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2022/06/28

O impulso épico de Camões, conversa no Festival de Música dos Capuchos





O impulso épico de Camões

nos 450 anos da publicação de "Os Lusíadas"


Com Nuno Júdice e Isabel Rio Novo 
e leituras de Lia Gama
Moderação de Carlos Vaz Marques


No Festival de Música CAPUCHOS

Conversa dos Capuchos 3

3 Julho, domingo, às 17h, no Convento dos Capuchos / Caparica



"O ano de 2022 é rico em importantes efemérides literárias. Elegemos três delas para em três fins-de-semana consecutivos associarmos à força expressiva da música a evocação da palavra escrita. Nos três domingos do Festival de Música dos Capuchos deste ano, celebramos e interrogamos três figuras literárias de primeira grandeza, duas delas, com séculos de História a separá-las, unidas no papel de grandes protagonistas do património literário da língua portuguesa. 

Assinalamos uma obra fundadora, Os Lusíadas, e dois centenários: o do nascimento de Agustina Bessa-Luís e o da morte de Marcel Proust. [...]  A última das Conversas dos Capuchos traz ao palco o poema fundador da identidade portuguesa, neste ano em que se assinalam os 450 anos da publicação de Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. Nuno Júdice e Isabel Rio Novo serão protagonistas de uma sessão em que nos interrogaremos sobre “O impulso épico” e a atualidade de Camões, com a actriz Lia Gama a dar voz a estrofes escolhidas de Os Lusíadas."
Fonte: Conversas dos Capuchos, in Festival de Música dos Capuchos.


"A incomparável epopeia de língua portuguesa, Os Lusíadas, foi publicada em 1572. Faz agora 450 anos. Este domingo, no Festival de Música dos Capuchos, evocamos Camões em conversa com o poeta Nuno Júdice (autor do ensaio premiado “Camões por cantos nunca dantes navegados”), com a escritora Isabel Rio Novo (que tem em preparação uma biografia de Luís Vaz) e com leituras na voz da actriz Lia Gama." - Carlos Vaz Marques (post no Facebook)





Para saber +






2016/04/11

PÔR FLORES NO TÚMULO DE CAMÕES, de joelhos - Testemunho de Jorge de Sena


Túmulos de Luiz Vaz de Camões, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.




Jorge de Sena (1919-1978)
Fonte da imagem, aqui.



CAMÕES DIRIGE-SE AOS SEUS CONTEMPORÂNEOS


Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
que um vosso esqueleto há de ser buscado,
para passar por meu. E para outros ladrões,
iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo.

Jorge de Sena, Assis, 11.06.1961

In Metamorfoses. Lisboa: Morais Ed., 1963. 
Reprod. em Poesia IILisboa: Moraes Editores, 1978
2.ª ed., Lisboa: Ed. 70, 1988, p. 93.
Reprod. em Poesia 1. Lisboa: Guimarães/Babel, 2013, p. 329.









Dir. literária de Alberto Ferreira
Gravado no Estúdio de Dep. da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara
Sonorização – Bernardino Pontes. Assistente musical – Mário Vieira de Carvalho
Guilda da Música/Sassetti, 1974, reed. CNM, 2011.













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