber +





2016/04/25

LUÍS DE CAMÕES, O MAIOR DOS PORTUGUESES - testemunho de Manuel Alegre


Manuel Alegre (1936-)
(c) Luiz Carvalho, 2013





"Neste dia em que se assinala a morte de Luís de Camões [10.06.2015], lembremos que com a sua obra, Camões fundou uma língua e, com ela, o cartão de identidade de todos nós.
Se outros fundaram o reino, a ele cabe a suprema glória de ter fundado a língua que falamos. Tanto basta para que ele seja para todo o sempre o maior dos portugueses, mesmo que tenha morrido na miséria e tenha sido enterrado como um cão à porta de uma igreja.
Deixo-vos excerto de “Com que pena” [do livro homónimo, 1992], poema em sua homenagem."


COM QUE PENA



Era ainda um léxico sibilante
um gutural murmúrio dis-
sonante. Diante da folha branca
Luís Vaz de Camões.
Ninguém sabe com
que pena com que
tinta em
que papel.
Ninguém saberá nunca
com que
letra.
E isso é como ter perdido
uma parte do nosso próprio rosto.

Era muito antes de Mallarmé escrever
que a forma chamada verso
é pura e simplesmente a literatura.
Muito antes das teses de Pound sobre a melopeia
e de Shelley ter dito que os poetas
são os ignorados legisladores da humanidade.
  
Talvez Camões soubesse que Dante di-
vi-
dia
as palavras consoante sua música.
Sabia por certo que o poeta é um fabbro 
(mais tarde Pound diria um versemaker
e João Cabral de Melo Neto – contra
a poesia bissexta e a teoria da inspiração –
poria o acento tónico no fazer
e no sentido profissional da literatura).

Era muito antes de a poesia ter entrado
em Portugal para a universidade.

Talvez soubesse o que mais tarde
Eliot havia de formular: a música
da poesia é a música latente do falar
corrente. A música latente do falar corrente
do país do poeta. E também
cacofonia dissonância prosaísmo
como parte da estrutura do poema.

Diante da folha branca
sentado na margem do Mandovi
em Goa. Ou talvez
junto de um seco estéril adverso verbo.

Então o com e o que
as sílabas mais ásperas e as rudes
consoantes puseram-se a cantar.
Alquimia – poderia dizer Rimbaud
muito mais tarde. Mas era
(segundo Pedro Nunes)
outro mar outro céu outras estrelas.
Da obscura substância de uma antiga prosódia
uma língua nascia.

E se alguém perguntasse como
não morria
tu dirias canção que
porque
poesia.

Manuel Alegre


Poema “Com que pena” do livro Com que pena: vinte poemas para Camões. Lisboa: Dom Quixote, 1992 / 2.ª ed., “revista”, Vinte poemas para Camões. Lisboa: Dom Quixote, 2016, pp. 25-27. – [Texto citado a partir da 2.ª ed.].



Fonte: Perfil do autor no Facebook, a 11.06.2015.



Etiquetas