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2026/08/15

Uma paixão de Camões, texto de Júlio de Magalhães



Túmulo de D. António de Noronha | © Imagem no post de Júlio de Magalhães.

 UMA PAIXÃO DE CAMÕES 

por Júlio de Magalhães

blogue de Júlio de Magalhães, 
domingo, 10 de junho de 2012


"Muito se tem escrito sobre a vida e a obra de Luís de Camões (1524-1580), considerado o maior (senão um dos maiores) poeta português e uma das grandes figuras da literatura ocidental. Mas há alguns aspectos da sua vida que ainda hoje são pouco claros, ou objeto de controvérsia, e outros que foram apenas levemente aflorados e que a ortodoxia oficial prefere ocultar. Entre eles inclui-se a paixão que Camões terá nutrido pelo jovem D. António de Noronha (1536-1553), que foi pupilo do poeta e que morreu em Ceuta, nas lutas contra os mouros, apenas com 17 anos.

Ganha hoje cada vez mais consistência entre alguns eruditos que se têm dedicado ao estudo da vida e obra do vate que o célebre soneto que a seguir se transcreve, além de outros poemas explicitamente dedicados, terá sido consagrado à memória do jovem fidalgo.

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Passemos, pois, aos factos.

[...] Estas biografias, ainda que quase contemporâneas do poeta [Pedro de Mariz, 1613; Manuel Severim de Faria, 1624; Manuel de Faria e Sousa, 1639 e 1685], além de conterem elementos fantasiosos, suscitam mais interrogações do que fornecem esclarecimentos sobre a vida de Camões. E nelas há algo que sugere pretenderem os autores ocultar factos de que tendo conhecimento entendem preferível não mencionar.

[...] Tem sido pacífico entre os estudiosos que Camões serviu como criado, escudeiro ou preceptor em casa de D. Francisco de Noronha, 2º conde de Linhares e de sua mulher D. Violante de Andrade. Sobre a fidalguia de Camões apenas é mencionada a expressão “cavaleiro-fidalgo” no alvará em que o rei, em 1572, lhe concede uma tença de quinze mil reis anuais pelo período de três anos. Mas nos alvarás seguintes (a tença foi renovada) de 1575, 1576, 1578 e 1582 (este já depois da sua morte, a pedido da madrasta) a expressão desaparece surgindo tão só o nome “Luís de Camões”. Só num alvará de 1585 se diz “Luís de Camões, cavaleiro da minha casa” mas não “cavaleiro-fidalgo” o que é diferente.

A vida atribulada de Camões tem sido tratada pelos especialistas já referidos, que igualmente se debruçaram sobre a obra, que, sabemo-lo hoje, retrata aquela, ainda que num registo poético.

Mas apesar dos esforços desenvolvidos, continua a saber-se muito pouco sobre os anos que Camões passou em Portugal, no norte de África ou na Índia e Orientes. Pelo menos, as certezas são poucas, as hipóteses muitas. Não sabemos onde nasceu e onde exactamente morreu (em Lisboa) e algum tempo após a sua morte, desconhecia-se onde fora sepultado.

[...] Camões serviu desde muito cedo em casa de D. Francisco de Noronha (1507-1574), futuro 2º conde de Linhares, e de sua mulher D. Violante de Andrade (filha de Fernão Álvares de Andrade, que foi tesoureiro-mor e pertenceu ao Conselho de D. João III). D. Francisco era o 5º filho do 1º conde de Linhares, D. António de Noronha (1464-1551), que era filho do 1º marquês de Vila Real. Do seu casamento (cerca de 1510) nasceram 13 filhos e filhas e mais uma filha fora do casamento, isto segundo a actual genealogia oficial. Sustentam alguns autores que houve ainda mais uma filha dentro do casamento, D. Joana, isto segundo D. António Caetano de Sousa (1674-1759), autor da História Genealógica da Casa Real, que menciona duas filhas com o nome de Joana. A primeira teria sido enviada para África e teria “morrido no mar”. Mais tarde, os pais voltariam a dar o nome de Joana a uma outra filha, a décima na ordem cronológica. Porquê?

Os autores desta tese defendem que Camões teria tido uma paixão (correspondida) por sua ama D. Violante (uns dez anos mais velha), que teria tido início quando o poeta, ainda quase imberbe, entrara ao serviço da casa. Camões ter-se-ia apaixonado depois pela filha da sua patroa, a referida D. Joana, que por isso teria sido enviada para África, quiçá devido ao ciúme da mãe.

Ao longo dos anos, e analisando a obra lírica, têm-se encontrada referências susceptíveis de provar a paixão de Camões por Violante ou por Joana, ou ainda por Natércia, Catarina, Dinamene, ou mesmo pela Infanta D. Maria, e outras que nos dispensamos de citar. Como em tudo, ou quase, na vida de Camões, não existem certezas quanto a estas paixões ou suas destinatárias. Só as explícitas dedicatórias ao filho primogénito dos condes de Linhares, D. António de Noronha, aquele que morreu em Ceuta com 17 anos e que foi pupilo de Camões, permitem enxergar uma afeição especial, que poderia não ser apenas um exercício literário.

Na altura em que Camões terá privado mais de perto com D. António, teria este 14 ou 15 anos e o poeta uns 26 ou 27. É inquestionável que os ligava uma forte amizade.

O soneto seguinte, dedicado a D. António, após ter conhecimento da sua morte em Ceuta (29 de Abril de 1553), é um exemplo de uma eventual paixão pelo jovem, numa altura em que as letras não permitiam aos poetas que fossem mais explícitos:

Em flor vos arrancou, de então crescida
(Ah! senhor dom António!), a dura sorte,
Donde fazendo andava o braço forte
A fama dos Antigos esquecida.

Uma só razão tenho conhecida,
Com que tamanha mágoa se conforte:
Que, pois no mundo havia honrada morte,
Que não podíeis ter mais larga a vida.

Se meus humildes versos podem tanto
Que co desejo meu se iguale a arte,
Especial matéria me sereis.

E, celebrado em triste e longo canto,
Se morrestes nas mãos do fero Marte,
Na memória das gentes vivereis.


Também a Écloga V é dedicada a D. António de Noronha:

A quem darei queixumes namorados
Do meu pastor queixoso e namorado,
A branda voz, suspiros magoados,
De quem serão seus males consolados?
Quem lhe fará devido gasalhado?
Só vós, Senhor formoso e excelente,
Especial em graças entre a gente.
................................

Igualmente este soneto, dedicado a um jovem cavaleiro morto em combate, tem indubitavelmente como destinatário o mesmo D. António:

Alma gentil, que à firme Eternidade
Subiste clara e valerosamente,
Cá durará de ti perpetuamente
A fama, a glória, o nome [e] a saudade.

Não sei se é mor espanto em tal idade
Deixar de teu valor inveja à gente,
Se um peito de diamante ou de serpente,
Fizeres que se mova a piedade.

Invejosas da tua acho mil sortes,
E a minha mais que todas invejosa,
Pois ao teu mal o meu tanto igualaste.

Oh! ditoso morrer! sorte ditosa!
Pois o que não se alcança com mil sortes,
Tu com uma só morte o alcançaste!


* * * * *

Comecei a escrever este texto há alguns meses. Devido a outros afazeres, fui obrigado a interrompê-lo, não tendo podido retomar até agora a investigação que me propusera efetuar. Assim, e para que ele não fique totalmente no olvido, já que ignoro quando poderei concluí-lo, resolvi proceder hoje, Dia consagrado a Camões, à sua publicação.

Acrescentarei apenas que D. António de Noronha está sepultado no Convento do Beato, como quase toda a sua família. A história dos descendentes do 2º conde de Linhares, especialmente de sua filha D. Joana, e onde se poderão encontrar elementos que corroborem a tese aqui expendida, ainda que contrariada pela ortodoxia oficial, da paixão do Poeta pelo seu discípulo (uma atracção perfeitamente natural, ontem como hoje), constitui matéria a que me dedicarei oportunamente."

 COMENTÁRIOS 


[Convém lembrar os costumes da época]

"Sem querer negar a possibilidade de haver uma relação homossexual com um jovem adolescente (quem sou eu para tal coisa), convém lembrar que os costumes da época, muito mais do que os de agora apesar de toda a licença que abunda, permitiam declarações poéticas de carácter amoroso entre homens sem que com isso significasse qualquer relação homossexual. O que raio será, por exemplo, uma amor tão puro visto nos olhos do poeta? Um amor puro não exclui, à partida, qualquer conotação mais erótica ou sensual?"
Xico
10.06.2012, às 20:33

[Aprofundar o estudo deste tema]

"Há toda a probabilidade de ser verdade. Os literatos e historiadores têm contornado o tema, ou mesmo evitado. A ortodoxia oficial a isso obrigava no antigo regime e os costumes permanecem intactos. Algumas pessoas que estudaram o assunto, recordo-me de Natália Correia, afirmam a pés juntos ser verdade e Natália disse que até publicaria uma obra sobre o assunto, o que aliás nunca fez, talvez por ter morrido antes de tempo.

Os poemas transcritos no blog são evidentes. Seriam apenas uma encomenda de família ou uma amor meramente platónico, como usa dizer-se. Ou teria Camões passado aos factos antes da partida do jovem para África.

Teria muito interesse que alguém pudesse dedicar-se ao estudo aprofundado deste tema."
Zé dos Anzóis
13.06.2012, às 15:37

[Paternidade e não pederastia]

"Outra explicação para essa afeição pelo jovem António de Noronha, que não a pederástica, poderia resultar do moço ser filho adulterino de Camões e da D. Violante de Noronha. Se havia uma diferença de 12 ou 13 anos entre eles, seria perfeitamente possível que Camões fosse o pai do moço. Sabendo disso, a morte do jovem terá desgostado bastante o poeta, seu pai..."
Anónimo
18.04.2015, às 18:38

"Um tópico bastante interessante!"

"É verdade que alguns sonetos parecem transparecer qualquer coisa, mas acho difícil afirmar com muita certeza que de facto Camões tenha tido essa relação com o tal D. António de Noronha."
Ricardo
18.10.2012

"Uma vida sentimental diferente" da amizade

"Poderá não ter ocorrido relação, mas pelos factos apresentados facilmente se infere que pelo menos da parte de Luís de Camões havia uma forte atração afectiva que ultrapassa a esfera da amizade. Portanto, existem sérias hipóteses de Luís de Camões ter tido uma vida sentimental diferente daquela que nos é contada nos bancos das escolas e liceus."
Adónis
18.10.2012

Curioso.
Um tema que poderia levantar tanta polémica e ninguém se interessa.
Adónis
21.10.2012


"Eu acredito que há-de chegar o dia em que se falará deste tipo de coisas na escola 
com toda a normalidade :)"
Ricardo
21.10.2012

[]

"Eu também acredito que sim, mas penso que pelo menos por cá ainda há muito a fazer nesse sentido...  :-\

Agora, Luís de Camões homossexual?! Não fazia a mínima ideia. Tem vindo a "saber-se" que alguns dos nossos reis e rainhas tiveram amores "proibidos", o que é sempre bom para muita gente ver que a homossexualidade não é uma doença do século XXI, fruto de uma geração perdida.  :P"
Daniela Oliveira

[...]

"Leitura interessante!"

"Mas... será verdade? Nunca encontraremos (teremos) evidências suficientes para ter a certeza.

Os poemas que postaram abaixo são lindos. E eu cá não me importava nadinha com essa possível paixoneta do Camões. Continuará sempre a ser um grande homem, uma excelente representação da Língua Portuguesa e do nosso país."
Carolina

[...]

para saber +


 Adónis [Júlio de Magalhães]
in Fórum da rede Ex Aequo, 18.10.2012. 







Redação: 18.08.2026


2020/08/21

Desejei tanto uma vossa... – carta, mandada da Índia a um amigo, de Luís de Camões




Desejei tanto uma vossa...

"Carta I. Mandada da Índia a um amigo" (1598)
“Carta II, (Da Índia)" (H. Cidade, 1946, 4.ª ed. 1985)


Desejei tanto uma vossa, que cuido que pela muito desejar, a não vi. Porque este é o mais certo costume da fortuna, consentir que se deseje o que mais presto há de negar. Mas por que outras naus me não façam tamanha ofensa, como é fazerem-me suspeitar que vos não lembro; determinei de vos obrigar agora com esta: na qual pouco mais ou menos vereis o que quero que me escrevais dessa terra. Em pago do qual, de antemão vos pago com novas desta, que não serão más no fundo de uma arca para aviso de alguns aventureiros, que cuidão que todo o mato é orégãos, e não sabem que cá e lá más fadas há.

 

Despois que dessa terra parti, como quem o fazia para o outro mundo, mandei enforcar a quantas esperanças dera de comer até então, com pregão público por falsificadoras de moeda. E desenganei esses pensamentos que por casa trazia, por que em mim não ficasse pedra sobre pedra. E assim posto em estado que me não via senão por entre lusco e fusco, as derradeiras palavras que na nau disse foram as de Cipião Africano: “Ingrata pátria, non possidebis ossa mea”. Porque quando cuido que sem pecado, que me obrigasse a três dias de Purgatório, passei três mil de más línguas, piores tenções, danadas vontades, nascidas de pura enveja, de verem su amada yedra de si arrancada, y en otro muro asida, da qual também amizades mais brandas que cera se acendiam em ódios que demanda esperavam, e o lume que me deitava mais pingos na fama que nos couros de um leitão. Então ajuntou-se a isto acharem-me sempre na pele a virtude de Aquiles, que não podia ser cortado senão pelas solas dos pés, as quais de mas não verem nunca, me fez ver as de muitos, e não enjeitar conversações da mesma impressão, a quem fracos punham mau nome, vingando com a língua o que não podiam com o braço. Enfim, Senhor, eu não sei com que me pague saber tão bem fugir a quantos laços nessa terra me armaram os acontecimentos, senão com me vir para esta, onde vivo mais venerado que os touros da Merciana, e mais quieto que a cela de um frade pregador.

 

Da terra vos sei dizer que é mãe de vilões ruins, e madrasta de homens honrados. Porque os que se cá lançam a buscar dinheiro, sempre se sustentam sobre a água com[o] bexigas. Mas os que sua opinião deita, a las armas, Mouriscote, como [a] maré corpos mortos à praia. Porque sabei que antes que amadureçam se secam. Já estes que tomavam esta opinião de valentes às costas, crede que nunca

 

Riberas del Duero arriba

Cabalgaron Zamoranos,

Que roncas de tal soberbia

Entre si fuesen hablando;

 

E quando vêm ao efeito da obra salvam-se com dizerem que se não podem fazer tamanhas duas cousas como é prometer e dar.

 

Informado disto, veio a esta terra João Toscano, que como se achava em algum magusto de rufiões verdadeiramente, que ali era su comer las carnes crudas, su beber la viva sangre. Calisto de Siqueira se veio cá mais humanamente, porque assim o prometeu em uma tormenta grande em que se viu. Mas um Manoel Serrão, que, sicut et nos, manqueja de um olho, se tem cá provado arrazoadamente. Porque fui tomado por juiz de certas palavras de que ele fez desdizer a um soldado, o qual pela postura de sua pessoa, era cá tido em boa conta.

 

Se das damas da terra quereis novas, as quais são obrigatórias a uma carta, como marinheiros à festa de São F[rei] Pero Gonçalves: sabei que as Portuguesas todas caem de maduras, que não há cabo que lhe tenha os pontos se lhe quiserem lançar pedaço. Pois as que a terra dá, além de serem de rala, fazei-me m[ercê] que lhe faleis alguns amores de Petrarca ou de Boscão; respondem-vos uma linguagem meada de ervilhaca, que trava na garganta do entendimento, a qual vos lança água na fervura da mor quentura do mundo. Ora julgai, Senhor, o que sentirá um estômago costumado a resistir às falsidades de um rostinho de tauxia de uma dama lisbonense, que chia como pucarinho novo com a água, vendo-se agora entre esta carne de selé que nenhum amor dá de si, como não chorará las memorias de in illo tempore? Por amor de mim, que às mulheres dessa terra digais de minha parte, que se querem absolutamente ter alçada com baraço e pregão, que não receiem seis meses de má vida por esse mar, que eu as espero, com procissão e pálio, revestido em pontifical, adonde estoutras senhoras lhe irão entregar as chaves da cidade, e reconhecerão toda a obediência a que por sua muita idade são já obrigadas.

 

Por agora não mais, senão que este Soneto que aqui vai, que fiz à morte de D. António de Noronha, vos mando em sinal de quanto dela me pesou. Uma écloga fiz sobre a mesma matéria, a qual também trata alguma cousa da morte do Príncipe, que me parece melhor que quantas fiz. Também vo-la mandara para a mostrardes lá a Miguel Diaz, que pela muita amizade de D. António folgaria de a ver, mas a ocupação de escrever muitas cartas para o Reino me não deu lugar. Também lá escrevo a Luís de Lemos, em resposta doutra que vi sua, se lha não deram, saiba que é culpa da viagem na qual tudo se perde. – Vale.

 

Em flor vos arrancou de então crescida

Ah, senhor Dom António, a dura sorte!

Donde fazendo andava o braço forte

A fama dos antigos esquecida.

 

Ũa só razão tenho conhecida

Com que tamanha mágoa se conforte;

Que pois no mundo havia honrada morte:

Que não podíeis ter mais larga vida.

 

Se meus humildes versos podem tanto

Que co engenho meu se iguale a arte,

Especial matéria me sereis.

 

E celebrado em triste e doce canto,

Se morrestes nas mãos do fero Marte,

Na memória das gentes vivereis.

 

 

 

Fonte:

1.     Rimas / Luís de Camões. Lisboa, 1598, 191v-193v.

2.     Carta II, in Autos e cartas / Luís de Camões. – Vol. III das Obras Completas, com pref. e notas do Prof. Hernâni Cidade. 4.ª ed., Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1985. [1.ª ed., 1946], p. 243-248.

3.     Luís de Camões – Lírica Completa, ed. Maria de Lurdes Saraiva. Lisboa: INCM. – II Sonetos, 2.ª ed. revista, 1994, p. 250.

 



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