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2026/06/06

"Enfatriões" de Luís de Camões pelo Teatro Maizum



  ENFATRIÕES de Luís de Camões  

  TEATRO  

Espetáculo integrado no programa oficial das comemorações
do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões

Com encenação e dramaturgia 
de Silvina Pereira

3 JUN. 2026 | 17h30 - 18h00

Na Biblioteca Nacional de Portugal em Lisboa

Cenas de Enfatriões, de Luís de Camões
apresentadas na IX Reunião Internacional de Camonistas
 "O tempo de Camões, Camões no nosso tempo" 

 10 a 13 JUN. 2026 | às 21h00, e também às 17 nos dias 11 e 12 (5ª e 6ª feiras)
No Auditório Camões (Liceu Camões)

19 a 21 JUN. 2026 | às 21h00, exceto no dia 21, domingo, às 17h
No Auditório Santa Joana Princesa. 

Cenografia de José Manuel Castanheira
Figurinos de Maria Luiz
Assistência de encenação de Margarida Rosa Rodrigues 
Direção de produção de Júlio Martín da Fonseca. 

Elenco:
Eduardo Frazão, Gabriel de Castilho, Jan Gomes, 
Lita Pedreira, Miguel Vasques, Paulo Matos, Pedro Saavedra, 
Susana Sá e Tiago de Almeida.

Produção:

Teatro Maizum 
Estrutura de Missão para as Comemorações do 
V Centenário do Nascimento de Luís de Camões


A "Comédia dos Enfatriões" de Luís de Camões,
com encenação e dramaturgia de Silvina Pereira
é um espetáculo integrado no programa oficial das comemorações
realiza uma leitura contemporânea da obra de Camões.

Cena de "Enfatriões", de Luís de Camões pelo Teatro Maizum
no dia 3 de junho de 2026, quarta-feira, c.18h00,
no âmbito da IX Reunião Internacional de Camonistas
 "O tempo de Camões, Camões no nosso tempo" 
© Fotos divulgadas 
no Facebook por Luís de Camões 500
ou no site oficial Camões 500 Anos.

A dramaturgia e o espetáculo

Ao Dudas, que connosco
partilhou a magia da criação.
In memoriam

"Como não podia deixar de ser, em os Enfatriões de Camões, Deuses e Homens partilham desígnios desiguais; o desejo e a vontade omnipotente dos primeiros e a vulnerabilidade dos segundos. Ao homem, "esse bicho da terra tão pequeno", é-lhe dado ser posto à prova face às intempéries que o fado lhe reservou. É desigual e injusto esse encontro. Para a humanidade, que não passa de um joguete nas mãos do destino, há dor de ausência e, para os Deuses, o gozo da posse.

Mas, do que nos fala o dramaturgo ao inscrever a metamorfose de Júpiter no general Anfitrião, ou Mercúrio em Sósia, roubando-lhes o corpo, o gesto e a voz, usurpando-lhes a identidade, do seu próprio eu, da sua pessoa? Onde pode "acolher-se um fraco humano" contra a prepotência divina toda poderosa?

Escreveu Vasco Graça-Moura que em Camões se encontra "um sentido muito agudo do absurdo e do desconcerto do mundo". Justamente, na peça Enfatriões, é-nos mostrado esse mal-estar, esse dissídio existencial. Ainda que Júpiter, sob o manto diáfano do desejo, se diga rendido ao poder inelutável do Amor, essa rendição amorosa é passageira e falsa, prevalecendo a mentira e o ardil para alcançar os seus intentos.

Mas, porque de teatro se trata, como mostrar essa pequena "grande máquina do mundo" lusitanizada por Camões? A visão astronómica geocêntrica camoniana dá lugar aqui a um micro-mundo de palco, uma geometria de pequena escala. 

O espaço cénico socorre-se de um mínimo de elementos. A alegoria do Amor como pano de fundo: um rectângulo usado sucessivamente como ante-câmara, cama, mesa de repastos, onde se ama e come; um poliedro evocando o mundo divino; e um triângulo estilizado alusivo à nau de Anfatrião, no caso, às velas latinas portuguesas do século XVI. Nestes três espaços distintos, prefigura-se a organização do espaço cénico serliano para a comédia, conhecido no Renascimento.

As opções da encenação quanto ao jogo e movimento dos atores foram trabalhados na perspetiva de uma contenção de cena e contra-cena quase cinéfila. Uma poesis dramática ao serviço das palavras, um poderoso motor de ação, criador e refletor de um desconcertante mar de sentidos complexos, sobrepostos, que desafiam e perturbam o nosso entendimento.

Haverá um dia em que o Repertório Clássico Português será entendido e defendido como um tesouro nacional. Um teatro que dialoga ao mais alto nível com a literatura, as artes plásticas, a música e a ciência. Um teatro fonte de conhecimento que, à época e agora, ajuda a clarificar com toda a propriedade o mundo só formalmente longínquo do nosso século XVI.

Até lá, carreguemos a nossa pedra de Sísifo, na esperança de que não seja em vão o esforço. Para já, comemoremos com paixão os 500 anos do nascimento do poeta, pondo em cena o seu magnífico quanto estonteante teatro.

Vos valete et plaudite
Silvina Pereira
Lisboa, 12 de maio de 2026
Da folha de sala, BNP, 3.06.2026

Amor humano e divino

"Na tentativa de impedir que os portugueses alcancem o Oriente, Baco chega a invocar, como perigo maior, a subordinação dos deuses aos humanos. O que representava uma ameaça intolerável para a divindade opositora d'Os Lusíadas (VI, 29) é, contudo, tido como um princípio de ampliação justo e positivo, que atravessa toda a obra de Camões.

O móbil principal do Auto dos Enfatriões parece ser esse mesmo: na sua força e na sua substância, o amor de Júpiter por Alcmena não é diferente do afeto incontrolado que aproxima os mortais.

As perguntas implícitas do poeta parecem ainda não ter encontrado resposta: «Para mal ou para bem dos deuses?» «Para bem ou para mal dos humanos?»

Essas mesmas perguntas encontram eco especial no Teatro Maizum e no trabalho da encenadora e estudiosa Silvina Pereira: um grupo e uma figura que, como poucos em Portugal, mantém com a dramaturgia quinhentista uma proximidade especial, feita de muita competência, perseverança e rara devoção."
José Augusto Cardoso Bernardes
Comissário-geral para as Comemorações do 
V Centenário do Nascimento de Luís de Camões
Da folha de sala, BNP, 3.06.2026

Uma reflexão acerca do Amor e da Identidade

"O auto dos Enfatriões dramatiza o mito do nascimento de Hércules. Segundo a mitologia, este herói nascera da paixão de Júpiter por Alemena, uma mulher casada e virtuosa que aquele consegue enganar trocando o seu aspecto pelo do marido, Anfitrião, ausente na guerra.
A intriga da peça complica-se com a chegada deste último, que se apercebe da traição de que foi vitima, mas acaba por se ver obrigado a resignar-se perante a inocência de Almena e a omnipotência do deus.
Na peça do autor de Os Lusíadas é desenvolvida uma reflexão acerca de dois problemas fundamentais: o carácter inelutável do amor e o questionamento da identidade."
Vanda Anastácio

A "Trilogia Dramática Camoniana" apresentada nos Clássicos em Cena 2024
pelo Teatro Maizum, imagem no Facebook da companhia, 26.11.2024

para saber +


Agenda Cultural Lisboa, 2024

António Marujo





Redação: 10.05.2026

2025/12/15

Tu só, tu, puro amor: comédia inspirada na vida de Camões da autoria de Machado de Assis


  Tu só, tu, puro amor:  

  comedia  

de Machado de Assis (1839-1908)

Rio de Janeiro: [impresso por Lombaerts & C.], 1881
"Peça representada no Imperial Teatro de D. Pedro II, 
em 10 de Junho de 1880"

VII, 71, [1] p. (18 cm)

 é o nº 35 de uma tiragem de 100 exemplares | [PDF
e está assinado por Machado de Assis.

Exemplar oferecido pelo autor à Biblioteca Nacional de Portugal.
Cota do exemplar digitalizado da BNP: cam-314-p | [PDF]
Ex. n.º 26 de uma ed. de 100 ex., rubricado pelo autor.

  1.ª edição, na Revista Brasileira  

“Tu só, tu, puro amor” / por Machado de Assis
Revista Brasileira [: Jornal de Literatura, Teatros e Indústria]
Rio de Janeiro, tomo 5 (1880), p. 31-70.


  Reedição facsimilada:  

Tu só, tu, puro amor... : comédia / Joaquim Maria Machado de Assis
Facsímile da ed. Rio de Janeiro: Lombaerts & C.ia, 1881
Apresentação Plinio Doyle; estudo crítico Gilberto Mendonça Teles. 
Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1980.
20, 71, [3] p. (17 cm)

  Reedição em 2011:  

Tu só, tu, puro amor... / Machado de Assis
Prefácio de Francisco Maciel Silveira, Professor da FFLCH-USP
Coleção Teatro em Língua Portuguesa | 57 p. (14,8x21,0)
São Paulo: Todas as Musas, 2011.

Os amores palacianos de Camões e de D. Catarina de Ataíde

"A composição que ora se reimprime foi escrita para as festas organizadas, nesta capital, pelo Gabinete Português de Leitura, no tricentenário de Camões, e representada no teatro de D. Pedro II

O desfecho dos amores palacianos de Camões e de D. Catarina de Ataíde é o objecto da comédia, desfecho que deu lugar à
 subsequente aventura de África, e mais tarde à partida para a Índia, de onde o poeta devia regressar um dia com a imortalidade nas mãos.

Não pretendi fazer um quadro da corte de D. João III, nem se se o permitiam as proporções mínimas do escrito e a urgência da ocasião. Busquei, sim, haver-me de maneira que o poeta fosse contemporâneo de seus amores, não lhe dando feições épicas, e, por assim dizer, póstumas."
Machado de Assis
na Advertência, 1881



"o amor subsiste, 
longe ou perto, na morte ou na vida, 
no mais baixo estado, ou no cimo das grandezas humanas, 
não é assim? 
Deixai-me crê-lo, ao menos; 
deixai-me crer que há um vínculo secreto e forte, 
que nem os homens, nem a própria natureza poderia já destruir. 
Deixai-me crer..."
Camões,
personagem da peça



ARGUMENTO

"Os rumores correm na Corte de que Camões e Catarina estão apaixonados. D. António de Lima, nobre austero, aborrece-se com o falatório. 

Por artimanha de D. Manuel e D. Francisca, Camões e Catarina conseguem encontrar-se a sós no palácio, e declaram ardente paixão de um pelo outro. 

Contudo, o poeta Caminha surpreende o casal. Assustada, Catarina revela o encontro secreto ao inimigo de seu amado. Ela faz Caminha prometer que não revelará nada a seu pai, mas ele apenas promete não contar nada espontaneamente, recusando-se a calar caso fosse questionado. 

D. António realmente indaga a Caminha, que revela tudo. Irritado, o pai de Catarina consegue do rei que Camões seja expulso."
em Tu, só tu, puro amor na  Wikipédia


Imagem em Imagens literárias urbanas (2005) de Nincia Teixeira.
O Imperial Teatro de D. Pedro II, inaugurado em 1871, foi um importante palco 
para espetáculos de ópera e peças de teatro, incluindo as de Machado de Assis.
Foi rebatizado de Teatro Lírico após a Proclamação da República. 


para saber +

Tu, só tu, puro amor |  Wikipédia







Redação: 14.12.2025

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