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2017/08/30

As primeiras biografias de Camões

As primeiras biografias

 

1.ª - por Pedro Mariz

“A mais antiga biografia, escrita na época dos netos da geração de Camões, é da autoria de Pedro Mariz e antecede a ed. de 1613 [d’Os Lusíadas], comentada por Manuel Correa, amigo de Camões, já falecido, a qual inclui alguns comentários biográficos.” (António José Saraiva)
O texto, intitulado “Ao estudioso da lição poética”, foi reimpresso na edição das Rimas de 1616, com alterações, e foi transcrito (com atualização de ortografia e pontuação) e estudado por Maurício Matos [Brasil, 1973-], disponível online aqui, em formato Word.

2.ª - por Manuel Severim de Faria

A segunda biografia foi publicada por Manuel Severim de Faria [1583-1655] em Discursos vários políticos, 1624.

3.ª - por Manuel de Faria e Sousa

Manuel de Faria e Sousa [1590-1649], o maior comentador da obra camoniana de todos os tempos, publicou duas biografias: uma em 1639, na introdução à edição d’Os Lusíadas (em castelhano), outra, postumamente, em 1685, intitulada “Vida del Poeta”, na edição às Rimas várias de Camões, também em castelhano.




Algumas referências

  • Os Lusíadas / Luís de Camões. Introd., notas, fixação do texto e vocabulário de António José Saraiva. 2.ª ed. Porto: Figueirinhas, 1999. – 1.ª ed., 1978, p. 51.
  • MATOS, Maurício (2005) A mais antiga biografia de Camões, Revista Camoniana. Bauru, v. 17 (2005), 197-206.




Os principais documentos sobre a vida de Camões





Os principais documentos sobre a vida de Camões são:

a) uma “carta de perdão” de D. João III, de 13 de março de 1553, mandando soltar Camões da prisão onde se achava por se ter envolvido numa desordem.

b) um registo da Casa da Índia, de 1550, em que que Camões com 25 anos de idade se alista  para embarcar para a Índia.
Apenas se conhece através da tradução castelhana de Manuel de Faria e Sousa (1590-1649) publicada na sua 2.ª “vida” de Camões (Faria e Sousa publicou duas biografias: uma em 1639, na introdução à edição d’Os Lusíadas em castelhano; outra, postumamente, na edição às Rimas várias de Camões).

c) outro registo da Casa da Índia, de 1553, constando a partida de Camões para a Índia nesse ano.
Segundo a mesma fonte sousiana.

d) licença e privilégio para a impressão d’Os Lusíadas, datada de 23 de setembro de 1571.

e) alvará concedendo a Camões, a partir de 12 de março de 1572, uma tença de 15.000 reis anuais. Datado de 28 de julho do mesmo ano.

f) alvará de 11 de agosto de 1575, renovando aquela tença por mais 3 anos.

g) alvará de 11 de junho de 1578, renovando a mesma tença por mais 3 anos.

h) alvará de 31 de maio de 1582, mandando pagar à mãe de Camões, já falecido, 6 mil reis de tença anual.

i) alvará de 13 de novembro de 1582, mandando fazer um pagamento de dinheiro atrasado à mãe de Camões, onde se afirma que o filho faleceu em 10 de junho de 1580.

Estes documentos, exceto b) e c), estão todos reproduzidos por José Terra na sua tradução da obra de Georges le Gentil (1969) Camões, trad. e notas de José Terra, Lisboa: Portugália, 1969.

São também documentos importantes para a biografia de Camões as suas cartas.




Fonte:
  • Os Lusíadas / Luís de Camões. Introd., notas, fixação do texto e vocabulário de António José Saraiva. 2.ª ed. Porto: Figueirinhas, 1999. – 1.ª ed., 1978, p. 51-52.
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