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2024/01/25

Camões em Pessoa, conferência por Ricardo Belo de Morais em Lisboa e no Porto



Camões em Pessoa: a epopeia por escrever

CONFERÊNCIA

 por Ricardo Belo de Morais

25 JAN. 2024, às 18h30 


28 JAN. 2024, às 18h30
na Sala de Âmbito Cultural do El Corte Inglés de Lisboa




Fonte da imagem: página pessoal no Facebook de Ricardo Belo de Morais



Sinopse:

"Assume-se, comummente, que Luís Vaz de Camões nasceu em 1524. Quinhentos anos depois, prestamos-lhe homenagem, a propósito da efeméride, recuperando todas as ligações que Fernando Pessoa criou com o autor d’Os Lusíadas.

A influência de Camões em Pessoa é clara e notória – especialmente em Mensagem, o único livro em português que o poeta publicou em vida, há 90 anos, em 1934. Mas vai muito para além disso. O nome de Luís de Camões é destacado no polémico ensaio literário que marcou a primeira grande intervenção pessoana na imprensa escrita de Portugal (1912) e num dos últimos textos que Pessoa publicou em vida (1935), assinado pelo heterónimo Álvaro de Campos. Pelo meio, ficaram múltiplas ligações entre o “pai” que se venera, o fantasma que intimida e o herói que é preciso destronar.

Fernando Pessoa teve, toda a vida, em Camões, uma figura tutelar."

Fontes do texto e imagem do cabeçalho:
 






1. Cartaz divulgando a sessão dedicada à comparação entre Pessoa e Camões, realizada por Ricardo Belo Morais a 15 de maio de 2021, na Biblioteca Municipal de Palmela. - In: Projeto Fernando Pessoa et al.

2.  Divulgação do evento que ocorreu no dia no dia 15 de março de 2022, às 20h00, em que Ricardo Belo Morais levou o seu "programa Fernando Pessoa para todas as pessoas por caminhos de Camões". Transmitido em direto nos canais do Facebook, YouTube e Twitter e ainda na www.radiomovimento.pt

3. Ricardo Belo Morais, fotografia principal no seu perfil oficial do Facebook.

4.  Cartaz divulgando oito das "20 sessões comparatistas entre Fernando Pessoa e escritores/as" realizadas por Ricardo Belo Morais, entre abril e novembro de 2021, na Biblioteca Municipal de Palmela. Entre elas, a sessão dedicada a Camões, a 15 de maio.





2017/06/12

O Monstrengo, poema, in Mensagem de Fernando Pessoa




O MOSTRENGO

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tetos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo;
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»


9.9.1918


Fernando Pessoa (1888-1935)

In: Mensagem. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934. - reprod. em Lisboa: Ática, 10.ª ed. 1972.







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