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2026/07/15

Revista Garcia de Orta - Edição Comemorativa do IV Centenário da publicação de Os Lusíadas




 GARCIA DE ORTA 
 Edição Comemorativa do 
 IV Centenário da publicação de Os Lusíadas 

NÚMERO ESPECIAL

Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1972

[viii], 607, [i]  p., il. (30x21cm)

Edição com textos em português, italiano, alemão e inglês. 

Versão integral disponível online
pelo Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC)
em .PDF


Número especial, monumental
com estudos dedicados a Camões


A Edição d'«Os Lusíadas» de 1572 | p. 1
por Francisco Dias Agudo

A Viagem de Vasco da Gama entre Moçambique e Melinde, 
Segundo Os Lusíadas e Segundo as Crónicas | p. 11
por Luís de Albuquerque

Da Antropologia Física Ultramarina de «Os Lusíadas» | p. 37
por António de Almeida

Uma Versão Manuscrita da Tradução Castelhana d«Os Lusíadas» 
por Luys Gomes de Tapia | p. 79
por Justino Mendes de Almeida

El Palmeirim de Inglaterra. Conjeturas y Certezas | p. 127
por Eugenio Asensio

«Os Lusíadas» - Poema da excelência Contemplada | p. 135
por Leónidas Querubim Avelino

Camões e Santo António  - Dois Portugueses Universais | p. 151
por Henrique Martins de Carvalho

Luís de Camões e Suas Afinidades com Garcia de Orta | p. 155
por Hernâni Cidade

Será Camões a Personagem Urbano da «Lusitânia Transformada»? | p. 165
por António Guerreiro

O Amor da Pátria e a Defesa da Civilização Ocidental Cristã no Poema de Camões | p. 183
por Morão Correia

«Descobrimento» e Descobrimentos | p. 191
por Armando Cortesão

A Concepção do Mundo Árabe-Islâmico n'«Os Lusíadas» | p. 201
por José D. Garcia Domingues

Die Kunst der Synthese in den Lusiaden des Camões | 227
por Hans Flasche

Camões e «Os Lusíadas» | p. 241
por Gondin da Fonseca

Os animais e os Seus Produtos em «Os Lusíadas» | p. 285
por Fernando Frade

Representação Iconográfica da Gruta de Camões de Macau | 323
por Luís Gonzaga Gomes

Camões na Literatura Mundial | p. 333
por Armando Martins Janeira

História e Doutrina do Poder n'«Os Lusíadas» | p. 349
por Jorge Borges de Macedo

Apontamentos sobre Camões e o seu Conceito de Heroísmo | 375
F. Costa Marques

A África Ocidental em «Os Lusíadas» | p. 381
por Teixeira da Mota

A Origem Histórica e a Solução Actual dos Principais Problemas da Protecção da Natureza na Ilha de Porto Santo | p. 393
por C. M. L. Baeta Neves

Riqueza Farmacognósica em «Os Lusíadas» | p. 405
por Albano Pereira Júnior

Sobre o nome de «Adamastor» | p. 433
por Américo da Costa Ramalho

The skyes of Vasco da Gama: Planetarium Script as Epic Commentary | p. 439
por Francis M. Rogers

A Maior Dor de Camões | p. 481
por Alberto Machado da Rosa

Una traduzione Romantica Italiana d'«Os Lusiadas» | p. 491
por Giuseppe Carlo Rossi

A Literatura Brasileira no Portugal Oitocentista: os Críticos, os Jornais, as Revistas | p. 507
por Raymond Sayers

 Obras de Arte Indo-Portuguesas de Carácter Mongólico | p. 527
por Maria Madalena de Cagigal e Silva

Philosophical Implications of Camões? Use of the Classical Mythological Tradition 
in the Adamastor Episode of «Os Lusíadas» | p. 535
por Ronald Sousa

«Os Lusíadas» e a Botânica | p. p. 547
por Carlos das Neves Tavares

Um soneto de Camões contra D. João III? |p. 569
por Francisco José Veloso

The Visite to Portugal in 1779-1780 of William Julius Mickle, 
translate of «Os Lusíadas» | p. 595
por S. George West.

Afinidades e influências entre as obras de Camões e de Garcia de Orta

"No mês em que se celebra o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o MUHNAC disponibiliza a edição da revista Garcia de Orta - Número especial comemorativo do 4.º Centenário da publicação de Os Lusíadas, editado em 1972.

A revista Garcia de Orta, publicada entre 1953 e 2002, inicialmente pela Junta de Investigações do Ultramar e mais tarde pelo IICT, que lhe sucedeu, incluiu artigos de diferentes áreas, como a História, Geografia, Botânica, Geologia, Antropologia, Antropobiologia, Agronomia e Zoologia.

Curioso será também refletir sobre as afinidades e influências que podemos encontrar entre a obra poética de Luís de Camões (1524 - [1580]) e os tratados do médico e botânico Garcia de Orta [1501-1568], este contemporâneo do primeiro, numa época em que muito se explorou o acesso a novas plantas e medicamentos.

O número comemorativo do 4.º Centenário da publicação de Os Lusíadas inclui mais de 30 artigos de várias temáticas, onde, entre outros, se destaca “Os Lusíadas e a Botânica”, um artigo da autoria de Carlos das Neves Tavares (1914-1972), botânico e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Este artigo foi então uma nova abordagem ao tema, que já tinha sido extensivamente desenvolvido na obra Flora dos Lusíadas (objeto do mês em julho de 2017), da autoria de Francisco Manuel de Melo Breyner, Conde de Ficalho (1837-1903), o fundador do Jardim Botânico de Lisboa.

Os Lusíadas têm suscitado o interesse de inúmeros autores ao longo dos últimos séculos, sendo possível encontrar nessa obra, além das referências à Botânica, ligações à Astronomia, Zoologia, Antropologia, entre outros, o que mostra a curiosidade e os saberes que emergiram nesse tempo, permitindo-nos hoje em dia estabelecer caminhos e cruzar fronteiras entre a Arte e a Ciência."
Miguel Teixeira e Branca Moriés


para saber +


Miguel Teixeira e Branca Moriés






Redação: 14.07.2026

2025/05/25

"Carta imaginária escrita por Garcia de Orta aos seus colaboradores e amigos", concebida pelo Professor João José Alves Dias

Carta imaginária escrita por Garcia de Orta aos seus colaboradores e amigos

por João José Alves Dias


"Carta imaginária escrita por Garcia de Orta aos seus colaboradores e amigos, informando-os do recebimento do privilégio, assinado pelo Conde Vice-rei, em Goa, a 5 de novembro de 1562, de como só os impressores por ele autorizados poderiam imprimir a nova obra que se estava aprontando na tipografia de Iohanne de Emden, sobre os simples e as drogas orientais utilizados em mezinhas e outras coisas curiosas. Foi escrivão João Alves Dias.

Eu Garcia de Orta a vós Ruano e Dimas Bosque saúde.

Dos amigos todas as coisas são comuns e, assim, têm os amigos licença para emendar as coisas dos que forem seus. Foi dentro deste princípio que se desencovou a verdade não sabida de todos e se escreveu este livro.

Sabede que vos estou grato e que vos quero dizer, em primeiro lugar, a grande mercê que me fazeis nisso. Mercê por toda a ajuda que me deram na emenda e na feitura dos nossos Colóquios. Digo nossos porque um Colóquio presume a interveniência de diferentes pessoas, como neste caso aconteceu. Na verdade, esta obra é uma obra a três mãos, dado que as vossas, em muitos e muitos momentos, substituíram a força e a agilidade que as minhas, hoje, quase não têm, assim como a clareza que falta ao meu olhar. Todos vós sabeis que tanto a minha doença, como a minha idade (para não falar em outros desenganos ou vicissitudes da vida) me foram debilitando as forças, imprescindíveis para congregar este trabalho que nunca mais termina, dados os erros a corrigir. Já depois de impressas as suas folhas, e depois de tantas emendas feitas, ainda temos de assinalar, numa lista, os erros da impressão, que são muitos, dado que alguns deles podem mudar o entendimento.

Confesso que, sem a vossa ajuda, talvez não tivesse tido a coragem suficiente para levar em frente esse meu sonho de juventude: corrigir, documentar e aumentar a obra que nos foi ensinada durante a nossa aprendizagem em Salamanca, no que à Matéria Médica, com origem na Índia, diz respeito. Informar a obra que nos foi legada a partir de Dioscórides e aperfeiçoada por tantos, tantos outros, até aos nossos dias. É que se sabe mais em um dia agora pelos portugueses do que se sabia em cem anos pelos romanos.

Sabeis, tão bem como eu, que foram muitos outros os livros presentes na raiz deste nosso trabalho e outros que eu próprio, infelizmente, não consegui ler, mas que vós outros me recordaram e me deram a conhecer.

É evidente, e todos vós o melhor sabeis que ninguém, que uma obra de estudo nunca está terminada. É mais um pormenor que nos escapa, que nos confunde, ou – o que ainda é pior – um pormenor em que temos de desmentir aquilo que outros afirmam como se fosse verdade, mas que não passa de mentira. Mentira que tantas vezes repetida até parece verdade. Mas a ignorância continua nos nossos dias e encontra-se escrita em um escritor moderno muito lido e muito douto. Ainda as temos de desmentir… gastando forças que antes se deveriam poupar para outros trabalhos.

Nem sempre estivemos de acordo ao longo desta obra; já depois de composta e impressa chegou, pela tua mão, Dimas, a esta parte do nosso reino, o conhecimento do que escrevera Gaspar Barreiros acerca da origem do nome de Badajoz. Ao contrário do que alguns possam vir a defender no futuro, eu não vi o livro, nem tão pouco o conseguiria ler, como sabeis. Ousaste pois tu, Dimas, pensar que eu estava errado nos meus conhecimentos!… recordo-te o que então te disse que «pode ser que me engane eu, porque a todos os mais dos homens lhe parecem melhor as suas cousas que as alheias», mas acabaste por verificar que estava certo.

Mas a razão por que vos escrevo esta carta, Ruano e Dimas Bosque amigos, não é para vos lembrar a forma como foi redigida esta nossa obra que muitos julgam tratar apenas das mesinhas e frutas da Índia, esquecendo que tratamos também do âmbar, do lacre, da pedra bezoar, dos diamantes e outros minerais. Falamos dos simples (toda a substância não misturada) e das drogas ou compostos (resultantes da mistura de vários simples), não de frutos ou plantas por fazerem parte de um horto, ou de um jardim, ou de um herbário, mas sim porque entram em fármacos, com os quais nós tratamos os nossos doentes e, por vezes, também tratamos de outras coisas curiosas desta terra.

É, antes, para vos dizer em primeira mão, que a obra já recebeu o privilégio de proteção real para a sua impressão – privilégio esse, aliás, que é costume todos os livros, de qualquer outro assunto, também receberem. Proteção essa que procura evitar que outros imprimam ou copiem aquilo que aqui se escreveu, ficando eles com o fruto do nosso trabalho. Durante três anos só os impressores que eu autorizar a podem imprimir nesta forma ou emendada. Esse privilégio foi hoje, dia 5 de novembro, assinado, em escrito que nos fez chegar Rui Martins, nesta cidade de Goa.

E eu, Garcia de Orta, que já não tenho saúde para esta carta escrever de minha própria mão, a ditei e mandei escrever por João Alves Dias, meu escrivão na puridade."


(Reprodução do Privilégio)





para saber +

Texto publicado em:
Portal: Grupo de Amigos de Castelo de Vide, 
secção "Entre Diálogos", contribuições, 27.10.2020 

Reproduzido parcialmente e divulgado em





Redação: 25.05.2025

2024/05/28

Nova edição do Colóquios dos simples de Garcia de Orta



[capa a ser atualizada com a da nova edição]

Colóquios dos simples e drogas e coisas medicinais da Índia

de Garcia de Orta

LANÇAMENTO

 28 JUN. 2024 | Auditório, Biblioteca Nacional de Portugal




"Nova edição da obra de Garcia de Orta, 
Colóquios dos simples e drogas e coisas medicinais da Índia, 
originalmente publicada em Goa em 1563, 

preparada por 
Rui Manuel Loureiro e Teresa Nobre de Carvalho

onde se apresenta uma leitura modernizada, 
complementada por centenas de anotações, 

que visa disponibilizar uma versão mais acessível e informada de 
um dos grandes clássicos da literatura portuguesa."






ORTA, Garcia de, 1499?-1568

Coloquios dos simples, e drogas he cousas mediçinais da India, e assi dalgu[m]as frutas achadas nella onde se tratam algu[m]as cousas tocantes amediçina, pratica e outras cousas boas, pera saber

 cõpostos pello Doutor garçia dorta : fisico del Rey nosso senhor

vistos pello muyto Reuerendo senhor, ho liçençiado Alexos diaz : falcam desenbargador da casa da supricaçã inquisidor nestas partes.


Impresso em Goa : por Ioannes de endem, 10 Abril 1563. 

Cota do exemplar digitalizado: RES-456-P
da BN de Portugal







Redação: 28.05.2024

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