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2026/08/25

Taprobana, um filme camoniano de Gabriel Abrantes


  TAPROBANA  

 FILME 

Realização de Gabriel Abrantes
Com Jani Zhao, Natxo Checa,
João Pedro Vale, Alexandre Melo.

Portugal: 23 min
Super-16 mm transferido para HD [DCP]/cor.

Estreias

10 fev. 2014 | Alemanha
64º Festival Internacional de Cinema de Berlim – Berlinale Shorts

11 jul. 2014 | Portugal
22° Festival Internacional de Curtas-Metragens de Vila do Conde

4 jun. 2015 | Data de estreia, no Ideal, em Lisboa 

Elenco:

Dinamene: Jani Zhao 
Luís Vaz de Camões: Natxo Checa
Petrarca: Alexandre Melo | Homero: Gonçalo Pena
Rei Filipe II: João Pedro Vale  | Pagem do reiAndré Príncipe
Camponeses: U. G. Punchi Banda e B. Wimalawate
Traficante de ópio: Lasantha David
Autoridades portuguesas: Gabriel Abrantes e Dhamika Amarashinghe
Ninfas: Mónica Talina | Ana Rita Lopes | Joana Pais de Brito | Andreia Marcelino.

Ficha técnica:

Realização e argumento: Gabriel Abrantes
Consultor de argumento: Lasantha David

Operador de câmara: Gabriel Abrantes, Natxo Checa, Lakruwan Withanage
Montagem de som: Hugo Leitão, Gabriel Abrantes
Efeitos sonoros: Daniel Gries | Misturas: Hugo Leitão

Produção: Natxo Checa, Marta Furtado, Gabriel Abrantes  Vimukthi Jayasundara
Produtor associado: Patricia Drati, Tine Fischer
Gestão de produção em Portugal: ZDB - Galeria Zé dos Bois
Gestão de produção no Sri Lanka: 24 Frames
Coord. de produção em Portugal: Marta Furtado, Joana Botelho
Coord. de produção no Sri Lanka: Deepal Gunaratne
Dir. de produção: Natxo Checa | Dir. de pós-produção: Branko Neskov
Coord. de pós-produção de imagem: Pedro Ribeiro.

Produção:

A Mutual Respect Productions | Portugal
Vimukthi Jayasundara | Sri Lanka
CPH DOX:LAB | Dinamarca


SINOPSE OFICIAL

"Taprobana, actual Sri-Lanka, em finais do século XVI. A maior ilha do Oceano índico é uma colónia portuguesa. 

Um elefante delicia-se na água. Ele ergue-se e baixa-se com prazer, todo ele mergulhado, bufando. Um homem aprecia uma mulher. Fazem amor a céu aberto. Quando o homem atinge o seu clímax, o elefante sai da água. 

O homem é Luís Vaz de Camões, poeta português e mais tarde, herói nacional. Por agora, é apenas um homem ao serviço da corte portuguesa. Banido de Lisboa, vive em exílio e trabalha para a única coisa que lhe importa: Os Lusíadas

Em forma de poema épico baseado na Odisseia de Homero, ele traça uma viagem pelo tempo, examinando a heróica história dos descobrimentos portugueses."

SINOPSE 2

"Luís Vaz de Camões, o maior poeta português do Renascimento, luta criativamente enquanto se entrega a um estilo de vida hedonista, coprofágico e permeado de drogas.

O filme acompanha o poeta e a sua amante, Dinamene, enquanto escreve a sua obra-prima, o poema épico Os Lusíadas

Viaja desde a cacofonia das selvas indianas, rodeado de elefantes alegóricos e macacos rimadores, até à fronteira entre o Céu e o Inferno, onde se depara com a sua fantasia: a fama e a imortalidade."
Gabriel Abrantes


Trailer de TAPROBANA
in canal do Youtube de Jorge Leitão Ramos
Vídeo, 01:31

Excerto de TAPROBANA
in canal do Youtube de Jorge Leitão Ramos
Vídeo, 01:00

Uma sátira poética e absurda sobre Camões

"Camões foi o primeiro poeta europeu a ter uma experiência prolongada em África, na Índia e na Indochina. Escreveu Os Lusíadas enquanto esteve exilado nas Índias, um poema que glorifica os navegadores portugueses que partiram das costas lusitanas e viajaram até Taprobana, hoje conhecida como Sri Lanka.

Muitos mitos rodeiam as viagens de Camões, e um em particular foi uma inspiração para este filme. Conta que Camões se apaixonou por uma cortesã chinesa, a quem então batizou com o nome de uma ninfa grega: Dinamene. 

O mito continua com Camões e Dinamene aprisionados num barco a caminho de Goa, sofrendo um naufrágio. Supostamente, a sua amada afogou-se, pois Camões estava demasiado ocupado a nadar atrás do seu manuscrito.

Taprobana pretende ser uma sátira poética e absurda sobre esta personagem contraditória e encantadora; um europeu exilado nas Índias, mas obcecado pela sua terra natal; um iconoclasta patife que escreveu alguns dos versos mais sublimes da língua portuguesa, onde a iluminação espiritual é indissociável da apoteose sexual."
Gabriel Abrantes

Camões e Ti-nan-men

"Gabriel Abrantes assina uma comédia escatológica
que acompanha a lua-de-mel do poeta Luís Vaz de Camões com Ti-nan-men,
uma chinesa por quem se apaixonou, no Oriente, quando escreveu Os Lusíadas."


  ÁLBUM  


“Pã, Não Chora Não” - título genérico de um programa de três curtas-metragens,
com uma sessão diária, que agrupou  três curtas-metragens do realizador:
"Liberdade" (2011) | "Ennui Ennui" (2013) | "Tapobrana" (2014).

para saber +



in e-CAM

de Jorge Leitão Ramos









Redação: 25.08.2026

Polca 'Camões" de Henrique Alves de Mesquita


   CAMÕES: polca   

"Em comemoração ao 3.º centenário do grande poeta"

de Henrique Alves de Mesquita

Pauta da polca [PDF]

1880


Camões, polca de Henrique Alves de Mesquita
por Luciana Rabello e Mauricio Carrilho
in Princípios do Choro 1, Acari Records, 2020
No Youtube Luciana Rabello - Tópico, áudio - 03.00 (18.05.2020)


Polca "Camões", pela Orquestra regida por Milton Calasans
No Youtube HAdeMesquita, áudio - 02.43 (06.08.2014)
Orquestra regida por Milton Calasans
Música Imperial (Disco 3) (Uirapuru LPU 1010), 1968


Pintura de Victor Meirelles, 1862. Na Coleção Fadel
            Henrique Alves de Mesquita            
n. 15.03.1830 - f. Rio de Janeiro, 12.07.1906
Compositor, Maestro, rompetista e organista carioca,
foi um dos músicos mais influentes do Brasil do século XIX. 

Com uma elevada formação erudita, Mesquita 
estudou na capital francesa com o ilustre professor F. Basin. 

Para além de regente da orquestra do Teatro Fenix, no Rio de Janeiro, 
lecionou no Conservatório e no Instituto Nacional de Música. 

Escreveu as óperas O Vagabundo e La Nuit au Chateau (apresentada em Paris)
e bastantes operetas e peças musicais ligeiras: entre as mais célebres encontram-se 
Ali-BabáTrunfo às avessas e Coroa de Carlos Magno.

É o patrono da cadeira de n.º 16 da Academia Brasileira de Música
e foi agraciado como membro da Ordem da Rosa 
por D. Pedro II, a 2 de abril de 1857.

para saber +


in Musica Brasilis









Redação: 25.08.2028

Música - Homenagem 'a Camões' de Carlos Gomes e Américo Miguez pelo Dueto Maltese


  Homenagem 'a Camões'  

  Música de piano
Carlos Gomes e de Américo Miguez

Interpretada pelo Duo Maltese:
as pianistas Ida Maltese e Sylvia Maltese
a quatro mãos.



            Hino triunfal 'A Camões'              
de Carlos Gomes
por Duo Maltese, piano a 4 mãos
Disponível online em Sylvia Malteseáudio - 03:35
Partitura [PDF]

         Marcha elegiaca 'A Camões'          
de Américo Miguez
por Duo Maltese, piano a 4 mãos
Disponível online em Sylvia Maltese, áudio - 07:03
Partitura [PDF]



 Piano luso-brasileiro a quatro mãos: repertório do séc. XIX e início do séc. XX 
Duo Maltese: Ida Maltese e Sylvia Maltese
Manaus, Brasil: 2000-2001

Concerto e lançamento do CD
4 set. 2001, terça-feira, às 20h30
No Teatro Procópio Ferreira, Guaruja, Brasil.

para saber +


A CAMÕES: 
Hymno triumphal / [de] A. Carlos Gomes; Marcha elegiaca / [de] L. A. Miguez;
Marcha heróica / [de] Arthur Napoleão.
Apresentação Plinio Doyle; estudo crítico Eurico Nogueira França. 
Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1980.

Edição fac-similada reduzida das edições impressas no Rio de Janeiro.
14, [5, 1 br.], 5, 11, 25 páginas | fac-simile, notas musicais | 26 cm.

Compositores:

Antonio Carlos Gomes, 1836-1896 
Bio na Wikpedia | ebiografia, por Dilva Frazão

 Leopoldo Américo Miguez, 1850-1902

Artur  Napoleão, 1843-1925

Pianistas:

Ida Maltese e Sylvia Maltese
Ver webpage Sylvia Maltese




Redação: 24.08.2026 

Hino triunfal a Camões de Carlos Gomes, interpretado pelo Duo Maltese



  Hymno triumphal 'a Camões'  

de  A. Carlos Gomes

Partitura | [PDF]

Interpretado pelo Duo Maltese: Ida Maltese e Sylvia Maltese
a quatro mãos.


Hino triunfal 'A Camões' de Carlos Gomes
por Duo Maltese, piano a 4 mãos
No Youtube do IPB, vídeo - 03:26

Instituto Piano Brasileiro (IPB)
A série "Por dentro das partituras"
tem curadoria de Alexandre Dias.

para saber +


A CAMÕES: 
Hymno triumphal / [de] A. Carlos Gomes; Marcha elegiaca / [de] L. A. Miguez;
Marcha heróica / [de] Arthur Napoleão.
Apresentação Plinio Doyle; estudo crítico Eurico Nogueira França. 
Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1980.

Edição fac-similada reduzida das edições impressas no Rio de Janeiro.
14, [5, 1 br.], 5, 11, 25 páginas | fac-simile, notas musicais | 26 cm.

Compositores:

Antonio Carlos Gomes, 1836-1896 
Bio na Wikpedia | ebiografia, por Dilva Frazão

Artur  Napoleão, 1843-1925
 Leopoldo Américo Miguez, 1850-1902

Pianistas:

Ida Maltese e Sylvia Maltese
Ver webpage Sylvia Maltese







Redação: 24.08.2026




2026/08/24

Camões e o Jau

  

 "Camões na Gruta de Macau" com o Jau, 1853 
Óleo sobre tela, por Francisco Augusto Metrass.
Museu do Chiado / Arte Contemporânea, Lisboa





Referências

  • Braga, Duarte Drumond (2026) Camões, el maricón, in Hoje Macau, "Voz das Margens", 13.02.2026. - Ver e-CAM.
  • Moser, Maria Isabel de Mello (1992) "Camões e a lenda tradicional do Jau", comunicação, na secção Luís de Camões da Sociedade de Geografia de Lisboa. - Lisboa, SGL, 13.05.1992.
  • Moser, Maria Isabel de Mello (1989) "Camões e a lenda tradicional do Jau", Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, Série 107, n.º 7-12 (1989) 121-128.



POESIA

  • Viana, António Manuel Couto (1991) "A Jau", poema, in Suplemento da Revista Latina, Macau, maio de 1991, p. 59. - [Poema datado de 10 jun. 1986]. - Ver e-CAM.
  • Andrade, Eugénio de (1980) "Lamento de Luís de Camões na morte de António, seu escravo", poema, "Escrita da Terra / Epitáfios", in Poesia e Prosa, vol. I, Lisboa: INCM, 1980. / 2.ª ed., Poesia. Porto: Fundação Eugénio de Andrade, 2005, p. 242. - [Data de escrita do poema: 27-12-1979]. - Ver e-CAM.

FICÇÃO




 TEATRO 


António Manuel Couto

  • VIANA, por António Manuel Couto (1986) encenação da peça Camões e o Jau em Macau [autoria do texto ?]. In: Independência: revista de Cultura Lusíada / Sociedade Histórica da Independência de Portugal, n.º 4 (1986), Lisboa, p. 3-4. - [Dir. J. A. Pestana de Vasconcelos. - Lisboa : S.H.I.P.].

Casimiro de Abreu

[imagem]
Camões e o Jau: cena dramática
de Casimiro [José Marques] de Abreu
Lisboa: Tipografia do Panorama, 1856.

Peça representada no teatro D. Fernando em 18 de Janeiro de 1856.

  • Abreu, Casimiro [José Marques] de (1980) Camões e o Jau. – Reprodução fac-similada da 1.ª ed., 1856. - Apresent. Aldio Leite Corrêa; estudo prévio de Maximiliano de Carvalho e Silva. Niterói: Comissão Esp. do IV Centenário da Morte de Luís de Camões.
  • Abreu, Casimiro de (1972) Casimiro José Marques de Abreu's play, Camões and the Man of Java: together with Author's Prologue and an Introduction by the Translator, Edgar C. Knowlton Jr., in Boletim do Instituto Luís de Camões, vol. VI, n.º 1-2 (Primavera e Verão de 1972), Macau: Imp. Nacional, p. 123-138. - 📕 prólogo  📘 peça traduzida. - Ver e-CAM.
  • Abreu, Casimiro de (1972) Camões e o Jáo: cena dramática. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, 1972.

  • Abreu, Casimiro de (s.d.) Poesias completas / de Casimiro de Abreu: Canções do Exílio – Camões e Jau – Brasilianas – Cânticos, As Primaveras e Páginas em prosa. -  Nova edição rigorosamente revista, com um prefácio de Murillo Mendes. Rio de Janeiro: Edições Spiker, s.d. -  222 p. (14x21 cm).
  • Abreu, Casimiro J. M. de (1902) Obras completas: - "Novissima edição, precedida de uma uma noticia sobre o auctor por M. Said Ali. - Rio de Janeiro, S. Paulo: Laemert & C.ª Editores. - [PDF2]
  • Abreu, Casimiro J. M. de (s.d.) Obras completas: "colligidas, anotadas, precedidas de um juizo critico dos escritores nacionaes e estrangeiros e de uma noticia sobre o autor e seus escritos por J. Norberto de Souza Silva". - "Nova edição ornada com o seu retrato". - Rio de Janeiro: Livraria de B. L. Garnier Éditor. - [PDF2]
  • Abreu, Casimiro J. M. de ([1883]) Obras completas"contendo As Primaveras as com treze inedictos; Camões e Jáo; Dous romances em prosa  precedidos de um estudo biobibliográfico-crítico e de várias notas bibliográficas pel' Dr. Jr. Je. de Carvalho Filho, Director do Collegio Amorim Carvalho. - Novissima edição popular e única completa. Rio de Janeiro: Typ. da Escola de Serafim José Alves – Edictor.
  • Abreu, Casimiro J. M. de (1867) As primaveras. - “2.ª ed. (3.ª de Lisboa) accrescentada com novas poesias”; O Camões e o Jáo [p. 195-211] e dois romances em prosa: o juízo crítico de varios escriptores brazileiros e um Prologo por M. Pinheiro Chagas". - Lisboa: Typ. do Panorama. - [PDF] | Reed.: Lisboa: Imp. Joaquim Germano de Sousa Neves, 1871. / 1875. | Reed: Lisboa: Mattos Moreira & Cardoso, 1882. | ... | São Paulo: Livraria Editora Martins; Instituto Nacional do Livro, 1972. - [PDF]
  • Abreu, Casimiro de (1856) Camões e o Jau: cena dramática. Lisboa: Tipografia do Panorama.
  • ABREU, Casimiro de (1855) Camões e o Jáo: scena dramatica / por Casimiro Abreu. – Mss. autographo, assignado pelo poeta e datado de 1.12.1855. – Incompleto, e parece o primeiro esboço da composição. – Em que arquivo se encontra?

 MÚSICA 




 Homenagem a Camões: lamentações de Jau: 
 melodia para piano 
Maria Cornelia de Mello de Castro Pacheco
Lisboa: s.n. [Lith. R. das Flores], 1870.
Na BNP, em Lisboa1 partitura (2 p.) ; 37 cm
[PDF]



 ICONOGRAFIA 





  “Camões na Gruta de Macau”, 1900  
Ilustração de Roque Gameiro & Manuel Macedo
e fotogravura de P. Marinho. 
In: Os Lusíadas / LUiz de camões, "Grande Edição ilustrada",
revista e prefaciada por Sousa Viterbo.
Lisboa: Empreza da História de Portugal Sociedade Editora,1900.








para saber +











Redação: início em 24.08.2026







Sonetos a Dinamene, de Guilherme de Almeida






Sonetos a Dinamene

de
Guilherme de Almeida 



Dir. António Ferro, Amílcar Dutra de Menezes
Lisboa: Secretariado da Propaganda Nacional; 
Rio de Janeiro: Departamento de Imprensa e Propaganda, 1942.



  SONETOS A DINAMENE  


"Entendei que segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos"
Luís de Camões

I

Dama dos olhos verdes, quando outr'ora
A mi viestes esquiva e mui a mêdo,
Eu vos bem-disse, porque amor ignora
Que é grande mal o bem que se vai cedo.

Ora vos ides qual me viestes, e ora
Não mais qual era por aqui me quedo,
Eu na mor desventura e vós, Senhora,
De ledo coração e ânimo ledo.

Se a dor ao infeliz glórias empresta,
Se malfadado fui para o não serdes,
Bem haja a vossa insídia desonesta,

ó Senhora fatal dos olhos verdes!
E bem haja a saudade que me resta
Do muito que vos quis sem me quererdes!

II

Não sei se por virtude ou por fraqueza
Me fui de vós, Senhora, enamorando,
Que de amar só cuidava, mal cuidando
Ter Amor em ser fraco a fortaleza.

Mas tanto que de vós fui dócil prêsa,
Fêz-se-me a vida um mar já mau, já brando,
E igualmente que rindo, suspirando,
Com tanta fé segui quanta incerteza.

Entanto qual me viestes tal partistes.
Meus dias, pelo mal que me fizestes,
Mais fremosos se fazem de tão tristes.

Vós nada me deixais, pois dês que viestes
De mi tanto vos dei, que não pedistes,
Quanto vos eu pedi, que me não destes.

III

Alma que de meu corpo te apartaste,
Corpo que de minh'alma te partiste,
E que dest'arte em dois me repartiste
E n'uma só desdita a ambos juntaste.

Qual vida é igual à morte que inventaste?
Qual morte mais do que tal vida é triste?
Que humano ser tão desumano existe
Que haja sua igualdade em tal contraste?

Ante a razão por que a razão cativa
No próprio cativeiro acha confôrto,
E às vezes se abandona, outra se esquiva,

Chego a quedar-me ante mi mesmo absorto,
Alma sem corpo, que não sei se é viva,
Corpo sem alma, que não sei se é morto.


IV

Naquela soidão, naquela altura
Onde os olhos nos montes apascento,
E é o sonho, no seu doce alheamento,
Mais verde de esperança que a verdura;

Onde a vida adormece, e de mistura
Aos sentidos se afaz o entendimento,
Ali me vos figura o pensamento,
Branda de pensamento e de figura. 

E se vos vejo queda, ou se cuidosa,
Gentil agora, agora desdenhosa,
Fecho, por melhor ver o olhar tristonho,

Que é minha condição êste desejo,
Não de vos ver, mas de sonhar que vejo,
Não de sonhar, mas de vos ver em sonho.

V

Dura pena que dura sem medida
Por um crime d'amor breve e fortuito;
De flor ditosa desditoso fruito,
Este colhido, aquela fenecida;

Lágrima não chorada, que pendida
Ficou à espreita n'um olhar enxuito,
Vendo em tão pouco bem e mal tão muito
Tão curta vida e morte tão comprida!

Como mudar-me posso de lembrar-me,
Se com lembrar-me apenas de mudar-me
Nisso estou ocupando o pensamento t

Sofro mais do que sou do que hei sido,
Pois não é tanto mal o mal sofrido
Como é lembrar o mesmo sofrimento.

VI

Quando na estimação dos meus errores
Ponho o meu aplicado pensamento,
E nisso em que busquei contentamento
Contento-me em buscar os desfavores;

Quando vendo-me estou dos seus rigores
Vencido, e inda feliz do vencimento,
Tenho pena do seu merecimento,
Se é que de pena são merecedores. 

Por o que toca ao sonho, e não à vida
(Que aquele era presente, esta esquecida),
Cuido que adormeci de olhar aberto,

Pois tanto era o que olhava, mas não via!
Tão perto o que era longe parecia!
Tão longe parecia o que era perto!









Guilherme de Almeida
1890-1969 





para saber +

Guilherme de Almeida
Camoniana
"Com uma apresentação de Afrânio Peixoto, 
escrita em MCMXLIV e versada em linguagem propositadamente arcaizada"
Coleção Rubaiyat
Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1956.
- 116 p.






Redação: 24.08.2026














DINAMENE, DINAMENES - A musa asiática celebrada




 O Arrependimento do Amor / 《愛的遺憾》/ The Regret of Love | 2026 
por Leong Kit Man / 梁潔雯
Seda, pigmentos minerais / 絹本、礦物顏料 / Mineral pigments on silk
400 x 180 cm

Ver e-CAM

 Um drama amoroso e poético camoniano 
recriado ao longo do tempo 


A relação entre Luís de Camões e a jovem chinesa Dinamene que este amou durante a sua estadia no Oriente, concretamente em Macau, e que terá perecido no naufrágio do Mekong — constitui um episódio bastante debatido da vida e também da obra do poeta.

Episódio com traços romanescos, ele inpirou e continua a inspirar numerosas recriações poéticas, ficcionais, dramáticas e também artísticas, como a música e as artes plásticas.

Objeto de artigos e de breves monografias, atualmente está a ser estudado por jovens investigadores, de origem chines e portuguesa, nas suas dissertações académicas.

Neste verbete, daremos conta de alguns nomes de autores e títulos de obras nessas várias áreas.


PARA UMA CONSTITUIÇÃO DO CORPUS DINAMENIANO
EM CAMÕES



Os sonetos (inventariados por Afrânio Peixoto)
Outros géneros cultivados por Camões?




Luís de Camöes
Dinamene : Alma minha gentil 
"estudo de Afrânio Peixoto seguido de 44 poesias de Luís de Camões"
1.ed., Lisboa: Oficinas Gráficas da Bibiblioteca Nacional, 1926
[169, [7] p. : il. ; 18 cm]

Luís de Camões
Dinamene: celebrada serás sempre em meu canto
Introd. e notas de Afrânio Peixoto 
Sep. [100 exemplares] da Revista da Academia Brasileira, vol. 17, p. 261-327.
Rio de Janeiro: Benjamim Costallat & Miccolis, 1925
[70, [2] p. ; 24 cm].


ESTUDOS

  • Azevedo Filho, Leodegário A. de (2019) Dinamene: alma minha gentil, que te partiste.  Rio de Janeiro: ABRAFIL [Revista da Academia Brasileira de Filologia], 2009. - [60 p. ; 21 cm].
  • Correia, João Frade (1946) Dinamene ou o drama psicológico de Camões. S.l. : s.n. [Castelo Branco: Tip. Semedo]. - [110, [1] p. ; 20 cm].
  • Gonçalves, Luiz da Cunha (1951) Quem era a "Alma minha gentil" e a "Dinamene" de Camões. - Sep. Memórias Classe Letras, 5. - Lisboa: Academia da Ciências. - [14, [1] p. ; 24 cm].
  • Ribeiro, Eduardo (2021) Camões e a moça china, Fénix – Revista dos Amigos do Instituto Confúcio da Universidade de Aveiro, Anual, n.º 1 (2021), p. 24-26.

OBRAS LITERÁRIAS e ARTÍSTICAS


 LITERATURA 



Maicon Tenfen
Dinamene
Projeto gráfico de 
Vilmar Schuetze e Jean Valim; 
ilustrações de Rubens Belli.
Ituporanga, Santa Catarina, Brasil: Ronin / Ed. Salto Grande Ltda, 2021.

Ver e-CAM.



Carlos Morais José
O Arquivo das Confissões: Bernardo Vasques e a Inveja: romance
Macau: Livros do Oriente, 2016.
2.ª ed., Lisboa: Arranha Céus, set. 2018.
Trad. para língua inglesa:
The Archive of Confessions: Bernardo Vasques and Envy
Trad. David Brookshaw. Macao: PraiaGrande Edições, 2019.

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Mário Cláudio
Os naufrágios de Camões: romance.
Lisboa: Dom Quixote, 2016.

Maria João Lopo de Carvalho
 Até que o amor me mate: as mulheres de Camões
Amadora: Oficina do Livro, 2016.


Antônio R. Amaral
Camões e Dinamene. - [Drama em 3 atos].
Cenários e gravuras desenhados por Vicente Passos. 
S.l.: s.n. [ed. de autor?], s.d. [1947].
[54, [10] p. : il. ; 20 cm].

Cf. nótula sobre a obra na secção "No Mundo das Letras",
em "Letras e Artes", Suplemento de "A Manhã"
Rio de Janeiro, Ano 2, n.º 46, 29.06.1947, p. 3. | [PDF]



 ICONOGRAFIA 



 O Arrependimento do Amor - pormenor com o afogamento de Dinamene 
《愛的遺憾》/ The Regret of Love | 2026  
Leong Kit Man / 梁潔雯
Seda, pigmentos minerais / 絹本、礦物顏料 / Mineral pigments on silk

Ver e-CAM


      "Perda de amor", 2020 - Aguarela por Scarlett Ma     
que ilustra  a sua obra: Para Camões: um diálogo com o poeta 
através da música e da pintura, atravessando 400 anos     
         致賈梅士 /    用樂與繪,與詩人跨越400年的心靈對話    
Livro e CD.
Edição, ilustração, compilação de Scarlett Ma / Ma Ying Ying / 馬 瑩瑩
Composição e interpretação das canções do CD da obra por Scarlett Ma.
O seu livro-CD ilustrado reúne vários poemas e canções
algumas destas inspiradas e outras traduzidas
dos sonetos de Luís de Camões.
Tradução: Cindy Yan.
Macau: Instituto Cultural de Macau, set. 2020
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  Camões e Dinamene, 2017 - de José de Guimarães  
Serigrafia: papel Artesanal, color, 56 x 71 cm.
Lisboa : Centro Português de Serigrafia.
© Imagem no CPS.


  Ah minha Dinamene..., 1982 - de José de Guimarães  
1 gravura: serigrafia, papel, color. ; 75x56 cm.
A obra está catalogada em 
Volta ao mundo: obra gráfica = Around the world: graphic works
de José de Guimarães, com textos Raquel Henriques da Silva.
Lisboa: INCM - BNP, 2019, p. 158.
© Imagem na plataforma P55.ART.


"Luís de Camões", 2007 - Ilutração de Danuta Wojciechowska
in Ana Oom - Luís de Camões, da Col. "Nomes com história"
Lisboa: Zero a Oito, 2007.

 TEATRO 


AH! MINHA DINAMENE! 

TEATRO | 2018
Obra com encenação de José Maria Dias, 
música de Jorge Salgueiro, violoncelo Marco Madeira.
Produção: 
Teatro Estúdio Fontenova.
in e-CAM, 21.08.2026


 MÚSICA 


Ah! Minha Dinamene!
 de Jorge Salgueiro, 
op. 264, poema de Luís Vaz de Camões. 
Palmela: Jorge Salgueiro, 2018.
DINAMENE 2 |  No Youtube, vídeo - 03:29
Composto para a criação do Teatro Estúdio Fontenova AH! MINHA DINAMENE! 
com encenação de José Maria Dias, 
música de Jorge Salgueiro, violoncelo Marco Madeira.


Canção "Dinamene
Faixa 2 da trilha Sonora de "A página perdida de Camões" 
letra por Luciano Milici
cantada pela Banda Polifônicos.
No Youtube, vídeo - 04:08

Dinamene 

Não reclame, alma minha
se meu beijo é salgado e mortal
a vida ensina,
porcelana da China,
que a eternidade é feita de sal

Dinamene, minha Dina
Dinha minha...menina

Não suspire, alma minha
quando ouvir minha voz cantar
poemas e cenas
coisas pequenas
que não explicam o que é amar

Dinamene, minha Dina
Dinha minha....menina

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,

Repousa lá no Céu eternamente

E viva eu cá na terra sempre triste.

Não demore, alma minha
quando nosso barco naufragar
no rio infinito
da ninfa e do mito
um dia poderei voltar

Dinamene, minha Dina
Dinha minha....menina

Não me esqueça, alma minha
daquele rock dançado a dois
do rio chinês
do amor português
que foi seu, nessa vida e depois

Dinamene, minha Dina
Dinha minha....menina

Se lá no assento etéreo, onde subiste,

Memória desta vida se consente,

Não te esqueças daquele amor ardente

Que já nos olhos meus tão puro viste.

Dinamene, minha Dina
Dinha minha....menina

Poster do "filme" na página de fâs do Facebook, 5.07.2012

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 FILMOGRAFIA 



O poeta Luís de Camões e Dinamene, personagens do filme "Taprobana", 2014

TAPROBANA

CURTA-METRAGEM
Portugal: 23 min; Super-16 mm transferido para HD/cor.
Realização de Gabriel Abrantes
Com Jani Zhao, Natxo Checa, João Pedro Vale, Alexandre Melo.
Produção: A Mutual Respect Productions | Portugal
Vimukthi Jayasundara | Sri Lanka
CPH DOX:LAB | Dinamarca.
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Redação: 21.08.2026, atualizado a 23.08.2026

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