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2026/09/05

RELICÁRIO PERPÉTUO é a ópera de câmara com libreto de Luísa Costa Gomes e composição musical de Luís Tinoco


   Relicário Perpétuo   

   ÓPERA   

Com libreto de Luísa Costa Gomes
e composição de Luís Tinoco

Duração Aprox. 60' | Class. Etária: M/12

Programa de sala | PDF, 124 p. 


 AGENDA 

Sessões em setembro:

  11 SET. 2026 | às 21h00 - Bilhetes.  
 12 SET. 2026 | às 19h00 - Bilhetes
  No Teatro Nacional de S. João, no Porto  


Sessões em junho:

13 JUN. 2026
No Cineteatro de Loulé
A récita de dia 13 de junho, no Cineteatro Louletano, 
é em versão de concerto.

11 JUN. 2026, às 18h30
No Teatro Camões, em Lisboa

10 JUN. 2026, às 16h30 | Estreia
No Teatro Camões, em Lisboa
As récitas de 10 e 11 de junho são precedidas por 
uma conversa com Luís Tinoco, Luísa Costa Gomes e Nuno Carinhas, 
moderada por Pedro Amaral, Diretor Artístico do TNS.

Créditos:

música: Luís Tinoco
direção musical: Joana Carneiro
encenação e figurinos: Nuno Carinhas

cenografia: Pedro Tudela | desenho de luz: Rui Monteiro
realização vídeo: Luís Porto

 solistas: 

João Delgado Lourenço (Faquir)
Mariana Fabião (Bárbara, a escrava; Cortesã)
Rodrigo Carreto (Gerardo, príncipe de sangue da Índia)
André Henriques (Hipócrita, o Vizir)
André Baleiro (Camões, príncipe dos poetas de Portugal, Salomão, o Rei)
Andrea Conangla (Joana, a Boba; Cortesã) 
Camila Mandillo (Catarina, a Santa de Roca; Cortesã)

Produção:

Teatro Nacional de São Carlos
Com o apoio da Comissão Nacional para as Comemorações 
do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões.

Revisitar Camões numa ópera

"A ópera Relicário Perpétuo insere-se no programa oficial das comemorações do V Centenário do nascimento de Camões, e reúne um naipe extraordinário de artistas. 

A composição musical é de Luís Tinoco, o libreto, de Luísa Costa Gomes, Nuno Carinhas encena e a maestrina Joana Carneiro dirige a Orquestra Sinfónica Portuguesa. 

[...] Relicário Perpétuo assume-se como uma tragicomédia, com um libreto onde cabem e se jogam textos em várias línguas: o papiamentu e o negrillo, línguas inventadas a partir do provençal e do catalão, sendo o português literário seiscentista apenas mais uma língua estrangeira. Nesta ópera, Camões e o relicário das línguas solicitam revisitação perpétua."
Agenda de set. 2026

A tragicomédia humana

"O que guardar, o que deitar fora, o que tem valor - que autoridade poderá ditá-lo? E Camões, qual deles guardar e celebrar? O dos sonetos petrarquistas, o das odes horacianas, o da epopeia virgiliana agora em revisão? O Camões do teatro mal- amado? O das cartas semi-vis? O das sátiras ainda por estudar? Em Relicário Perpétuo estão todos os Camões, o mais que eles podem. 

No libreto, o Poeta convoca uma geografia fantasiosa de corte oriental, onde um desamparado príncipe coleciona indiscriminadamente tudo o que lhe vem à mão, numa acumulação insana, incapaz de decidir sobre o seu valor. 
Espera o regresso de Salomão, seu pai, sua bússola moral e estética. Naufragado e oprimido nessa ilha encantada que o adora, a corte de Gerardo é a arena onde Camões irá combater pelo seu lugar no cânone, influenciado pelo Vizir que lhe faz ver as vantagens da epopeia. 

Trata-se, então, de uma tragicomédia, mais humorística nas cenas de carácter crítico-museológico, mais trágica no tom impaciente de Camões encarcerado nas nossas leituras redutoras.

O libreto tem seis cantores e um faquir mudo. São três vozes masculinas e três femininas, representando algumas delas várias partes. Para além de Camões, príncipe dos poetas de Portugal, temos Gerardo, príncipe de sangue da Índia; Hipócrita, o vizir do Rei Salomão, e o próprio Salomão, que regressa em pessoa para de novo partir no seu projeto de envelhecimento ativo. 

As vozes femininas são a da Escrava, uma espécie de factótum de todos, de serviço ao Relicário e não só, A Santa de Roca, uma senhora que tem ouvido absoluto, ouvindo até os sons vindos do futuro; e a Boba Joana, tecendo comentários que vão do popular ao filosófico. A Santa de Roca será também uma cantora e uma Cortesã, Dona Isabel. [...]"
Página oficial do evento


 ARGUMENTO 

in: Programa de sala, p. 47-53.

PRÓLOGO

"Um Faquir concentra-se para a sua proeza. Corta ritualmente uma madeixa de cabelo. Entra com dificuldade numa pequena caixa, parte a parte, quase todo: a mão não cabe. O Faquir corta a sua mão direita.
Leve, eleva-se. A Escrava, com a sua vara telescópica, vem recolher a madeixa e a mão para o Relicário."

CENA I
ESCRAVA, GERARDO, VIZIR

"Gerardo, Príncipe da Índia, toma um duche purificador antes da sua proeza: vai cortar a orelha mágica do Minotauro, o que lhe permitirá ouvir o som puro. O som puro é absoluto, traz o seu próprio valor, imediatamente reconhecível, é uma orelha transparente que não interfere no que se ouve. 

O Vizir entra com notícias do rei Salomão, pai de Gerardo, ausente da corte há vinte anos, de férias num cruzeiro especial ao Brasil. Manda postais ilustrados. Gerardo mostra desagrado pelo desinteresse do monarca na governação. Contava com a sabedoria paterna na discriminação do que é e não é digno de figurar no Relicário. 

O Vizir faz o seu trabalho de cortesão, lisonjeando um príncipe sem qualidades. Mas o verdadeiro interesse do Vizir é outro: traz para apreciação uma obra-prima, inacabada, Os Lusíadas, de um tal Luís de Camões, Príncipe dos Poetas, que aportou à ilha e ali se encontra desafortunado. 

Gerardo ouve o princípio da epopeia, parece-lhe a Eneida, não vê grande vantagem em ter itens repetidos no Relicário…

Mas, ao Minotauro! Gerardo veste o gibão amarelo, empunha a espada e lá vai ele mutilar o muito sedado bicho."

CENA II
ESCRAVA, CAMÕES, SANTA DE ROCA, BOBA

"A Escrava refresca um Camões assaz entediado. Ele escreve da ilha paradisíaca uma carta de queixas e reclamações contra o destino e o exílio. Embora muito bem tratado por todos, tem saudades da Pátria que o maltratou. A Escrava pede-lhe com modos meigos que escreva antes endechas e vai lembrando as que o poeta escreveu para ela.

Entram a Boba Joana e a Santa de Roca, que vêm «papear», conversar, comentar o projeto do Relicário infinito de Gerardo. Essa Pátria Ingrata de Camões poderá também fazer parte do Museu, como os óculos de Fernando Pessoa? É o presente que fabrica o passado?

As prendas do presente ao futuro, quem as quererá? Mas a Santa de Roca, com seus dotes de Cassandra, ouve vozes… Quem vem lá?"

CENA III
ESCRAVA, CAMÕES, BOBA, SANTA DE ROCA, VIZIR

"O Vizir entra para dizer a Camões que há interesse real na epopeia. Gerardo já está informado do projeto. O Vizir procura convencer o Poeta a escrever, se não os doze cantos da Eneida, pelo menos dez.

Camões continua magoado com a Pátria Ingrata, mas o Vizir acena-lhe com o verdadeiro valor, a verdadeira instituição, o Cânone, muito mais que um Relicário vazio. Uma epopeia é meio caminho andado para a consagração. O Vizir chega a ordenar hierarquicamente os géneros literários: a epopeia, naturalmente, em primeiro lugar; depois, as canções em medida nova; a seguir, a medida velha, a redondilha; o teatro, despiciendo; no fundo da escala, as cartas; pior, só a sátira e a cortesania. 

O Vizir manda sair as mulheres para ter com Camões uma charla a sós. Critica um episódio menos digno d´Os Lusíadas, o de Veloso, e a figura de Vasco da Gama, pouco grandiosa. Camões argumenta. Mas, sabendo do interesse do Príncipe, aceita. O Vizir convence-o, enfim, com o canto das sereias, o fatal engodo da Imortalidade."

CENA IV
ESCRAVA, BOBA, SANTA DE ROCA, VIZIR, CAMÕES, GERARDO

"A Escrava dedica-se à limpeza e arrumação possível do Relicário. A Boba procura «desconstruir». O Vizir declara o seu horror à mistura do baixo com o alto, do banal com o sublime. Define o Relicário como «entulho». 

Entra Gerardo com a orelha do Minotauro. Lamenta-se da facilidade de mutilar um boi adormecido com valium. Quer logo experimentar o prodígio, manda entrar a Santa de Roca/Cantora e o Autor/Camões. Cantam um excerto da Canção IX, também poema de exílio. 

Infelizmente, a orelha do Minotauro não é tão mágica como publicitado, interfere na receção o mugido do bicho sacrificado e Gerardo rejeita-a. 

Está desconsolado. Despe o gibão amarelo. Não quer cor, está de luto pela ausência do Pai, deixando-o desamparado num mundo de valores incertos."

CENA V
GERARDO, BOBA, SANTA DE ROCA, ESCRAVA, VIZIR

"Gerardo sente-se, de repente, tomado de fúria passional. A Santa de Roca vem apregoando dúbios dotes proféticos, mas desta vez parece ter acertado: Guerra de Amor! Gerardo deseja-a e despreza-a. 

Pede-lhe assistência para a constituição de um Relicário consistente e credível. O que terá valor no futuro? Ou guardamos apenas o que tem valor para nós no presente, deixando às gerações futuras o poder de o inumar? 

A Santa de Roca arrisca adivinhar: a ode é eterna e a canção, diz ela. Seguro mesmo, só o vilancico catalão! Gerardo tem dificuldade em acreditar em tal disparate. Mas quem sabe? 

Dividido entre o desejo e a desconfiança, Gerardo afasta-se. A Boba monologa sobre os mistérios do passado."

CENA VI
SANTA DE ROCA, BOBA, VIZIR, ESCRAVA, GERARDO

"A Santa de Roca, num acesso filosófico, comenta a natureza estranha do tempo-antes que se torna no tempo-agora. «As coisas», diz ela, citando talvez La Palisse, «antes de serem, não são / Estão depois, com toda a sua estância / Depois, quando são.» A Boba vai comentando, jocosa. 

O Vizir aproveita para insistir no valor do que vale: «O bem que é raro é o bem que é bom.» Gerardo irrompe neste «apólogo dialogal». Vem apaixonado, dividido, desesperado. O amor é uma perdição, maldição a evitar, decididamente, experiência da ordem do naufrágio e da tormenta. 

A Santa de Roca e a Boba percebem a ameaça viril nos protestos violentamente amorosos de Gerardo que, contraditório, pede à Santa de Roca que escolha ela o que guardar no Relicário. A Santa retrai-se. 

Rejeitado, Gerardo volta-se contra o Relicário. Armado de um atiçador de lareira do tempo dos Visigodos, dispõe-se a destruir tudo. Nada tem valor. O Amor é veneno nas veias. 

O Vizir grita que se trata da nossa memória coletiva! Da identidade de um povo! Gerardo ignora-o. E acabaria por destruir tudo, se… 

Se o rei Salomão, seu pai, não entrasse, muito a propósito, nesse momento. Gerardo ajoelha, quer mimos e conselhos. Salomão não tem paciência, nem se pode demorar. Resolve, à Salomão, cortando cerce, o problema amoroso de Gerardo. Casa-se ele com a Santa de Roca que se vê, assim, arrebatada para uma vida de cruzeiros especiais."

CENA VII
GERARDO, ESCRAVA, VIZIR, CAMÕES

"Junto do Relicário meio destruído, a Escrava vai salvando o que pode. Gerardo está profundamente deprimido, com dúvidas sobre a sua responsabilidade e relação com o Relicário. 
Mas há em Gerardo uma nova sensibilidade que a dor carrega, lembra-se da pulseira da mãe, relíquia que ele guarda com saudade… Comove-se à memória da mãe e, mais uma vez contraditório, amaldiçoa o dia em que nasceu, dia entre todos aziago! 

A Escrava bem se compadece, mas o psicoterapeuta não tem mesmo vaga nesse dia. Gerardo não aceita, clama que está a sofrer!"

CENA VIII
GERARDO, ESCRAVA, CAMÕES, VIZIR, BOBA, DONA ISABEL

"O Vizir entra com Camões e uma tal Dona Isabel, que tem modos de mulher de vida fácil. Vêm animar Gerardo com um sarau de poesia a mote. 

Gerardo amua, está malincónico. Dado o mote, Camões avança para o seu brilharete, Gerardo diz que tanto se lhe dá viver como morrer, o Vizir tenta puxar para baixo o «alto amor» cortês, afirmando que os seus «amores hão de ser pela ativa», e ela, a mulher, a paciente. 

Camões lança-se num soneto maneirista sobre a relação paradoxal entre o «baixo» e o «alto» amor. Gerardo sente-se retratado e compreendido, Camões fez mais um amigo. 

Música! A Boba quer beber e dançar, «todos amigos para a morte espantar»! Dona Isabel e a Escrava, agora mudada em Cortesã, cantam com a Boba um excerto maroto da Ilha dos Amores, à double entendre. 

Gerardo continua ambivalente, mas acaba por ser persuadido a juntar-se à festa. Diz-lhe a Cortesã: «Guardai a boa lembrança!»"

EPÍLOGO
GERARDO, ESCRAVA, CAMÕES, VIZIR, BOBA, DONA ISABEL

"A Boba canta a sua lição de vida, que é a seguinte: é preciso ser matreiro! A morte é sádica e não pode ver ninguém contente por estar vivo! Quando ela se chegar a vós, de foice sinistra, ave de rapina da alegria alheia, vampírica, sorrateira, fazei como a Boba. É fingir que se está triste neste vale de lágrimas, que nunca se viu um dia de sol, nem se acredita que algum dia ele virá… E ela, a Morte, bem enganada, vereis como segue o seu caminho."

  ÁLBUM  


© Foto por Alexandrina Lourenço na sessão do Cineteatro de Loulé.
© Foto por Matilde Fieschi, divulgada no Facebook e no site oficial do Teatro de São Carlos
© Foto por Matilde Fieschi, divulgada no Facebook e no site oficial do Teatro de São Carlos
© Foto por Matilde Fieschi, divulgada no Facebook e no site oficial do Teatro de São Carlos

© Foto por Matilde Fieschi, divulgada no Facebook e no site oficial do Teatro de São Carlos
© Foto por Matilde Fieschi, divulgada no Facebook e no site oficial do Teatro de São Carlos

© Foto por Alexandrina Lourenço na sessão do Cineteatro de Loulé.
© Foto por Alexandrina Lourenço na sessão do Cineteatro de Loulé.

para saber +



Teatro Nacional de São Carlos, Lisboa | Página oficial do evento

Teatro Nacional de S. João, Porto | Agenda de set. 2026


LCG | Site oficial da escritora Luísa Costa Gomes


  NOTÍCIAS  



Teresa Carvalho
in SOL, 12.08.2026

 Tatiana Bina  
Carla Alves Ribeiro (texto da entrevista)



Redação: 12.01.2026, atualizado em 17.08.2026



2026/08/26

L'esclavage du Camoëns, ópera de Charles van der Does


   A personagem Azucena da ópera "Il Trovatore" de Verdi, estreada em 1853.   

  L'esclavage du Camoëns  

 ópera cómica 

de Charles van der Does

Composta em 1846?
e presentada pela Ópera Francesa em Haia em 1850.


Camões e Dinamene, um tema exótico no séc. XIX

A história baseia-se no episódio amoroso do poeta português Luís de Camões 
e da sua icónica e misteriosa escrava/companheira chinesa, Dinamene, 
que teria morrido num naufrágio no rio Mekong.

 Esta temática era muito popular na época: três anos antes (1843), 
o famoso compositor alemão Friedrich von Flotow já tinha estreado em Paris 
a ópera - L'Esclave de Camoëns
com libreto de Jules-Henri Vernoy de Saint-Georges. 

A versão de Van der Does (1846) 
surgiu na esteira deste sucesso internacional, 
adaptando o mesmo conceito para o público neerlandês.



 🔊 Ouvir um momento da ópera 


Charles van der Does, Abertura de "l'Esclave du Camoëns"
Excerto no Youtube | Vídeo, 09:02
"Charles van der Does (1817-1878) foi um virtuoso pianista holandês 
que compôs várias óperas ao estilo de Auber e Adam. 
Esta alegre abertura poderia muito bem ter sido escrita por Berlioz."



                 Charles (Carel) van der Does                
n. Amesterdão, 6.03.1817 - f. Haia, 30.01.1878
Pianista e diretor das sociedades musicais de 
Haia Polyhymnia, Caecilia e da Sociedade ‘De toekomst’. 

Desempenhou as funções de professor principal de piano 
na Escola Real de Música de Haia, de 1838 a 1874.

Nos últimos anos da sua vida, foi pianista de Sua Majestade o Rei
e comissário dos pensionistas de Sua Majestade. 

L'esclave du Camoëns e La trompette de Monsieur le Prince 
são duas óperas suas que foram apresentadas pela Ópera Francesa 
em Haia em 1850 e 1851.

para saber +


Ralph P. Locke
in: 19th Century Music, vol. 45, n.º 2 (2021), pp. 93 118. 
University of California Press.
Disponível em Academia.edu

Ralph P. Locke
The Exotic in Nineteenth-Century French Opera, 
Part 2: Plots, Characters, and Musical Devices
Spring, 2022 | Ainda não disponível em Academia.edu

Resumo (trad. com o Google):
"A ópera francesa do séc. XIX é conhecida pela sua obsessão pelo “exótico” — isto é, por terras e povos situados muito longe de “nós”, europeus ocidentais, ou entendidos como muito diferentes de nós. 
Um exemplo: os espanhóis hiper-apaixonados e os “ciganos” em Carmen, de Bizet. A maioria das discussões sobre o papel do exótico na ópera francesa do século XIX centra-se em algumas obras do repertório tradicional (principalmente de natureza séria), em vez de analisar uma gama mais ampla de obras significativas apresentadas na época em diversos teatros, incluindo a Ópera de Paris, a Ópera Cómica e as Buffes-Parisiens de Offenbach. 

O presente artigo procura apresentar um panorama abrangente do repertório. A Parte 1 examina diversas terras e povos “diferentes” (ou Outros) frequentemente representados no palco das óperas francesas.

A Parte 2 discute os enredos típicos e os tipos de personagens encontrados nestas óperas (por vezes independentemente da terra exótica específica escolhida) e conclui explorando os recursos musicais que eram frequentemente empregues para impulsionar o drama e transmitir as qualidades específicas do povo ou grupo étnico representado. Estes recursos musicais podiam incluir características especiais ou invulgares: marcadores de estilo universais do exótico em geral ou marcadores de estilo mais específicos associados a povos ou regiões identificáveis.

Mas os recursos musicais também podiam incluir qualquer um dos ricos recursos que os compositores de ópera normalmente utilizavam ao criar drama e definir personagens: melódicos, harmónicos, estruturais e assim por diante. Este último ponto é frequentemente negligenciado ou mal compreendido nas discussões sobre o exótico na música, que tendem a concentrar-se principalmente em elementos que apontam indiscutivelmente (como que semioticamente) para a terra ou o povo específico que a obra procura evocar ou representar.

Tanto na Parte 1 como na Parte 2, os exemplos são escolhidos de obras que foram frequentemente apresentadas com bastante sucesso na época nas regiões francófonas e que, mesmo que pouco conhecidas hoje em dia, podem pelo menos ser consultadas através de gravações ou vídeos. 

As obras pertencem aos géneros operáticos padrão reconhecidos: grandes óperas em cinco atos, óperas cómicas em três atos e obras curtas em estilo bufa.
Os compositores envolvidos incluem (entre outros) Adam, Auber, Berlioz, Bizet, Chabrier, Cherubini, Clapisson, Félicien David, Delibes, Flotow, Gomis, Gounod, Halévy, Messager, Meyerbeer, Hippolyte Monpou, Offenbach, Ernest Reyer, Saint-Saëns, Ambroise Thomas e Verdi (Les vêpres siciliennes, Don Carlos).

O exame de certas obras menos conhecidas revela méritos que passaram relativamente despercebidos. Quanto às obras mais conhecidas, abordá-las desta forma abrangente permite-nos uma apreciação mais rica dos seus pontos fortes e das suas contradições internas, muitas vezes estimulantes.

Palavras-chave: exotismo, imperialismo, orientalismo, cor local, ópera, França (séc. XIX), colonialismo, libreto, encenação, cenários, figurinos, libreto, encenação, cenários, figurinos"


Ralph P. Locke
Musical Exoticism: Images and Reflections
Cambridge: CUP, 2009

Ralph P. Locke
Music and the Exotic from the Renaissance to Mozart
Cambridge: CUP, 2015






Redação: 26.08.2026

2026/05/09

Camões e Cassandra - Canto(s) da Condição Humana”, uma ópera multimodal de Jónatas Manzolli


 Camões e Cassandra: 
 Canto(s) da Condição Humana 

 ópera multimodal 

de Jónatas Manzolli

Espetáculo de encerramento da 7.ª edição do Mimesis:
Ciclo de Teatro e Artes Performativas da Universidade de Coimbra


21 MAI. 2026o | às 21h30 - estreia em Portugal 

No TAGV, em Coimbra.

Bilhetes disponíveis na BOL 
e na bilheteira do TAGV

Ficha Artística

Composição de Jônatas Manzolli, 
com paisagens sonoras e visuais 
desenvolvidas pelo Dep. de Engenharia Informática da U. Coimbra

Interpretação: 
Coro Sinfónico Inês de Castro e Orquestra Inês de Castro
Sofia Serra (soprano, como Cassandra Tágides)
Gisela Sachse (mezzo-soprano, como Inês de Castro)
Pedro Rodrigues (tenor, como António Atento)
Rui Silva (barítono, como Luís Vaz de Camões)

Participação: Cooperativa Bonifrates

Direção: Artur Pinho Maria

Produção sonora e visual:
 Dep. de Engenharia Informática da U. Coimbra

Produção:

Associação Ecos do Passado — Coro Sinfónico Inês de Castro
Teatro Académico Gil Vicente (TAGV)
Estrutura de Missão para as Comemorações do 
V Centenário do Nascimento de Luís de Camões

"A obra parte da figura de Luís de Camões para refletir sobre a condição humana,
cruzando música, palavra e imagem numa criação contemporânea 
que reúne intérpretes e estruturas artísticas de Portugal e do Brasil."
Luís de Camões 500

"Uma ópera multimodal que cruza 
passado e presente, poesia e ciência, memória e investigação 
— num espetáculo multidisciplinar onde a figura de Luís de Camões 
dialoga com uma Cassandra contemporânea, 
tendo como cenário simbólico a Universidade de Coimbra."



para saber +



Evento no Facebook: 




Redação: 9.05.2026

2025/09/14

Mais uma oportunidade para assitir à ópera "O Último Canto: Camões e o Destino" com música do compositor César Viana


O Último Canto: Camões e o Destino

ÓPERA

Com música do compositor César Viana

19 set. 2025, sexta-feira | às 21h00 | 1h

Cine-Teatro Paraíso, em Tomar

M/6 | 5€

Organização: 

Com o apoio do Município de Tomar
e financiamento de
República Portuguesa / Ministério da Cultura / Direção-Geral das Artes.


Bilhetes à venda no Cine-Teatro Paraíso
terça a sábado, 15h00 às 18h00, e 1 hora antes do espetáculo


Camões e o Destino

"Por ocasião da efeméride dos 500 anos do nascimento do mais celebrado poeta português, a Musicamera Produções considerou oportuna a criação de um grande espetáculo de teatro musical que possa ombrear com orgulho na vasta produção artística que, ao longo dos séculos, se vem inspirando neste grande protagonista da nossa cultura.

Partimos, pois, para este desiderato de um texto ainda inédito em português e que constitui, ele próprio, testemunho da enorme influência de Camões na literatura e na arte europeia e mundial – a pequena tragédia Camões, de Vassili Jukovski, escrita em Março de 1839 (extrapolada de obra homónima Camoens, de Friedrich Halm, de 1837). 

Encomendámos este monumental trabalho ao compositor César Viana, professor no Centro Superior Katarina Gurska, em Madrid e antigo membro do Conselho de Administração do OPART (organismo gestor do Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa). 

O elenco, conta com grandes artistas do meio operático português."

Autorias:

Composição e Libreto – César Viana
Tradução do texto original – Larissa Shotropa, João Maria Lourenço
 Poemas  – Luís de Camões
Encenação – Miguel Moreira
Direção Musical – Brian MacKay

Elenco:

Luis Vaz de Camões  – barítono Luís Rodrigues
Francisco Quevedo  – tenor Mário Alves
Vasco Quevedo  – soprano Daniela Matos
Jau – F. Pedro Oliveira

ZêzereArts Vocal Ensemble
Musicamerata Ensemble



da Ópera O Último Canto: Camões e o Destino

SINOPSE

Cena 1
"O rico negociante Francisco Quevedo de Castelo Branco, um amigo de infância de Luís Vaz de Camões, procura-o num hospício onde sabe que acaba os seus dias.
O guarda diz-lhe que é o número 10, e depois de muito procurar acaba por encontrá-lo.
Mas Camões dorme na sua esteira e Quevedo espera, para não o despertar, enquanto recorda a razão principal para a sua ida a esse lugar: o seu filho Vasco Quevedo de Castelo Branco, que descura os negócios da família e aspira a ser poeta, querendo imitar o seu ídolo: Camões."

Cena 2
"Camões desperta, e a princípio não reconhece Quevedo, pensando ser alguém que quer poemas para alguma ocasião social.
Mas ele recorda-lhe episódios da juventude de ambos que o fazem finalmente lembrar-se.
No entanto, enquanto relembra episódios juvenis, Quevedo faz-lhe ver que a sua vida foi mais bem sucedida que a dele, o que desperta profunda irritação em Camões.
Mas através de lisonja e dissimulação, Quevedo vai conseguindo acalmar Camões, acabando por revelar o seu propósito: que o jovem Vasco, seu filho, veja como acabam os dias de um poeta e resolva dedicar-se aos negócios da família.
Resignado, Camões acaba por aceitar a proposta, e Quevedo vai chamar o seu filho."

Cena 3
"Como num sonho, Camões recorda as suas viagens por mar até mundos distantes, os seus amores perdidos lá longe, e em particular o seu criado Jau, que é quem anda por Lisboa pedindo esmola para ele e acabou por tornar-se no seu amigo mais fiel.
Lembrando o mar, recorda também as difíceis circunstâncias em que salvou o manuscrito dos Lusíadas num naufrágio."

Cena 4
"Vasco Quevedo de Castelo Branco, filho de Francisco, vai ao hospício em busca de Camões, mandado por seu pai.
Não tendo muitas expectativas em relação às capacidades poéticas do jovem, Camões tenta ao princípio dissuadi-lo das suas pretensões, mas, conforme o vai ouvindo falar, surpreende-se com a sinceridade e nobreza da sua inspiração.
Entende então que, tal como ele seguira os passos dos grandes clássicos, é agora a vez de Vasco seguir os seus, e isso dá-lhe uma inesperada tranquilidade, quando sente que são chegados os seus últimos momentos, sentindo que a sua vida não foi em vão.
Vasco tenta levá-lo a casa para que se recupere, mas Camões sabe bem que é chegada a hora e morre em paz."
Edição do FOO - Festival de Ópera de Óbidos, 2024
Consulte e leia aqui todo o libreto: [PDF]


  1. Momento da ópera "O Último Canto: Camões e o Destino". - Foto na página do facebook de Musicamera Produções.
  2. Momento da ópera com música do compositor César Viana. - Foto na página do facebook de Musicamera Produções.
  3. Momento da ópera que irá ser apresentadaem Tomar. - Foto na página do facebook de Musicamera Produções.
  4. Césa Viana, o responsável pela composição musical e libreto do espetáculo.
  5. MUSICAMERA PRODUÇÕES. - Conheça o projeto na própria página oficial.


para saber +


o responsável pela composição musical e libreto do espetáculo.

Conheça o projeto na própria página oficial.

Jéssica Filipe
in jornal MedioTejo.net, 10.09.2025

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 10.06.2024


in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 27.05.2024

in turismo.obidos.pt


in Centro Cultural Olga Cadaval

in RTP Notícias, 27.05.2024

Nuno Lopes, da agência LUSA
in LUSA, 27.05.2024

in Agenda Cultural da Rádio Condestável, 19.05.2024

Pedro Miguel Silva
in O Centro Digital, notícias online, 17.05.2024

Jéssica Filipe
in MedioTejo.net, 13.05.2024








Redação: 14.09.2025

2025/03/13

Ópera "O último canto: Camões e o Destino"

 

O Último Canto: Camões e o Destino

ÓPERA

10 JUN. 2025 | às 21h30

No Centro Cultural Raiano, Idanha-a-Nova | Portugal

M/6 | Duração: 62

Autorias:

Composição e Libreto – César Viana
Tradução do texto original – Larissa Shotropa, João Maria Lourenço
 Poemas  – Luís de Camões
Encenação – Miguel Moreira
Direção Musical – Brian MacKay

Elenco:

Luis Vaz de Camões  – barítono Luís Rodrigues
Francisco Quevedo  – tenor Mário Alves
Vasco Quevedo  – soprano Daniela Matos
Jau – F. Pedro Oliveira

ZêzereArts Vocal Ensemble
Musicamerata Ensemble




O herdeiro literário de Camões


"O ponto de partida para esta ópera foi a surpreendente descoberta de 
um texto do dramaturgo russo do século XVIII Vassili Jukovski 
com o título “Camões”, 
cuja trama dramática fornece o ambiente e o contexto perfeitos 
para uma criação de teatro musical.

A cena descreve o encontro de um velho amigo de Camões, 
José de Quevedo Castelo Branco e do seu filho, Vasco Quevedo 
– por muitos considerado o herdeiro literário de Camões - com o poeta, 
que está já nos últimos anos da sua vida, esquecido e abandonado num asilo.

O drama, na forma muito próximo das “Pequenas Tragédias” de Alexander Pushkin, 
exalta a poesia e a criação como elixires da vida e alicerces da condição humana.

Como complemento ao belíssimo texto de Jukovski, 
que é adaptado e condensado para melhor servir os condicionalismos de 
uma produção de ópera (como é habitual em qualquer libreto), 
são introduzidos textos poéticos de Camões com carácter autobiográfico, 
que vão ao encontro de situações narradas pelos dois amigos no texto de Jukovski.

A música tem como ponto de partida os paradigmas composicionais e instrumentais 
do século XVI - a época de Camões -, evidentemente inseridos num contexto actual, 
sendo por essa razão particularmente adequada a representações 
em espaços históricos com uma acústica ressonante."

Musicamera Produções | Canal no Youtube, 




Sinopse


Cena 1

"O rico negociante Francisco Quevedo de Castelo Branco, um amigo de infância de Luís Vaz de Camões, procura-o num hospício onde sabe que acaba os seus dias. 
O guarda diz-lhe que é o número 10, e depois de muito procurar acaba por encontrá-lo. 
Mas Camões dorme na sua esteira e Quevedo espera, para não o despertar, enquanto recorda a razão principal para a sua ida a esse lugar: o seu filho Vasco Quevedo de Castelo Branco, que descura os negócios da família e aspira a ser poeta, querendo imitar o seu ídolo: Camões."

Cena 2

"Camões desperta, e a princípio não reconhece Quevedo, pensando ser alguém que quer poemas para alguma ocasião social.
Mas ele recorda-lhe episódios da juventude de ambos que o fazem finalmente lembrar-se. 
No entanto, enquanto relembra episódios juvenis, Quevedo faz-lhe ver que a sua vida foi mais bem sucedida que a dele, o que desperta profunda irritação em Camões. 
Mas através de lisonja e dissimulação, Quevedo vai conseguindo acalmar Camões, acabando por revelar o seu propósito: que o jovem Vasco, seu filho, veja como acabam os dias de um poeta e resolva dedicar-se aos negócios da família. 
Resignado, Camões acaba por aceitar a proposta, e Quevedo vai chamar o seu filho."

Cena 3

"Como num sonho, Camões recorda as suas viagens por mar até mundos distantes, os seus amores perdidos lá longe, e em particular o seu criado Jau, que é quem anda por Lisboa pedindo esmola para ele e acabou por tornar-se no seu amigo mais fiel. 
Lembrando o mar, recorda também as difíceis circunstâncias em que salvou o manuscrito dos Lusíadas num naufrágio."

Cena 4

"Vasco Quevedo de Castelo Branco, filho de Francisco, vai ao hospício em busca de Camões, mandado por seu pai. 
Não tendo muitas expectativas em relação às capacidades poéticas do jovem, Camões tenta ao princípio dissuadi-lo das suas pretensões, mas, conforme o vai ouvindo falar, surpreende-se com a sinceridade e nobreza da sua inspiração. 
Entende então que, tal como ele seguira os passos dos grandes clássicos, é agora a vez de Vasco seguir os seus, e isso dá-lhe uma inesperada tranquilidade, quando sente que são chegados os seus últimos momentos, sentindo que a sua vida não foi em vão. 
Vasco tenta levá-lo a casa para que se recupere, mas Camões sabe bem que é chegada a hora e morre em paz."

Edição do FOO - Festival de Ópera de Óbidos, 2024
Consulte e leia aqui todo o libreto: [PDF]



da Ópera O Último Canto: Camões e o Destino



para saber +

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o responsável pela composição musical e libreto do espetáculo.

Conheça o projeto na própria página oficial.

[Espetáculo no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra, em 10 de junho 2024.
in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 27.05.2024

in Luís de Camões - Diretório de Camonística, 7.09.2024





Redação: 12.03.2025

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