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2026/08/26

Camões nas aguarelas de Zélia Reis Ferreira


 “O Poeta de Portugal”, 2026 - Aguarela 
por Zélia Reis Ferreira
do processo de criativo da artista.

 Vida e Obra de Luís Camões 

  COLEÇÃO DE AGUARELAS  

de Zélia Reis Ferreira

2026

Da história de Lisboa...

Num projeto anterior, Zélia Reis Ferreira criou "um acervo de interesse histórico" da capital em parceiria com o Hotel InterContinental de Lisboa. O desafio foi executado em público, à vista dos hóspedes ou visitantes das instações hoteleiras, e culminou com uma coleção de cerca de 50 aguarelas. Os temas das obras abrangeram desde "Olissipo (Lisboa romana), passando por Al-Ushbuna (Lisboa árabe)", pelo "período de 1147, a conquista de Lisboa aos mouros",  por 1755, data do "Terramoto de Lisboa, até aos dias de hoje".

Diz-nos a artista (na sua página do Facebook), que a iniciativa permitiu encher o "grande hotel de 5 estrelas de renome iternacional que é o InterContinental de Lisboa com um acervo em exposição criado no local e exclusivo desta grande capital e sua história."

... à vida e à obra do poeta Luís de Camões...

Atualmente, a artista plástica Zélia Reis Ferreira desenvolve um projeto visual contínuo dedicado a retratar momentos fundamentais da vida e da obra épica do poeta Luís de Camões, utilizando a aguarela como principal técnica de expressão. 

O conjunto de obras centra-se em episódios biográficos, desde a juventude, o seu encarceramento na Cadeia do Tronco em Lisboa e, sobretudo, a sua trajetória como poeta-soldado por terras do Oriente, onde conhece a sua companheira Dinamene, compõe parte da sua epopeia nos penedos da colina de Patane, em Macau, e o seu conhecido naufrágio quando regressa a Goa, na Índia. Alguns episódios de Os Lusíadas, como o do Velho do Restelo, do GIgante Adamastor ou bélicos, também foram objeto do seu interesse artístico. A coleção pode ser apreciada como uma biografia ilustrada, que transforma em imagens os momentos mais marcantes da vida do Poeta, e como uma ilustração da obra magna do mesmo. 

... em aguarelas.

A artista partilha publicamente o desenvolvimento e o processo de criação das suas aguarelas quer no lobby do InterContinental Lisbon quer nas redes sociais, contando com o apoio institucional e a divulgação de entidades como o Hotel InterContinental Lisbon.

Zélia Reis Ferreira sonha e as aguarelas camonianas nascem. De origem angolana e com raízes em Faro, a artista plástica, "uma vez mais" tenta "transcrever para aguarela com um 'olhar angolano' mais uma pequena e parte da História desta "grande nação" Portugal, com uma grande história", diz-nos nos textos que acompanham as suas partilhas artísticas no Facebook.

  Zélia Reis Ferreira durante o seu processo de trabalho no Hotel InterContinental Lisbon  
© Todas as imagens mostradas neste verbete são do Facebook da Artista.

Zélia Reis Ferreira
[Zélia Maria do Carmo Reis Ferreira]
n. Benguela, Angola 1.10.1961

Artista plástica angolana
com raízes em Faro, no Algarve.

Formada no Instituto Diderot de Belas Artes, em Bruxelas, Bélgica
onde aprendeu pintura de aguarelas, carvão, trompe l’oeil, 
falso mármore, arquitetura e decoração de interiores. 

Tem participado em exposições individuais e coletivas 
em Angola, Portugal, Bélgica, França e Emirados Árabes Unidos,
de que ese destacam as seguintes:

“Angola… Aguarelas no nosso coração” (2021), exposição individual de aguarelas,
na Sala dos Atos do Cabido, na Sé Catedral de Faro. | Vídeo, 2:49.

 “Península Ibérica” (2000), exposição individual de aguarelas
no Centro Cultural Espanhol “Pablo Iglesias”, em Bruxelas.

“Março Mulher” (2017) exposição individual dedicada à mulher angolana, em Faro.

 “Loanda – Aquarelas da Nossa Memória” (2015), exposição individual 
de aguarela e óleo, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda.

Foi distinguida com Medalha de Ouro pela sua obra “Sorrisos” 
na ArtShopping Paris, no Carrousel du Louvre (2017),
onde participou representando Angola, e
também com a sua obra “Cupido” na INDEX Dubai, 
nos Emirados Árabes Unidos(2018).

A obra de Zélia Reis Ferreira destaca‑se 
"pela capacidade de preservar, através da pintura, 
fragmentos da história e da memória coletiva angolana."


 ÁLBUM 


 A VIDA DO POETA 


 "Luís de Camões sob a tutela de seu tio D. Bento de Camões", 2026 - Aguarela 
por Zélia Reis Ferreira
Processo artístico de criação:

 "Camões foi Preso na Cadeia do Tronco", 2026 - Aguarela 
por Zélia Reis Ferreira
Processo artístico de criação:

      “A Gruta de Camões ”, 2026 - Aguarela      
por Zélia Reis Ferreira
Processo artístico de criação:

 “Luís Vaz de Camões o Náufrago, 1566”, 2026 - Aguarela 
por Zélia Reis Ferreira
Processo artístico de criação:

 “Dinamene a Musa Chinesa de Camões”, 2026 - Aguarela 
por Zélia Reis Ferreira
Processo artístico de criação:

 Camões e o Jau, 2026 - Aguarela 
por Zélia Reis Ferreira
Processo artístico de criação:

 A OBRA ÉPICA 


 Vasco da Gama, 2026 - Aguarela 
por Zélia Reis Ferreira

 "O Velho do Restelo", 2026 - Aguarela 
por Zélia Reis Ferreira
Processo artístico de criação:

 Luís de Camões Narra a História de Portugal - Episódio bélico, 2026 
por Zélia Reis Ferreira
Processo artístico de criação:

  "Adamastor", 2019 - Aguarela, 100x50 cm.  
por Zélia Reis Ferreira
© Imagem no Facebook, 29.03.2026

para saber +





in Lea.co.ao 



Redação: 26.08.2026

Camões e o Platonismo, de Francisco Miranda de Andrade



 'Camões e o platonismo: 
um problema de crítica literária' 
de Francisco Miranda de Andrade 

 100 anos da 1.ª edição: 1926- 2026 

 Sessão de lançamento da edição comemorativa 

Com a presença de 
Tiago Miranda de Andrade, Presidente da Fundação Miranda de Andrade 
e neto do autor; 
Jorge Sobrado, Vereador da Cultura e Património da Câmara Municipal do Porto;
 José Augusto Cardoso Bernardes, Comissário-Geral das comemorações 
dos 500 anos do Nascimento de Luís de Camões 
e Joel Cleto, Historiador e Consultor de História & Património da Fundação.

 ROTEIRO CAMONIANO NO PORTO 

 Percurso guiado pelo historiador Joel Cleto 


26 AGO. 2026 

16h30 - 18h00
Partida do Palácio da Justiça (Cordoaria) e chegada ao Palácio de Cristal.
ADIADO! (por condições meteorológicas adversas)

18h00 - 18h45
Sessão de lançamento do livro, na Feira do Livro do Porto

Organização:

Fundação Miranda de Andrade 


  CONVITE  

No dia 26 de agosto, convidamo-lo a descobrir o Porto 
através dos lugares que guardam a memória de 𝗟𝘂𝗶́𝘀 𝗱𝗲 𝗖𝗮𝗺𝗼̃𝗲𝘀.

Começamos às 16h30, com partida do Palácio da Justiça, no Porto, 
para um percurso por alguns dos mais emblemáticos espaços da cidade, 
numa homenagem ao poeta e ao seu legado.

No final da visita, seguimos diretamente para a 𝗙𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗱𝗼 𝗟𝗶𝘃𝗿𝗼 𝗱𝗼 𝗣𝗼𝗿𝘁𝗼, 
onde, às 18h30, apresentaremos a reedição de 
“Camões e o Platonismo”, de 𝗙𝗿𝗮𝗻𝗰𝗶𝘀𝗰𝗼 𝗠𝗶𝗿𝗮𝗻𝗱𝗮 𝗱𝗲 𝗔𝗻𝗱𝗿𝗮𝗱𝗲."
Fundação Miranda de Andrade



PROGRAMA



 Camões e o platonismo / Francisco Miranda de Andrade 

 Reedição comemorativa dos 
 '100 anos da 1.ª edição: 1926- 2026' 

"Esta reedição recupera um ensaio dedicado 
à presença da tradição platónica e neoplatónica na lírica camoniana, 
contribuindo para a valorização e divulgação do património literário português."

Francisco Miranda de Andrade
Tese de Licenciatura apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. 
Barcelos: Companhia Editora do Minho, 1926.


Descubra o Porto pelos passos de Luís de Camões

 ROTEIRO CAMONIANO NO PORTO 
"Este roteiro convida-o a percorrer locais onde a memória do maior poeta da língua portuguesa permanece viva, através de monumentos, ruas, edifícios históricos e espaços culturais que evocam a sua vida, a sua obra e a sua ligação à cidade."


 ÁLBUM 


© Fotos no Facebook da Fundação Miranda de Andrade


para saber +


in e-CAM, 26.08.2026


Fundação Miranda de Andrade | Facebook (com + info!)

in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997
Reprod. em DGLAB, Autores.





Redação: 26.08.2026, atualizado a 27.08.2026

CAMONISTA - Francisco Miranda de Andrade


  Francisco Miranda de Andrade  
n. Barcelos, 1902-1999
Professor, ensaísta e camonista.

Licenciou-se em Filologia Românica (do curso de Ciências Histórico-Geográficas), 
com a tese Camões e o Platonismo, a 29 de janeiro de 1926, 
na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Frequentou o curso da Escola Normal Superior de Lisboa,
após o qual seguiu a carreira de professor de liceu.

Foi diretor do Correio do Minho, de 1946 a 1949,
e colaborou noutros jornais: O Comércio do Porto
Diário Ilustrado e Comércio do Minho.
Colaborou também em muitos revistas portuguesas: 
Ocidente, LaborRevista de HistóriaBarcellos, Quatro Ventos.
E ainda no Boletim da Biblioteca Pública Municipal de Matosinhos
e no Boletim da Câmara Municipal do Porto. 

É o autor, provavelmente, da primeira tese académica portuguesa 
sobre a obra camoniana, com uma proposta inovadora:
Camões e o platonismo: um problema de crítica literária, 1926.




CAMONIANA


  • (1980) Notas camonianas, Boletim da Biblioteca Pública Municipal de Matosinhos, n.º 24, 3-16. - Há em separata. Texto redigido no "Porto, março de 1980."
  • (1959) Ao ritmo da vida: estudos e crónicas [PDF]. Braga : [s.n.], 1959. - 159 p. - Ver os seguintes estudos:  "Um busto de Camões em Paris", pp. 19-21; "Encontro com Afrânio Peixoto" [em dez. 1936. Texto redigido em "1947"], pp. 83-90.



Encontro com Afrânio Peixoto em Lamego, em dezembro de 1936

"[...] e recordo-me de que eu próprio, um tanto nervosamente, depois de citar Vieira e Aquilino, também exaltei o magnífico cultor da língua portuguesa, o estilista admirável, o mestre do camonismo contemporâneo, a quem pedi licença para oferecer um modesto e despretensioso trabalho meu sobre o lirismo filosófico de Camões."
Francisco Miranda de Andrade

Camões, poeta da fé. A poesia sacra de Camões

"Quase como resposta, saía em 1926, dois anos após a publicação da conferência de [Mendes dos] Remédios, uma obra que viria a abrir aqueles caminhos: Camões e o platonismo de Miranda de Andrade, estudo que se conta entre os primeiros trabalhos sobre Camões apresentados a concurso para provas académicas em Portugal. 

Sob a influência de Leonardo Coimbra e dos mestres da Faculdade de Letras do Porto, a quem o autor dedica esta tese de licenciatura, Andrade afirmava propor pela primeira vez nos estudos camonianos que o agostinismo fora uma das vias de acesso ao platonismo pelo poeta [pp. 66-77]. Salientando o pioneirismo desta indagação, “Não nos consta que alguém tivesse já abordado o assunto da hipótese que vamos expor” [p. 66], Andrade modalizava que “Não nos persuadimos, todavia, que fôsse a obra de Santo Agostinho a única fonte do platonismo do poeta” [p. 77], admitindo igualmente a via petrarquista: “Dessa forma, por mais duma vez os belos espíritos de Camões e de Petrarca se encontraram: – não só na imitação superior duma arte poética, mas também nas próprias fontes de pensamento e objecto de estudo” [p. 70]."
Felipe de Saavedra
in Boletim de Estudos Clássicos 70, 
Coimbra: Universidade de Coimbra, 141-178.



 'Camões e o platonismo: um problema de crítica literária' 
de Francisco Miranda de Andrade 

 100 anos da 1.ª edição: 1926- 2026 

 Sessão de lançamento da edição comemorativa 


Com a presença de 
Tiago Miranda de Andrade, Presidente da Fundação Miranda de Andrade 
e neto do autor; 
Jorge Sobrado, Vereador da Cultura e Património da Câmara Municipal do Porto;
 José Augusto Cardoso Bernardes, Comissário-Geral das comemorações 
dos 500 anos do Nascimento de Luís de Camões 
e Joel Cleto, Historiador e Consultor de História & Património da Fundação.

© Fotos no Facebook da Fundação Miranda de Andrade


para saber +


in e-CAM



in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997
Reprod. em DGLAB, Autores.






Redação: 26.08.2026

Camões nas óperas românticas musicadas por Friedrich von Flotow



___ As óperas camonianas 
de Friedrich von Flotow ___


"Vimos como uma ópera-cómica em um ato [L’Esclave du Camoëns, 1843] se transformou numa ópera em três, e, finalmente, em quatro atos. Depois de um libreto concentrado que, no entanto, apontava para várias pistas, vimo-la transformada em grande espetáculo, em alemão, francês e, na sua versão de maior difusão, em tradução italiana. 

Todos os textos enfermam da mesma abordagem superficial de Camões e da sua poesia, mas não deixa de ser curioso que a versão alemã de Putlitz [Indra, das Schlangenmädchen (A rapariga-serpente), 1852] é a que mais revela como o autor se informou da história de Camões, apesar dos seus defeitos como escrita dramática. Situa a ação em Sofala, aproximando-se assim da Ilha de Moçambique onde o poeta na realidade permaneceu, fala da sua vivência em Coimbra, outro dado verídico, a sua estadia em Goa, a morada em Macau que, diz, me ofereceu asilo amigável, para que eu pudesse cantar ali a glória da minha pátria, e é a única das três versões que refere expressamente Os Lusíadas

Em contrapartida, Alma, l’Enchanteresse [1878], mostra ser uma ópera de grande espetáculo, e creio ter sido esse o objetivo de Henri de Saint-Georges, depois de ter escrito L’esclave du Camoëns, que não resultou no sucesso que esperaria."
Vítor Amaral de Oliveira
in REC 2 (2026), p. 61


  Partitura manuscrita de L'Esclave du Camoëns  
"Table thématique de L'Esclave ou Camoëns, opéra comique en 1 acte, paroles de Mr. de St. Georges, musique par F. de Flotow", incluindo 14 fragmentos de pautas musicais anotadas pelo compositor, indicando o início da Abertura e as várias árias da obra (12 peças numeradas de 1 a 7 com números bis e ter)."
na Leiloeira Invaluable.com


   Friedrich von Flotow, 1812–1883   
foi um compositor alemão do período romântico. 
Embora seja universalmente lembrado pelo sucesso 
da sua ópera Martha (1847), a sua carreira em Paris ficou 
profundamente marcada por obras emblemáticas 
que fundiam a delicadeza melódica germânica com o espírito teatral francês. 
Entre estas produções destaca-se L’Esclave du Camoëns (1843),
 uma ópera relevante para o público lusófono devido à sua temática.


L’Esclave du Camoëns

 Opéra comique en un acte 

Libreto de Henri de Saint-Georges
com música de Friedrich von Flotow

Paris: Beck Éditeur, 1843. - [PDF1, PDF2]

Théâtre de l'Opéra-Comique, 1 de dezembro de 1843

 ARGUMENTO 

"Há apenas quatro personagens: Camões, D. Sebastião, José o estalajadeiro, e Griselda a escrava. Camões, cujos versos são cantados nas ruas de Lisboa, está homiziado na estalagem de José, morrendo de fome.

Griselda, sua escrava, afeiçoou-se a ele e canta à noite disfarçada de cigana sob o nome de Phœbéa, para recolher dinheiro e poder alimentar o infeliz poeta. 

D. Sebastião, durante as suas saídas noturnas e boémias, apaixona-se pela cigana e segue-a até a estalagem. Aí encontra o poeta, e como o rei está vestido de oficial, disfarçando a sua condição, vê no seu interlocutor, que não reconhece, um seu par, pois este diz-lhe que também fora militar. A conversa entre os dois não é muito curial da parte de Camões, pois o poeta, também não reconhecendo o seu interlocutor, lança uma diatribe contra o rei, que apoda de desumano, divertindo-se enquanto o povo sofre. E remata com a frase que, modificado o sentido, fechará o círculo da ação dramatúrgica: Eis o reino de um neto de Carlos V! O rei retém-se, sem dar importância à ofensa, e fala-lhe na desconhecida por quem se apaixonou, a mesma que lhe aparece, entretanto, e que Camões apresenta como sendo a sua escrava, que trouxera da Índia, de Goa. O encontro é ensejo para um trio entre Griselda, que conta como se tornou escrava, D. Sebastião, que exalta a sua beleza, e o interesse que tem na tal desconhecida, não reconhecendo ainda que é a mesma pessoa que descobrira nas ruas, e Camões, que reafirma perentoriamente que ela é sua escrava, deixando entrever que está apaixonado sem nomear o objeto do seu amor, o que suscita a réplica de Griselda que, igualmente, fala dos seus sentimentos, sem os desvelar.

Segue-se uma ação quase simultânea: vêm prender Camões, proscrito, que se esconde ajudado por José; Griselda fica a sós com o rei, que se declara e que a intima a pedir a alforria ao amo, para a fazer grande dama de Portugal, pois é ele mesmo o rei. Griselda, aterrorizada, acede, mas pede que, em troca, ele retire a pena ao seu amo, que nomeia como sendo Camões, cantando uma ária onde retoma a história das desventuras do poeta. 

O desenlace está próximo, Camões aparece, já preso, D. Sebastião apresenta-o aos presentes como um homem de génio, e para além da liberdade, oferece-lhe o melhor prémio que ele poderia obter, a mão de Griselda, sacrificando assim a sua paixão ao maior génio de Portugal. Camões exclama então: reconheço finalmente o neto de Carlos V."
Argumento por 
Vítor Amaral de Oliveira
in REC 2 (2026), p. 52-53

 🔊 Ouvir momentos da ópera 


  L'esclave du Camoens, música de Friedrich von Flotow 
Carl Petersson · Estera Rajnicka
Friedrich Von Flotow & Jacques Offenbach: Works for Cello and Piano
Sterling Records, 2013 | Vídeo no Youtube, 08.47

Friedrich von Flotow: 
compilação a partir da ópera "L’Esclave du Camoëns"
Atuação ao piano de Carl Petersson.
No Youtube, 7.11.2014 | Vídeo, 08:43



   Indra   

 Ópera romântica em três actos 

Libreto de Gustav [Heinrich Gans] zu Putlitz
com música de Friedrich von Flotow

S.l., c.1853. - [PDF1, PDF2]
Estreia no Teatro Imperial e Real da Corte, 18 dez. 1852.


Indra: romantische Oper in drei Aufzügen; 
zum ersten Male aufgeführt in dem k. k. Hoftheater nächst dem Kärntnerthor 
den 18. Dezember 1852
Text von Gustav Heinrich Gans zu Putlitz; Musik von Friedrich von Flotow.
1853

 ARGUMENTO 

"Agora é já uma ópera em três atos, a que foi dado o título de Indra em 1852 (publicada em 1853), rebatizada no ano seguinte com outro título mais sugestivo, Indra, das Schlangenmädchen (A rapariga-serpente), que segue nas grandes linhas o texto de Saint-Georges.

Para aumentar o libreto tornando-o mais espectacular, Putlitz acrescenta cinco personagens, desenvolve cenas já definidas no texto inicial, chama para primeiro plano a personagem do estalajadeiro José, a quem atribui uma esposa, Zigaretta, criando cenas pícaras entre ambos, que amenizam o conflito central, o mesmo da peça anterior, utiliza a figura de um oficial, Pedro, que entra também na disputa do amor de Indra, e cria uma personagem exótica, Kudru, uma mulher moura, líder de um grupo de artistas indianos. 

Para emoldurar o ambiente exótico em que a peça se deve desenrolar, cria coros de nobres, de marinheiros e da trupe de saltimbancos que acompanham a escrava Indra e a sua dona, a atestar a proveniência indiana da protagonista, encantadora de serpentes, coros que, um pouco à maneira da tragédia grega, pontuam a ação e dialogam com as personagens, até mesmo para introduzir alguns dados ainda não especificados previamente.

Parece estar construída uma base espetacular que justifica o aparato cénico e que, de algum modo, premeia a composição musical de Flotow, talvez o impulsionador da nova criação."
Vítor Amaral de Oliveira
in REC 2 (2026), p. 54

 🔊 Ouvir momentos da ópera 


  Abertura de "Indra, das Schlangenmädchen", 1939?   
Música de Friedrich von Flotow
Orquestra da Ópera Alemã de Berlim / Walter Lutze
No Youtube, vídeo - 06:15



 Alma, l'enchanteresse 

 opéra en quatre actes 

Libreto de Henri de Saint-Georges
com música de Friedrich von Flotow

Paris, 1878. - [PDF]


Henri de Saint-Georges (Auteur du texte)
 Alma, l'enchanteresse: opéra en quatre actes / de M. de Saint-Georges,
adapté à la scène italienne par A.[Achille] de Lauzières-Thémines [1818-1894]; 
musique de F. de Flotow...
Alma, L’ Incantatrice: opera  in  quattro  atti, 
adattata  alla  scena  italiana da  A.  de  Lauzières. 

Paris: Léon Escudier, Calman Lévy, 1878.

 ARGUMENTO 

Ato I - Em Goa
"Alma deixa de ser encantadora de serpentes e é apenas dançarina numa trupe de saltimbancos, numa cena inicial de grande espetáculo de canto e dança. A esta cena assistem alguns oficiais amigos de Camões, os mesmos que mais tarde se vão cotizar para pagar a viagem de volta do poeta à pátria saudosa. 

Depois da ária, que Saint-Georges aproveitou em parte de Indra, dando, neste caso, talvez o único traço oriental da descrição da natureza de uma Goa totalmente imaginada, sabemos logo a relação não declarada entre a escrava Alma e Camões. Este vai comprá-la a Kubli com o ouro que os amigos lhe deram, para a livrar de ser vendida a outro, e os versos cantados pela rapariga vão entretecendo uma possível paixão, nunca explicitada, num diálogo longo que gera uma dramaturgia de tensão sentimental, cujo desfecho se vai dar apenas no final. 

Alma é a mesma escrava que agora pertence a Kubli, o chefe da trupe. Há igualmente a cena pícara da discussão entre José e a mulher, agora nomeada Zingaretta. O primeiro ato acaba com a partida clandestina de Camões, que já não tem o dinheiro para a viagem, e de José e Alma que fazem questão de o acompanhar."

Ato II - Em Lisboa, no albergue de José 
"No início do segundo ato encontramos, pela primeira vez nas diferentes versões da ópera, Camões definido cenicamente com os atributos requeridos da sua personagem: sentado a uma mesa, escreve. Alma ouve o resultado dos seus versos, que exaltam a pátria e Lisboa e que, evidentemente, não reproduzem nada da poética camoniana. E tal como nas outras versões, Alma faz o mesmo périplo noturno da cidade para angariar dinheiro para o amo. 

O grande momento espetacular de conjunto, que em Indra era a saída da igreja, motivo para apresentação da personagem D. Sebastião, que aparecia como magnânimo, passa-se aqui em tempo de Carnaval e o rei, incógnito e grande folião, goza um dia de folia e de diversão: sejamos felizes e busquemos o prazer no amor, exortação que motiva um bolero, composição de Flotow que agradou sobremaneira aos críticos. 

Um ritornelo acompanha a cena do Carnaval. D. Sebastião, já no albergue de José, bebe um vinho da Madeira exaltando a dança, a euforia, o amor. E é nesta cena que Zingaretta lhe apresenta o cigarro e o ensina a fumar.

Camões aparece vindo de dentro da estalagem, e dá-se o encontro entre o rei e ele, sem reconhecimento mútuo, repetindo-se a cena das versões anteriores, em que Camões condena as atitudes do monarca. Bebem ambos à pátria e ao rei, que fala da paixão secreta que nutre por uma desconhecida. O aparecimento de Alma desencadeia a querela já conhecida anteriormente na versão original de Saint-Georges, e a altercação leva a que D. Sebastião se fira no punhal que Camões empunha. Alma e Camões fogem, entram os oficiais do rei, que querem ir apanhar o causador da luta, mas D. Sebastião prefere continuar a festa, negligenciando a tristeza e louvando o prazer da noite."

Ato III - Nas ruas de Lisboa
"O terceiro ato abre com o grande espetáculo do Carnaval nas ruas de Lisboa, e não deixa de ser coincidência, mesmo remota, que sugira o desfile até à Orta Navia que Camões descreve na Carta VI (Camões 2022). D. Sebastião mistura-se na multidão. Em dado momento revela a sua identidade, e sugere que continuem todos a divertir-se, como ele que deixa aos ministros a tarefa do governo. Pega num bandolim e canta um bolero, em que mistura Inês e Carmen e amores cruzados, mistura aleatória de nomes que sugerem a Carmen de Prosper Mérimé (Mérimé 1846) e Inês de Castro que vai dançar ao Prado. 

Quando volta ao albergue, José pede-lhe clemência para quem o agrediu. D. Sebastião concederia, mas isso compete ao primeiro-ministro, em mais um dado anacrónico. Alma pede a
Camões que fuja, pois o seu contendor era o rei e isso vai custar-lhe a vida. Camões canta uma ária cheia de amargura e quer entregar-se, mas ouve-se cantar na rua, é o povo que entoa os seus versos, o que lhe dá novo ânimo. Mas é tarde demais, os esbirros do rei vêm prendê-lo. Ainda há tempo para Camões e Alma cantarem um pequeno dueto em que finalmente declaram o seu amor."
Ato IV - No porto de Lisboa
"O quarto ato, curto, decorre no porto de Lisboa. Camões está preso. Alma canta uma ária, a historieta de dois homens que amam a mesma mulher, e ela deixa um para ir com o outro, prefigurando o desfecho da ópera que está para breve. 

As portas do castelo onde está o seu amado poeta abrem-se quando chega o rei. Este pede a Alma que cante para ele. Ela responde-lhe que não pode estar alegre, quando aquele que ela ama geme no fundo de uma cela. Os prisioneiros saem em fila, algemados, o povo grita pela justiça dos céus, o rei responde que deve punir os criminosos. 

Alma reconhece Camões entre os presos e pede clemência para aquele que ama: Ambos fi carão para a História. A sua glória tornar-vos-á imortal, diz ela. O rei, intrigado, pergunta quem é ele. Ao ouvir Alma pronunciar o nome de Camões, honra e glória de Portugal, D. Sebastião, glorifica-o e estende-lhe a mão, enquanto Camões abraça Alma."
Argumento por 
Vítor Amaral de Oliveira
in REC 2 (2026), p. 58-60

 🔊 Ouvir momentos da ópera 


 A soprano Maria Galvany [1878-1949] canta “L’incantatrice” (take 1) 
de Flotow em italiano. - Gravado em 1910 
no Youtube, vídeo - 04:22

Reprod. também em Opera Guide, no Youtube, vídeo - 04:15


 A soprano Maria Galvany [1878-1949] canta “L’incantatrice” (take 2) 
de Flotow em italiano. - Gravado em 1910 
no Youtube, vídeo - 04:18


para saber +


in e-CAM, 26.08.2026

Friedrich [Adolf Ferdinand] von Flotow (1812-1883) | Facebook (port.)

Henri [Marie Louis Vernoy] de Saint-Georges (1799-1875) | Facebook (fr.)

Gustav [Heirich Gans zu] Putlitz (1821-1890) | Facebook (eng.)

Vítor Amaral de Oliveira
in Revista de Estudos Camonianos 2 (2026), 
Macau: Rede Camões na Ásia & África, 47-62.

Vitor Amaral de Oliveira 
Revista de Estudos Camonianos Núm. Extra, «Ternate 2022», 
Macau: Rede Camões na Ásia & África, 66-78. 

Maria Aparecida Ribeiro
Convergência Lusíada, vol. 36, 
Rio de Janeiro, 161-180.

José Freire de Serpa Pimentel
A escrava de Camões, 
Revista Académica 1 (1845) 
Coimbra: Imprensa de E. Trovão.

Luis de Camoens
La Lusiade du Camoens: 
poème héroique sur la découverte des Indes Orientales 1
traduit du Portugais par M. Duperron de Castéra, 
Paris: Chez Huart, David, Briasson et Clousier, 1735.







Redação: 19.08.2026, atualizado em 26.08.2026

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