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2026/01/18

O Amor o Vinho e as Rosas na poesia de Camões, saboreados com muita arte de Francisco Simões




"Ilha dos Amores", por Francisco Camões
desenho utilizado na capa da antologia Com Vinho e Rosas... 

  Com vinho e rosas:  

O AMOR O VINHO E AS ROSAS
na poesia de Luís Vaz de Camões

  antologia de homenagem aos 450 anos da Ilha dos Amores  

VÍDEO & LIVRO


O vídeo [9:00 min] apresenta a leitura 
de excertos da poesia de Luís de Camões presente na antologia 
Com vinho e rosas: 
o amor o vinho e as rosas na poesia de Luís Vaz de Camões 
– Homenagem aos 450 anos da Ilha dos Amores
organizada por Gonçalo Salvado
com desenhos de Francisco Simões 
e apresentada por por Maria João Fernandes
na coleção LUMEN Pintura Poesia Vinho
10 jun. 1022

Poemas ditos por 

Francisco Simões, Gonçalo Salvado e Maria Paula Mendes

Realização:

Filme e montagem de Henrique Calvet
exceto auto-filmagem de Francisco Simões

As filmagens foram efetuadas 
junto à "Ilha dos Amores e Ninfas" no Parque dos Poetas, em Oeiras, 
na Livraria Sá da Costa, em Lisboa 
e no atelier de Francisco Simões, no Funchal.





para saber +


in Luís de Camões - Diretório de camonística, 17.11.2024

in Gonçalo Salvado Poeta, 31.12.2023






Redação: 18.01.2026

2024/12/11

"Quando a luz do teu corpo me cega", ou quando a Poesia, a Arte e o (in)Visivel se fundem


"Quando a Luz do Teu Corpo me Cega"

APRESENTAÇÃO DO LIVRO DE POESIA

de Gonçalo Salvado

com ilustrações originais de Álvaro Siza Vieira

e um ensaio introdutório de Maria João Fernandes

A apresentação ficará a cargo de

Luís Filipe Castro Mendes, poeta e ex-Ministro da cultura 
e de Maria João Fernandes, crítica de arte e poeta


10 DEZ. 2024 | às 18h00

Auditório, Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa


Com o apoio da

Câmara Municipal de Proença-a-Nova










A edição da obra é 
uma homenagem a Luís de Camões, 
por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, 
a partir do verso de Os Lusíadas
“Que é grande dos amantes a cegueira”
uma das epígrafes que abre a obra
de Gonçalo Salvado
integra-se também nas celebrações nacionais dos 
90 anos do arquiteto Siza Vieira.


A obra editada pela RVJ editores  tem duas edições
e uma delas é ainda mais especial pois é em braille.
Esta intitula-se Luminea e reúne poemas de Gonçalo Salvado 
que configuram "o tema da luz no contexto amoroso".

A edição especial em braille inclui um desenho de Siza Vieira gravado em relevo.
Para tal, a obra teve a colaboração do Centro de Recursos para a Inclusão Digital 
da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria.

São três as serigrafias numeradas e assinadas por Álvaro Siza Vieira, 
realizadas pelo Centro Português de Serigrafia 
a partir dos desenhos que ilustram a obra.

As imagens para as três serigrafias 
foram selecionadas por Siza Vieira 
e o título da obra foi retirado de um poema de Gonçalo Salvado 
presente em Outra Nudez (2014) 
livro que fora ilustrado com desenhos do escultor João Cutileiro.





Quando a luz do teu corpo me cega


"Quando a Luz do Meu Corpo me Cega, verdadeira gramática, quase uma enciclopédia do amor, obra simultaneamente complexa e de uma simplicidade mágica, junta num mesmo sortilégio palavra e imagem.

Esta obra que ficará como uma referência importante do nosso lirismo marca o encontro da poesia de Gonçalo Salvado já consagrado como um dos nomes mais significativos da poesia de índole amorosa em Portugal da atualidade - premiado com o Prémio da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, Sophia de Mello Breyner pelo conjunto da obra poética em 2003 e o Prémio Álvares de Azevedo pelo seu livro de poesia Denudata - com os soberbos e minimalistas e depurados, desenhos de Álvaro Siza Vieira, arquiteto artista que tem vindo a dedicar-se na sua arte a lançar os alicerces do grande edifício do Ser, de que é um obreiro de eleição. As imagens, completam a musical sinfonia das palavras.

A poesia de Gonçalo Salvado alimenta-se dos diversos afluentes, temas dos outros livros do autor, a poesia e os textos de amor ancestrais e da grande tradição do lirismo, do Cântico dos Cânticos, de Safo, Ovídio e Omar Khayyam a Camões, Bocage, Leonardo Coimbra, Florbela Espanca, Pablo Neruda, Octavio Paz, Paul Éluard, Herberto Hélder, António Ramos Rosa e David Mourão-Ferreira, entre muitos outros.

O ritual do amor, nas infinitas variações amorosas da palavra, encontra uma soberba correspondência na eloquente depuração das linhas de Siza Vieira rumo à imaterial transcendência, ao mistério mais absoluto, a que as imagens, literária e plástica, apelam.

Nos desenhos a extrema depuração é eficaz e eloquente. As linhas delicadamente subtis, precisas, preciosas, matisseanas, do artista e as palavras densas, enamoradas da claridade, do discurso igualmente depurado do poeta, tendem para a síntese, na infindável litania amorosa, que é uma forma de invocação, um apelo à revelação que por vezes os desenhos parecem não apenas corporizar, mas evocar, invocar.

Celebração da mulher como realidade, como metáfora e como símbolo, e do ritual amoroso a que ela dá um sentido.

Palavra e imagem desenham um mesmo corpo nas suas variações infinitas. Corpo material e imaterial, real e imaginário, do arquétipo, mais ardente do que o fogo, mais luminoso do que a luz e que traduz a sua essência última, próxima do divino. Inominável.

Siza Vieira deixou em Portugal a marca do seu talento de arquiteto internacionalmente reconhecido, este grande livro que tive a honra de prefaciar representará, em conjunção com a poesia de Gonçalo Salvado, um verdadeiro, intemporal e universal monumento para os vindouros."
Maria João Fernandes
in BNP, Agenda


  1. Quando a Luz do Teu Corpo me Cega. - Poesia. / de Gonçalo Salvado, com ilustrações originais de Álvaro Siza Vieira e um ensaio introdutório de Maria João Fernandes. Castelo Branco: RVJ Editores. 
  2. O poeta Gonçalo Salvado (Lisboa, n. 1967). Licenciado em Filosofia pela U. Católica, a sua obra constrói-se sob o signo de Eros, tendo organizado várias antologias que contemplam textos de Camões. Dos seus títulos, destacamos Camões, amor somente (1999), Nigra sum: a mulher negra na poesia de amor lusófona do século XVI ao século XXI (2020) e Com vinho e rosas (2022). - Fotografia por José Brito, no Facebook, 19.11.2024.
  3. Serigrafia "A Invenção do Paraíso" (2006) da exposição homónima de homenagem a Julio/Saúl Dias, em 2004. Como artista, Gonçalo Salvado realizou exposições de pintura e de desenho.







para saber +


in Luís de camões - Diretório de Camonística, 17.11.2024


Livro de Gonçalo Salvado apresentado na Biblioteca Nacional
in Gazeta do Interior, Castelo Branco, 6.112024


in Ensino Magazine, 4.07.2024


“Livro de poesia de Gonçalo Salvado lançado
in Gazeta do interiorCastelo Branco, 03.07.2024


in Diário Digital Castelo Branco, 1.07.2024


in e-cultura, jun. 2024


in Sapo.pt, 17.06.2024


in Jornal Reconquista, 07.12.2022


Novo livro tem serigrafias de Siza Vieira – Quando a luz do teu corpo me cega
in Jornal Reconquista, 7.11.2021









Redação19.11.2024, atualizado em 10.12.2024

2024/11/17

Esta comum paixão camoniana, ou a poesia de Gonçalo Salvado


Gonçalo Salvado com um desenho de Francisco Simões
Imagem in Gonçalo Salvado Poeta | Facebook, 18.04.2022




No V Centenário do Nascimento de Luís de Camões: 1524 – 2024





"Camões, amor somente"

transcriação/antologia a partir de fragmentos da lírica, da épica e da dramaturgia camonianas 

de Gonçalo Salvado 

Prefácio de
 Mendo Castro Henriques | José Miguel Santolaya Silva |  António Manuel Ambrosio Ferreira
 
Salamanca: Caja Duero, 1999.


Apresentação da obra na Embaixada de Espanha, em Lisboa
com a presença do Embaixador D. José Rodríguez-Spiteri Palazuelo 
e do editor D. Sebastián Battaner Arias


"A obra é uma tentativa de construção de 
um Cântico dos Cânticos e de uma Arte de Amar em língua portuguesa 
a partir de fragmentos da lírica, da épica e da dramaturgia camonianas."













DELÍRIO 


"Se acendeu de outro fogo do desejo"
Luís de Camões


Quisera acordar em teu sangue a ondulação das ondas 
que pelo meu ser se espraiam. Vagas voluptuosas, 
ardentes, resplandecentes de espuma, doridas de azul,
incandescentes de sal. E vivas. Vivas.  

Quisera exaltar teu ventre entre o delírio e a loucura, 
tua carne que em mim se transfigura num sorriso vasto
de anseios puros, para sagrar contigo a vida mais fecunda.  

Ah, deixa-me aspirar o ar em tua radiante fronte 
antes que o dia expire e se alastrem as sombras 
até que de nós nada mais reste 
que um murmúrio no vento, 
um gemido abrasado e um doce lamento.  

Ó espanto deste amor no coração do verão aceso, 
fervor de um corpo indefeso ao meu desejo entregue, 
pleno de sumptuosos aromas 
e de inebriantes fragrâncias,  
a invadir de júbilo a íntima doçura da manhã. 

Ó êxtase que percorre como um sigilo a minha pele, 
luz que te pertence, dádiva de tua ardorosa claridade,
prodígio encantado da alegria onde em ebriedade me perco. 

Ó cálida mulher por minhas mãos estremecida, 
com odor quente a vertigem, a bosque silvestre, 
a resina, a álamos, a frutos molhados, 
a ramos verdes de folhagem 
em cuja pele se espelham os astros num resplendor infinito.   

Não escutas o apelo deste fogo convulsivo 
que sobre mim estende seu instinto prisioneiro 
consumindo a cada instante o meu desejo 
e minha alma inteira libertando? 

Fogo que habita e se alastra em meu peito, 
que por ti pede, implora e suplica, 
que teu amoroso sopro impele e reaviva? 

Que chama viva me convida a percorrer-te 
se em tuas próprias águas uma labareda ateaste?  

Deixa-me arder na languidez aveludada de tua carne,
fazer vibrar em teu colo os acordes da mais pura água
ser música de alba no suspiro que de ti transborda. 
Amar é o melhor ensejo para relembrar que a morte é nada. 

Amo tuas ancas sumptuosas, o denso ardor de seu meneio, 
cada movimento de sua dança, a sua elegância de baile e maresia. 
O próprio mar ao vê-las mais se azula, se enfeitiça e se deslumbra  
com a frescura de suas ondas, de suas vagas, de suas espumas. 
Quantas vezes são fúria de água a arrastar-me para os fundos  
impondo ao meu olhar que por elas cega a sua submersa claridade!  

Gonçalo Salvado
In Entre a Vinha (2013)












NASCIDA DAS VAGAS


Retoma com tuas mãos o caminho do meu corpo: 
ainda é cedo para o declinar do estio 
e o sol resplandecendo persiste 
em festejar em nossa pele
o fulgor da sua própria avidez

Não há lugar para o inverno 
quando o fogo lateja firme no sangue 
e os sentidos vibram ateados pelo desejo 
e se surpreendem lavas e delírios 
no enlace dos corpos que se fundem  

Vê como a luz testemunha 
esta rubra exaltação que incessante me percorre 
ao fluirem meus dedos pela linha da tua cintura
ao abraçar tua nudez numa sede estremecida

Vê como o mar se encrespa alvíssimo 
em doce melodia e um manto de espuma viva 
vem cobrir a orla do nosso mútuo assombro     

Quero-te assim: reclinada no meu peito
cintilante de sal rendida às vagas
das carícias de meus dedos 
exposta ao ardor da minha posse
em súplice abandono

Deixa-me beber nos teus lábios a sorvos largos
a embriaguez da volúpia 
saborear em tua boca 
o gosto fremente dos pomos  
visitar-te poro a poro
com desbordante entusiasmo
até desfalecer de gozo na suavidade do teu ventre 

Nua, ao meu lado, estendida sobre a areia 
és o apogeu da própia vida a entregar-se plena
ao fascínio da minha contemplação

Como merecer-te? doar-te todo o ardor que
em sobressalto me acende o olhar e te celebra?
Como domar o fogo que chega ditoso 
em tropel numa urgência de se revelar?

Acalmar este indómito desejo? E como? Se irrompe
febril diante do teu vulto claro, e me cega?
…………………………………………………….

Gonçalo Salvado
(inédito)













“Com vinho e rosas:o amor o vinho e as rosas na poesia de Luís Vaz de Camões 

Homenagem aos 450 anos da Ilha dos Amores”

ANTOLOGIA POÉTICA 

ed. Gonçalo Salvador 

com desenhos de Francisco Simões 

10 JUN. 2022 | no Jardim horto de Camões, em Constância, Santarém 

Uma colaboração 
da Editora Lumen com a Livraria Sá da Costa Editora de Lisboa 
em parceria com a Quinta dos Termos

"O título é inspirado na estrofe 41 do canto IX de Os Lusíadas
que relata o célebre episódio da Ilha dos Amores 
e a obra contém uma seleção das referências ao vinho e às rosas na poesia de Camões. 

Na capa reproduz um retrato do poeta lírico feito pelo escultor Francisco Simões, 
que também assina dois desenhos de nu feminino no seu interior 
(autor também da escultura “Ilha dos Amores e Ninfas”, 
instalada no Parque dos Poetas, em Oeiras). 
Inclui ainda um fragmento da obra “Camões, amor somente”, 
de Gonçalo Salvado, publicada em Salamanca, em 1999."

In: Reconquista, 21.04.2022





"Nigra Sum: 

a Mulher Negra na poesia de amor lusófona do século XVI ao século XXI"

ANTOLOGIA POÉTICA 

ed. Gonçalo Salvado

com desenhos de Roberto Chichorro 

Lisboa: Lumen/Livraria Sá da Costa/Quinta dos Termos, 2020


"A antologia, agora lançada em estreia, 
insere-se numa coleção de poesia, única no panorama editorial português, 
em que as obras surgem em original formato livro/garrafa.

O livro conta com capa e desenhos de nu feminino, concebidos para o efeito 
por Roberto Chichorro, consagrado artista Moçambicano, 
sendo que na sua obra o feminino e o erótico ocupam um lugar de relevo. 
A obra inclui ainda um texto de abertura de Maria João Fernandes."

in Gazeta do Interior, 29.07.2020





"Entre a vinha"

POESIA 

de Gonçalo Salvado

com desenhos de Rico Sequeira 

Prefácio de Fernando Paulouro

Lisboa  Portugália, 2010

“Estamos perante uma obra obra trabalhada ao gume do pensamento, 
em que a música das palavras, o ritmo breve ou mais alongado dos versos 
converge num esplendor [...] múltiplo, 
pela forma encantatória como o poeta realiza a evocação do corpo 
e se transcende na criação de um “destino solar” único e definitivo. 

Um canto de amor que se desenvolve em poemas de sentido epigramático, 
numa epifania poética da mulher que é, na realidade, um Cântico dos Cânticos."

Fernando Paulouro
In: Prefácio a Entre a Vinha













  1. Camões, amor somente. - Org. Gonçalo Salvado. Pref. Mendo Castro Henriques ; José Miguel Santolaya Silva ; António Manuel Ambrosio Ferreira. Salamanca: Caja Duero, 1999.
  2. Com vinho e rosas: o amor, o vinho e as rosas na poesia de Luís Vaz de Camões. -Antologia de homenagem aos 450 anos da Ilha dos Amores. Org. Gonçalo Salvado. Lumen, 2022.
  3. Nigra sum: a mulher negra na poesia de amor lusófona do século XVI ao século XXI – Homenagem a Sulamite, do Cântico dos Cânticos e a Bárbara escrava, de Luís de Camões. - Antologia poética org. por Gonçalo Salvado e ilustrada pelo  artista plástico moçambicano Roberto Chichorro. Lisboa: Lumen/Livraria Sá da Costa/Quinta dos Termos, 2020.
  4. O poeta Gonçalo Salvado (Lisboa, n. 1967). Licenciado em Filosofia pela U. Católica, a sua obra constrói-se sob o signo de Eros, tendo organizado várias antologias que contemplam textos de Camões. Dos seus títulos, destacamos Camões, amor somente (1999), Nigra sum: a mulher negra na poesia de amor lusófona do século XVI ao século XXI (2020) e Com vinho e rosas (2022). - Fotografia por José Brito, no Facebook, 19.11.2024.












para saber +

in Luís de Camões - Diretório de Camonística

“Antologia organizada por Gonçalo Salvado com desenhos de Francisco Simões comemora Poesia de Camões e os 450 anos da Ilha dos Amores” 
in BeiraNews, 18.04.2022

in Reconquista, 21.04.2022

in Gazeta do Interior, n.º 1649, 29.07.2020

Manuel da Silva Ramos
[Poesia de Gonçalo Salvado, desenhos do escultor José Rodrigues, 
Quinta dos Termos/A 23 Edições / Fundação José Rodrigues, 2017
in JL20.12.2017 a 2.01.2018.











Redação: 17.11.2024

2024/11/09

Amor e fogo na lírica de Luís de Camões, por Gonçalo Salvado



"Fogo que arde sem se ver: Amor e fogo na lírica de Luís de Camões, seguido de poemas de homenagem a Camões"

RECITAL DE POESIA



Com a colaboração de 
Carina Anselmo, Trindade Antunes, Antonieta Salgueiro, 
Fátima Torrado e Fábio Superbi


9 NOV. 2024 | às 17h | No Auditório da Junta de Freguesia de São Miguel de Acha


Acontecimento no âmbito do
II Encontro de Poesia e Contos de São Miguel de Acha

Organização:


ADEPAC
Associação de Defesa do Património Cultural de São Miguel de Acha




O CULTO DE CAMÕES 

“Nunca será demais homenagearmos Camões, que nos deixou em herança o que de mais elevado existe na nossa língua e na nossa poesia. É hábito dizer-se que a língua portuguesa é de Camões, assim como a língua italiana é de Dante ou como a língua espanhola é de Cervantes. Muito lhe devemos, por certo. 

O culto de Camões não terminou até hoje nem mostra sinais de abrandamento. Bem pelo contrário. Cada geração se revê nos versos sublimes que nos legou como no espelho das águas mais translúcidas. Reencontramos na sua poesia o nosso verdadeiro rosto e a essência da nossa identidade lusíada mais profunda que se caracteriza antes de mais pelo lirismo.

Ora, se há poesia com a qual o nosso lirismo tem laços de profunda consanguinidade, essa é a de Camões. Como nenhuma outra marcou indelevelmente a expressão do amor, permitindo-nos através dela reconstituir uma arte de amar em língua portuguesa.

A sua primeira leitura foi para mim uma das experiências mais apaixonantes que vivi. Não há verso lírico de Camões que não guarde o vestígio do pulsar do meu próprio coração, do meu total arroubamento.

A sua estética amorosa inspirou a minha e conduziu-a pelas sendas de um culto a uma divindade feminina, mas com um rosto muito humano, que é para ele a mulher, fonte de encantamento dos sentidos e de uma contínua exaltação que é a mais genuína fonte da poesia.

A mulher em contraponto com a natureza que espelha a sua beleza e de que a sua beleza é o divino espelho, está ao centro, é a protagonista de eleição da poesia camoniana, em cujos versos achei o motivo condutor de várias antologias poéticas que realizei com o intuito de o homenagear. Uma delas foi publicada em Espanha e intitula-se Camões Amor Somente (Salamanca, Espanha, 1999). Trata-se de uma transcriação e que na verdade foi um estreito diálogo entre o meu universo e o daquele que é considerado o expoente do lirismo português e um dos expoentes do lirismo europeu.

Camões é eterno, pois. Não duvidemos disso. Tal como escreveu um camonista ilustre português: "O que faz a perenidade de Camões é que não há colete epocal que o cinja perfeitamente, pois o seu génio faz estalar as costuras de todas as vestes com que se pretenda dar-lhe fugurino mais consentâneo com a arrumação em qualquer cabide definitivo”. Por isso, a ninguém que ame a poesia lhe é indiferente a voz grandiosa e única de Camões.

Que o culto por Camões continue assim por muitos séculos e que as futuras gerações possam fruir e admirar uma obra que honra não apenas a nossa nacionalidade, mas a grande e universal pátria da Poesia.”
Gonçalo Salvado
Abertura do acontecimento, 9.11.2024




PROGRAMA

“500 anos do nascimento de Luís de Camões”


17h00
Saudação e boas vindas aos presentes
por Sofia Gonçalves, Presidente da ADEPAC

Apontamento Musical

17h15
Início dos trabalhos coordenados por Fábio Superbi
Apresentação do evento

Homenagem ao poeta João Alberto Bentes, recentemente falecido

Leitura de poemas de João Alberto Bentes.


17h30
“Fogo que arde sem se ver”: “Amor e fogo na lírica de Luís de Camões”
por Gonçalo Salvado 

Leitura de poemas de Luís Vaz de Camões
"Leituras feitas pelas gentes de São Miguel de Acha":
Maria Emília Ramos Alexandre, Trindade Antunes, Antonieta Salgueiro, 
Maria Pelicano, Fátima Torrado e Fábio Superbi

19H00
Encerramento







  1. Cartaz do II Encontro de Poesia e Contos de São Miguel de Acha, em 2024.
  2. O poeta Gonçalo Salvado. - Fotografia por Henrique Calvet, disponível no perfil do Facebook.
  3. O nascimento de Vénus (pormenor) de Botticelli.







para saber +


in Diário Digital Castelo BrancoCultura, 15.11.2024

Gonçalo Salvado organiza recital de Camões
in Gazeta do interiorIdanha-a-Nova, 30.10.2024, p. 9.

in ADEPAC, Eventos

Gonçalo Salvado Poeta | Facebook, 4.11.2024

in Luís de Camões - Diretório de camonística, 17.11.2024







Redação: 9.11.2024, atualizado em 17.11.2024

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