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2026/08/18

Revista de Estudos Camonianos - Número extra, "Ternate 2022" (2026)

  

 Revista de Estudos Camonianos 
 Número extra, "Ternate 2022" (2026) 

 Revista académica de camonística 


Uma edição da RCnA&A, em Macau,
com direção de 


Edição:


O número extra da  Revista de Estudos Camonianos (REC), editada em Macau pela Rede Camões na Ásia & África (RCnA&A), realizado em 2022 na ilha de Ternate, na Indonésia, reúne as atas do Congresso Internacional 450 anos de 'Os Lusíadas', com foco na receção da obra, tradução para línguas do Sudeste Asiático e a presença histórica de Camões na Ásia. 

Organizado pela RCnA&A, o volume destaca-se por abordar o colecionismo camoniano e incluir vídeos das comunicações realizados na Indonésia. Para mais detalhes, visite Rede Camões na Ásia & África.

Segundo o seu diretor, Felipe de Saavedra,"embora os autores tivessem recebido as suas separatas em 2022, a dispersão e provisoriedade desses trabalhos foram agora superadas com a reunião definitiva e oficial do acervo num número especial de 2026 da Revista de Estudos Camonianos («Ternate 2022»), garantindo finalmente à comunidade académica o acesso coeso e permanente à produção científica do evento."


 TEXTOS 


ALOCUÇÕES OFICIAIS

S. M. o Rei de Ternate

Reitor da Universitas Khairun

EDITORIAL

Felipe de Saavedra

ARTIGOS

Maria do Céu Fraga

Barbara Spaggiari

Fábio Vianna Peres

Gil Clemente Teixeira

Regina Célia Pereira da Silva

Vitor Amaral de Oliveira

José Carlos Canoa


Uma revista académica inteiramente dedicada à Camonística

"A Revista de Estudos Camonianos (R.E.C.) de Macau, é uma publicação anual em formato digital da Rede Camões na Ásia & África, que organizou já quatro congressos internacionais de Camonística, em Ternate/Jakarta (2022), Macau (2024), Moçambique (2025), e Goa (2026).

Há duas décadas que não se publicava uma revista académica inteiramente dedicada aos Estudos Camonianos. O número inicial da R.E.C. saiu em dezembro de 2025, com autores de cinco países e regiões: Macau, Goa, Indonésia, Moçambique e Brasil.

A nível global, a Revista vem reforçar a projeção da Camonística nos debates académicos sobre literatura e história. Para cumprir esta agenda científica, publica trabalhos de investigação originais nos domínios da especialidade e afins – literatura, história, retórica, biografia, humanidades, ciências, artes visuais e cénicas dos séculos XV a XVII, Ásia e África portuguesas, e os modelos clássicos e medievais relevantes para o Renascimento."




para saber +



in e-CAM, 28.02.2026





Redação: 17.08.2026

Revista de Estudos Camonianos número 2, 2026

 

 Revista de Estudos Camonianos 2 

Revista académica de camonística


Uma edição da RCnA&A, em Macau,
com direção de 

Edição:


O número 2 da  Revista de Estudos Camonianos (R.E.C.), editada em Macau pela Rede Camões na Ásia & África (RCnA&A), adota um modelo de publicação em fluxo contínuo até novembro de 2026, focando-se na investigação científica sobre a vida e obra de Luís de Camões, com ênfase em contextos asiáticos e africanos. 

O volume, agora disponível online em acesso aberto, aborda a produção literária, o contexto histórico, a tradição clássica e inclui estudos transculturais, como a análise de canções tradicionais indo-portuguesas por Kenneth David Jackson. 

A REC 2 contém as comunicações apresentadas ao III Congresso Internacional da Rede Ásia & África, realizado 12 e 14 de março de 2026, em Goa e Damão, na Índia.


 ARTIGOS 


EDITORIAL, Número Dois | p. v-vii
(aguarda o fecho do número)
Felipe de Saavedra


Eduardo Alberto Correia Ribeiro

José Manuel Garcia

Rafael Sicoli Pacheco

Kenneth David Jackson

Luciano Heidrich Bisol & José Ricardo da Costa

Vítor Amaral de Oliveira


Uma revista académica inteiramente dedicada à Camonística

"A Revista de Estudos Camonianos (R.E.C.) de Macau, é uma publicação anual em formato digital da Rede Camões na Ásia & África, que organizou já quatro congressos internacionais de Camonística, em Ternate/Jakarta (2022), Macau (2024), Moçambique (2025), e Goa (2026).

Há duas décadas que não se publicava uma revista académica inteiramente dedicada aos Estudos Camonianos. O número inicial da R.E.C. saiu em dezembro de 2025, com autores de cinco países e regiões: Macau, Goa, Indonésia, Moçambique e Brasil.

A nível global, a Revista vem reforçar a projeção da Camonística nos debates académicos sobre literatura e história. Para cumprir esta agenda científica, publica trabalhos de investigação originais nos domínios da especialidade e afins – literatura, história, retórica, biografia, humanidades, ciências, artes visuais e cénicas dos séculos XV a XVII, Ásia e África portuguesas, e os modelos clássicos e medievais relevantes para o Renascimento."




para saber +



in Plataforma 9

in e-CAM, 28.02.2026


  Chamada aberta para o número 2 – 2026  


Data de abertura: 1.01.2026⋅
Data de encerramento: 31.12.2026

CONVITE

"A Revista de Estudos Camonianos
  convida os pesquisadores de qualquer país ou região, 
filiados academicamente ou independentes, 
a submeter as suas propostas de artigos 
para o número 2, 
que sairá em fluxo contínuo ao longo do ano de 2026."

Considera-se completo cada número anual  
no final do ano civil.

Para além da secção principal dos "artigos",
a R.E.C. inclui "inquéritos, entrevistas, edição de fontes, 
traduções de textos históricos e literários, e recensões, 
para quais são também solicitadas propostas nesta chamada."

Consulte o site da REC para
conhecer a sua política editorial 
e as instruções de envio dos artigos.



Redação: 9.03.2026, atualizado em 4.07.2026

2026/08/17

O camonista K. David Jackson é o novo sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras

 

© Imagem divulgada no Facebook da Academia Brasileira de Letras.

       K. David Jackson na ABL       

 ELEITO PARA A CADEIRA 2 DA ABL 


5 AGO. 2026, quinta-feira
 Na Academia Brasileira de Letras, Brasil

Organização:



Bem-vindo à casa de Machado de Assis!

"Na Academia Brasileira de Letras, a língua portuguesa se entrelaça com a história, a crítica literária e a difusão da nossa cultura pelo mundo.

Estreitamos ainda mais os laços com os estudos lusófonos internacionais com a eleição de um novo Sócio Correspondente da ABL. O texano Kenneth David Jackson assume oficialmente a cadeira 2, anteriormente ocupada pelo pensador e sociólogo francês Edgar Morin, falecido em maio de 2026, aos 104 anos.

Professor de literatura luso-brasileira na Yale University, Jackson dedica parte expressiva de sua pesquisa ao legado de dois dos fundadores da nossa Casa, Machado de Assis e Joaquim Nabuco, promovendo a prosa e o pensamento brasileiro em universidades do exterior.

Seja bem-vindo, Kenneth David Jackson. Welcome to Machado’s house!"
Academia Brasileira de Letras

Discípulo de Jorge de Sena e divulgador da obra machadiana

"A Academia Brasileira de Letras tem um novo sócio correspondente. O professor Kenneth David Jackson, professor de literatura brasileira na Universidade de Yale, foi eleito na última quinta-feira, dia 5, para cadeira 2, vaga com a morte do filósofo francês Edgar Morin em maio de 2026.

Ele é especialista em literatura luso-brasileira. [...] Foi aluno de Jorge de Sena, um exilado português que se naturalizou brasileiro e depois se mudou para os Estados Unidos. Sena foi crucial para sua dedicação aos estudos luso-brasileiros.

É um dos principais responsáveis pela disseminação da obra de Machado de Assis e também de modernistas brasileiros em língua inglesa. [...] Em 2006 organizou a Oxford Anthology of the Brazilian Short Story, na qual incluiu 10 contos do autor. Em 2015, publicou um longo estudo sobre o fundador da Academia Brasileira de Letras, “Machado de Assis: A Literary Life”, propondo uma visão marcadamente psicológico-filosófica de seusromances.

Esse já pode ser considerado um dos mais importantes trabalhos publicados nos Estados Unidos a respeito do autor brasileiro, dando continuidade à herança crítica deixada por Helen Caldwell, que revolucionou a interpretação de Dom Casmurrocom [com] o ensaio The Brazilian Othello of Machado de Assis (traduzido no Brasil como O Otelo Brasileiro de Machado de Assis), em 1960."

Kenneth David Jackson como camonista

Como camonista, K. David Jackson é um dos mais prestigiados investigadores e divulgadores da obra de Luís de Camões nos Estados Unidos, destacando-se pelo seu contributo na análise das ligações do poeta com o Oriente e pelo desenvolvimento de ferramentas digitais pioneiras. 

Professor catedrático na Universidade de Yale, a sua paixão pela língua portuguesa foi profundamente influenciada pelo seu orientador de doutoramento, o célebre escritor e intelectual português Jorge de Sena. Atualmente, é membro do núcleo de investigadores da Rede Camões na Ásia & África, dirigida por Felipe de Saavedra, e prestigiado articulista da REC - Revista de Estudos Camonianos, sediada em Macau e com colaboração e projeção internacional. Está também unido a Macau como Professor Vistante Ilustre da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCT).

David Jackson aborda Camões não apenas como um poeta nacional, mas como uma figura central da literatura mundial e um pensador profundo. Defende que a profundidade temática dos sonetos camonianos representa o ponto mais alto da lírica renascentista.

O seu trabalho explora o impacto do império marítimo português e a sobrevivência cultural portuguesa no Oriente, ligando a vivência de Camões a territórios como Goa, Macau e Sri Lanka.

É o criador do conhecido CD-ROM multimedia Luís de Camões and the First Edition of The Lusiads, 1572 (2003), que facilitou o acesso académico e pedagógico aos vários exemplares da editio princeps d' Os Lusíadas guardados nas bibliotecas nacionais e outros arquivos existentes internacionalmente.

David Jackson tem sido uma voz ativa no circuito internacional de conferências - participando em painéis de Macau, Índia e Portugal, onde tem divulgado a sua visão global e transatlântica do poeta. Todavoa, tem também alertado para a falta de especialistas nos EUA, o que dificulta a devida integração de Camões nos estudos renascentistas americanos.

Como reconhecimento oficial pelo seu trabalho de décadas no estudo, ensino e difusão internacional da cultura portuguesa, o governo de Portugal condecorou Kenneth David Jackson com o prestigiado grau de Comendador da Ordem de Camões.
e-CAM, 17.08.2026
(Texto redigido com recurso à IA)

 ÁLBUM 

     Prof. Kenneth David Jackson, Comendador da Ordem de Camões    
© Imagens num verbete da e-CAM.
© Imagem divulgada no Facebook da Academia Brasileira de Letras.
Camões and the First Edition of The Lusiads, 1572 - Ed. K. David Jackson
Special CD Issue of Portuguese Literary & Cultural Studies
Tagus Press at UMass Dartmouth, 2003.
      Machado de Assis: A Literary Life, K. David Jackson (Yale University Press, 2015)      

para saber +



in Academia Brasileira de Letras, 8.08.2026

in e-CAM, 19.04.2026

in Enciclopédia Camões, 14.04.2026

As perguntas de Camões, por Kenneth David Jackson
(VÍDEO no Youtube, 10 jul. 2025), com texto publicado em 
in Enciclopédia Camões, 10.12.2025


in Enciclopédia Camões, 9.03.2024






Redação: 17.08.2026

RELICÁRIO PERPÉTUO é a ópera de câmara com libreto de Luísa Costa Gomes e composição musical de Luís Tinoco


   Relicário Perpétuo   

   ÓPERA   

Com libreto de Luísa Costa Gomes
e composição de Luís Tinoco

Duração Aprox. 60' | Class. Etária: M/12

Programa de sala | PDF, 124 p. 


 AGENDA 

Sessões em setembro:

  11 SET. 2026 | às 21h00 - Bilhetes.  
 12 SET. 2026 | às 19h00 - Bilhetes
  No Teatro Nacional de S. João, no Porto  


Sessões em junho:

13 JUN. 2026
No Cineteatro de Loulé
A récita de dia 13 de junho, no Cineteatro Louletano, 
é em versão de concerto.

11 JUN. 2026, às 18h30
No Teatro Camões, em Lisboa

10 JUN. 2026, às 16h30 | Estreia
No Teatro Camões, em Lisboa
As récitas de 10 e 11 de junho são precedidas por 
uma conversa com Luís Tinoco, Luísa Costa Gomes e Nuno Carinhas, 
moderada por Pedro Amaral, Diretor Artístico do TNS.

Créditos:

música: Luís Tinoco
direção musical: Joana Carneiro
encenação e figurinos: Nuno Carinhas

cenografia: Pedro Tudela | desenho de luz: Rui Monteiro
realização vídeo: Luís Porto

 solistas: 

João Delgado Lourenço (Faquir)
Mariana Fabião (Bárbara, a escrava; Cortesã)
Rodrigo Carreto (Gerardo, príncipe de sangue da Índia)
André Henriques (Hipócrita, o Vizir)
André Baleiro (Camões, príncipe dos poetas de Portugal, Salomão, o Rei)
Andrea Conangla (Joana, a Boba; Cortesã) 
Camila Mandillo (Catarina, a Santa de Roca; Cortesã)

Produção:

Teatro Nacional de São Carlos
Com o apoio da Comissão Nacional para as Comemorações 
do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões.

Revisitar Camões numa ópera

"A ópera Relicário Perpétuo insere-se no programa oficial das comemorações do V Centenário do nascimento de Camões, e reúne um naipe extraordinário de artistas. 

A composição musical é de Luís Tinoco, o libreto, de Luísa Costa Gomes, Nuno Carinhas encena e a maestrina Joana Carneiro dirige a Orquestra Sinfónica Portuguesa. 

[...] Relicário Perpétuo assume-se como uma tragicomédia, com um libreto onde cabem e se jogam textos em várias línguas: o papiamentu e o negrillo, línguas inventadas a partir do provençal e do catalão, sendo o português literário seiscentista apenas mais uma língua estrangeira. Nesta ópera, Camões e o relicário das línguas solicitam revisitação perpétua."
Agenda de set. 2026

A tragicomédia humana

"O que guardar, o que deitar fora, o que tem valor - que autoridade poderá ditá-lo? E Camões, qual deles guardar e celebrar? O dos sonetos petrarquistas, o das odes horacianas, o da epopeia virgiliana agora em revisão? O Camões do teatro mal- amado? O das cartas semi-vis? O das sátiras ainda por estudar? Em Relicário Perpétuo estão todos os Camões, o mais que eles podem. 

No libreto, o Poeta convoca uma geografia fantasiosa de corte oriental, onde um desamparado príncipe coleciona indiscriminadamente tudo o que lhe vem à mão, numa acumulação insana, incapaz de decidir sobre o seu valor. 
Espera o regresso de Salomão, seu pai, sua bússola moral e estética. Naufragado e oprimido nessa ilha encantada que o adora, a corte de Gerardo é a arena onde Camões irá combater pelo seu lugar no cânone, influenciado pelo Vizir que lhe faz ver as vantagens da epopeia. 

Trata-se, então, de uma tragicomédia, mais humorística nas cenas de carácter crítico-museológico, mais trágica no tom impaciente de Camões encarcerado nas nossas leituras redutoras.

O libreto tem seis cantores e um faquir mudo. São três vozes masculinas e três femininas, representando algumas delas várias partes. Para além de Camões, príncipe dos poetas de Portugal, temos Gerardo, príncipe de sangue da Índia; Hipócrita, o vizir do Rei Salomão, e o próprio Salomão, que regressa em pessoa para de novo partir no seu projeto de envelhecimento ativo. 

As vozes femininas são a da Escrava, uma espécie de factótum de todos, de serviço ao Relicário e não só, A Santa de Roca, uma senhora que tem ouvido absoluto, ouvindo até os sons vindos do futuro; e a Boba Joana, tecendo comentários que vão do popular ao filosófico. A Santa de Roca será também uma cantora e uma Cortesã, Dona Isabel. [...]"
Página oficial do evento


 ARGUMENTO 

in: Programa de sala, p. 47-53.

PRÓLOGO

"Um Faquir concentra-se para a sua proeza. Corta ritualmente uma madeixa de cabelo. Entra com dificuldade numa pequena caixa, parte a parte, quase todo: a mão não cabe. O Faquir corta a sua mão direita.
Leve, eleva-se. A Escrava, com a sua vara telescópica, vem recolher a madeixa e a mão para o Relicário."

CENA I
ESCRAVA, GERARDO, VIZIR

"Gerardo, Príncipe da Índia, toma um duche purificador antes da sua proeza: vai cortar a orelha mágica do Minotauro, o que lhe permitirá ouvir o som puro. O som puro é absoluto, traz o seu próprio valor, imediatamente reconhecível, é uma orelha transparente que não interfere no que se ouve. 

O Vizir entra com notícias do rei Salomão, pai de Gerardo, ausente da corte há vinte anos, de férias num cruzeiro especial ao Brasil. Manda postais ilustrados. Gerardo mostra desagrado pelo desinteresse do monarca na governação. Contava com a sabedoria paterna na discriminação do que é e não é digno de figurar no Relicário. 

O Vizir faz o seu trabalho de cortesão, lisonjeando um príncipe sem qualidades. Mas o verdadeiro interesse do Vizir é outro: traz para apreciação uma obra-prima, inacabada, Os Lusíadas, de um tal Luís de Camões, Príncipe dos Poetas, que aportou à ilha e ali se encontra desafortunado. 

Gerardo ouve o princípio da epopeia, parece-lhe a Eneida, não vê grande vantagem em ter itens repetidos no Relicário…

Mas, ao Minotauro! Gerardo veste o gibão amarelo, empunha a espada e lá vai ele mutilar o muito sedado bicho."

CENA II
ESCRAVA, CAMÕES, SANTA DE ROCA, BOBA

"A Escrava refresca um Camões assaz entediado. Ele escreve da ilha paradisíaca uma carta de queixas e reclamações contra o destino e o exílio. Embora muito bem tratado por todos, tem saudades da Pátria que o maltratou. A Escrava pede-lhe com modos meigos que escreva antes endechas e vai lembrando as que o poeta escreveu para ela.

Entram a Boba Joana e a Santa de Roca, que vêm «papear», conversar, comentar o projeto do Relicário infinito de Gerardo. Essa Pátria Ingrata de Camões poderá também fazer parte do Museu, como os óculos de Fernando Pessoa? É o presente que fabrica o passado?

As prendas do presente ao futuro, quem as quererá? Mas a Santa de Roca, com seus dotes de Cassandra, ouve vozes… Quem vem lá?"

CENA III
ESCRAVA, CAMÕES, BOBA, SANTA DE ROCA, VIZIR

"O Vizir entra para dizer a Camões que há interesse real na epopeia. Gerardo já está informado do projeto. O Vizir procura convencer o Poeta a escrever, se não os doze cantos da Eneida, pelo menos dez.

Camões continua magoado com a Pátria Ingrata, mas o Vizir acena-lhe com o verdadeiro valor, a verdadeira instituição, o Cânone, muito mais que um Relicário vazio. Uma epopeia é meio caminho andado para a consagração. O Vizir chega a ordenar hierarquicamente os géneros literários: a epopeia, naturalmente, em primeiro lugar; depois, as canções em medida nova; a seguir, a medida velha, a redondilha; o teatro, despiciendo; no fundo da escala, as cartas; pior, só a sátira e a cortesania. 

O Vizir manda sair as mulheres para ter com Camões uma charla a sós. Critica um episódio menos digno d´Os Lusíadas, o de Veloso, e a figura de Vasco da Gama, pouco grandiosa. Camões argumenta. Mas, sabendo do interesse do Príncipe, aceita. O Vizir convence-o, enfim, com o canto das sereias, o fatal engodo da Imortalidade."

CENA IV
ESCRAVA, BOBA, SANTA DE ROCA, VIZIR, CAMÕES, GERARDO

"A Escrava dedica-se à limpeza e arrumação possível do Relicário. A Boba procura «desconstruir». O Vizir declara o seu horror à mistura do baixo com o alto, do banal com o sublime. Define o Relicário como «entulho». 

Entra Gerardo com a orelha do Minotauro. Lamenta-se da facilidade de mutilar um boi adormecido com valium. Quer logo experimentar o prodígio, manda entrar a Santa de Roca/Cantora e o Autor/Camões. Cantam um excerto da Canção IX, também poema de exílio. 

Infelizmente, a orelha do Minotauro não é tão mágica como publicitado, interfere na receção o mugido do bicho sacrificado e Gerardo rejeita-a. 

Está desconsolado. Despe o gibão amarelo. Não quer cor, está de luto pela ausência do Pai, deixando-o desamparado num mundo de valores incertos."

CENA V
GERARDO, BOBA, SANTA DE ROCA, ESCRAVA, VIZIR

"Gerardo sente-se, de repente, tomado de fúria passional. A Santa de Roca vem apregoando dúbios dotes proféticos, mas desta vez parece ter acertado: Guerra de Amor! Gerardo deseja-a e despreza-a. 

Pede-lhe assistência para a constituição de um Relicário consistente e credível. O que terá valor no futuro? Ou guardamos apenas o que tem valor para nós no presente, deixando às gerações futuras o poder de o inumar? 

A Santa de Roca arrisca adivinhar: a ode é eterna e a canção, diz ela. Seguro mesmo, só o vilancico catalão! Gerardo tem dificuldade em acreditar em tal disparate. Mas quem sabe? 

Dividido entre o desejo e a desconfiança, Gerardo afasta-se. A Boba monologa sobre os mistérios do passado."

CENA VI
SANTA DE ROCA, BOBA, VIZIR, ESCRAVA, GERARDO

"A Santa de Roca, num acesso filosófico, comenta a natureza estranha do tempo-antes que se torna no tempo-agora. «As coisas», diz ela, citando talvez La Palisse, «antes de serem, não são / Estão depois, com toda a sua estância / Depois, quando são.» A Boba vai comentando, jocosa. 

O Vizir aproveita para insistir no valor do que vale: «O bem que é raro é o bem que é bom.» Gerardo irrompe neste «apólogo dialogal». Vem apaixonado, dividido, desesperado. O amor é uma perdição, maldição a evitar, decididamente, experiência da ordem do naufrágio e da tormenta. 

A Santa de Roca e a Boba percebem a ameaça viril nos protestos violentamente amorosos de Gerardo que, contraditório, pede à Santa de Roca que escolha ela o que guardar no Relicário. A Santa retrai-se. 

Rejeitado, Gerardo volta-se contra o Relicário. Armado de um atiçador de lareira do tempo dos Visigodos, dispõe-se a destruir tudo. Nada tem valor. O Amor é veneno nas veias. 

O Vizir grita que se trata da nossa memória coletiva! Da identidade de um povo! Gerardo ignora-o. E acabaria por destruir tudo, se… 

Se o rei Salomão, seu pai, não entrasse, muito a propósito, nesse momento. Gerardo ajoelha, quer mimos e conselhos. Salomão não tem paciência, nem se pode demorar. Resolve, à Salomão, cortando cerce, o problema amoroso de Gerardo. Casa-se ele com a Santa de Roca que se vê, assim, arrebatada para uma vida de cruzeiros especiais."

CENA VII
GERARDO, ESCRAVA, VIZIR, CAMÕES

"Junto do Relicário meio destruído, a Escrava vai salvando o que pode. Gerardo está profundamente deprimido, com dúvidas sobre a sua responsabilidade e relação com o Relicário. 
Mas há em Gerardo uma nova sensibilidade que a dor carrega, lembra-se da pulseira da mãe, relíquia que ele guarda com saudade… Comove-se à memória da mãe e, mais uma vez contraditório, amaldiçoa o dia em que nasceu, dia entre todos aziago! 

A Escrava bem se compadece, mas o psicoterapeuta não tem mesmo vaga nesse dia. Gerardo não aceita, clama que está a sofrer!"

CENA VIII
GERARDO, ESCRAVA, CAMÕES, VIZIR, BOBA, DONA ISABEL

"O Vizir entra com Camões e uma tal Dona Isabel, que tem modos de mulher de vida fácil. Vêm animar Gerardo com um sarau de poesia a mote. 

Gerardo amua, está malincónico. Dado o mote, Camões avança para o seu brilharete, Gerardo diz que tanto se lhe dá viver como morrer, o Vizir tenta puxar para baixo o «alto amor» cortês, afirmando que os seus «amores hão de ser pela ativa», e ela, a mulher, a paciente. 

Camões lança-se num soneto maneirista sobre a relação paradoxal entre o «baixo» e o «alto» amor. Gerardo sente-se retratado e compreendido, Camões fez mais um amigo. 

Música! A Boba quer beber e dançar, «todos amigos para a morte espantar»! Dona Isabel e a Escrava, agora mudada em Cortesã, cantam com a Boba um excerto maroto da Ilha dos Amores, à double entendre. 

Gerardo continua ambivalente, mas acaba por ser persuadido a juntar-se à festa. Diz-lhe a Cortesã: «Guardai a boa lembrança!»"

EPÍLOGO
GERARDO, ESCRAVA, CAMÕES, VIZIR, BOBA, DONA ISABEL

"A Boba canta a sua lição de vida, que é a seguinte: é preciso ser matreiro! A morte é sádica e não pode ver ninguém contente por estar vivo! Quando ela se chegar a vós, de foice sinistra, ave de rapina da alegria alheia, vampírica, sorrateira, fazei como a Boba. É fingir que se está triste neste vale de lágrimas, que nunca se viu um dia de sol, nem se acredita que algum dia ele virá… E ela, a Morte, bem enganada, vereis como segue o seu caminho."

  ÁLBUM  


© Foto por Alexandrina Lourenço na sessão do Cineteatro de Loulé.
© Foto por Matilde Fieschi, divulgada no Facebook e no site oficial do Teatro de São Carlos
© Foto por Matilde Fieschi, divulgada no Facebook e no site oficial do Teatro de São Carlos
© Foto por Matilde Fieschi, divulgada no Facebook e no site oficial do Teatro de São Carlos

© Foto por Matilde Fieschi, divulgada no Facebook e no site oficial do Teatro de São Carlos
© Foto por Matilde Fieschi, divulgada no Facebook e no site oficial do Teatro de São Carlos

© Foto por Alexandrina Lourenço na sessão do Cineteatro de Loulé.
© Foto por Alexandrina Lourenço na sessão do Cineteatro de Loulé.

para saber +



Teatro Nacional de São Carlos, Lisboa | Página oficial do evento

Teatro Nacional de S. João, Porto | Agenda de set. 2026


LCG | Site oficial da escritora Luísa Costa Gomes


  NOTÍCIAS  


Teresa Carvalho
in SOL, 12.08.2026

 Tatiana Bina  
Carla Alves Ribeiro (texto da entrevista)



Redação: 12.01.2026, atualizado em 17.08.2026



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