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2024/05/14

Debate em torno do romance "Pode Um Desejo Imenso" de Frederico Lourenço

 

 É desta que leio isto... "Pode Um Desejo Imenso" 

ENCONTRO

de leitores com o escritor Frederico Lourenço

23 MAIO 2024 | às 20h00, quinta-feira

Organização:
Clube de Leitura "É Desta Que Leio Isto"
promovido pela MadreMedia e por Elisa Baltazar, 
co-fundadora do projeto de escrita "O Primeiro Capítulo". 


Inscrição:

Preencher o formulário.
No dia do clube receberá, 
através do WhatsApp — canal do Clube —, 
as instruções para se juntar à conversa. 
Quando se entra no canal, 
deve-se carregar em "seguir", no canto superior direito, 
e ativar as notificações (no ícone do sino).

O Clube de leitura da MadreMedia, 
regressa na próxima semana, dia 23 de maio, com um debate 
sobre o romance "Pode um desejo imenso" de Frederico Lourenço,
com várias reedições e estudado em Portugal e além fronteiras,
e promete a troca de muitas ideias sobre a obra de Luís de camões.

O romance foi publicado originalmente em 2002 e"conta a história de Nuno Galvão, professor universitário de Literatura, que pensa ter descoberto a chave para a compreensão da poesia lírica de Camões: a paixão do poeta pelo jovem D. António de Noronha, de quem Camões teria sido precetor." (Alexandra Antunes)
A mais recente edição, na Quetzal, apresenta
algumas diferenças face à primeira.

Vídeo disponível aqui e aqui.

Edições desta obra:

Pode um desejo imenso: romance
Lisboa: Livros Cotovia, 2002. – [167 p.; 21 cm];
Obra laureada com o Prémio PEN.

O curso das estrelas, Lisboa, 2002. / 2.ª e 3.ª ed., 2005; 
À beira do mundo, Lisboa, 2003 / 2.ª ed., 2005 / 3.ª ed., 2006. 

Estes três volumes serão reunidos num volume único, 
na “nova edição, revista e integral”, a [5.ª] ed. de 2006, 
sob o título Pode um desejo imensoApresentando, assim, 
o romance completo, tal como idealizado. Contém um posfácio do autor
sobre a génese e pressupostos teóricos deste texto ficcional.
Prémio Europa - David Mourão-Ferreira. 
que consiste na tradução para italiano e para outras três línguas europeias 
da actual edição de Pode um desejo imenso.
6.ª ed., rev. e integral. Lisboa: Livros Cotovia, 2015.

Pode um desejo imenso. - 1a ed, Lisboa: Quetzal, 2022.

O Precetor e o Aluno

"Storck diz que Camões ter sido preceptor de D. António é uma hipótese, nunca diz que exista o mínimo dado para provar. Eu tenho o cuidado de escrever, no romance, que essa é apenas uma hipótese alvitrada por Storck. Foi essa ideia de Storck que me levou à questão do professor e do aluno, porque podia colocar a dupla leitura - Camões/Nuno Galvão; Dom António/Filipe e projectar as ideias da écloga na ficção.

A minha ideia é que o que Nuno diz sobre Camões e D. António tem que ver com o que ele quer dizer acerca dele próprio e Filipe, por isso o final da história tem de acompanhar os dois níveis. Essa tragicidade de que ele está a falar na comunicação tem que ver com o final da história dele com Filipe, com a morte de Filipe."
Frederico Lourenço
in Mil Folhas

Várias surpresas num romance

"A heterossexualidade de Camões não é posta em causa, mas uma atracção platónica é ponderada. Começam as aventuras de Nuno Galvão, professor universitário, pinga-amor e camoniano profissional. É divertidíssimo.

O primeiro romance de Frederico Lourenço, Pode um desejo imenso, contém várias surpresas. Em primeiro lugar, a ideia: encenar uma interpretação de texto, transformando-a em ficção. Isso torna-se mais surpreendente porque o texto é uma écloga de Camões e porque na ficção duas personagens, um professor universitário - Nuno Galvão - e um aluno - Filipe -, são uma espécie de "duplos" de Camões e de D. António de Noronha, de quem a morte, em Ceuta, em 1553, aos 17 anos, é referida na écloga. 

Mais: Nuno Galvão está apaixonado por Filipe, esse aluno; prepara-se para apresentar uma comunicação a um congresso camoniano em que irá, como ele próprio diz a Christian, um professor inglês convidado para o congresso, "ponderar as ilações" de enunciados referentes ao amor homo-erótico, utilizados por Camões a propósito de D. António. É certo que ele não diz que "Camões era 'gay', que obviamente não era", mas o que ele diz basta para que retirem a sua comunicação da abertura do congresso, um acto que se destina a impedir que chegue aos ouvidos do ministro. 

Até ao fim, a dupla leitura Camões/D. António - Nuno/Filipe mantém-nos em "suspense", embora sem motivo para isso - já está escrito como vai terminar. 

Mais uma, embora não a última, surpresa: nesta história, o desejo é o "desejo homo-erótico", sabemos que é disso que se trata; mesmo assim, "desejo" acaba por ser muito mais relevante do que homo-erótico, e isso até ao fim.

[...] E, mais importante do que isso, é profundamente original. Na literatura portuguesa atual, não havia nenhum assim: leiam-no, e torna-se óbvio."
Tereza Coelho
in Público, 4.05.2002


para saber +



Alexandra Antunes
in Sapo 24, 16.05.2024

Tereza Coelho





Redação: atualizado em 18.08.2026

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