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2026/08/19

500 anos do nascimento de Camões — Um génio arruivado e quezilento que escrevia como ninguém, livro lançado pelo jornal Público


© Imagem de Susana Monteiro que ilustra a notícia do Público, 3.03.2025

   500 anos do nascimento de Camões   
 Um génio arruivado e quezilento que escrevia como ninguém

 LANÇAMENTO DE LIVRO 

Livro que reúne vários trabalhos publicados no jornal Público:
reportagens, ensaios e entrevistas, 
incluindo um prefácio de Diogo Ramada Curto
e textos de Helder Macedo e Frederico Lourenço.

Produção:

Público
Com o apoio da Estrutura de Lissão para as Comemorações 
do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões.

A assinatura do jornal vem acompanhada de histórias sobre Camões

No aniversário do PÚBLICO, 
na compra de uma assinatura anual do jornal Público
o leitor recebe como oferta o livro 500 anos do nascimento de Camões 
— Um génio arruivado e quezilento que escrevia como ninguém.
Bastanto para tal  ir à loja virtual, assinar e 
receberá então em casa  a edição especial.

A biografia do Poeta

“Não sabemos onde nasceu Luís Vaz de Camões nem em que ano veio ao mundo. É bastante plausível que tivesse origens aristocráticas, mas não chegou a nós título ou foro de nobreza que o ateste. Há-de ter bebido algures a espantosa cultura clássica que a sua obra testemunha, mas não se lhe conhecem quaisquer estudos formais. A reputação de arruaceiro e mulherengo persegue-o há séculos.” 
Luís Miguel Queirós, jornalista
in 500 anos do nascimento de Camões 
— Um génio arruivado e quezilento que escrevia como ninguém.

Redescobrir a obra camoniana

O livro com a chancela do Público “ajuda — e de que maneira — a retirar Camões e a sua obra do pedestal que tantas distâncias e obstáculos tem criado à sua leitura e compreensão”.
Diogo Ramada Curto, 
historiador e diretor da BNP
in Prefácio de 500 anos do
nascimento de Camões 
— Um génio arruivado e quezilento que escrevia como ninguém.

para saber +


2026/05/24

Exposição "Onde terá segura a curta vida? Camões e a vida como viagem"





    Onde terá segura a curta vida?    
     Camões e a vida como viagem    

  EXPOSIÇÃO 

Com curadoria de 
Anísio Franco, Filipa Oliveira e Paulo Pires do Vale
Projeto de museografia de Francisco Aires Mateus
Coordenação de Diogo Ramada Curto

 11 - 21 ABR. 2025 - Inauguração
 No Ségur Hall, da Sede da UNESCO, em Paris, França 
(outras datas, a confirmar: 14 abril, às 9:00 - 18 abril, até às 17:30)



5 MAI. 2026 | Pisos 1 e 3 da BNP
 Na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisbooa 

Entrada livre



Organização:


Curadores:
Anísio Franco, Filipa Oliveira e Paulo Pires do Vale

Arquitetura: Francisco Aires Mateus
Desenho gráfico: Atelier Pedro Falcão
Fotografia: Nicolas Lafon

Textos:
Anísio Franco, Filipa Oliveira e Paulo Pires do Vale
Revisão de textos: Teresa Antunes

Montagem e instalação: Stripeline e Área de Exposições da BNP

Estrutura de Missão para as Comemorações do 
V Centenário do Nascimento de Luís de Camões
Comissário-geral José Augusto Cardoso Bernardes
Comissários-gerais-adjuntos: Diogo Ramada Curto e Joaquim Coelho Ramos
Diretor-executivo: Vasco Silva
Comissariado Curatorial: 
Isabel Almeida, Manuel Corte--Real (em representação do MNE), 
Manuela Pargana da Silva (em representação do MECI), 
Maria de Lurdes Fernandes e Vanda Anastácio.




 CATÁLOGO 


No rasto de Camões - [Catálogo]
ed. Anísio Franco, Filipa Oliveira e Paulo Pires do Vale
Lisboa: BNP, 2026

ÍNDICE













  ACERCA DA EXPOSIÇÃO  


A existência como viagem

"A exposição Onde terá segura a curta vida? Camões e a vida como viagem parte da biografia e da obra de Luís de Camões para pensar a existência como viagem: uma travessia instável, feita de partidas, deslocações, perdas e reencontros. Longe de fixar Camões como figura heroica, monumental e intocável, a exposição convoca-o como homem vulnerável, errante e migrante, cuja biografia misteriosa e obra sensível e inteligente continuam a interpelar o nosso presente.

[...] A viagem surge, então, como metáfora transversal da exposição. [...] Os textos de Camões formam o eixo da exposição, apresentam-se em várias obras e afirmam-se no espaço expositivo em diálogo com as obras. [...]

Onde terá segura a curta vida? Camões e a vida como viagem convida o visitante a experimentar, sentir e pensar a vida como travessia. Entre naufrágios e portos provisórios, fragilidade e perseverança, a exposição aproxima Camões das experiências do nosso tempo — migrantes, deslocados e viajantes em busca de segurança nesse curto intervalo que é a vida."
Anísio Franco | Filipa Oliveira | Paulo Pires do Vale
Curadores da exposição

Uma viagem insegura e breve

Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida
Que não se arme, e se indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?
Luís de camões
𝑂𝑠 𝐿𝑢𝑠𝑖́𝑎𝑑𝑎𝑠, Canto I, est.106

“A vida de Luís de Camões (1524-1580), à imagem da sua obra mais conhecida, Os Lusíadas, foi marcada por travessias marítimas, deslocações e surpresas, erros e sorte, obstáculos e conquistas. Cheia de dobras, ao querermos aproximarmo-nos do seu rosto e dessa vida, percebemos que nos escapam no nevoeiro da história. No entanto, este é um traço reconhecível: é viajante e de um país que é cais, de partidas e chegadas.

Nesta exposição, ao pensar a vida como viagem, a partir da obra e da biografia de Camões, expomos a fragilidade humana e o naufrágio como possibilidade de cada existência em todos os tempos, mas também a necessidade de abrir os horizontes e descobrir outras visões do mundo, ter encontros inesperados, e exercitar a perseverança e a esperança que permitem continuar a navegar. Essa condição de viajante é tanto histórica como atual: deslocados, em busca de segurança nesse curto intervalo que é a vida.”
Ministério da Cultura de Portugal

"A vida de Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas, 
foi marcada por viagens, incertezas e conquistas. 
A exposição aborda a vida como travessia, 
revelando a fragilidade humana, o risco de naufrágio 
e a necessidade de perseverança, esperança e abertura ao mundo. "
Agenda da BNP

"Esta mostra insere-se nas Comemorações do 
V Centenário do Nascimento de Luís de Camões 
e propõe uma reflexão sobre a viagem como condição da existência humana, 
tendo a obra e a figura do poeta como eixo central."

"a exposição reúne um conjunto diverso de obras 
que cruzam artes visuais, cinema, música e literatura."

"Através de uma abordagem multidisciplinar, 
"Onde terá segura a curta vida?" 
convida o público a redescobrir Camões como figura universal e intemporal, 
propondo uma viagem sensorial, intelectual e emocional 
em torno da fragilidade da existência, da errância e da construção de sentido."


ÁLBUM DA INAUGURAÇÃO em PARIS | 2025


© Imagem do Ministério da Cultura de Portugal, in Facebook, 17.04.2025
  Dalila Rodrigues, Ministra da Cultura, na cerimónia de abertura em Paris.  
© Imagem da UNESCO / Ministério da Cultura de Portugal, in Facebook, 17.04.2025
Na cerimónia de abertura em Paris, estiveram presentes
Diogo Ramada Curto (Comissário-gerais Adjunto das comemorações camonianas)
[...], Dalila Rodrigues (Ministra da Cultura)
José Augusto Cardoso Bernardes (Comissário-geral das comemorações camonianas)
[...], Joaquim Coelho Ramos (Comissário-geral Adjunto das omemorações)

© Imagem da UNESCO / Ministério da Cultura de Portugal, in Facebook, 17.04.2025
Na abertura em Paris, Dalila Rodrigues, a Ministra da Cultura de Portugal,
acompanhada pela equipa da curadoria, com direção de Diogo Ramada Curto:
Filipa Oliveira, Anísio Franco e Paulo Pires do Vale.

© Imagem da UNESCO / Ministério da Cultura de Portugal, in Facebook, 17.04.2025

   Reportagem de Guilherme Monteiro sobre a Exposição na UNESCO   


 as OBRAS e os ARTiSTAS 


 PISO 1 


Mário Linhares
     "A Viagem de Camões", 2025, por Mário Linhares     
© Imagem da UNESCO / Ministério da Cultura de Portugal, 



Rui Sanches
          "A Luís de Camões", 2025, por Rui Sanches          
Escultura. - Madeira e mármore 8255 × 150 × 160 cm)
por Rui Sanches
Coleção da Biblioteca Nacional de Portugal.
© Imagem reproduzida no catálogo.


 PISO 2 


Dorita de Castel-Branco
 "Cabeça de Camões", 1972, por Dorita de Castel-Branco
Bronze (87 × 36 × 48 cm)
Coleção da Biblioteca Nacional de Portugal
© Imagem no Facebook de Alberto Júlio Silva.


 PISO 3 


José Almeida Pereira
          Camões (segundo José Malhoa), 2014          
Óleo sobre tela (127 × 65 cm) por José Almeida Pereira
Coleção privada © Imagem reproduzida no catálogo.

"O percurso inicia-se no problema da identidade, na tentativa de traçar um diário visual da sua vida e viagens (por Mário Linhares, logo à entrada da Biblioteca Nacional), e através do retrato de José Almeida Pereira, que retoma e desfoca uma obra anterior de José Malhoa, assumindo a impossibilidade de fixar um rosto definitivo de Camões. O retrato, à imagem da identidade, surge como construção frágil e mutante, ecoando a consciência do próprio poeta sobre o desacerto da representação e a instabilidade do «eu». A identidade, como a vida, revela-se aqui sempre em processo, uma aventura."
Anísio Franco | Filipa Oliveira | Paulo Pires do Vale
Curadores da exposição
in: Folha de sala, na BNP em Lisboa.


Alberto Carneiro

“Metáforas da água ou as naus a haver por mares nunca de antes navegados”, 1993-94 
Escultura, madeira de tola, mogno e ocomé (54 × 260 × 930 cm)
obra de Alberto Carneiro. 
Coleção do Centro de Arte Alberto Carneiro, em Santo Tirso
Foto no Facebook do artista, 14.06.2018.

"No centro do espaço, a escultura imersiva de Alberto Carneiro, Metáforas da água ou as naus a haver por mares nunca de antes navegados, convoca a obra de Camões no próprio título e o mar/a nau como experiência física e simbólica: instável e ameaçador, mas também cheio de possibilidades de saída, de encontros e de horizontes mais largos. A obra convida o visitante a entrar num território onde a travessia marítima se confunde com a própria condição humana — e onde o naufrágio é uma possibilidade para todos. E, ainda assim, um convite a lançar-se, arriscar, aprender e persistir. Navegar é preciso…"
Anísio Franco | Filipa Oliveira | Paulo Pires do Vale
Curadores da exposição
in: Folha de sala, na BNP em Lisboa.

Ângela Ferreira
"Camões não é só vosso. Camões também é nosso.
(Casa de Camões no imaginário popular na Ilha de Moçambique),
Escultura por Ângela Ferreira.
Obra encomendada para a exposição.

"A escultura de Ângela Ferreira, Camões não é só vosso. Camões também é nosso. (Casa de Camões no imaginário popular na Ilha de Moçambique), obra feita para esta exposição, introduz a ideia de porta e limiar. Ao reproduzir a porta da casa onde, segundo a tradição, Camões viveu no seu exílio moçambicano, a obra materializa tensões entre pertença e exclusão, memória e apropriação, centro e periferia. Camões surge como figura transnacional, partilhada e reivindicada para além da ideia de nação."
Anísio Franco | Filipa Oliveira | Paulo Pires do Vale
Curadores da exposição
in: Folha de sala, na BNP em Lisboa.


Horácio Frutuoso
[..]
"Também Horácio Frutuoso transforma as palavras do poeta, mas em imagem: a palavra fragmenta-se, autonomiza-se, ganha corpo, desenha movimento e ocupa o espaço, convidando a uma leitura que é também experiência física — e oferece-se, generosamente, como cartaz, aos visitantes. A linguagem deixa de ser apenas veículo de significado para se tornar gesto e imagem, revelando a força e a fragilidade da língua como território em permanente transformação."
Anísio Franco | Filipa Oliveira | Paulo Pires do Vale
Curadores da exposição
in: Folha de sala, na BNP em Lisboa.


Adrian Paci
                    Centro di Permanenza Temporanea  (2007), filme de Adrian Paci                     

"Neste contexto temporal, político e social, que é o nosso, a exposição aproxima a condição errante de Camões das migrações contemporâneas, e da condição humana de viajantes em busca de porto seguro, através do filme Centro di Permanenza Temporanea (2007), de Adrian Paci. A obra dá forma a uma experiência de peregrinação forçada, de suspensão e impossibilidade: corpos em espera, viagem que não é permitida, vidas mantidas num horizonte de promessa não cumprida. A pergunta de Camões «Onde terá segura a curta vida?» ressoa aqui com renovada urgência."
Anísio Franco | Filipa Oliveira | Paulo Pires do Vale
Curadores da exposição
in: Folha de sala, na BNP em Lisboa.


Domingos Sequeira 
 "Os últimos momentos de Camões", obra desaparecida de Domingos Sequeira 
Moldura dourada, século XIX
© Imagem do Ministério da Cultura de Portugal, in Facebook, 17.04.2025

"Reforçando a ambiguidade, o desconhecimento e o mistério que envolvem a vida e a morte de Camões, convocamos uma outra história: o desaparecimento da pintura Os últimos momentos de Camões, de Domingos Sequeira — evocada através da presença de uma moldura vazia, um vazio emoldurado que torna visível a perda e intensifica a relação com o passado ausente e desconhecido. A ausência transforma-se em matéria expositiva e interroga-nos: como lidar com o que já não existe? Com o passado, com a biografia de alguém, com a verdade histórica e a mitificação, com as leituras que a cada momento histórico se podem fazer do que passou?"
Anísio Franco | Filipa Oliveira | Paulo Pires do Vale
Curadores da exposição
in: Folha de sala, na BNP em Lisboa.



Jorge de Sena 
"Camões Dirige-se aos seus contemporâneos"
poema dito pelo próprio.

"A inquietação ecoa ainda no poema de Jorge de Sena, «Camões dirige-se aos seus contemporâneos», onde Camões toma a palavra com violência para criticar os que o maltrataram e tomaram o lugar que lhe pertence na história. A voz do passado regressa para interpelar o presente, mostrando que o legado camoniano é continuamente disputado, refeito e reativado."
Anísio Franco | Filipa Oliveira | Paulo Pires do Vale
Curadores da exposição
in: Folha de sala, na BNP em Lisboa.




Carminho | Graça Castanheira
               Carminho canta Amália canta Camões, 2025               
Vídeo digital HD, cor, som, 3’
Com a cantora Carminho; vídeo por Graça Castanheira
Obra encomendada para a exposição.
© Imagem reproduzida no catálogo.

"Os textos de Camões formam o eixo da exposição, apresentam-se em várias obras e afirmam-se no espaço expositivo em diálogo com as obras. De forma mais presente, na voz de Carminho — filmada por Graça Castanheira — que retoma o legado de Amália Rodrigues, e desloca o poeta do campo erudito para a oralidade e para o fado, reinscrevendo Camões no presente como corpo, voz e respiração."
Anísio Franco | Filipa Oliveira | Paulo Pires do Vale
Curadores da exposição
in: Folha de sala, na BNP em Lisboa.

Pois meus olhos não cansam de chorar
Tristezas, que não cansam de cansar-me;
Pois não abranda o fogo em que abrasar-me
Pôde quem eu jamais pude abrandar;

Não canse o cego Amor de me guiar
A parte donde não saiba tornar-me;
Nem deixe o mundo todo de escutar-me,
Enquanto me a voz fraca não deixar.

E se nos montes, rios, ou em vales,
Piedade mora, ou dentro mora Amor
Em feras, aves, plantas, pedras, águas,

Ouçam a longa história de meus males
E curem sua dor com minha dor;
Que grandes mágoas podem curar mágoas.

Soneto de Luís de Camões
e letra de fado


para saber +


“Onde terá segura a curta vida? Camões e a vida como viagem”
in V Centenário do nascimento de Luís de Camões, BNP

in Câmara Municipal d eSanto Tirso, Notícias, 31.03.2025.







Redação: 7.04.2025, atualizado em 24.05.2026

2026/04/12

Diogo Ramada Curto, Comissário-Geral adjunto da Comissão para as Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões





Diogo Ramada Curto durante uma sessão sobre Camões na BNP
© Foto no Facebook  de Miguel de Carvalho.
Diogo [Sassetti] Ramada Curto
n. Lisboa, 22.04.1959 - f. Lisboa, 11.04.2026
Historiador, professor e atual Diretor-Geral da BNP.

É licenciado em História pela FLUL (1981) 
e doutorado em Sociologia Histórica pela FCSH, UNL (1995), 
com a tese A cultura política em Portugal (1578-1642).

Docente na FCSH/UNL desde 1981, 
onde é Professor Catedrático no Dep. de Ciências Políticas. 
Foi professor da Cátedra Vasco da Gama em 
"História da Expansão Europeia"
no Instituto Universitário Europeu, em Florença (200-2008)
e professor visitante em várias universidades estrangeiras:
Brown, Yale, King's College-Londres, EHESS-Paris, 
e Universitat Autònoma de Barcelona.

Os seus principais interesses de investigação situam-se 
na área da cultura política, história do livro, 
história global, colonialismo, imperialismo e escravatura.
Co‑fundou a colecção "Memória e Sociedade"  da Difel (1988)
e participou na criação da colecção "História e Sociedade" das Edições 70 (2010). 
Colaborou na Oxford History of Historical Writing (5 vols.), 
na Wiley-Blackwell Encyclopaedia of Empire (4 vols.), dir. John Mackenzie.

É responsábel pela Biblioteca Casa Cadaval, em Muge,
e escreve regularmente na imprensa.

Questionava as ideias recebidas

"Excelente historiador, contribuiu de forma decisiva para a revolução da historiografia portuguesa a partir dos anos de 1980. Distinguiu-se pela abordagem interdisciplinar, tendo integrado a reflexão filosófica e sociológica na pesquisa histórica, enquanto estabelecia a ligação com os estudos literários. 

Sentia-se tão à vontade nos séculos XVI e XVII, onde iniciou a sua pesquisa sobre a cultura política, como no século XX, onde se envolveu na história do colonialismo. 

Era um frequentador diário de bibliotecas e arquivos. Foi diretor da Biblioteca Nacional de Portugal desde 2024 e Professor na Universidade Nova de Lisboa, onde começou a lecionar em 1981. Foi Professor no Instituto Universitario Europeu durante oito anos e professor visitante nas universidades de Brown, São Paulo, e Yale. 

Tinha uma enorme capacidade de leitura e constituiu uma das maiores bibliotecas privadas em Portugal. 

Não tinha limites na sua sede de conhecimento e questionava de forma sistemática as ideias recebidas. Não tinha filtros e dizia exatamente o que pensava, uma atitude naturalmente provocadora numa sociedade convencional e largamente conformista. Exerceu uma enorme influência nas novas gerações, que tinham muito poucas referências deste calibre em Lisboa."
Francisco Bethencourt

"Onde terá segura a curta vida?
Camões e a vida como viagem" 

Coordenação de Diogo Ramada Curto.
Curadoria de Anísio Franco, Filipa Oliveira e Paulo Pires do Vale.
Desenho expositivo de Francisco Aires Mateus.
Design do Atelier Pedro Falcão.
A exposição integra-se no programa das Comemorações do 
V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, 
uma iniciativa do Ministério da Cultura.


Camões: Ciclo de Debates na BNP

 23 OUT. 2024 - JUN. 2025, às quartas-feiras | às 17h00 | Auditório da BNP
Coordenação: Diogo Ramada Curto
Comissão científica: José A. Cardoso Bernardes,
Isabel Almeida, Vanda Anastácio, Maria de Lurdes C. Fernandes

O ciclo de 9 debates que decorrerá de outubro de 2024 a junho de 2025 reunirá cerca de 30 especialistas, nacionais e estrangeiros, do mundo académico e não académico, para discutir a vida e a obra de Luís de Camões. 


  Trailer da entrevista de Diogo Ramada Curto ao jornal "Público", 2023 | Vídeo, 1:28   

As dúvidas de Camões sobre o expansionismo dos portugueses

"Podemos falar de heróis, mesmo de “heróis do mar”, quando falamos de história no século XXI. Mas não estejam à espera que o historiador Diogo Ramada Curto, um colunista que gosta de uma boa polémica, evoque os chamados “descobridores” como os seus “heróis do mar”.

Luís de Camões, autor de Os Lusíadas, surge como um dos heróis da História Trágico-Marítima, ao lado de homens como Fernão Mendes Pinto. Mostram uma grande tenacidade no seu percurso de vida, mas também foram capazes de expressar dúvidas acerca do processo de expansão imperial em que se viram envolvidos. Um pensamento dissidente."

in Entrevista da série 'Os Desafios da Liberdade'  


OBRA

  • (2025) Camões, o poeta que o Estado Novo afidalgou, E - A revista do Expresso, edição 2745, 6.06.2025, 30-35.
  • (2025) Exposição: "Onde terá segura a curta vida?: Camões e a vida como viagem". - 11 a 21 de abril de  2025, no Ségur Hall, da Sede da UNESCO, em Paris, França; 10 de jun. a 6 set. 2025, na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa. - Coordenação de Diogo Ramada Curto. Curadoria de Anísio Franco, Filipa Oliveira e Paulo Pires do Vale. Desenho expositivo de Francisco Aires Mateus. Design do Atelier Pedro Falcão. - A exposição integra-se no programa das Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, uma iniciativa do Ministério da Cultura de Portugal.
  • (2024) "Comemorar Camões: Porquê? Para quê?" - 1.ª sessão de "Camões: Ciclo de Debates na BNP"moderada por Diogo Ramada Curto, e com as intervenções de João Pedro George e Vanda Anastácio. Lisboa, BNP, 23 out. 2024.
  • (2024) "Camões no seu tempo e no nosso", conferência proferida como Comissário-Geral adjunto da Comissão para as Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões e Diretor-Geral da BNP, na Apresentação do Programas das Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, no Auditório da BNP, em Lisboa, 14 nov. 2024, quinta-feira, às 17h00.
  • (2020) "1572 Camões, as armas e as letras e o choque e civilizações", in História global de Portugal. Lisboa: Temas e Debates, 397-401.
  • (2020) O Colonialismo Português em África: de Livingstone a Luandino. Lisboa: Edições 70.
  • (2020) Imperial culture and colonial projects: the Portuguese-speaking world from the fifteenth to the eighteenth centuries. Berghahn Books.
  • (2015) Livros dos séculos XVI a XVIII da Biblioteca do Ministério dos Negócios Estrangeiros. - Diogo Ramada Curto, Paula Gonçalves. Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal : Instituto Diplomático.
  • (2011) O Império Marítimo Português, 1415-1825 / C. R. Boxer. - Introd. Diogo Ramada Curto; trad. Inês Silva Duarte; rev. Pedro Bernardo. Lisboa: Edições 70.
  • (2011) A cultura política no tempo dos Filipes (1580-1640). Lisboa: Edições 70.
  • (2009) Cultura imperial e projetos coloniais: séculos XV a XVIII. Campinas: Unicamp.
  • (2009) A expansão marítima portuguesa, 1400-1800. Dir. Francisco Bethencourt, Diogo Ramada Curto; trad. Miguel Mata ; rev. Alda Rodrigues. Lisboa : Edições 70.
  • (2007) Portuguese Oceanic Expansion, 1400-1800. Cambridge: Cambridge University Press.
  • (2007) Cultura escrita (séculos XV a XVIII). Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais.
  • (2007) As gentes do livro: Lisboa, século XVIII. - Diogo Ramada Curto et al.; ed. Biblioteca Nacional de Portugal. Lisboa: BNP.
  • (2003) Bibliografia da história do livro em Portugal: séculos XV a XIX. Coord. Diogo Ramada Curto; textos de Paula Gonçalves et al.. Lisboa: Biblioteca Nacional.
  • (2003) La cartografia europea tra primo Rinascimento e fine dell'Illuminismo: atti del convegno internazionale: The Maing of European Cartography, Firenze, BNCF-EUI, 13-15 Dicembre 2001; a cura di Diogo Ramada Curto, Angelo Cattaneo, André Ferrand Almeida. - Firenze: Leo S. Olschki. - Col. "Studi / Accademia toscana di scienze e lettere La Colombaria", 213. - XXIII, 425p., [32] p. il. : col., mapas (24x17cm). - Inclui o catálogo da exposição .
  • (1998) O tempo de Vasco da Gama. - Dir. Diogo Ramada Curto; ed. lit. Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Lisboa: Difel: CNCDP.
  • (1996) Littératures de large circulation au Portugal (XVIe-XVIIIe siècles). - Sep. Colportage et Lecture Populaire, A. 1996, Paris: IMEC, 299-328.
  • (1994) A cultura política em Portugal (1578-1642): comportamentos, ritos e negócios. - Tese dout. Sociologia Hist., 2 vols., Lisboa: Univ. Nova Lisboa.
  • (1993) A Capela Real: um espaço de conflitos: séculos XVI a XVII, [Separata da] Revista da Faculdade de Letras. Línguas e Literaturas, anexo V, Espiritualidade e Corte em Portugal, sécs. XVI-XVIII, Porto, 144-154
  • (1990) Livros quinhentistas portugueses na Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa. - Iintrod. José V. de Pina Martins; catalogação e notas bibliográficas por Francisco Bethencourt e Diogo Ramada Curto. Lisboa : A.C.L..

  1. COMEMORAR CAMÕES: PORQUÊ? PARA QUÊ?, 1.ª sessão de "Camões: Ciclo de Debates na BNP", 23.10.2024, como moderação de Diogo Ramada Curto e as intervenções de João Pedro George e Vanda Anastácio.


para saber +


Diogo Ramada Curto | Ciência Vitae

in Biblioteca Nacional de Portugal | Facebook, 

Isabel Salema e Joana Gonçalves
Diogo Ramada Curto é o quarto entrevistado da série Os Desafios da Liberdade 
a pretexto do 33.º aniversário do PÚBLICO.
in Público [online],  19.03.2023.






Redação: 7.06.2025, atualizado em 12.04.2026

2024/11/14

Apresentação da Programa das Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões



Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões

APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA



14 nov. 2024, quinta-feira | às 17h00

No Auditório da BNP, em Lisboa


Entrada livre




"A Estrutura de Missão do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões 
promove esta quinta-feira, às 17h00, 
a Conferência “Camões no seu tempo e no nosso”, 
na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP).


A sessão, com acesso livre, inicia-se com 
a Conferência “Camões no seu tempo e no nosso”, 
proferida pelo Historiador Diogo Ramada Curto, 
Comissário-Geral adjunto da Comissão para as 
Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões 
e Diretor-Geral da Biblioteca Nacional de Portugal. 


Seguir-se-á a apresentação do Programa das Comemorações 
pelo Comissário-Geral e Professor Catedrático da Universidade de Coimbra 
José Augusto Bernardes. 

A Ministra da Cultura encerrará a sessão.

O Governo assumiu como prioridade este ciclo comemorativo, 
criando condições para celebrar a vida e obra do maior poeta da língua portuguesa,
designadamente prolongando o prazo por dois anos, até junho de 2026, 
e assegurando um orçamento adequado."

In Governo Português, Cultura | Facebook



PROGRAMA DO DIA



17h00
"Camões no seu tempo e no nosso"
CONFERÊNCIA 
por Diogo Ramada Curto


17h25
Programa das Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões
e sítio na internet : www.luisdecamoes500.gov.pt

APRESENTAÇÃO
por José Augusto Cardoso Bernardes


17h40
ENCERRAMENTO DA SESSÃO 
pela Senhora Ministra da Cultura





Comemorar Camões. Objetivos de um programa


José Augusto Cardoso Bernardes
Comissário-geral das Comemorações do 
V Centenário do nascimento de Luís de Camões

"Mais do que uma obrigação, comemorar os 500 anos do nascimento de Luis de Camões corresponde a uma necessidade coletiva. Não foi preciso que os poderes públicos tivessem fixado um início oficial (10 de junho de 2024) para que surgissem iniciativas. Houve notícia de muitas celebrações, promovidas por universidades, escolas, fundações, autarquias. Aponto de se contarem já por muitas dezenas as exposições, congressos, ciclos de palestras que vêm tendo lugar em Portugal e noutros países, com natural realce para aqueles que têm o português como língua oficial. 

Como explicar este facto?

Em tempo de tantas incertezas, dir-se-ia que se torna útil recolocar no espaço público uma figura de convergência. E o pretexto não poderia ser melhor: uma efeméride redonda, correspondendo a meio milénio de vida do "poeta maior". Esse pretexto, porém, não poderia ficar-se por manifestações espontâneas, por muito positivas que estas sejam, tanto em número como em qualidade. Sentia-se a falta de um programa estruturado, com fundamentos e objetivos.

É essa a principal característica do documento que foi apresentado no passado dia 15 de novembro em sessão pública, na Biblioteca Nacional (disponível em https://www. luisdecamoessoo.gov.pt). A melhor forma de construir um programa consiste, talvez, em encontrar para ele um ponto de partida. Neste caso, o dito ponto resume-se numa pergunta: como podem a figura e a obra de Camões interpelar a nossa sensibilidade e o nosso pensamento? O que existe nelas de atual?

Sabemos que houve sempre uma atualidade camoniana. Só assim se explica que o escritor tenha vindo a ser celebrado consecutivamente, pelo menos desde 1880, ano em que se assinalou, com invulgar aparato, o tricentenário da sua morte. Camões foi um herói romântico duradouro e multiforme, um fortíssimo emblema republicano, um símbolo do Estado Novo imperial. Embora tendo tido necessidade de vencer algumas hesitações, a democracia não deixou de o assimilar. Alargou-lhe mesmo o significado, convertendo-o num simbolo da diáspora e de uma lingua pluricontinental.

Mas estamos a chegar ao final do ano de 2024. A democracia, também ela justamente celebrada, perfez 50 anos e tornou-se adulta. A agenda cívica conheceu, entretanto, mudanças imprevistas. De entre as muitas que vêm ocorrendo destaco apenas duas, de cuja importância e repercussão não é possível duvidar. Desde há dois anos, falamos de inteligência artificial, sabendo que se trata de algo de profundamente transformador, tanto no plano da vida prática como no que diz respeito aos valores que vêm prevalecendo nas comunidades humanas. Não sabemos, em concreto, onde ficará colocada a criatividade e a ideia de autor.

A segunda mudança, sendo mais gradual, tem igualmente efeitos profundos em vários planos. Falo da intensa multiculturalidade que hoje se verifica no espaço educativo, acompanhando e prenunciando o fenómeno que se verificará na vida comunitária, em geral.

 A já referida questão da "atualidade" de Camões não pode deixar de ter em conta estas e outras coordenadas. Por outras palavras, não é possível continuar a ler e a ensinar um poeta que nasceu ha 500 anos como se nenhuma delas tivesse o peso que realmente tem. Se outros motivos não houvesse, estes seriam bastantes para evitar a simples repetição de processos.

Foi nesse sentido que se procurou conceber um Programa comemorativo que fosse não apenas adequado ao nosso tempo, mas que deixasse semente flexível de futuro. Tanto mais quanto ninguém se atreve a antever o que esse futuro (mesmo o mais imediato) possa vir a ser.

Procurou-se, em primeiro lugar, que a programação fosse fundamentada e suportada por objetivos. Mais do que um aglomerado de atividades, o Programa pretende ter uma estrutura. Nessa medida, o balanço das comemorações há de ser feito a partir das metas que agora se assumem e não apenas em função de simples taxas de cumprimento.

Num outro plano, o Programa deve ser abrangente: apoiando iniciativas (em curso ou programadas), mas, ao mesmo tempo, organizando outras, de maior amplitude. Nesse sentido, haverá Exposições em espaço nacional e no estrangeiro, mostras itinerantes, publicações de vário tipo e em suportes variados. Pensou-se na organização de um "Dia para Camões" em cada capital de distrito do território continental e nas regiões autónomas. Esse "dia" poderá revestir formatos diferentes, mas contará sempre com forte envolvimento das comunidades educativas, aquelas para quem Camões será necessariamente um "rosto" familiar no 9.º e no 10.° ano da escolaridade obrigatória.

Quis-se também que o Programa fosse aberto e mobilizador. Na medida das suas possibilidades e em alinhamento com os princípios gerais que agora ficam definidos, a Estrutura de Missão apoiará eventos ou projetos que possam ainda surgir ao longo do período em apreço.

Do mesmo modo, haverá presença camoniana regular nos órgãos de comunicação social: não apenas em registo noticioso, mas sob a forma de artigos de opinião. Sabe-se bem que, em múltiplos aspetos, as matérias camonianas sempre geraram controvérsia, seja ela de substância seja de perspetiva.

A diversidade foi outra preocupação dos organizadores. Haverá uma dimensão científica, acolhendo e potenciando o labor dos estudiosos que continuam e hão de continuar a ocupar-se da figura e da obra de Camões. De resto, refletindo o que sucede nos estudos literários em geral, os estudos camonianos encontram-se, também eles, em fase de reconfiguração de agenda. Nesse sentido, aos focos de interesse convencional (vida, corpus, fontes, organização temática e genológica) sucedem-se outros que, sem substituirem completamente os anteriores, reclamam atenção: estudos de género, literatura-mundo, pós- colonialismo, etc.

Haverá atividades de caráter artístico ou criativo, destinadas a públicos mais alargados. Não poderá haver celebrações camonianas sem ecos na pintura, na música, na escultura, etc.

Do mesmo modo, estão previstas (com ênfase clara) iniciativas destinadas a alunos/as e professores/as, do Ensino Básico e Secundário: a pensar neles e nelas, serão abertos concursos e serão organizadas exposições sob um figurino que se pretende moderno e atrativo.  É necessário refletir sobre a forma como Camões vem estando presente na Escola. Sabemos que existem experiências pedagógicas eficazes, versáteis e criativas. E importante identificá-las e dá-las a conhecer. Não tanto para que sejam decalcadas, mas para que passem a constituir um incentivo à renovação ponderada. De resto, o desafio que se coloca para Camões abrange os autores centrais do cânone literário europeu. Envolve, afinal, a integração dos conteúdos literários e artísticos nos programas escolares.

O objetivo central é o de criar estímulos para responder aos desafios que os textos camonianos ainda hoje suscitam aos/às jovens (e também aos/às menos jovens). Deseja-se, em concreto, que, para além de objeto de estudo, a poesia camoniana, escrita ha cinco séculos, sirva de base para atividades tão importantes como são sentir, pensar, falar, escrever, interpretar, criar.

Salvo melhor opinião, deve ser esse o desígnio a perseguir quando se lida com os textos de Camões em ambiente escolar. Existe um saber a transmitir; mas esse saber não deve limitar- se à passividade da escuta ou da leitura. Deve transformar-se em esforço e em gosto de apropriação.

Por fim, procurou-se que todo o programa fosse atravessado pela ideia de Debate. Como ficou dito, a obra de Camões sempre suscitou controvérsias, reduzidas ou alargadas. No passado, terçavam-se armas pela identidade da amada de Camões. A avaliar pelo sucesso que
vão tendo as biografias do poeta, a sua vida e a sua figura continuam a despertar o interesse de muita gente. Nada atrai tanto como a indefinição ou o mistério: onde nasceu Camões? qual era a sua verdadeira condição social? por onde andou exatamente? quais as causas dos seus muito autoproclamados infortunios? Não podemos surpreender-nos com a subsistência destas e de outras questões que tendo ocupado os biógrafos de há cem anos continuam afigurar nos índices das biografias mais recentes.

Mesmo os enigmas filológicos estão longe da clarificação. Basta lembrar que sobre Os Lusíadas (livro que o poeta teve nas mãos, com odor de tinta bem recente), recaem ainda dúvidas frontais, começando por uma que parece não ter encontrado ainda resposta convincente: houve uma ou duas edições no ano de 1572?


Em suma: encarregada de dinamizar as comemorações dos 500 anos de vida de uma figura tida por consensual, a Comissão não ignora que existem focos de interesse muito variados e várias questões em aberto. O mais e o melhor que se pode fazer é criar condições para que esses debates ocorram de forma fundamentada e livre, refletindo, como é normal, a pluralidade que caracteriza o nosso tempo.

A equipa que preparou o Programa tudo fará por que as atividades que dele constam se traduzam em proveito cívico e pedagógico. A poesia é um dos melhores pretextos para isso mesmo. Seria excelente que, celebrando os 500 anos do nascimento de Camões, conseguíssemos ir ainda um pouco mais longe do que é habitual: que, a partir da figura e da obra camonianas pudéssemos sentir-nos e pensar-nos um pouco mais e melhor, reforçando a consciência do papel que hoje nos cabe cumprir no mundo."

José Augusto Cardoso Bernardes
in JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, n.º 1413 (27 nov. a 10 dez. 2024)














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José Augusto Cardoso Bernardes
in JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, n.º 1413 (27 nov. a 10 dez. 2024)

José Augusto Cardoso Bernardes

JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, n.º 1401 (de 12 a 25 jun. 2024)


Cria a estrutura de missão responsável pelas 
Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões [PDF]












Redação: 9.12.2024, atualizado em 10.12.2024.

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